Generated by All in One SEO v4.9.5.1, this is an llms.txt file, used by LLMs to index the site. # Oficina Santa Sede Oficina Literária Santa Sede ## Sitemaps - [XML Sitemap](https://oficinasantasede.com.br/sitemap.xml): Contains all public & indexable URLs for this website. ## Posts - [Textos e Notícias](https://oficinasantasede.com.br/textos-e-noticias/) - [Ala dos prazeres](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/ala-dos-prazeres/) - Havia, na Porto Alegre dos anos 1980, uma dupla de irmãos, os Cardoso, famosos em promover festas de verão, regadas a muito chope, muita comida, muito samba e muito mistério. Todos os que já tinham frequentado as festas da dupla comentavam que era algo fora do comum. Música envolvente. Comidas divinas. Bebida gelada na medida - [Pro fundo](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/pro-fundo-2/) - Foramestendidas assim. Sim, eu compreendo a impressão não tão boa. Oque está gasto e feio deve ser escondido, o que está alinhado e limpo deve serestendido. No varal da minha vó, as roupas gastas eram colocadas no pátio dacasa, nos fundos. Neste mesmo lugar deveriam secar as roupas íntimas. Ondeninguém pudesse ver, só os de casa. - [Perdão](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/perdao/) - Não bebi demais. Não pulei a janela escondida para dormir com alguém. Não fui na montanha russa mais alta do parque de diversões. Não participei de concursos de beleza. Não fui no festival que sempre assisto pela televisão. Não bati a porta e disse que só voltaria amanhã. Não me defendi quando me ofenderam. Não - [Justo](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/justo/) - Uma senhora na esquina da Jerônimo com a Marechal me pede ajuda. Com a coluna tão dobrada que só conseguia olhar o chão. tinha baixa visão, andava pelas ruas. Logo me deu o braço.- Sou bailarina. Conheci o mundo, Itália, Espanha, Alemanha. Falo muitas línguas, me chamo Professora Maria Helena. Pode fazer essa caridade de - [Cálculos](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/calculos/) - Tenho gosto por fotos, registros da vida passando pelos nossos olhos. O nosso olhar incidindo pelo ângulo, entendendo o foco, mirando um alvo, pensando em guardar na nuvem, fazer um drive, compartilhar entre os amigos. Registros contam as coisas como elas são. Sem o charme do texto, trabalham com a realidade, nos deixam expostos, as - [Em vez disso](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/em-vez-disso/) - Não tem nada por aqui, pode procurar pelos meus bolsos, abrir as gavetas, desbloquear meu celular. Procura também na conta bancária, na pasta do trabalho, nos arquivos antigos e na mesa do escritório. Pode tirar tudo do lugar e minuciosamente virar a noite em busca de respostas. Não perde tempo, não tem nada por aqui.Abre - [Mesa de Sebastião](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/mesa-de-sebastiao/) - Nove cadeiras ocupadas. Doze fotografias impressas e uma mesa de bar. Comidas para degustar regadas à tônica, mineral e cerveja, harmonizadas com uma saborosa conversa. Uma imagem em preto e branco, registra três cabides plásticos sustentando três vestidos de criança. Vestidos pendurados na cerca de uma suposta casa levada pela enchente. Elaborados. Costurados e bordados. - [A tempestade](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/a-tempestade/) - Nuvens enormes se pronunciavam no horizonte. As pessoas da cidade já começavam a recolher suas roupas dos varais. A previsão do tempo estava certa. À noite a chuva chegaria. Vento, raios e trovões. Todos correm assustados. A tarde virou noite em segundos. Cães latem. Não é uma tempestade comum. Há mais tensão no ar. As - [Porto Alegre 2070](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/porto-alegre-2070/) - O mundo colapsou. Os carros elétricos não vingaram. Os plásticos poluem completamente os tecidos humanos. Várias cidades litorâneas foram invadidas pelo mar. Falaram que houve um grande explosão, ou uma erupção vulcânica no fundo do oceano. Porto Alegre se transformou em uma lagoa com dois metros de água escura e densa. A população que sobreviveu - [Travessias](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/travessias/) - Quando eu naveguei por ali com os árabes no século XIV, já os encontrei, com suas andanças de norte a sul, sul a norte, pastoreando seus rebanhos. O homem mais rico era o que tivesse mais gado, assim como era desde a Antiguidade com aqueles que não se fixavam a lugar.Quando estive com os portugueses - [Fantasmas](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/fantasmas/) - O carro parou. Com toda essa eletrônica embarcada hoje em dia já não dá para tentar olhar o motor e avaliar o que aconteceu. Que quebrada essa daqui! Deixar se guiar por aplicativo dá nisso. Parar numa quebrada sinistra. Entre o abandono e o abandono. Sabe lá quem são essas poucas caras que me encaram. - [Simetrias](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/simetrias/) - Tenho uma camiseta azul da Hering, com uma estampa que fala em simetria da cidade. Claro que para ficar chique simetria da cidade está em inglês – city simetry. A estampa mostra a fachada de um edifício, com destaque para as escadas de incêndio externas. Essa estampa indica que a cidade da simetria é Nova - [Megalofobia](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/megalofobia/) - Porto Alegre, novembro de 2025Cara Silvia,Vi tua foto das Dolomitas. As montanhas são bem impressionantes. Talvez mais impressionante seja a escala da edificação que aparece junto a elas. Quer dizer, aparece. A gente tem que se fixar muito à foto para enxergar essa edificação. Alguém falou que as pessoas registradas na imagem parecem formigas. Para - [O que sobra](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/o-que-sobra/) - Minha mãe diz que a gente vive recebendo coisas. Diz ela que a casa foi construída com restos de outras casas reformadas. Diz que o meu pai também conseguiu restos de tapumes para montar a nossa casa. Isso ela diz. Eu não me lembro do meu pai. Minha mãe diz que ele foi embora antes de - [Encruzilhadas de um antigo país do futuro](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/encruzilhadas-de-um-antigo-pais-do-futuro/) - No final dos anos 1970 a terra escasseava no Rio Grande do Sul. Ainda não escasseava no Brasil, mas aí a questão era outra. As terras recebidas pelos colonos no final do século XIX, pequenas propriedades, já não davam conta da descendência de alemães, italianos e outros que haviam recebido lotes com prejuízo para os povos - [Relâmpagos pessoais](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/relampagos-pessoais/) - Foi em um verão, entre, talvez, três. Não lembro exatamente em que ano, mas foi ainda neste século. Talvez tenha sido em uma vez que cruzamos o estado de leste a oeste, de Porto Alegre a São Borja, passando por Santa Cruz do Sul e Santa Maria. Depois, de São Borja para sudoeste a Uruguaiana. E - [Fé](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/fe-3/) - Na adolescência, entre tantas crises existenciais, procurou a fé verdadeira. Entre tantos credos, se tornou um protestante evangélico. Como sua fé era a verdadeira, as demais eram falsas. E assim saiu pelo mundo denunciando aqueles que punham fé no erro, ou aqueles que simplesmente não tinham fé. Saiu pelo mundo denunciando a idolatria daqueles que achavam - [A leste das águas](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/a-leste-das-aguas/) - Um ano e meio se passou. Lembrou-me uma antiga história. “E esteve o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas, e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra.”E sobre Porto Alegre choveu cinco vezes o que costumava chover. E talvez outro tanto serra acima. E outro tanto nos vales - [Desgarrados](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/desgarrados/) - Lá se vão mais de quarenta anos. “Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas / Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas / Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas / E são pingentes nas avenidas da capital / Eles se escondem pelos botecos entre cortiços / E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias / E - [Contrastes](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/contrastes/) - Dorothea Lange e Walker Evans foram dois destacados fotógrafos estadunidenses cuja obra correu mundo a partir da década de 1930. Os Estados Unidos já eram possivelmente a maior potência econômica do mundo, na sequência da então chamada de Grande Guerra. Mas em 1929 houve a quebra da Bolsa de Nova York, e, nos anos seguintes, - [Silêncio](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/silencio-2/) - “No princípio criou Deus os céus e a terra.”E no seu tempo deu forma Deus à Terra e a toda vida que há nela. É o que está nas Escrituras Sagradas. E por um tempo Deus ainda falou. E tempos depois Deus não mais falou, a não ser indiretamente, por meio dos seus profetas. Com os profetas - [Uma casinha nas montanhas](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/uma-casinha-nas-montanhas/) - Ele me convidou para passar uma semana nos Alpes Suíços. Eu aceitei prontamente. A viagem foi longa, dessas que fazem a gente perder a noção das horas entre conexões, aeroportos iguais e cafés mornos. Mas, curiosamente, cada escala parecia uma pequena promessa: algo lá na frente valeria a pena.E valeu.Chegando lá, nos acomodamos numa casa - [Elas](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/elas/) - A filha distende,A mãe prende.A filha pede,A mãe concede.A filha exige,A mãe proíbe.No fio tênue de ganhar e perder A filha tenta A mãe alimentaA filha choraA mãe consolaA filha superaA mãe esperaNessa parceria de paz e guerra. A filha insisteA mãe persisteA filha encobreA mãe descobreA filha se lança A mãe lhe alcançaEntre o medo e - [A chuva em mim](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/a-chuva-em-mim/) - Eu gostava muito de chuva.Gostava do barulho dos pingos no vidro da janela, do som suave sobre o carro ou sobre a barraca quando eu ia acampar.Na minha infância, no verão, eu ficava junto à janela vendo as árvores mexerem-se com o vento que anunciava a chuva. Quando esse cessava, eu subia num banquinho, abria - [Crianças Massai](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/criancas-massai/) - Estive recentemente na Tanzânia. Conheci suas savanas, suas florestas, seus animais. Tentei registrar suas cores e sua luz. Um sol vermelho por detrás das acácias compunham o quadro que lembra o filme “O Rei Leão”. Fiz belas fotos coloridas. Lá conheci, também, uma comunidade Massai . Num país onde há em torno de 120 grupos - [Solidariedade](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/solidariedade/) - Dia quente, sol escaldante. A vendedora, com um manto sobre a cabeça, ajeita sua mercadoria no chão. Um menino se aproxima cheio de curiosidade. — Bom dia! O que a senhora está vendendo? A vendedora sorri, cansada, mas gentil.— Bom dia, meu filho. Tô vendendo alho que meu menino planta lá no sítio. É bom - [Os Sem Terrinha](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/os-sem-terrinha/) - Ele era jornalista, mas também fazia belas fotos. Diagramava jornais e panfletos para os movimentos sociais, montando as letras "set" nos títulos. O texto datilografado era colado abaixo. Fotos também. A impressão chamava-se "offset". Aprendi, com ele, a fazer essa diagramação quando era voluntária na ONG onde ele trabalhava. Eram os anos 80.Nos finais de - [Cadê o João?](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/cade-o-joao/) - A irmã mais velha corria de um lado para o outro, gritando: - Joana, você só tinha que cuidar do João enquanto eu ajudava a mãe. Como foi deixar ele sumir.As duas irmãs, uma de 12 anos e a outra de 10, Joana, dividiam as tarefas da casa: a mais velha ajudava a mãe na - [O grande rio](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/o-grande-rio/) - A enchente tinha tomado conta das ruas, mas para eles aquilo era apenas o começo de uma grande aventura. Juca e Nino remavam sobre um pequeno barco, agora transformado em nave de exploração. O bairro tinha virado um vasto rio.— A gente tá no afluente do Amazonas — disse Juca, o mais velho, com a - [Resiliência](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/resiliencia/) - Três vestidinhos de crianças pendurados para secar, um sofá ao lado da casa aguardando o calor do sol e as marcas na parede. Aquela linha marcada pela água que veio sem avisar, subiu sem pedir licença, em alturas nunca vistas. Invadiu portas, arrancou sorrisos de dentro das casas e deixou um silêncio pesado.Nos abrigos, a - [Morar em caixinhas](https://oficinasantasede.com.br/idiana-luvison/morar-em-caixinhas/) - A paisagem já não tem horizonte: tem paredes. Homens e mulheres vivem empilhados, numa respiração coletiva. O crescimento das cidades dá-se para cima. Todos querem ficar perto das escolas, do comércio, da vida cultural e social das cidades. Morar em casa, na maioria das vezes, significa gastar muito tempo em deslocamentos. Curioso pensar que, apesar de estarmos tão - [Neide](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/neide/) - Querida, Escrevo-te sem o peso das convicções, mas com a leveza de quem gostou de te ver rir naquela noite em que o tempo estava gostoso. Desde então, tenho andado com tuas palavras guardadas na mente. Gosto da distância entre o que somos e o que poderíamos ser. Há um encanto em não nomear nada, - [O dia em que um ET me visitou](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/o-dia-em-que-um-et-me-visitou/) - Estava eu sentado numa mesa do Mosaico, quando, de repente, as luzes do bar começaram a piscar. Um sinal, só podia ser. Curioso, olhei pela vidraça daquele portão que sempre fica fechado e vi uma pequena nave pousar atrás da entrada. De dentro saiu um ser baixinho, cabeça enorme e olhos brilhantes, mais curioso que - [Receita de Bolo de Chocolate](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/receita-de-bolo-de-chocolate/) - https://receitas.globo.com/tipos-de-prato/bolos/bolo-de-chocolate-facil.ghtml Massa 3 ovos, do tempo em que Deus os comia crus 1 e meia xícara de chá de açúcar, daquele da infância onde a doçura é completa Meia xícara de chá de óleo, o saudável, sabe? 1 xícara de chá de chocolate em pó 70% cacau Dr. Oetker, que traz o gosto intenso da - [O beiral da janela](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/o-beiral-da-janela/) - Lair Soares Corrêa, na obra Circunstâncias Poéticas, ensina que, às vezes, a chuva molha o beiral da janela, tirando toda a poeira que o vento jogou nela. Esta narrativa explora temas como conflito, transformação e emoção, muitas vezes usando a chuva, o vento e a tempestade como metáfora central. Há tempos me identifico com essa - [Superpoderes](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/superpoderes/) - Era verão, eu ainda criança, e estávamos na casa da minha avó, naquele instante sagrado das férias escolares. Ali, meus superpoderes ganhavam vida própria, não precisava nem da capa de herói ou do cinto de utilidades — a magia acontecia, pura, sem reservas. Uma vez, subi naquele muro que, aos meus olhos, parecia uma muralha - [Irmãos](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/irmaos/) - No silêncio matinal do campo, eles se encontram sob o grande sentimento da vida. Dois pequenos mundos orbitando um ao outro, quase como planetas que ainda aprendem a se reconhecer. O mais velho, com olhos que carregam a doçura de quem