Rita Rheingantz em foto de Andréa Steiner

Amargo

Rita Rheingantz
Greta, única neta dos donos da casa em Gramado. Se formando em Agronomia na UFRGS (primeiro lugar no vestibular), de uma família tradicional de Uruguaiana. Lindíssima, inteligente, manipuladora e mimada. Afirma já ter agarrado Borghettinho depois de um show. Ainda defende o presidente eleito por ela.
Francesca trancou a faculdade de Turismo para ficar seis meses na Califórnia. Viagem marcada para os próximos dias. Ama carnaval e o Rio de Janeiro, faz aula de funk, viciada em academia, exala sexo. Tem uma gata preta, a Anitta. Não acordou para votar.
Fiona, farmacêutica e pesquisadora, roqueira e compositora, guitarrista de uma banda só de mulheres. Adoraria ter vivido o Woodstock. Hobby: desenhar. Estuda História da Arte, apaixonada por biografias, politizada, feminista e elegante, ruiva, magra e alta.
Colegas de inglês há pouco tempo, decidiram passar o fim de semana em Gramado, na casa dos avós de Greta.
Sairam sexta-feira no fim do dia para assistirem ao pôr do sol na estrada. Previsão de tempo primaveril, céu limpo com muito sol.
Greta passou na casa da Fiona para pegar as duas, teto solar aberto, ao som do “Canto Alegretense”. Com sotaque fortíssimo de Uruguaiana começa a contar, quase sem respirar, detalhes (sem edição) da noite anterior. Fiona, atordoada com a overdose de música nativista, resolve dormir no banco de trás como fuga. O relato todo virou um monólogo até Três Coroas.
Ao chegarem foram direto pra balada, sem jantar nem descarregar as coisas. Francesca desaparece e é encontrada no final da noite, saindo do banheiro com o moreno sarado que Greta se encantou ao chegar. Greta fica furiosa e decide deixar Francesca lá. Fiona, com o balanço do carro, começa a passar mal, e ao chegar na casa vomita vinho tinto no sofá de veludo açafrão, e segue vomitando o resto da noite. Greta acorda arrastando as alpagatas, toda de preto, de bombacha com um collant manga longa de ballet, tomando chimarrão, tendo chiliques ao ver a casa toda vomitada. Ao olhar pela janela vê Francesca feliz, abanando pelo vidro e por trás dela o moreno sarado. Fiona segue vomitando mas agora não sai do banheiro. Greta se nega a abrir a porta pra Francesca e num impulso diz que voltará sozinha pra Porto Alegre, deixará Fiona na rodoviária de Gramado e joga a mochila de Francesca pela janela. Fiona volta convalescendo-se no próximo ônibus. Francesca fica até segunda-feira na casa do moreno sarado e Greta chega em Porto Alegre, a 120 por hora, quase causando dois graves acidentes.
Terça-feira na aula de inglês – nenhuma das três são mais colegas.

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