Pensar na solidão é como pensar na morte: um grande tabu. Não somos preparados nem para uma coisa, nem para outra. E elas acontecem, em algum momento, para todos. Seres humanos são gerados dentro de um outro corpo, que o protege, o alimenta e com ele divide emoções. Do nascimento até boa parte da infância vive na dependência total de outro ser, que pode ser a mãe, o pai, os avós, ou qualquer cuidador. As crianças são estimuladas à interação o tempo todo. Muitos pais têm o segundo filho, para que o primeiro não se sinta só. Assim, segue-se a trilha pré desenhada, em casa, na escola, na universidade, depois, no trabalho. Somos sempre estimulados a buscar companhia. Colegas, amigos, namorados, cônjuges. Pessoas desacompanhadas não são bem vistas. Mulheres, mais ainda. Isso faz com que não aceitemos nossa própria companhia, ainda que seja uma escolha. Nem todos desejam dividir a vida com alguém. Nem todos conseguem dividir a vida com alguém. Todos temos momentos ou períodos em que estamos sós, seja por escolha ou por imposição dos fatos. E lidamos mal com isso, porque nos rendemos ao julgamento alheio.
Coitada, sozinha no cinema sábado à noite.
Coitado, tão jovem e tão solitário.
Precisamos mudar esse conceito de que estar só é ser só, ou de que estar só é motivo de tristeza. Sabemos, desde sempre, que estar acompanhado não é garantia de felicidade. Também, que a solidão com companhia é a pior que existe. Mesmo assim, ainda somos compelidos a buscar companhias a qualquer preço, como se não pudéssemos nos bastar. Todos, em algum momento, nos sentiremos sós, e tudo bem. Não é preciso ter pena de si mesmo e nem aceitar o julgamento alheio. A gente se sente sozinho quando muda de escola, de trabalho, de cidade. Também os jovens que saem da casa dos pais para viver a própria vida ficam sós por um período (a menos que tenham saído acompanhados). Quando o casamento acaba. Quando os filhos saem de casa. Quando envelhecemos longe da família. São tantas as circunstâncias em que ficamos ensimesmados, sem ter com quem repartir as alegrias e tristezas, que deveríamos encarar com mais naturalidade e saber tirar proveito desses momentos. Ao invés disso, somos impelidos a procurar companhias, para satisfazer a opinião geral. Na maioria das vezes, entramos em relacionamentos vazios que não compensam. A partir do momento em que se toma consciência de que estar só não é um problema, que podemos ser felizes, o peso da solidão vai esmorecendo e dando lugar ao que chamamos de solitude. Quando você consegue suportar a si mesmo, aprende a suportar qualquer situação e sair dela quando bem entender.