descobriu seu próprio universo, oferece uma sombra de proteção, um refúgio de carinho. Ao - [Identidade](https://oficinasantasede.com.br/itacir-schilling/identidade/) - No início parecia uma brincadeira, chegou de leve, sem pretensão alguma, apenas estampada com miúdos pingos de chuva. Olhei detidamente por alguns segundos e percebi que havia algo mais, porém, como de costume, deixei rolar. Não tenho o hábito de desvendar rapidamente, gosto daquele espaço, da troca em conta-gotas, do poder de imaginar e de - [Cidades de lona](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/cidades-de-lona/) - Em meados dos anos 1970, as tensões decorrentes do modelo agrícola excludente, adotado no Rio Grande Do Sul, se tornaram mais intensas, fazendo com que ressurgissem as ocupações de terras ociosas. Em setembro de 1979, centenas de agricultores sem terra ocuparam as granjas Macali e Brilhante no município de Ronda Alta. Em 1981, próximo dessas - [O Baio](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/o-baio/) - Nos fins de tarde de inverno, quando a névoa fria começava a se debruçar pelo pampa sem fim, ficávamos mateando na varanda, cobertos com mantas de lã feitas pela vó Firmina, relembrando histórias, roendo bolachas e rapadurinhas de leite compradas do lado de lá da fronteira. O velho Procópio, meu pai, cansado da lida, ficava - [Dez por cento](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/dez-por-cento/) - Diomar era um homem sem fé. Vivia de uma fabriqueta de ídolos, pequenos símbolos da fé alheia. Nossa senhora da Conceição, da Assunção, Aparecida, Virgem de Guadalupe entre outras, conviviam pacificamente com Yemanjá, Oxum e outras divindades de vários credos. Para Diomar, elas não tinham a menor diferença. Todas eram “santinhas”, sem que isso significasse - [Chuva de meteoros](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/chuva-de-meteoros/) - O tempo parecia não passar naquela terça-feira, feriado mundial. A humanidade finalmente chegaria ao planeta Marte. Todos os meios de comunicação aguardavam o momento exato em que viria a mensagem: “Houston, vamos tocar o solo!” Após décadas de preparação, esse sim seria um grande passo para a civilização. Para esse inédito feito, foram selecionados os - [Entre saltos e cantos](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/entre-saltos-e-cantos/) - Há três dias que algumas vacas se separaram do rebanho. Meu pai me mandou ir atrás delas e trazê-las sãs e salvas. Ele sofre com isso pois não teve nenhum filho homem, então eu tenho de ajudá-lo com as vacas e com os afazeres da família. Minha irmazinha Nala está sempre nas minhas costas e - [Rumo ao norte](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/rumo-ao-norte/) - A vida dos camponeses no sul era pesada e triste. Ainda ardiam as feridas da escravidão. A exclusão pela cor da pele era lei. Robert Leroy Johnson sempre quis fugir das lavouras e para tal, começou a tocar guitarra. No Brasil chamamos de Violão, mas é o mesmo instrumento. Como tantos outros de sua geração, - [Meu pai viajou](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/meu-pai-viajou/) - Quando observamos as populações que são oprimidas por guerras ou problemas econômicos, sempre nos sentimos fortemente tocados com duras imagens de crianças esfarrapadas, pedindo esmolas ou comida, com lágrimas que secam nas suas faces antes mesmo de caírem ao chão. Ver crianças palestinas chegando aos pedaços nos hospitais poeirentos da Faixa de Gaza ou de - [Torres](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/torres/) - Quando abri a porta, tocou um sininho, talvez porque pouca gente entrasse ali. Olho algumas fotografias, dissimuladamente, para não chegar direto naquela. - Moço, vocês têm esta aqui ? - Sim, podemos imprimir, sob encomenda. - O senhor sabe a metragem? (a conversa era sempre a mesma, porque eu sabia que não tinha nem parede, - [Amor Fati (ou: a vida encontra caminhos)](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/amor-fati-ou-a-vida-encontra-caminhos/) - Foi difícil abrir a porta, porque a madeira inchou depois de muitos dias submersa. Depois do primeiro impacto, após ter percorrido as três peças, voltei à sala de espera. Retirei o quadro, que estava com a parte principal virada para o chão e coloquei na rua, em uma cadeira. A água foi escorrendo devagar, e - [Cecília](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/cecilia/) - Tem coisas que a gente lê quando tem, sei lá, dez anos, que na época parecem muito simples: o poema Ou Isto ou Aquilo é uma delas. Os anos ensinaram que chegar ao simples é de uma complicação só, ou complexidade, para ser mais precisa e soar menos desorganizada. Ao menos para quem tem a - [A Vinda de Mainha](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/a-vinda-de-mainha/) - Sua bença, dona Capitolina! Estou lhe escrevendo para que a senhora não esqueça de um casaquinho pois aqui onde moro tá fazendo um frio que não é fácil de enfrentar, ainda mais para uma senhora nascida e criada no calor Recôncavo. Peço também que tome cuidado! O ônibus vai lhe deixar no maior terminal da - [Precisamos conversar](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/precisamos-conversar/) - Na América Latina, colonizada por europeus, a disputa pela espiritualidade sempre veio acompanhada da disputa pelos corpos. Escravização e imposição de hábitos considerados civilizados. Em geral, a espiritualidade cristã foi implantada junto a trabalhos forçados e costumes estranhos aos povos originários. Em uma cidadezinha no interior da Amazônia peruana, um conflito doméstico a cerca do - [Davi e Golias](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/davi-e-golias/) - Grande é o mar, e linha do horizonte, infinito onde os antigos navegadores acreditavam estar o fim do mundo; pequenas são as conchas que encontramos ao caminhar na beira da praia. Grande é o medo, maior do que tudo, que cresce no escuro e na noite; pequena é a coragem, que amanhece conosco no raiar - [Quo vadis domine?](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/quo-vadis-domine/) - Entre um lugar e outro, no meio do caminho, fora de casa, moram a incerteza e a espera. A casa é o lugar onde construímos sonhos e projetos, abrigados pela esperança. Que esperança pode ter quem não tem casa, está fora dela e busca por uma? É possível transmitir segurança aos filhos em zonas de - [Agridoce](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/agridoce/) - Faz de conta: faz de conta que somos um só, eu e tu, em versões de jovem (muito jovem) e velha (muito velha) e nos encontramos em algum lugar distante, de religião e costumes diferentes, onde as coisas acabam por ser iguais, como em todos os lugares do mundo, independente de onde o sol se - [Trocas](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/trocas/) - Vamos fazer um trato com Deus? Durante a missa, conversei o seguinte: Troco, ainda que rapidamente, um sacrifício por um ganho. Troco, mais lentamente, a escolha do que seria este sacrifício. Dias depois, troco, quase que sem pensar, o sacrifício escolhido: Por nada! Infelizmente, nunca tive paciência para o longo prazo. - [Vem](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/vem/) - Vem, meu irmão, vamos juntos: és mais novo, eu te carrego Abro os caminhos pra ti: te ensino a subir em árvores, correr mais rápido, e enquanto tudo isso não acontece, te dou de comer Te alimento com leite e sonhos: um tão necessário quanto o outro, porque uma existência sem sonhos é triste no - [Presenças](https://oficinasantasede.com.br/anne-borges-cafruni/presencas/) - “Quando eu era menino, falava como menino, apreciava (as coisas) como menino, discorria como menino”, diz a primeira epístola aos Coríntios. A gente vai crescendo e acrescentando. Somamos experiências, amores, amigos. Alguns maravilhosos, outros nem tanto, mas tudo conta. Na matemática da vida, as vezes desejaríamos substituir pessoas ou situações, mas a verdade é que - [Curandeira](https://oficinasantasede.com.br/marcio-koehn/curandeira/) - Homenagem a Dona Adelaide (in Memorian), Quilombola, Benzedeira e Líder Comunitária de Campo Duna, Garopaba, Santa Catarina, Brasil. Tô chegando aqui. Curandeira só Pra tirar sua dor. Benzedeira só Com a força da vida. Sou Erveira só. Com a força do Amor. Batuqueira só. Senta logo aqui. Curandeira só. Tô indo no mato. Sou - [Bonequinhas](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/bonequinhas/) - Um pouco do que restou. Ou na verdade nada restou de um tempo que ainda não conseguimos superar completamente. Dias escuros, molhados e tristes. Roupas de bonequinhas, sujas de lama como o varal que as segura, como a grade e as paredes da casa, como a vida de seus moradores. A vida foi coberta de - [Vertigem](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/vertigem-2/) - Do alto do trigésimo quinto andar, Valdir olhou para baixo com a fronte apoiada na imensa janela de vidro. Perguntou-se por que fizera isso. Logo ele que possui acrofobia desde criança. Afastou-se da janela meio tonto, aquela sensação de mal-estar a qual já estava acostumado em situações assim. Vertigem. Valdir é um ex-investigador da Polícia - [Aquele olhar](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/aquele-olhar/) - Antes do clique aquele olhar já estava ali, puro, cru, espontâneo e inocente. Fiquei encantado. Por um instante, paralisado, esqueci da máquina pendurada em meu pescoço. Só conseguia admirar aquela imagem. O guri de cabelos encaracolados, olhos claros e intensos, ao ver que eu estava com a câmera já foi me dando um “joinha” despretensioso. - [A bola](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/a-bola/) - O maior medo de uma bola de brinquedo não é ser furada e perder sua utilidade. Nosso maior temor é existir e não cumprir nosso propósito – trazer alegria, diversão e sorrisos. No início de minha vida, tristemente eu não exercia meu papel. Fui comprada por uma família abastada, onde eu nunca era escolhida para - [Thor, o deus de Capão](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/thor-o-deus-de-capao/) - Na mitologia nórdica, Thor é o deus do trovão e tempestades, filho de Odin, símbolo de força, proteção e coragem. Com seu martelo mágico Mjölnir, Thor seria capaz de invocar e controlar relâmpagos, diz a lenda. Em meus devaneios, certa vez criei na minha cabeça como seria se Thor viesse morar no Brasil na sua - [Matunaimi](https://oficinasantasede.com.br/adriane-ferreira/matunaimi/) - No vilarejo de Umoja, no norte do Quênia, os irmãos Kamau e Jitu inventam mais uma brincadeira para se divertirem sob o clima árido e desértico da região. Desta vez, Kamau, o mais velho, soube fazer algo parecido com o “jogo da velha”, usando um tabuleiro desenhado na terra, conchas e missangas coloridas que conseguiu - [Eu, formiga](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/eu-formiga/) - Como assim, quem você pensa que é? Eu sou um ser humano. Numa perspectiva teológica da era judaico-cristã, o ápice da criação. Quem está no mundo para honrar a Deus, ser Dele imagem, semelhança e, na falta de outro candidato, procurador. Portador de alma eterna e mente brilhante – a tudo dei nome, a todos - [Descaminhos](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/descaminhos/) - Há dois caminhos: o dos adultos e o das crianças. O caminho dos adultos leva adiante sem tempo para muitas reviravoltas. Tempo, que é dinheiro, pode valer tão pouco que toda perda será fome. Então, o adulto segue em frente, firme, convencido de que há pouco espaço para manobras enquanto a sorte não muda. Sonha - [Sozinho](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/sozinho/) - Sentou na terra escura, onde a areia parecia cinza de ossos. O sol forte despontava no horizonte. Demon encarou o mundo morto e pensou ser o último homem naquela terra. Quando sentiu as primeiras tensões de uma guerra nuclear iminente, investiu sua fortuna em um projeto de bunkers privados: abrigos subterrâneos equipados com tecnologia de - [Vidraças, vitrines e janelas do Google](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/vidracas-vitrines-e-janelas-do-google/) - O mundo é grande e cabe nessa janela sobre o mar Carlos Drummond de Andrade Seriam momentos de sonho ou lembranças? Foi ontem mesmo, mas lá dentro do sonho, faz tempo. Só tenho resposta certa quanto ao lugar: Canal 2 em Santos. Pensão Olimpia, 1960. Foi durante passeio no maior jardim contínuo do mundo, em - [Vejo Flores](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/vejo-flores/) - Vejo flores improváveis na casa cheia de lama. E se toda a água do mundo virar lama? Como salvar a dignidade de meninas que acabaram de ganhar vestidinhos coloridos para homenagear as mães na festinha da comunidade? A comunidade tinha, sim, um local para os momentos festivos, de acolhida, aprendizado. A convivência diária, ou quase, - [Birras, Dolomitas e uma vã filosofia](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/birras-dolomitas-e-uma-va-filosofia/) - Nos vastos Alpes italianos, entre o cansaço do trekking e uma simulada meditação, dei início à efetivação de uma epifania. Diante do Lago di Garda, sentei-me numa pedra e abri a mesa dobrável que consegui no hotel — tão frágil que, se o vento soprasse um pouco mais, viraria uma pandorga. Sobre ela depositei um copo e - [Coração aquecido](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/coracao-aquecido/) - Há milhares de anos, quando os primeiros lobos ousaram se aproximar dos agrupamentos humanos, talvez ninguém imaginasse que dali nasceria a mais terna história de amor entre espécies. Sentimento esse que, cruzando milênios, desembocaria também na minha vida, como um rio manso que sempre retorna ao seu curso. Minha infância foi moldada por patas - [Memórias em madeira](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/memorias-em-madeira/) - Sou feita de tábuas antigas, cheias de nós e memórias, e é daqui que conto minha história. Nasci das mãos trêmulas, porém convictas, de um casal que trazia no peito uma dor silenciosa. Perderam o único filho num inverno rigoroso, bem ali perto, onde a trilha se perde na neve. Ele adorava explorar montanhas, - [Sufocados*](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/sufocados/) - Tem dias que a gente se sente Com uma vontade louca de respirar A gente respira fundo, Ou do contrário vai sufocar A gente quer ter natureza No nosso bem viver, Mas eis que chega o progresso E não deixa mais isso acontecer Cresce muro, cresce espigão, cada vez mais rápido O tempo das cidades - [Greta e outras gretas](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/greta-e-outras-gretas/) - As montanhas sempre me fascinaram desde criança. A grandeza que elas têm mostra o quanto somos pequenos diante do colosso da natureza. Não passamos de simples grãos de areia quando nos deparamos, frente à frente, com essas gigantes. É de perder o fôlego. Não sou alpinista, nunca tive pretensão de ser, admiro quem pratica esse - [Vivas!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/vivas/) - Família sempre gosta de passear junto, levar os filhos para lá e para cá. Tem aula disso, aula daquilo, reunião aqui, reunião acolá sempre se envolvendo uns com os outros. Caminhando de mãos dadas, alegres a cantar. Lembro da primeira vez que meu filho mais novo começou a tocar flauta e aprender as primeiras notas - [Peso pesado](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/peso-pesado/) - Cada um nessa vida carrega um peso nas costas ou sua própria cruz, como dizem aqueles que creem em algo acima de nós. Não importa a origem. Mas que carregamos, carregamos. Uns mais, outros menos. Tem que ter muita força, fé e coragem para viver. Quando vejo uma criança ajudando outra, seja numa praça, num - [Tio Lúcio e a descarga](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/tio-lucio-e-a-descarga/) - Quando criança, tinha muito medo de raios e trovões. Corria para debaixo da cama ou me escondia atrás de algum sofá ou poltrona. O tio Lúcio, lá de Bagé, metido a analista, de forma lúdica e instrutiva, me pegava de cabeça para baixo e me colocava para tomar banho de chuva. Eu gritava, chorava e - [A espera*](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/a-espera/) - Quando vocês nos deixaram, meus pais Nos disseram que seríamos felizes e passaríamos bem Quase morremos de saudades, ficamos tristes Mas depois, nos acostumamos, aceitamos Quando vocês quiseram nos rever Já não nos encontraram mais, havíamos fugido, podem crer Olhos nos olhos, queríamos ver o que vocês fariam Ao verem que estávamos sós demais - [Promessa!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/promessa/) - Desde menina me impressionava com a quantidade de imagens, santinhos e pequenas relíquias religiosas que as pessoas compravam e guardavam como verdadeiros amuletos da sorte e da felicidade. Não conseguia compreender como esses pequenos objetos eram tão venerados por muitos. Afinal de contas, eram apenas feitos de gesso, por mãos humanas, às vezes artísticas, ou - [Ela vem chegando. Um dia](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/ela-vem-chegando-um-dia/) - Sem a gente esperar, em um determinado dia e hora, ela vem nos visitar. Às vezes sorrateiramente, como se tivesse numa canoa navegando devagarinho num rio calmo, no meio das brumas, sem pressa. Outras, vem correndo, abruptamente, invadindo nossas vidas, sem bater na nossa porta. Somos atropelados, literalmente. Ela nos persegue durante muito tempo, desde - [O Retorno](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/o-retorno/) - Um dos meus destinos preferidos em qualquer cidade que estou é conhecer suas principais igrejas, católicas ou quaisquer outras de denominação cristã. Para mim é o que importa. Fico sempre extasiadas com as obras de artes que elas possuem. As igrejas são tão belas, algumas simples, outras, suntuosas, que na maioria das vezes me transportam - [Indignos? Eles? Nós?](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/indignos-eles-nos/) - Você já observou que a miséria humana nos acompanha para onde quer que vamos? Não precisamos, infelizmente, ir para muito longe ou sair para outro país para vermos, as pessoas sofridas, doídas, esquecidas, cujos rostos carregam marcas de uma jornada dolorosa e triste. Essas pessoas não têm perspectiva de uma vida melhor e elas estão - [Teu olhar](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/teu-olhar/) - Quando olho nos teus olhos Vejo um raio de sol Brilhando em tua face Quando olho nos teus olhos Vejo estrelas cintilantes Espantando a escuridão da noite Quando olho nos teus olhos Vejo teu coração puro Batendo forte Quando olho nos teus olhos Vejo teus sonhos inocentes Querendo ser realizados Quando - [Cidade do nosso andar](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/cidade-do-nosso-andar/) - Amanheceu em Porto Alegre. Ao passar pelo canteiro central da Praça da Alfândega, no Centro Histórico, me surpreendi ao ver um acercamento de pessoas, atônitas, ao redor do monumento. Roubaram as estátuas, dizia um. Isso é impossível, retrucava outro. Como assim, impossível, é só olhar. Cadê os poetas? A essa hora foram derretidos, o bronze - [Virtual virtuoso?](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/virtual-virtuoso/) - A imagem das mãos de uma criança manuseando a areia tem múltiplos significados, podendo ser vista até como banalidade, principalmente no verão, quando milhares de famílias se aglomeram nas praias durante as férias escolares. Prefiro interpretá-la como uma figura histórica, de um tempo em que a convivência com elementos naturais, seja no litoral ou no - [A areia ensina](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/a-areia-ensina/) - Afundo os pés nela e me vêm uma lembrança do tempo que a gente nem se lembra, sabe?! De repente sinto na boca a textura estranha desses microscópicos grãos, do amargor e da expulsão imediata e frustrante depois do fascínio tátil. Dependendo da consistência e se as mãos forem pequeninas e gorduchas como uma retroescavadeira - [Tem piano?](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/tem-piano/) - Fiz poucas mudanças de endereço na vida, principalmente na comparação com alguns conhecidos. Um caso emblemático, por exemplo, é de minha querida amiga Ivone, em cujo título do primeiro livro de crônicas – o qual organizei com muita honra – apresenta Onze casas antes de casar. Ou seja, no intervalo entre ela ser criança e - [Alongamento de pupila](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/alongamento-de-pupila/) - Bem-vindos ao Alongaméritos, nosso tutorial especializado em alongamentos. Hoje vamos exercitar uma parte muitas vezes negligenciada de nosso corpo: as pupilas. Para quem imagina que o tema é pouco importante, avisamos: um dos momentos mais mágicos de nossa vida, a paixão, resulta em dilatamento das pupilas. Portanto, com nossos exercícios, você estará mais apto do - [Ora, pombas!](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/ora-pombas/) - Plasticidade, leveza, poesia, movimento, encanto. O revoar de pombas tem ótimo conceito no imaginário popular. Também é muito acessível: como essas aves tomaram todo o planeta e são (ou se tornaram?) urbanas, as praças estarão repletas de pombinhas, seja em qual país estivermos. Sozinhas, aos pares, em grupo. Em grande grupo. Enorme, muitas vezes. Quando - [Man](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/man/) - Como numa cápsula enviada para o desconhecido, ele se viu em um ônibus, olhando para trás e se perguntando se veria aqueles rostos novamente. Não, nunca mais. Ficou sabendo tempos depois que a favela, logo após sua saída, fora desmontada por conta de um programa habitacional da cidade. Adotado por uma família de classe média, passou a - [Sonhos e outras realidades](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/sonhos-e-outras-realidades/) - Há duas maneiras de compreender a preparação tradicional das meninas-moças em idade de conhecer pretendentes num passado que parece longínquo, mas que em tempo histórico foi ontem. A que me refiro? Aprender cozinhar e dominar a arte de preparar doces; acolher, zelar e educar as crianças; manter a casa organizada e limpa e, claro, costurar - [A pedra fundamental](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/a-pedra-fundamental/) - Uma pedra com a inscrição “Cristo nasceu de Maria”, encontrada em 2021, levou arqueólogos a confirmarem a existência de igrejas cristãs em assentamentos primitivos árabes há pelo menos 1.500 anos, em Israel. Segundo os arqueólogos, a pedra com o escrito em referência a Jesus Cristo continha sete linhas de escritos, que foram parcialmente destruídas pelo tempo, - [As melhores intenções](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/as-melhores-intencoes/) - Já contei que, na meninice, eu e minhas irmãs tentamos salvar um filhote de beija-flor que caíra do ninho? Pensa no tamanho de um beija-flor. Depois, pensa no tamanho do seu filhote. Agora, pensa na chance de isso dar certo. Pensando bem, nosso insucesso era mais do que evidente. Ainda assim, tentamos colocar água com - [A vida, a morte, Agatha e seu dedo](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/a-vida-a-morte-agatha-e-seu-dedo/) - Quando começamos a morrer? Muitos podem ser os parâmetros a responderem essa questão. Um interessante é “quando perdemos a curiosidade”. Cheguei a ele ao dar-me conta de que, no final das contas, quase não dou conta de contar à Agatha o que são as coisas. Há um dedo indicador mirando cada detalhe do que nos - [Jogo do sério](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/jogo-do-serio/) - Olhe bem nos meus olhos Sem desviar, esquivar-se, fugir Estou de olho em você Olhe bem aqui, no meu nariz Sem desviar, esquivar-se, fugir Eu sinto o cheiro do medo Para meus lábios, olhe, olhe bem Sem desviar, esquivar-se, fugir Jamais espere ver um sorriso Olhe para meus ombros Sem desviar, esquivar-se, fugir Peso igual - [Salgado, filho...](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/salgado-filho/) - Infelizes consequências da Grande Enchente de 2024 são sentidas o tempo inteiro, e isso parece não ter data próxima para se encerrar. Não importa o quanto alguém possa pensar que restou ileso: ninguém escapou, escapa ou escapará desta teia de relações. Caminhando no Centro Histórico, há mais do que marcas da água na parede: há - [Kryptonita](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/kryptonita/) - No final de semana, sem planejar, vi um filme antigo, talvez com trinta anos ou um pouco menos, no qual, em sua abertura, estou com dois chapéus de aniversário de criança compondo um arranjo na cabeça que se parece com chifres. Já estava lá um certo destemor diante do ridículo. Talvez sempre tenha estado, desde - [Não há outro, se não o sorriso franco](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/nao-ha-outro-se-nao-o-sorriso-franco/) - Nasce-se sabendo sorrir? Ou não, aprendemos? Para o primeiro caso, sorrir seria, então, um instinto humano? Para o segundo, quem teria criado o gesto e, depois, seu legado? Alguém já deve ter pesquisado a respeito e colhido respostas científicas. Eu, neste caso, apostaria minhas fichas no efeito espelho: a criança aprende a sorrir porque são - [Legado de filhos para pais](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/legado-de-filhos-para-pais/) - Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim Ivan Lins e Vitor Martins Em 1978, quando de seu lançamento, a natureza talvez fosse tão somente uma metáfora para compor o espírito do tempo no tema Aos nossos filhos. Não que houvesse um desconhecimento sobre - [Gratidão](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/gratidao-2/) - Abrigados na generosa sombra do alpendre daquele chalé em madeira no Passo D’Areia, escutávamos – eu e a Flika, querida pastora alemã – aquelas desajeitadas notas que meu pai, no andar de cima, tentava transformar em melodia. Admirava-me com a sua persistência, até porque sabia o que esperar após as sessões de aprendizado naquela escaleta - [Bicho de sete cabeças](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/bicho-de-sete-cabecas/) - O grupo de amigos, cunhado ao longo de vários anos através das estreitas relações profissionais, tinha uma mania afetiva da qual não renunciavam. Sob a batuta de Rodrigo, que sempre ajeitava a agenda de todos, partiam anualmente, para o período de férias no sul da Ilha da Magia, praia do Matadeiro. Local privilegiado pela exuberante - [Sorte que vai, sorte que vem](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/sorte-que-vai-sorte-que-vem/) - “Eu fico com a pureza Da resposta das crianças É a vida, é bonita E é bonita...” Gonzaguinha Ainda bebê, Pablo deixou o Hospital de Caridade nos braços de sua mãe, cujo único pecado foi a maternidade. Assustadoramente perturbada – ainda sem idéia do que fazer – perambula angustiada pelas ruas, com o rebento no - [E agora ?](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/e-agora/) - Gosto tanto que estou sempre grudado nela. Nossos dias são cheios de brincadeiras enquanto minha linda mãe faz um montão de coisas, quase sempre naquela cozinha gigante. Que olhos bonitos ela tem... um azul da cor do céu. Como vou na escola pela manhã, aproveito as tardes para me divertir e ajudar. Às vezes nas - [As regras](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/as-regras/) - As férias escolares na Vila dos Bancários, zona sul de Porto Alegre, eram maravilhosas e cheias de aventuras. Incontáveis as opções. Quer nos dias ensolarados, nublados e até mesmo, nos chuvosos. Raramente agendadas, as atividades sempre fluíam facilmente com a patota da vizinhança. Jogar bola nos campinhos improvisados ou no asfalto mesmo. Às vezes, - [O álbum incompleto](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/o-album-incompleto/) - Tivemos em Porto Alegre, até meados dos anos 1960, a Doca das Frutas, também chamada de mercado flutuante. Localizada no cais do porto – avenida Mauá – em frente ao prédio do Palácio do Comércio, abrigava as embarcações que traziam sua produção das lavouras nas regiões próximas. A comercialização era preponderantemente de frutas e verduras, - [É crucial levantar a bandeira](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/e-crucial-levantar-a-bandeira/) - No futebol brasileiro a arbitragem está cada vez pior. A incompetência dos juízes e auxiliares entristece a todos, jogo após jogo. O despreparo é amparado por supostas regras que abonam erros colossais e que aborrece – sendo comedido – torcedores, jogadores, técnicos e toda a sorte de espectadores. Detenho-me nos lances de impedimentos. Aqueles em - [Passagens](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/passagens/) - Nossa finitude é inexorável e nossa sorte hipotética. Entretanto, traçando um paralelo, podemos flertar com uma similaridade entre ambas : para morrer basta acordar e para ganhar na loteria basta apostar. Nem sempre se morre depois de acordar assim como não ganhamos comumente quando apostamos. Os espíritas tratam a morte como fazer a passagem. O - [Para o alto e avante !](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/para-o-alto-e-avante/) - Quando bebê, os pezinhos mais pareciam aquelas bisnaguinhas de pão doce. Não à toa, todos curtiam apertar, morder ou fazer cosquinha. Nos banhos, as cócegas sempre marcavam presença, principalmente quando as hastes flexíveis entravam em cena, por entre os dedos diminutos. O passar do tempo brindou-os com inúmeras meias e calçados. Calor, frio ou chuva, - [Coração valente](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/coracao-valente/) - Mais faceiros que nervosos, Sandra e Raimundo emanavam alegria naquela tarde chuvosa. Com a pequenina filha nos braços, mamãe insistiu para que ele apressasse a ida ao cartório e, mais uma vez, lembrou enfaticamente o nome escolhido : Agnes! Com ‘esse’ no final! Raimundo se tocou para a empreitada ainda emocionado e agora, mais nervoso - [Generosidade, uma dádiva](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/generosidade-uma-dadiva/) - Caminhando vagarosamente entre os leitos, Alice dirige-se até o pátio para desfrutar seu intervalo, tendo na mão uma caneca cheia de café quentinho, que recém fora passado. Nestes breves descansos, era inevitável deixar de pensar na sua trajetória até os bancos externos das barracas brancas com aquelas cruzes vermelhas. Os flashbacks recorrentes a transportavam para - [Réquiem](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/requiem/) - Fujo da morte. Caminho por terras assoladas, de cinza abatido, e me apoio em árvores nuas, carbonizadas da raiz até o topo. Meus pés queimam em labaredas criminosas, minha pele derrete no calor extremo que exala da clareira onde antes eu encontrava descanso. Passam bichos em chamas, em agonia, e morrem mais adiante. Pássaros caem do céu, chuvas artificiais desabam de - [Elementar](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/elementar/) - “Quando você elimina o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade.” - Sherlock Holmes / Arthur Conan Doyle A turma chega. Ainda na porta, risos, beijos e abraços. Já dentro, reminiscências e novidades, embalados pela música eclética e por muitos brindes. Duas horas mais tarde, Joyce, que não encontrou babá, - [O tempo para](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/o-tempo-para/) - A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo - Mario Quintana Desde que o Cazuza determinou que o tempo não para, muito se especula sobre isso na bolha dos que tem um parafuso a menos ou tempo de sobra, eu incluso. Sim, já me vi várias vezes “parado” no tempo, pensando se essa - [A maldição](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/a-maldicao/) - Desde que se entendia por gente, Luigi sonhava em ser navegador. Filho único, morava longe do litoral e, quando não estava no quintal, à toa, imaginando ondas e maremotos, se enclausurava no próprio quarto, cara enfiada em mapas velhos, traçando rotas marítimas como se já fosse um experiente capitão. Mas Luigi cresceu um pouco, e o - [Retrato em preto](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/retrato-em-preto/) - Duda e Marina são irmãs, e vivem num retrato. Com elas, moram o irmão menor, a Vó e o pai. A mãe não, a mãe morreu tem um ano. É um espaço mínimo, uma sala nanica que faz papel de cozinha e quarto para metade da família; e o quarto, por si só, onde fica - [Cinema como te amo](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/cinema-como-te-amo/) - Você se considera uma pessoa romântica? A pergunta veio de uma amiga, dias atrás, numa noitada etílica. Éramos eu, ela e outros dois, e não tínhamos bebido tanto a ponto de termos respostas e insights espetaculares e sem sentido, como todo bêbado tem. Enrolamos um pouco - Como assim, romântico? -, grunhimos algumas frases feitas e - [Perfeição](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/perfeicao/) - Não era apenas um beija-flor, eram vários, e vários eram os outros pássaros que visitavam o jardim. Não era, tampouco, apenas uma flor que recebia beijo. Eram várias, tantas flores de múltiplos tons, abertas, convidativas, no jardim que parecia não ser um só, de tão imenso. Imenso de um jeito descomedido, de não caber em - [Palavras compostas](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/palavras-compostas/) - Certas coisas são tão lindas que não cabem em uma única palavra. É preciso duas delas, enlaçadas, para dar conta de nomear essas belezas. São palavras compostas, aprende-se na escola. Algumas precisam vir acompanhadas de preposição, outras carecem do uso do hífen, outras não. Compõem-se por aglutinação, como girassol, ou justaposição, como beija-flor, brinco-de-princesa. Existe - [Navegantes](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/navegantes/) - Eu era uma menina pequena e magricela, irmã caçula de três guris dados a brincadeiras brutas. Acostumei-me a me defender de seus golpes e provocações, mas costumava me resguardar em alguns lugares, para fugir dos brutamontes. Carregava comigo papel e lápis de cor, livros e gibis, e me escondia atrás da porta, no meu próprio - [A nota sinistra](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/a-nota-sinistra/) - Depois do almoço, sentaram-se todos à varanda da casa de d. Noca, onde um vento ameno convidava à prosa. Alguns preferiram ocupar os degraus de madeira escura, parecendo meninos de pernas compridas. Fazia tempo que os primos não se reuniam todos de uma única vez. Conversa vai, conversa vem, Maria Clara lança uma bomba no - [A intervenção](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/a-intervencao/) - Antônio anda muito estranho. Há dias. Prova disso é a pilha de jornais que cresce no aparador da sala. Ele mal põe os olhos nas manchetes da primeira página e os joga ali, sem ler as tirinhas e deixando as palavras cruzadas intactas. Os amigos se preocupam, com razão. Nos mais de vinte anos de - [O voo](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/o-voo/) - Sentada no meu banco preferido da Praça Palestina, estrategicamente posicionado à sombra das árvores, abro o jornal, de trás para a frente, como é meu costume, e observo as pombas que revoam por ali, agitadas e barulhentas. Lembro do menino que corria entre elas, os braços abertos como as asas de um avião. Certa feita, - [Tamanho não é tudo](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/tamanho-nao-e-tudo/) - Encravada no coração de Campo Grande, a forma alongada e metálica, com faixas vermelhas na parte central, domina a paisagem urbana. O Bioparque Pantanal, com sua arquitetura elíptica, encanta os olhos e atiça a curiosidade menina. O projeto criado por Ruy Ohtake conjuga água e vegetação, criando um ecossistema único. O imenso aquário abriga peixes - [Marias](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/marias/) - Tem coisa mais poética do que uma foto em preto e branco, em que luz e sombra se enamoram tão sedutoramente? Como esta que ocupa a tela do meu computador e me faz querer sentar ao lado dessas duas jovens mulheres, rostos verdadeiros, carne, osso e alma. Tenho pra mim que se chamam Maria: Maria - [Partidas e chegadas](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/partidas-e-chegadas/) - Sentada no corredor, ao lado de dois senhores muito educados, irmãos em viagem, segundo me contaram, esperava por uma viagem tranquila. Nem bem o avião terminou sua subida, ambos adormeceram. E roncaram como lenhadores das montanhas. Cansados, pensei, sem sequer cogitar cutucá-los. Isolei meus ouvidos com os fones, ouvindo Belchior. Era minha primeira viagem sozinha, - [Escalada](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/esacalada/) - Ao pé da escada, ela espera. Nunca a coragem de subir, sempre ali, ao rés do chão, diante do primeiro degrau de pedra. Os cabelos escuros, presos em um rabo de cavalo muito firme, as roupas simples, a bolsa tiracolo sobre o ombro. E aquele sorriso ensolarado que lhe enfeita o rosto com imensa ternura, - [A peste](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/a-peste/) - Quando criança, conheci um Pracinha da FEB. Todo ano ele vestia, orgulhoso, o uniforme do Exército, para desfilar no Sete de Setembro, como integrante da Força Expedicionária Brasileira, que lutou na Segunda Guerra Mundial, em solo italiano, junto aos aliados. E nós, com nossas bermudas ou saias azul-marinho pregueadas, camisas brancas, gravata e meias esticadas - [O que não cala](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/o-que-nao-cala/) - Dizem que é necessário um certo tempo para nos ambientarmos em um novo quarto, uma nova casa, um novo lugar. Fora os equipamentos, instalados nesses espaços, aos quais, gradualmente, sinalizamos em um mapa mental para reconhecimento do lugar, existe um elemento importante a ser considerado e apreendido – o som que domina a atmosfera interna - [Todos somos bons e ruins](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/todos-somos-bons-e-ruins/) - Não sei vocês, mas em meu primeiro núcleo familiar, mãe, pai, irmão e eu, ao nos sentarmos à mesa para qualquer refeição tínhamos, à luz da orientação paterna, a proibição de discutir política, religião ou futebol. Esse último demarca assunto recorrente nas mesas de famílias brasileiras. Eu sou brasileira, certo? Meu pai, descendente de italiano, - [Quem precisa de óculos](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/quem-precisa-de-oculos/) - Às vezes, no transcorrer do dia, paro e penso naquela música: devia ter trabalhado menos, ter visto o sol se pôr. Claro que a letra tem mais poesia e reflexão do que a apresentada por esse trecho, mas ele, por si só, renderia um romance para cada ser vivo desse planeta que labuta desde e - [A máquina que construía histórias](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/a-maquina-que-construia-historias/) - Olhando fotografias de família, mais precisamente observando as mulheres que pertenciam ao clã de minha mãe, esbocei um sorriso pensando: que mulheres eram essas! Cresci em meio a rolos de tecidos de seda, de crepe de cetim, agulhas, canutilhos, pérolas, cristais, carretéis de linhas, fitas mimosas, botões em formato de flores, revistas de moda, moldes - [Fascínio](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/fascinio/) - Quando uma amiga ou amigo faz um desses testes, “Você nasceu uma pessoa preguiçosa ou trabalhadora? Toque no pé!”, “Qual defeito você esconde?”, publicando o resultado nas redes sociais, eu costumo apostar na chamada, “Toque para Jogar”, e aguardar a resposta que me é destinada. O que de fato eu curto é, não aceitando qualquer - [Eu e o Bispo](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/eu-e-o-bispo/) - Você, não sei, mas eu declaro: de forma recorrente me sinto “fora do aquário”. Uma resposta imediata produzida pelo meu organismo ao mirar um mundo ao qual, em momentos, tenho dificuldade em acreditar que a ele pertenço. De imediato esclareço – me percebo como uma pessoa comum, com erros e acertos, metade sol e a - [Entre duas datas](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/entre-duas-datas/) - Adoro viajar. Quem não gosta, certo? Claro, existem os que preferem não ultrapassar as linhas imaginárias. Mas, ao nascermos, todos ganhamos um bilhete de viagem. E não há como dele não fazer uso. A rota será construída dia a dia, os tic-tac serão os mais variados, a data e hora da chegada ao destino é - [Acalentar, até quando](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/acalentar-ate-quando/) - Existem termos, expressões, cujos significados nos parecem quase eternos. Por exemplo, até dois dias atrás, consolo, em meu léxico, reportava a dar conforto, apoio emocional a alguém que está enfrentando uma situação difícil. O que fez essa palavra, repentinamente, me apresentar denotação diferente? A leitura. Não da palavra, mas do livro – Herdeiras do Mar. - [Quem não](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/quem-nao/) - Você já entrou em uma sala de espelhos? Quando mais jovem, era simplesmente um entretenimento vislumbrar as mudanças que os diversos formatos de espelhamento produziam em minha imagem. Entretanto, com o passar do tempo, essas ilusões óticas, principalmente do meu rosto, foram sendo alvo de reflexão e, mesmo no espelho do banheiro, dependendo da energia - [Voz do silêncio](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/voz-do-silencio/) - O que viestes buscar Nessas terras distantes Dizes ser simples viajantePés curiosos a caminharBuscando almas errantes Se queres conversar Podes me entender Ao usar teu olharMeus dias e noitesSurgirão a vocêTenho sonhos, simDesilusões tambémFui feito desse soloContinuo por aquiEm meu fim, nele estareiMais a dizer não háSonhos e desilusões Rufam nos tamboresDa minha existênciaTeu olhar - [Beija-flor ou não beija-flor](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/beija-flor-ou-nao-beija-flor/) - Aquele ali suspenso junto à rosa em frente a minha janela, seria um beija-flor? Talvez não porque beija-flores costumam ter uma lista preta na cabeça e o papo amarelo. Eles costumam ficar parados no ar e para isso batem as asas 80 a 90 vezes por segundo. Para conseguir fazer isto tem um coração muito - [O menino e os peixes](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/o-menino-e-os-peixes/) - Fascínio é o que sentiu o menino olhando aqueles peixes coloridos se movimentando na água. Fascinado é o estado em que se encontrou durante alguns minutos. Fascinante é ver uma criança hipnotizada pelos outros seres vivos, às vezes uma minhoquinha da terra, uma abelha que estacionou perto, ou qualquer outro inseto que se mexa. Descobrindo - [Negritude e branquitude](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/negritude-e-branquitude/) - Não são poucas as situações de humilhação que passam pessoas negras. Nós brancos comumente produzimos e reproduzimos estas situações sem jamais nos darmos conta. Porque queremos manter nossos privilégios seculares que a sociedade brasileira nos garantiu. As terras aos colonos, as vagas nas universidades públicas, as vagas de emprego, os lugares de poder. Tudo muito - [Altitude](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/altitude/) - Não esqueço jamais a passagem pela Cordilheira dos Andes de avião. A silhueta imponente da rocha se extendendo longitudinalmente por quilômetros e quilômetros ao longo de toda a costa do pacífico na América do Sul. Às vezes envolta em nuvens, às vezes desnuda. Estávamos indo para o Peru e esta foi a primeira paisagem detectável - [Que futuro?](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/que-futuro/) - Desmatamento, queimadas, fenômenos climáticos extremos, secas intensas, chuvas concentradas e em excesso, ciclones - o fim do mundo, enfim. Que futuro esperar para a próxima geração se nem o presente conseguimos organizar? Se a morte está prevalecendo à vida? Se o lucro de poucos está sendo priorizado em lugar da vida de muitos? Se governantes - [Play it again](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/play-it-again/) - Quando penso nela, penso na menina má de Vargas Llosa, Aquele livro que ele escreveu como uma história de amor não convencional. Lígia era linda. Tinha seus interesses. O principal, buscar seu próprio bem estar. Mas quem não procura o próprio bem estar? Fora esse interesse principal, os outros interesses mudavam constantemente. Com pouco mais - [Um gafanhoto](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/um-gafanhoto/) - Aqui em casa pousou um gafanhoto. Poderia ser um aprendiz das artes de kung-fu, como naquela série de televisão dos anos 1970. Mas não. Era apenas um inseto. Verde, pequeno. Um filhote? Pensei em fomes – nuvens de gafanhotos atacando lavouras. Tive um certo nojinho. Houve um tempo em que eu tinha horror de insetos - [No corre](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/no-corre/) - Tarde de verão e eu no busão voltando para casa. O ônibus entrou pela Osvaldo Aranha e eu ainda não tinha começado a dormir no caminho até a Vila Estrutural. Passando o Araújo vi um menino correndo. Devia ter uns sete ou oito anos. Junto com ele um cachorro, um vira-lata. Atrás dele um casal, - [Ei, mãe](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/ei-mae/) - "Hey mãe! / Eu tenho uma guitarra elétrica / Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter / Mas, hey mãe / Alguma coisa ficou pra trás / Antigamente eu sabia exatamente o que fazer" Humberto Gessinger Ei, mãe. Eu vi uma máquina de costura. Estava em uma foto. Ao redor da máquina - [Dona Yara](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/dona-yara/) - Dona Yara era uma vizinha simpática. Sempre prestativa. Quando íamos viajar, alimentava nossos gatos e limpava as caixas de areia. Às vezes, quando não estávamos em casa, e algum pacote chegava, ela sempre recebia e nos entregava depois. Quando podíamos, retribuíamos, o que era quase nunca, pois ela quase nunca abandonava a própria casa. Uma - [Tubo](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/tubo/) - “Aceite o desafio e provoque um desempate / Desarme a armadilha e desmonte o disfarce / Se afaste do abismo / Faça do bom senso a nova ordem”* O poeta é um otimista quando fala em bom senso e nova ordem. “Não deixe a guerra começar / Não deixe a guerra começar / Não deixe - [Turismo](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/turismo/) - – Motivo da viagem? – Turismo. – Turismo? – Sim. Turismo. O oficial olhou nossos passaportes. Olhou para nós. Depois chamou uma colega que nos pediu que a acompanhássemos. Entramos em uma salinha, e um homem já estava ali. Devia ser outro oficial. A mulher pediu para abrirmos as malas. Abrimos. Retirou nossas roupas e - [Exterior](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/exterior/) - Ir para o exterior. Viajar de avião. Aquele homem sonhava com isso talvez desde os vinte. Agora tinha mais de quarenta. Comprou um pacote de viagem em dez prestações. Conversou com a agente. Manifestou seus temores, seus medos. Medo de avião. Medo de avião todo mundo tem. Mesmo com medo, quem pode voa. A maioria - [Herói](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/heroi/) - Um passo no jardim. Depois outro. Três. Meu menino veste uma camiseta do super-homem. A camiseta do super-homem foi ideia do meu marido. Eu não gosto muito de histórias de super-heróis. Meu pequeno saiu a conquistar o mundo. Não foram os primeiros passos. Os primeiros foram dentro de casa. Lembro do dia em que meu - [A Duque](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/a-duque/) - Comoveu-se. Foi o que ele me disse. Disse que estava na esquina da Andradas com a Vigário, em frente à vitrine de uma loja de roupas masculinas. Ele já tinha inclusive comprado roupas ali. Sentiu-se um pouco ridículo, mas era como aquelas coisas que ele chamava de epifanias, que caíam sobre ele de tempos em - [Berlim](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/berlim/) - Mamãe sempre teve dois corações em relação àquela viagem. Diz que ela e papai gastaram uma grana que não tinham. Claro. Fizeram empréstimo. Pacote turístico de circuito europeu. Dez dias visitando França, Bélgica, Holanda e Alemanha. Ou talvez eu devesse dizer Paris, Bruxelas, Amsterdã e Berlim. Anos 1990. Mamãe lembra que algumas coisas facilitaram a - [Abstraçao](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/abstracao/) - Unhas enfeitadas remontam à Antiguidade. Durante séculos, homens e mulheres usaram este artifício como demonstração de poder e riqueza. Homens, inclusive, pintavam as unhas para ir à guerra. Na China, pessoas usavam unhas longas e coloridas como demonstração de que não precisavam trabalhar. No Antigo Egito, unhas escuras eram para classes mais altas e, ao - [Por favor, apague a luz](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/por-favor-apague-a-luz/) - O inseto zumbe A mulher geme A lâmpada emite calor O homem, promessas Atraídos e capturados Giram freneticamente A estranha força que centrifuga Esmaga sonhos e desejos Armadilha Impossível sair ileso Fuga não há Só esperança de resgate Antes da colisão fatal Uns assistem passivamente Outros fingem não ver Ninguém para - [O mais essencial](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/o-mais-essencial/) - Humanos possuem cinco sentidos básicos, conhecidos por todos. São eles o paladar, o olfato, a audição, o tato e a visão. Será que algum desses é mais essencial do que outro? O paladar nos dá a medida do tempero, nos permite sentir os sabores da vida, de uma costela gorda a um brigadeiro, de - [Saenger e Singer na roda da vida](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/saenger-e-singer-na-roda-da-vida/) - Conheci apenas uma de minhas avós. Morreu quando eu tinha oito ou nove anos e sempre morou longe. Não foi possível criar vínculos. Da avó paterna pouco sei, além do básico. Também partiu cedo, mais ainda do que a outra. Sei, entretanto, que ambas tinham máquina de costura. A mãe da mãe chamava-se Zulmira e - [Eu canto, ele voa](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/eu-canto-ele-voa/) - Meu irmão fugiu. Foi no horário da limpeza. A porta estava aberta, ela se descuidou e ele escapou de fininho. Foi uma balbúrdia, ela acionou toda a vizinhança para ajudar. Nunca mais o encontraram. Fiquei dias ensimesmado, sem vontade de cantar. Ouvi dizerem, algum tempo depois, que deveria estar morto, pois não teria como sobreviver - [Maos ao alto](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/maos-ao-alto/) - Esta é a história de R. Um garoto franzino e alegre, filho do meio de uma família de classe média. Os irmãos tinham pouca diferença de idade. Todos os fins de semana, o pai lotava o velho carro e partiam para lugares que ele achava incríveis. Praias de rio ou mar, cachoeiras, mata nativa, parques - [Laços e entrelaços](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/lacos-e-entrelacos/) - Só tive melhor amiga uma vez na vida. Foi a partir dos meus nove anos e durou até o final da adolescência. Éramos inseparáveis. Tudo tinha que ser feito junto. Se não houvesse espaço para uma, a outra não caberia também. Desde bem meninas, inventávamos namoros com pares de amigos, sem que eles soubessem. Tinham - [Viageiros](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/viageiros/) - Somos todos viageiros. Do tempo, do espaço, da memória. Ao longo da vida, não há quem nunca tenha viajado, já que são inúmeras as maneiras de fazê-lo. De carro, ônibus, trem, barco, avião, bicicleta ou qualquer outro meio de transporte inventado pelo homem. No lombo de cavalo, camelo ou burro. De carroça, charrete ou - [O menino de Krypton](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/o-menino-de-krypton/) - Quando o super-homem era bebê, lá em Krypton, ele não tinha superpoderes. Era apenas mais um garotinho como tantos outros. Brincava com seus carrinhos e bichos de pelúcia, jogava bola e encaixava blocos. Também brincava com suas duas bonecas, vestidas de rosa e lilás, porque, naquela sociedade, não havia distinção entre brincadeiras de meninos e - [Caminhos e pedras](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/caminhos-e-pedras/) - No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra Carlos Drummond de Andrade As pedras dos caminhos não estão lá para o tropeço e sim para a construção. No trajeto podemos encontrar de cascalhos e pedregulhos até verdadeiras - [Sinfonia de verão](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/sinfonia-de-verao/) - Final de uma linda tarde quente de verão. Minha grande amiga e eu apreciávamos da janela do oitavo andar de seu apartamento a bela paisagem da Praia de Icaraí, cuja vista era a Cidade Maravilhosa, do outro lado da baía de Guanabara. Éramos adolescentes, tínhamos 16 anos, na flor da idade, cheias de sonhos e - [Santé!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/sante/) - Reunir os amigos, a família e todos aqueles que a gente ama. Não existe nada melhor. Coisa boa poder abraçar, dar risadas, jogar conversa fora e colocar os assuntos em dia. Toda festa tem que ter muita alegria e descontração. É um grande reencontro. Não pode faltar uma boa comida, bebidas e música agradável. De - [Ensaio](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/ensaio/) - Brincar, correr e gritar. Coisas de crianças arteiras e saudáveis. Quem já não foi ou gostaria de voltar a ser? Olhar os pássaros voando, ir atrás deles, implicar com os cães da vizinhança que latem sem parar quando passamos em frente aos seus portões, tocar as campainhas das casas próximas e sair às gargalhadas? Adoro - [A visita](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/a-visita/) - Sala escura. Há uma janela que deixa um pouco da luz fraca entrar. Lá fora, a paisagem chama. O verde das árvores, o leve balançar de suas folhas, a pequena brisa que sopra, a música que os pássaros cantam. Vida. Tudo do outro lado. Juliana está triste e pensativa. Deseja sair dessa escuridão. Quer fugir - [Nosso canto](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/nosso-canto/) - Os pássaros sempre me fascinaram. São livres e voam para onde querem ou podem. Nunca entendi o prazer que determinado grupo de pessoas tem em mantê-los presos em gaiolas. Talvez a sensação de poder controlar e limitar a vida desses pobres passarinhos seja a razão. Triste destino dessas lindas aves com suas plumagens coloridas, cujos - [Gritos e sussurros](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/gritos-e-sussurros/) - Hoje é um dia muito especial. Não é à toa que deixei para fazer esta crônica na prorrogação do segundo tempo. Sabem, por quê? Renan, meu primogênito, completa trinte e nove anos. Parece que foi ontem que tudo aconteceu. Foi um dia cansativo de trabalho. Desci da lotação e caminhei vagarosamente pela rua e calçada, - [Preto e branco](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/preto-e-branco/) - Crianças. Meninas e meninos. Nascidas para serem livres como todos nós gostaríamos que fôssemos. É assim que deveria ser. Algumas, em outras partes do mundo, por sorte ou por terem nascido em lugares menos inóspitos ou em países desenvolvidos e ricos, o são realmente. Vivem como pássaros que voam cada vez mais alto para alcançarem - [O resgate](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/o-resgate/) - Descobrir novos mundos, novas culturas, lugares diferentes; conhecer pessoas com suas histórias de vida, é sempre fascinante. Viajar é enriquecedor para quem gosta e aprecia. Há viagens que fazemos por gosto e lazer para nos divertir. Existem outras que são por obrigação, trabalho, estudo, tristeza e despedida, as quais também aprendemos e crescemos muito como - [Passadinhos ou passarão?](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/passadinhos-ou-passarao/) - O tempo passa, o tempo voa e a cabeça, às vezes não fica numa boa. Tudo passa e acontece. Eles acontecendo e nós passando. Eles começando e nós finalizando. Eles rindo e nós chorando. Quem não foi super-herói um dia? Quando éramos crianças imaginávamos ser; na adolescência achávamos tudo bobagem; adultos, casados, com filhos e - [Degrau por degrau](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/degrau-por-degrau/) - Subir! Degrau por degrau vamos alcançando o nosso objetivo. Quem não tem sonhos? Quem não acredita? Em qualquer idade sonhamos. Em qualquer idade acreditamos. Queremos viajar, voar, ir para o pico da montanha mais alta ou para o prédio maior do mundo. Tudo isso só para chegarmos cada vez mais próximos do céu azul celeste. - [Bomba!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/bomba/) - Ontem ao acordar e ligar minha TV no canal do Youtube fiquei assustada. Vi no noticiário que os países escandinavos pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, estão apreensivos com o crescimento da guerra entre a Ucrânia e a Rússia e a respectiva consequência que esse conflito pode gerar para eles, por estarem - [O universo de sete notas](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/o-universo-de-sete-notas/) - Diante do instrumento, o mundo parece condensar-se em um arranjo simples de teclas. É fascinante pensar como apenas sete notas podem dar “vida” a sinfonias inteiras. Desenhar emoções. Uma precisão quase mágica. Cada toque abre um universo de possibilidades. Cada som revela fragmentos de quem somos. Tocar é um ato criativo. Um diálogo silencioso. Dó. - [O encanto da amizade](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/o-encanto-da-amizade/) - A luz que nos envolve parece ter saído de um feitiço. Uma bruxaria sutil que transforma amigos em cúmplices. É uma noite encantada! Estamos aqui, rodeados por risadas. Taças que se tocam. Olhares que trocam segredos. No ar, algo além da bebida nos embriaga. A magia de estarmos juntos. De sermos parte de um ritual - [O descompasso da vida](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/o-descompasso-da-vida/) - O menino corre pela praça, rindo e gritando. Os pombos, que antes descansavam tranquilos, levantam voo em desespero. As asas batem apressadas, e o céu se enche de movimento. A paz que dominava o lugar se desfaz em segundos: A praça se transforma em um palco de agitação. O menino, alheio, continua a correr, acreditando - [Quantas vezes ignoramos nossas próprias janelas para o mundo?](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/quantas-vezes-ignoramos-nossas-proprias-janelas-para-o-mundo/) - A sala estava sempre em penumbra, como se guardasse segredos. A única luz que entrava vinha daquela janela, com as bordas desgastadas pelo tempo, e que dava para a floresta. A máquina de costura, há anos no mesmo lugar, parecia ter se tornado parte da mobília, com seus fios de linha desfiados e as agulhas - [O tempo das pétalas](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/o-tempo-das-petalas/) - Desde o instante em que a vi, soube que tudo seria diferente. Ela, a flor mais linda que já conheci. Destacava-se no meio de tantas outras, como se fosse iluminada por um sol que só a ela pertencia. Eu, um pequeno beija-flor, apenas a observava de longe, encantado, sem a ousadia de me aproximar. Bastava - [Lixo “invisível”](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/lixo-invisivel/) - O menino encosta o rosto no vidro do aquário. Seus olhos seguem os peixes que nadam em círculos. Tudo parece calmo ali dentro. As nadadeiras se movem com suavidade. O brilho das escamas reflete a luz do ambiente. Ele observa, fascinado. O menino lembra das aulas na escola. Ouve falar dos oceanos. Sabe que, lá - [Lado a lado](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/lado-a-lado/) - Lado a lado. O silêncio entre eles não é vazio. É carregado de raízes profundas. Histórias que parecem pulsar no ar. Vozes do passado murmuram segredos. Cânticos ancestrais. O retrato deles é um espelho daquilo que nunca pode ser apagado. As lutas. As conquistas. A resistência. A fé. Essa fé veio de longe. Cruzou o - [Nas asas dos meus sonhos](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/nas-asas-dos-meus-sonhos/) - A decolagem foi um susto. O coração disparou. O chão escapou dos meus pés. Em segundos, o medo cedeu ao encanto. A cidade, antes tão imensa, agora se espalha lá embaixo como um mosaico. As nuvens, que pareciam inalcançáveis, flutuam ao alcance das mãos. Será que têm gosto de algodão-doce? O céu, de um azul - [Superpoderes da vida real](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/superpoderes-da-vida-real/) - Desde cedo, somos encantados pelos super-heróis. Eles voam, brilham e salvam o mundo com poderes extraordinários. Mas, basta observar ao nosso redor para perceber que ser um herói não exige capa ou escudo. Os verdadeiros heróis estão entre nós, no cotidiano. Silenciosos. Corajosos. Movidos por amor. Eles não enfrentam vilões intergalácticos. Transformam vidas com gestos - [Ecos de eternidade](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/ecos-de-eternidade/) - As sete maravilhas do mundo antigo não são apenas construções. São sonhos concretizados em pedra, bronze e verde. Ou talvez apenas devaneios. Cada uma, à sua maneira, desafiou o tempo. As Pirâmides de Gizé, as únicas que resistiram, olham o deserto como testemunhas da eternidade. Os Jardins Suspensos da Babilônia vivem mais na imaginação do - [Enigmático](https://oficinasantasede.com.br/afonso-henrique-da-silva-junior/enigmatico/) - Ele caminha entre os destroços. A máscara que usa, oculta um rosto que ninguém jamais viu. Nos braços, carrega uma criança alerta, alheia ao caos que domina o mundo ao seu redor. Ninguém sabe quem ele é ou de que lado luta. Onde passa, o silêncio o acompanha e os conflitos cessam, ainda que por - [Piano](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/piano/) - Se eu tocar aquele instrumento vou me tornar músico, pianista ou instrumentista? Que nota tu me dás? Vou me tornar gênio? Ou seria poliglota por aprender tocar as notas musicais? Cantor? Professor de música? Autodidata? Majestoso esse instrumento, me dá tantas opções na vida. Permite trazer do passado emoções escondidas. Meus sentimentos mais nobres: do - [Fato ou foto?](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/fato-ou-foto/) - De todas as cores hoje percebi que ali falta a mais nobre. Aquela moldura em preto e branco fotografada à moda antiga quer representar a liberdade de expressão. Quer tornar imortal uma cena única. Numa mistura de raças ou etnias. Não me engane, nesta paleta, não tem a minha cor. A minha cor é rara. - [Sou pombo, não correio](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/sou-pombo-nao-correio/) - Voo curto, sem perder o chão, quero ser visto. Saltitar na praça é o meu lazer favorito. Com olhos ágeis de lince, acompanho como se fosse um radar o movimento do menino, que com grande prazer traz sementes na tentativa de agradar. Num bater de asas, espanto os pequenos. Pulo para o alto, observo rapidamente. - [Na onda da curiosidade](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/na-onda-da-curiosidade/) - A curiosidade em saber o que se escondia do outro lado da janela fechada me fez, sem querer, desviar o olhar para o resto da sala, quase escura. Foi então que avistei uma máquina. Aquela janela guardava, no interior da sala, uma velha máquina de costura, sem nenhum indício claro de uso recente, talvez esquecida - [Entre o voo e o susto](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/entre-o-voo-e-o-susto/) - Não foi por acaso que o gato sorrateiro saltou para o telhado. Correu atrás do achado que, leve, cortava o ar em movimentos rápidos. Um beija-flor, distraído entre flores e brisas, não percebeu a aproximação traiçoeira. O salto foi preciso, mas o desencontro inevitável. O susto ficou no ar, suspenso entre o pulo do gato - [Meu mundo grande encolheu](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/meu-mundo-grande-encolheu/) - Num mergulho, cheguei à margem. Não sei o tempo. Foi estranho: nadar pouco, percorrer rápido. O mar encolheu. Que mundo é esse? Era tão vasto. Sem esforço, na força do nado, avistei o fim. Nas minhas escamas ainda molhadas de água salgada. No pousar da gaivota, trazendo a brisa suave e fria. Ainda vejo as - [Viver](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/viver/) - Colocar-me naquela moldura com fundo de madeira ripada. Juntar com aquelas crianças, multiplicar risos, dividir com sabedoria, distribuir ações. Provar para todos que os mundos em nossas mãos nos tornam livres. Seguros. Basta cuidar, repor o que for retirado. Saber que direito gera dever. Sobreviver sem destruir é conservar a natureza. Não sei minha ascendência, - [Novos ares](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/novos-ares/) - Voar, voar. Subir, subir. (Sonho de Ícaro) Canção de Byafra. Quem nunca quis ver a terra sob outro ângulo? Sonhe alto. Dizem: "Toda serra de longe é azul". Mas não é só isso. Do alto, vê-se tudo tão belo, perfeito! As nuvens são a pista. O sol, o alerta. Pisar no chão, sentir a terra - [Se não é verso, é o inverso](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/se-nao-e-verso-e-o-inverso/) - Ser pequeno é se privar das coisas. Na minha inocência chegar logo, apressar a idade e viver bem é privilégios. Natureza rica: vida viva, todo verde representando a esperança. Parar no tempo manter como estar tudo isto ao meu redor. Se congelar, a vida para. Se na minha velhice eu encontrar metade do que tenho - [Formas e cores](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/formas-e-cores/) - A cultura brasileira recebeu várias influências. Durante muitos séculos cultura do provisório que prevalecia. Predominava a que mais-valia e importava: a de Portugal. A arquitetura também recebeu na maior parte de sua história inspiração europeia. Território habitado por povos indígenas não possuía arquitetura a não ser a habitacional imutável que caracteriza a oca Com a - [Causa e efeito](https://oficinasantasede.com.br/maria-neuza-viana-rodrigues/causa-e-efeito/) - Três pilares fundamentais sustentam o equilíbrio de nossa sociedade: segurança, proteção da infância e combate à poluição. Não são apenas conceitos isolados. São causas interligadas que demandam um olhar atento e ações práticas no coletivo de projetos sociais da humanidade. Afinal, o que será do futuro se não cuidarmos do presente? Segurança: Em sua essência, - [Insônia](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/insonia/) - Entre a escuridão e a claridade vivem os semitons. Os vermelhos ainda não são. Apenas sugerem. Os azuis ainda não estão. Espreitam. Os verdes aguardam definição. Os amarelos se mesclam aos primeiros albores. Todos, parte de uma escala cromática de tons e sons, que em breve romperão a madrugada e se exibirão em harmonia no - [O farol da confiança](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/o-farol-da-confianca/) - A preparação para o vestibular e para o ENEM costuma promover amizades. Os jovens reúnem-se, ora na casa de um, ora na de outro, com o objetivo de estudar para vencer esse monstro de duas cabeças, terror dos que buscam a Universidade. São estudantes. Pensam no futuro e o condicionam à superação da prova que - [Sagração da primavera](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/sagracao-da-primavera/) - A praça está deserta. Jardins coloridos. Caminhos. Arbustos floridos. Algumas árvores exibindo roupas novas. Bancos - todos vazios. Ninguém para contemplar tanta beleza. Ninguém?! Há uma algaravia de sons desordenados vindos não se sabe de onde, como um hino de alegria. Ah, esses pequenos seres alados não deixam de aproveitar a primavera. É a estação - [Saudade](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/saudade/) - Sítio da Lagoa, incerto dia de outubro de 2024. Mana querida: Ontem vi teu rosto através da vidraça. Contemplava o verde regenerado de primavera, e me lembrei do teu encantamento pelas plantas. Lembrei-me da tua sensibilidade para reproduzir as cores com precisão. Tu também deves te recordar daquela vez em que salpiquei com água sanitária - [A visita encantada](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/a-visita-encantada/) - Não faz muito tempo, pela primeira vez, o vi pousado. É a expressão da fragilidade. Já, voando, é: Leveza de voal em janela escancarada pelo vento. Agilidade de funâmbulo ante queda iminente em abismo profundo. Explosão de lua cheia. Sutileza de garoa em dia cinzento. Maciez de cetim. Sonoridade discreta de arroio no meio da - [A cor da inocência](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/a-cor-da-inocencia/) - Dizem por aí que a inocência é branca. Pode ser. Mas não aquele branco da paleta, em que falta a pigmentação de qualquer uma das cores. Não aquele branco da página, onde ainda não se imprimiram as vicissitudes. Não é o branco da ausência de cor. Não. A inocência é a alegria de uma aquarela. - [Xiiisss](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/xiiisss/) - Por mais hermética e misteriosa, a alma humana não consegue se esconder. Há uma pequena abertura por onde ela se deixa perscrutar: a janela dos olhos. O olhar é seu fiel espelho. Através dele se descobrem as mais profundas emoções. A raiva, o rancor, o medo, o assombro, a admiração, a serenidade, a alegria, a - [Divagações quixoteanas](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/divagacoes-quixoteanas/) - A despeito das recomendações de bordo, levanto furtivamente a cortina da janelinha do avião e me deparo com um algodoal em flor debaixo de nós. Lá fora o sol explode. A claridade toma conta do ambiente e a imediata murmuração restabelece a penumbra. O ruído contínuo das turbinas me remete à travessia do Monte do - [Como e por que nascem os super-herois](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/como-e-por-que-nascem-os-super-herois/) - Quer resolver um problema grave a uma grande distância? Chame o Superman. Precisa evitar um acidente aéreo por falha técnica? Chame o Batman. Quer levantar um peso descomunal? O incrível Hulk. Escalar uma parede? O Homem-Aranha (de preferência em inglês). Precisa de alguém com força sobre-humana? Mulher-Maravilha. E, assim, há uma sequência infinita de super-heróis - [Determinação](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/determinacao/) - Final do dia. Aquele sobe e desce do ônibus deixa exausto qualquer turista em excursão. Resta um ponto a ser visto. O último dentre as esculturas em pedra. É uma escada. Uma longa, maciça e estreita escada de cujo topo se descortinarão as ruínas recém-visitadas, emolduradas por um raro pôr-do-sol. Vale à pena ignorar o - [Um mágico em nós](https://oficinasantasede.com.br/berenice-koerig/um-magico-em-nos/) - A vida é tão simples, dizem alguns. Por que complicá-la? Mas, para certas pessoas, os problemas aparecem como propulsores da existência. Em tudo veem obstáculo. Entraves que precisam superar para prosseguir. Viver desse jeito não deve ser leve. É como carregar uma pesada armadura. Uma máscara desfigurante. A convivência de pessoas assim também desgasta. As - [Praça](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/praca/) - O menino corre entre os pombos sorridente, irradiando uma alegria sincera, diferente dos adultos. Em sua inocência e simplicidade, ignora os problemas da guerra. Corre de um lado para outro entre os pássaros, transformando o espaço comum numa nova descoberta. Parecendo compreender sua inocência e alegria, os pombos ao redor não fogem, mesmo com o - [Janela](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/janela/) - Do interior da residência a janela parece uma estampa emoldurada de uma linda paisagem. O cenário de uma pintura de paz. Carrega o verde da esperança que se renova e a lembrança de uma infância inesquecível. Do menino travesso que se aventura nos campos e leva uma funda no pescoço. Descalço, calças curtas, suado, caçando - [Colibri](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/colibri/) - O pequeno pássaro aparece repentinamente e suga o precioso néctar de uma flor conhecida como farolito-do-japão. Indiferente à presença humana, paira no ar, desafia a gravidade, e mal percebo o bater de suas asas. Uma verdadeira joia verde e azul de penas e plumas, que cintila refletida aos raios do sol. Um sopro de vida - [Aquário](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/aquario/) - O menino observa atento os pequenos cardumes coloridos que nadam no aquário, em círculo repetitivo, num mundo silencioso. Cada espécie exibe cores, tipos e tamanhos que encantam a todos, além de proporcionar paz e magia para os visitantes. Isso, em qualquer que seja o aquário, desde os pequenos, caseiros, aos maiores, construídos nos grandes centros - [Preconceito](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/preconceito/) - Seus olhares melancólicos falam de uma luta constante para viver num mundo que os nega. De pessoas que se acham superiores pela diferença de cor e de raça. Herança maldita do período colonial. Dos corações insensíveis dos senhores de engenho e escravocratas. Vil preconceito que pesa sobre os ombros daqueles que, ao longo de suas - [Visão de mundo](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/visao-de-mundo/) - Em mar revolto, noite escura, o peso da embarcação é anulado pela fúria da tempestade. Vagalhões varrem o convés de proa a popa, bombordo a boreste. Sacodem impiedosamente os costados. Mesmo marejados, os bravos tripulantes mantêm-se indiferentes em seus postos, nesse incômodo que pode durar horas ou dias. Repentinamente, tudo se acalma. O vento transforma-se - [Infância](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/infancia-2/) - Vestindo camiseta com o símbolo de super-herói, o menino ganha asas invisíveis. Um mundo em que só a criança pode enxergar No pequeno gramado, onde sua fantasia floresce, cada folha caída ou flor que encontra é algo a ser descoberto. Enquanto caminha com os pés descalços, experimenta o toque da terra e sente-se um guerreiro - [Pet](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/pet/) - A mulher com o olhar fixo para cima da escada e as mãos em expectativa parece aguardar seu amado companheiro. Na realidade, observa seu cachorrinho de estimação prestes a descer, desajeitado – característica dos pets que derretem corações sensíveis. Momento de espera cheia de amor, quando o silêncio é preenchido pela alegria antecipada do reencontro. - [Guerra](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/guerra/) - O soldado com máscara de gás é apenas uma figura marcada pela devastação da guerra, protegido contra um inimigo invisível. Sobrevivente de um mundo envenenado pela ciência que deveria salvar mas se transforma em arma letal. Registro amargo da guerra e da doença causada pela radioatividade e substâncias químicas para destruir em massa, diferentes das - [Teclado](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/teclado/) - Além de um instrumento sonoro para executar melodias harmoniosas por meio de teclas bicoloridas, em mãos hábeis e angelicais, nos faz crer realmente ser a música a manifestação dos sentimentos da alma. Dominando teclas como que em transe, o artista nos sensibiliza com melodias ou cantigas guardadas no baú das nossas mais íntimas lembranças. Desde - [Lâmpada](https://oficinasantasede.com.br/nilton-matos-pereira/lampada/) - O jantar em família é interrompido inesperadamente por um apagão no bairro. Um dispositivo automático com acumulador de energia, previamente instalado na sala, acende uma lâmpada, não a deixando completamente às escuras. Motivo suficiente para que Thomas, o anfitrião, exalte a figura masculina como responsável por todos os inventos ao redor do mundo, dizendo: − - [Assombrar-se](https://oficinasantasede.com.br/anabela-kohlmann-ferrarini/assombrar-se/) - Da varanda, o avô observa a alegre balbúrdia da criançada. Correm, desatinados, contaminados pelo verde e o oxigênio sem resquício de poluição. Empoleiram-se nas árvores feito macacos, empanturram-se de goiabas, bichadas ou não, e de caquis de polpa muito doce. As mães se aborrecem com as roupas manchadas, os joelhos ralados, os pés cortados, os - [Meu super-herói](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/meu-super-heroi/) - Se há um momento do qual deveríamos ter algum registro é o da nossa expressão quando descobrimos aquele herói que, sem sombra de dúvida, é a companhia da qual precisamos enquanto existirmos. Embora, no decorrer da vida, haja tentativas de que outras figuras e seus comportamentos sejam por nós incorporadas. Os pais, por exemplo, em - [Silêncio](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/silencio/) - Silêncio. Silêncio... Silêncio! Déa fica matutando sobre essa palavra: silêncio. E as diversas formas de pedir ou ordená-lo. Lembra de fotos antigas, no Sanatório de Rivera, onde sua mãe se hospitalizara para tratar de hérnia ou varizes. Nos corredores, estavam dispostas diversas fotos, em preto e branco, de uma linda menininha, parecida com Anne Frank, - [Intervalo](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/intervalo/) - Teresa tem dois filhos, Theo e Pedro. Contou-me essa história enquanto estavámos no intervalo de Norma e bebericávamos uma flute de champanhe. Theo mora com Thaís no Recife e Pedro com o marido, Paulo, em Milão. Teresa está separada, trabalha, e tem uma vida confortável. Disse-me que se organizou para vir a Montevidéu, nesta época, pois - [Santiago Maldonado](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/santiago-maldonado/) - Estou em Buenos Aires, uma das cidades que, por diversas razões, mais amo no mundo. Uma cidade linda, com muitos teatros, cinemas, bares e restaurantes, gente culta, charmosa, bonita e elegante. Um povo que não se deixa acabrunhar, que não se conforma, que luta – e é muito comum ver, em qualquer época, passeatas e - [Casinha no campo](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/casinha-no-campo/) - O típico chalé de dois quartos, uma cozinha, uma saleta com uma cristaleira, duas poltronas e duas cadeiras, uma máquina de costura Singer e, no seu exterior, um pequeno alpendre com duas cadeiras de balanço, onde os meus avós ao final do dia de trabalho e antes que ele saia para a ferroviária, conversam e - [Beija flor](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/beija-flor/) - Os pássaros beija-flores também são conhecidos como pica-flores, chupa-flores, chupa-mel e suga-flores. Podem ser chamados de calçudos, balança-rabos ou cometas. São polinizadores e forregeadores, alimentando-se principalmente das flores nativas ou exóticas, colocando sua língua para sugar o pólen e o néctar, complementando sua dieta com pequenos insetos, como formigas. O olfato não é muito desenvolvido, - [Memórias](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/memorias/) - Sou de Sant’Ana do Livramento, morava na frente da Praça General Flores da Cunha, mais conhecida como Praça dos Cachorros porque ali existem dois galgos de granito, e estudava na esquina de casa, no Colégio Estadual Professor Chaves. Jamais esquecerei minha querida professora do primeiro ano, Dona Teresinha Martins. Imagino que, à época, tivesse menos - [Quilombolas](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/quilombolas/) - Quilombolas são as pessoas escravizadas que, fugindo dos engenhos de açúcar, fazendas, e também de centros urbanos, onde trabalhavam no serviço doméstico de seus senhores, fundaram vilarejos, chamados de mocambos e, posteriormente, de quilombos. As pessoas negras, trazidas para o Brasil para ser mão de obra escravizada são originárias de diversos grupos étnicos, com cultura - [Intuição](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/intuicao/) - Logo depois do Carnaval de 2024, combinei com minha filha, moradora do Rio de Janeiro, que eu passaria uns dias com ela, em maio, incluindo o Dia das Mães. Tudo acertado, inclusive que Eros, meu Shih-tzu, ficaria em um hotel em Porto Alegre, pois por apenas quatro dias não valeria a pena o gasto e - [Super homem e Mulher maravilha](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/super-homem-e-mulher-maravilha/) - A dissertação da socióloga Alberta Limonta lança um olhar perspicaz e percuciente sobre as semelhanças e diferenças entre as personagens das histórias em quadrinhos Super Homem e Mulher Maravilha. As histórias do Super Homem foram criadas no final dos anos 1930 pelos estadunidenses Joe Shuster e Jerry Siegel. As histórias da Mulher Maravilha, por sua - [Juntas](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/juntas/) - Os dados e números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), de 2023, mostram que uma pessoa é vítima do crime de estupro a cada seis minutos no Brasil. O perfil das vítimas é composto por meninas (88,2%), negras (52,2%), de até 13 anos (61,6%) e, em 84,7% dos crimes, os agressores são familiares ou - [Trotamundo II](https://oficinasantasede.com.br/carmen-gonzalez/trotamundo-ii/) - Em viagens, cada pessoa tem um estilo ou modo próprio. Tem as que só querem caminhar e não querem nunca parar para comer; tem as que só querem ir aos cartões postais para ter certeza de que continuam lá; tem as que amam sair para compras, seja em centros comerciais, seja em camelôs; tem as - [Uma mãe danada…](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/uma-mae-danada/) - A mãe foi uma mulher danada. Do tipo força da natureza, inexoravelmente humana como aqueles personagens de livros e filmes clássicos, que sempre dá vontade de rever. De garota levada a moça muito bonita, ela nunca foi de rodeios. Era nítida, transparente, de pulso forte, índole justa, e coração gentil. Senhora do seu mundo, dona do - [Notas e tons](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/notas-e-tons/) - Ao visitar, com sua mãe, o sítio onde moravam seus avós, Roberto reencontrou muitos dos equipamentos sonoros que haviam sido companheiros de sua infância e adolescência. - Vamos celebrar nossa chegada com um tilintar suave do sino da porta. - Olha só o telefone, ainda ali no corredor. - Quantas alegrias... e também quantos sustos, - [Momentos de luz](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/momentos-de-luz/) - Quando a luz voltou, surpreenderam-se ao perceber a presença de todos os convidados. A chuva intensa daquele dia não significou um impedimento para o encontro. Alguns moravam em outras cidades, mas ainda assim não deixaram de comparecer. Quando a luz voltou, encantaram-se com os ínumeros detalhes: flores nos vasos, porta-guardanapos artesanais, copos, pratos e talheres cuidadosamente - [Altivez](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/altivez/) - Um dos aspectos mais fascinantes da experiência humana é a quantidade de possibilidades encontradas ao longo da caminhada. À medida que avançamos, os desafios se multiplicam. Eles podem se apresentar de diversas formas: o início da vida escolar e a descoberta de um mundo maior do que o da família e da vizinhança; o momento - [Distância próxima](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/distancia-proxima/) - Os meios de comunicação digital encurtam distâncias. A cada hora, minuto, segundo chegam milhares de informações. Tablets, notebooks e celulares expulsam ‘oi-tudo bem?’, memes, vídeos, links, audios o tempo todo. Assisto esse turbilhão. Sensação de proximidade e pressão. Encontros virtuais permitem matar a saudade, mas também podem trazer mais tarefas. Contatos instantâneos facilitam a troca - [Oceano](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/oceano/) - Com três anos, maravilhei-me diante do oceano que estava preso dentro do aquário. No museu de ciências marinhas, meus olhos seguiram, com curiosidade e encanto, o movimento dos peixes. Com treze anos, delicei-me com descobertas profundas. Durante as aulas de mergulho, senti-me como um frade, acompanhado por marimbaus e sargentinhos em ambiente salgado. Com vinte - [A Terra é redonda](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/a-terra-e-redonda/) - Ao observarmos os padrões da natureza, percebemos que suas manifestações seguem traços circulares, sinuosos, ondulantes, curvas e espirais. A copa das árvores, as ondas, as marés, os redemoinhos, as conchas, as pedras, os caracóis, as teias de aranha e os ninhos dos passáros são belos exemplos. Padrões se repetem harmonosiamente e formam composições únicas. É - [O que mais?](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/o-que-mais/) - Para a culinária, acarajé, vatapá, cururu, mungunzá. Para a música, agogô, berimbau, caxixi, cuíca, reco-reco. Para a dança, congado, jongo, maracatu, samba de roda. Para a religião, orixás, oferendas, bençãos e movimentos. Para a moda, tecidos coloridos, colares, brincos, turbantes, penteados. Para o vocabulário, fubá, moleque, dengo, quitanda, fuxico. Para as artes dramáticas, Ruth de - [Carta para as abelhas](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/carta-para-as-abelhas/) - Caras amigas, Escrevo estas linhas porque estou sentindo falta de vocês. Não as encontro mais com tanta frequência. Aliás, ando com saudades de muitas coisas: estações definidas, dias de chuvas mais tranquilos, ventos que sopram suavemente, mais jardins. Para onde foram todos? Pergunto-me se a maturidade me tornou nostalgico ou se realmente algumas coisas sumiram. - [Declaração dos direitos de futuros adultos](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/declaracao-dos-direitos-de-futuros-adultos/) - PRINCÍPIO UM Todas as crianças, sem distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, país, língua, religião, terá seus direitos, anunciados nesta declaração, protegidos, mesmo quando rolar uma bagunça básica. PRINCÍPIO DOIS A criança terá direito de andar e correr descalça e sentir a terra e a grama sob os seus pés - e - [Costurando histórias](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/costurando-historias/) - Faz tempo que observo a mudança nos ritmos da casa. Parece que lá fora eles permanecem iguais: os estalos do telhado, o balanço dos galhos das árvores, o movimento da fumaça da chaminé. Aqui dentro, a pausa, o silêncio. Por muitos anos, estive em atividade e fiz muito barulho. Ninguém mais se aproxima para costurar - [Sublime](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/sublime-2/) - Os anos passam e vamos assumindo tarefas: inúmeras atividades e pouco tempo. A vida se confunde com uma grande lista de verificação e entregas. Mal finalizamos algo e já pensamos na próxima ação. Nesse processo, a quantidade ganha um peso maior do que a qualidade. A maturidade e as experiências ajudam a compreender que menos - [Fio da meada](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/fio-da-meada/) - Cá estou, marcada pelo tempo, solitária nesse cômodo onde consigo ouvir o vento sacudindo os galhos do velho cinamomo. Antes, era eu tão necessária; agora, peça dispensável e ultrapassada. Ninguém me escuta mais. Nem serventia tenho, assim como acontece com tanta gente. Noutros tempos, havia risadas, rodas de mate, bolinho frito, enquanto Elza costurava. Com - [Beija-palavras](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/beija-palavras/) - Escrever é segurar uma coisa que está perdida. Interessante pensar sobre essa afirmação da personagem Katherine (Laura Dern) no filme drama romântico americano “Amores Solitários”, escrito e dirigido por Susannah Grant. A película estreou na sexta-feira, dia onze de outubro na Netflix e envolve o romance água-com-açucar entre Katherine, escritora com bloqueio criativo, que vai - [Moscas volantes e patologias sociais](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/moscas-volantes-e-patologias-sociais/) - “Não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos” ( Anaïs Nin). Dia desses, assim do nada, apareceu no meu olho esquerdo uma minúscula sombra, que dançava ( e ainda dança), conforme meu olhar mudava de foco. Apavorada, corri para o Oftalmologista. Depois de diversos exames, o diagnóstico: apenas uma mosca volante, - [Estranho silêncio](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/estranho-silencio/) - “Avião sem asa Fogueira sem brasa Sou eu assim sem você” ( Claudinho & Buchecha) Estranho silêncio ronda meu coração... o silêncio do fundo do mar, do sentimento sem fundo, de um mergulho no ar, como pardal com asa quebrada. Não voa. Saltita desajeitado e vulnerável. Fica à mercê dos gatos vadios. Silêncio da flor - [Super-hiper-adolescentes](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/super-hiper-adolescentes/) - — Que quarto bagunçado! Dez anos e não consegue organizar calçados e briquedos. E esse cadernos jogados de qualquer jeito na mochila? E os temas? Certamente não foram feitos. Não aguento mais as reclamações da escola, que tu não estuda, não obedece, só pensa em futebol e joguinhos no celular. Acabou o celular. Está confiscado - [Reflexões pré-natalinas](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/reflexoes-pre-natalinas/) - Todo ano a mesma coisa: mal começa novembro e irrompem mudanças nas vitrines das lojas, nos shoppings, nas cidades. E até mesmo, dentro da gente. Aparecem as cores de Natal, luzes, promoções. Já na Black Friday, há quem pense em aproveitar os preços reduzidos (será?) para atender a lista de presentes, amigo secreto, ingredientes para a - [Onde andará Amália?](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/onde-andara-amalia/) - Sentada na cadeira de balanço no jardim, a mulher observa as borboletas voejando, saltitantes, sobre as flores da buganvília. A trepadeira rósea se estende, exuberante, fugindo por sobre o muro. No seu colo, o álbum de fotografias – registro de momentos vividos, lembranças, rostos sérios e outros alegres, instantes capturados para resistir ao tempo. Olha - [Pianos silenciados](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/pianos-silenciados/) - Desumanidade. Negação. Invisibilidade do outro. Gritos silenciados. Discurso cego e cruel. E tantas outras constatações assustadoras me fazem questionar se o homem é realmente capaz de tamanhas atrocidades, após assistir ao filme Zona de Interesse, dirigido pelo cineasta Jonathan Glazer. O premiado longa-metragem britânico, conta a história da família do comandante de Auschwitz, Rudolf Höss - [Amizade presencial](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/amizade-presencial/) - Em tempos de virtualização das frágeis relações humanas; de conflitos frequentes entre pessoas, povos e nações, da correria cotidiana; da ansiedade, depressão, estresse e saúde mental comprometida, há urgência de conexões amistosas. Precisa-se de amizade presencial. Sentir a alegria dos olhos e o calor dos abraços. Dizem as pesquisas que a amizade contribui para a - [Dez minutos](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/dez-minutos-2/) - Dez minutos... o que é possível fazer em dez minutos? Meditação. Correr dois ou três quilômetros. Planejar o dia. Colocar seu filho no colo e contar uma história. Conversar com um amigo. Passar um café. Fazer uma caminhada. Sentar ao sol da manhã e recarregar o organismo com Vitamina D e bom humor. Ouvir música. - [Do outro lado](https://oficinasantasede.com.br/miriane-willers/do-outro-lado/) - Há questões intrigantes que perpassam o tempo e estão mais acentuadas e angustiantes à medida que a humanidade in/evolui. Na busca de respostas, revisito os versos do Poeta Mário Quintana, e vou tecendo uma espécie de entrevista póstuma. – Para começar, vive-se num corre-corre e num piscar de olhos, já é final de ano. As - [Aquela tarde](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/aquela-tarde/) - Naquele final de tarde frio e chuvoso, Bernardo retornava para sua casa depois de visitar seu avô Francisco, hábito de boa parte das tardes de quartas-feiras, dia de sair mais cedo da escola. Entorpecido, caminhava inquieto em direção ao ponto do ônibus, perplexo com a imensa quantidade de informações que o Vô Chico havia lhe - [A escala 6x1](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/a-escala-6x1/) - O menino Joaquim não estava se sentindo bem naquela manhã de segunda-feira. Durante a curta viagem para a escola, sentia-se tonto e com fortes dores na barriga. Do alto dos seus tenros sete anos, acreditava que alguma coisa no almoço dominical estava lhe incomodando. Na chegada, como de costume, dirigiu-se ao imenso dormitório dos - [Marionetistas](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/marionetistas/) - O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano. Isaac Newton O talentoso australiano Peter Weir, diretor do espetacular Sociedade dos Poetas Mortos de 1989 repetiu a façanha e dirigiu com maestria o enigmático O Show de Truman em 1998, obra ficcional que abordou os reality shows. O - [Nômades](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/nomades/) - Amigo de verdade é o que chega quando outras pessoas estão indo embora. Walter Winchell São inúmeras as rotulações de amizade. Ao longo de nossa efêmera existência, temos sortidas oportunidades de desenvolver este sentimento em sua plenitude, muitas vezes, sem sucesso. O acaso nos apresenta possibilidades interessantes que se tornam mais - [O caminho](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/o-caminho/) - Na centenária praça, copulado por entre pedregulhos cobertos de musgo, conforme propagado através dos sussurros do orvalho e das sombras. No silêncio suave de uma manhã há muito desvanecida, sob a ondulada folha de uma samambaia enrugada, nasceu um caramujo diferente de qualquer outro : o Ariovaldo. Sua concha não era a mais grandiosa, - [Olhares derradeiros](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/olhares-derradeiros/) - Diante da finitude tendemos acreditar que somos tudo defronte daquele corpo agora inerte, que recentemente era um de nós por aqui. Os olhares buscam capturar a essência, as peripécias, o som de sua voz e o austero jeito de conversar, que nesta ocasião, já fazem parte do nada. Memórias. O conforto nos afaga através - [Plantar e semear](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/plantar-e-semear/) - Talita sempre dizia que a vida era um grande jogo de paciência. Expert no assunto, ela sabia que o segredo era esperar o momento certo para dar o próximo passo. Mas, na verdade, seu grande macete não era a paciência – era a persistência. No subúrbio rural, Talita morava com seu esposo, Zé, em - [Empatia](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/empatia/) - Longe de ser um dom inato, a empatia é uma habilidade que se aprimora e se desenvolve com árdua persistência. Essa generosa aptidão em compreender os sentimentos alheios, além de incorporar qualidades invejáveis, faz parte de nossa cura e evolução nestas breves passagens terrenas. Ao cultivar a empatia, preparamos relações humanas com mais significado - [O tempo de Luís](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/o-tempo-de-luis/) - Sheyla sempre teve um caso mal resolvido com o amor, ou melhor dizendo, nunca quis resolvê-lo. Criada em um lar onde os afetos eram mais platônicos do que profundos, sua referência vinha de uma linhagem de mulheres que, entre ditados de força e independência, aprenderam que amar demais era sinal de fraqueza. Os amores, no - [A quietude de Ademir](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/a-quietude-de-ademir/) - “A solidão me acompanha desde a gestação”, repetia Ademir, como quem repete uma verdade biológica. Ainda envolto no líquido quente e espesso do útero, já se incomodava com os ruídos do lado de fora – buzinas, vozes, o tilintar das panelas. Tinha a intuição de que não gostaria do que o esperava após o nascimento. - [Visão embaçada](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/visao-embacada/) - Há pouco tempo, escrevi uma crônica onde avaliava os cinco sentidos humanos e a importância de cada um. Concluí que nenhum é mais importante do que a visão. Pode haver quem discorde. Revendo o maravilhoso filme Central do Brasil, tive, mais uma vez, vontade de escrever sobre coisas essenciais à compreensão da vida com plenitude. - [Duas faces](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/duas-faces/) - “Nas duas faces de Eva, a bela e a fera” Rita Lee e Roberto de Carvalho A maternidade é, sem dúvidas, o maior desafio feminino. Testa as mulheres em todos os sentidos, desde a decisão de ser ou não ser, e sendo, aceitar as primeiras discretas mudanças no corpo e no humor. Na sequência, as - [Gatilhos](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/gatilhos-2/) - O filme O beijo no asfalto (1981), baseado na peça de Nelson Rodrigues, me levou a várias reflexões. De questões políticas e sociais até meus perrengues da juventude. Infelizmente, ainda é muito atual o preconceito e a capacidade de destruir reputações com informações falsas. Mudam as mídias, usam-se palavras novas, como fake news, mas a - [O tempo do tempo](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/o-tempo-do-tempo/) - Ano passado, reencontrei duas amigas (em momentos diferentes), que mudaram de Estado há mais de vinte e cinco anos. Durante essas quase três décadas, mantivemos contatos esporádicos. Seguimo-nos em redes sociais, nos cumprimentamos em datas festivas, elogiamos postagens de nossos filhos e netos. Comentamos nas fotos de viagem. Alguns poucos encontros rápidos aqui ou lá. - [Tabu](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/tabu/) - Pensar na solidão é como pensar na morte: um grande tabu. Não somos preparados nem para uma coisa, nem para outra. E elas acontecem, em algum momento, para todos. Seres humanos são gerados dentro de um outro corpo, que o protege, o alimenta e com ele divide emoções. Do nascimento até boa parte da infância - [Parto sem dor](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/parto-sem-dor/) - Estamos vivendo tempos estranhos, que pouco se parecem com o século passado. Vivem-se experiências incomuns, antes inimagináveis. Muitos fizeram previsões futurísticas, registradas em livros, filmes, palestras, artigos e outros meios. Mas a realidade veio tingida de cores ausentes em grande parte das previsões. O que temos visto é uma sociedade adoecida física, emocional e espiritualmente. - [E depois?](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/e-depois/) - O Show de Truman abre espaço para várias reflexões. Liberdade e limites, manipulação e ganância, amizade e empatia, amor e ilusão, sonho e pesadelo; tudo ali é uma fraude, uma vida forjada para agradar vidas vazias. No cartaz, a atenção toda é para a escada, que leva o personagem ao desconhecido. Desde sempre, escadas simbolizam - [Destino certo](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/destino-certo/) - A morte me espreita há mais de seis décadas. Mantém-se, quase sempre, a uma distância relativamente segura. Algumas vezes ousa se aproximar demais, mas, não sei se por mérito meu ou incompetência dela, termina se afastando. Porém, nunca volta ao seu ponto original. Sempre retorna um passo a menos. Sei bem que está, hoje, mais - [Das coisas que importam, das vãs e das kombis](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/das-coisas-que-importam-das-vas-e-das-kombis/) - Ao terminar de assistir “Pequena Miss Sunshine”, filme de 2006, um pensamento pode vir à sua mente: Ainda bem que minha família não é tão esquisita assim. Será? A obra é um road trip peculiar e uma tragicomédia ácida, protagonizada por uma família que parece ter sido montada com peças trocadas, e de diferentes procedências. São tipos que não se - [Essas bem traçadas linhas](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/essas-bem-tracadas-linhas/) - Dora é professora aposentada e escreve cartas para analfabetos. Sentada num canto da movimentada estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, ela traduz sentimentos e saudades em palavras, para pessoas que não podem fazê-lo sozinhas. E cobra por isso. Às vezes, ela nem envia as cartas. Afinal, esperança, como tudo na vida, também tem seu preço. No filme - [Vigília](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/vigilia/) - Sonhei que estava sendo vigiado. Nada de novo, há dias venho pressentindo que meus sonhos e realidades têm plateia. O curioso é que, ao contrário dos sonhos habituais, pesadelos, talvez, este não era um loop surreal, não tinha abismos ou nudez involuntária em meio a multidões. Havia só eu... e um zumbido, discreto, pedindo atenção, como o ruído de uma - [Carta ao Tempo](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/carta-ao-tempo/) - Caro Tempo, Espero lhe encontrar bem. Escrevo estas mal datilografadas linhas para tirar uma dúvida: por que tanta correria? Você não se cansa? Não sente vontade de sentar um pouco, cruzar as pernas, ver um filme? A propósito, assisti “Tempo”, aquele seu homônimo, do Shyamalan. É meio que sobre uma praia onde você se descontrola e engole vidas inteiras em - [Pé ante pé](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/pe-ante-pe/) - Do abraço do ventre, do banho líquido, amniótico, depois a segurança de ponta cabeça, a mão forte, de borracha, a toalha felpuda que limpa sangue, limpa placenta, para o primeiro beijo, na testa. Vem o choro, o colo, ela, quentinha, protetora, o teste, a picada, os sapatinhos de lã, as meias de algodão, azul, amarelo, - [Coração](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/coracao/) - Ave Maria, Antônia, Helena e Clara, Mães cheias de força e graça, bendita és entre as mulheres, e bendito é o fruto da esperança que carregas nos teus braços, que pulsa em teu peito, que germina em teu ventre e te ilumina. Santa mãe solo, mãe da periferia, mãe negra, herdeira de dores e lutas, - [Ed, a Morte o caso das calcinhas](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/ed-a-morte-o-caso-das-calcinhas/) - Uma crônica em homenagem a Luis Fernando Verissimo e seu personagem Ed Mort Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Especialista em adultério de bairro e mistérios sem glamour, nunca resolvi um caso que não terminasse em vergonha ou gastrite. Mesmo assim, sigo investigando, já que o aluguel vence todo mês e eu não - [2025 (ou Roda viva)](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/2025-ou-roda-viva/) - É cedo, manhã de domingo, e ele logo sai para trabalhar. No banheiro, o espelho devolve sua imagem distorcida e apresenta por escrito seus dados de saúde. Um alerta é emitido, um ícone pisca. Ele ignora, sacode a barriga e pensa se deveria ter aceito aquela escala de trabalho 7x0. Resigna-se, num muxoxo. Afinal, a - [Intraduzível](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/intraduzivel/) - *texto baseado no poema “Traduzir-se”, do maranhense Ferreira Gullar - Revisão 28/07/2025 Quem sou eu? Um todo invariável e conciso? Não, sou pedaços. Alguns conheço bem, outros nem tanto. São partes de partes, fragmentos de um alguém que, assumo, não pode se definir como essencial, ou mesmo incomum, longe de mim. Não vivo grandes aventuras ou - [Ayahuasca](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/ayahuasca/) - Era uma tarde quente na tribo Marubo, Vale do Javari, sudoeste do Amazonas, onde há muitos anos, o rio serpenteava como cobra preguiçosa e o tempo parecia dormir na rede. O velho Wino Këyshëni estava sentado em seu tronco preferido, aquele polido por gerações de bundas indígenas, mascando um pedaço de mani e saboreando - [Fonte de brincar](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/fonte-de-brincar/) - Eu fiz brincar, não vi o freio E quis amar com emoção Mas no calor nasceu um enredo Um sonho leve virou canção Criança pra nascer Criança pra correr, pra brincar Criança pra viver Criança pra sorrir, pra sonhar Eu sempre digo a coisa certa Tomei a agua da ilusão Mas minha vida agora enxerga - [Vou-me embora pra Tupinambá*](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/vou-me-embora-pra-tupinamba/) - Vou-me embora pra Tupinambá, seguindo o curso do rio. Lá vive a cabocla Jurema, ô mata virgem, me chama já. Vou-me embora pra Tupinambá, aqui eu não sou feliz Lá a vida é natural, livre, pura e espiritual. Oxalá me chamou, mandou me buscar. Vou lutar com os capangueiros, lá nas matas da - [Ausência](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/ausencia/) - A casa, simples e irrisória, tem paredes podres, duas janelas de onde nada se vê e uma porta lateral pouco convidativa. Diante dela, o jardim enfeitado de mato e desdém cultiva um varal de arame, mal ajambrado, onde três pedaços de pano puídos descansam. São vestidinhos de crianças, estampados com flores sem cor que teimam - [Flow](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/flow/) - Fade in. Som de água corrente. Lenta, constante. Uma cidade surge, quase submersa. Silêncio. O enquadramento se abre: avenidas transformadas em rios, placas de trânsito flutuam sem direção, carros boiam como grandes peixes metálicos, mortos. No espelho d’água, estranhamente limpo, reflexos de prédios e nuvens se misturam. Um vento sopra. Um pássaro solitário sobrevoa e - [Crianças, fotos e refris](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/criancas-fotos-e-refris/) - Aqui na parede tem algumas, filho. Em cada fronteira, campo de refugiados ou área de guerra urbana, uma lembrança e um rosto. Ela sempre vai junto, claro — a Leica, companheira inseparável. Comigo ela viu de tudo, registrou o mundo, mas estas fotos aqui de um jeito diferente, especial. As crianças, seus rostos tristes, às - [Travessia](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/travessia/) - A velha anda, desanda, arrasta os pés como quem varre a própria sombra, carrega o corpo, um fardo, veste trapos, passa vã pelas esquinas, calçadas, avenidas largas, ninguém olha, ninguém a vê. A pressa inexiste, os olhos deslizam e se perdem diante da loja iluminada e seus manequins, do banco que não dá esmola, dos homens de terno que - [Blues das pessoas que passam](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/blues-das-pessoas-que-passam/) - I hurt myself today / To see if I still feelI focus on the pain / The only thing that's realHurt - Johnny Cash Entardece. O bar atemporal, algo retrô-contemporâneo, tem paredes de tijolo à vista e uma janela grande de vidro que me permite enxergar o movimento lá fora. O quadro que vejo - [Não aprendeu dizer adeus](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/nao-aprendeu-dizer-adeus/) - Quando a epidemia chegou em 2020, o médico e sua equipe não estavam preparados. Ele acreditava que a pandemia não chegaria ao Brasil. Com o avanço da medicina, parecia não haver espaço para um organismo desconhecido no ar. Mas tudo muda, tudo é impermanente. Inclusive os vírus. Bactérias proliferam, vírus sofrem mutação. O que não - [Gênesis](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/genesis/) - No princípio era o Verbo, ou melhor as matas. Florestas com os mais variados tipos de flora e fauna. Verdes planícies límpidas sob o céu azulado. Rios transparentes, sem poluição. Todas as coisas foram feitas por Ele, e eram perfeitas. Nele estava a vida, e a vida corria livre na natureza. E o Verbo se - [Mães de Guadalupe](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/maes-de-guadalupe/) - Sentados no chão, a uma hora de Guadalajara, no México, um grupo de busca vasculha, em silêncio obstinado, vestígios de pessoas desaparecidas. Folheiam um caderno repleto de nomes e codinomes, cercados por centenas de sapatos, mochilas e outros objetos pessoais abandonados. O Rancho Izaguirre, que pertenceu ao cartel de Guadalajara — pioneiro no trabalho com - [Da missa a metade...](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/da-missa-a-metade/) - ”Senhor, é hoje! Guie minha voz, e que a missa seja breve.” “Deus Pai, cuida das crianças que sofrem com as guerras.” "Cuida da saúde da mamãe, Deus, mesmo que ela brigue comigo." "Que calor insuportável, deviam pôr ventilador nessa igreja." "Essa saia da moça da frente não é roupa de usar em missa." "Obrigada, - [O que resta de nós](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/o-que-resta-de-nos/) - No varal improvisado, três pequenos vestidos dançam ao sabor do vento. São leves, inocentes, quase como memórias que insistem em não se desfazer. A parede ao fundo, manchada pelo tempo, contrasta com o frescor da infância que as roupas evocam. Cada vestido carrega uma história: dias de brincadeira na rua, risadas que já ecoaram pela - [A natureza do concreto](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/a-natureza-do-concreto/) - O lugar onde nasci guarda segredos irrevelávies sobre crimes, traições, assombrações. É um lugarejo bonitinho, meia dúzia de casas numa colônia que já foi italiana. Cidadezinha sem graça, quase nenhuma arquitetura, a não ser a da natureza. Não há edifícios. Quando criança, ouvia minha mãe contar que um tio dela, morador de um cafundó, homem - [Carta à minha mãe](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/carta-a-minha-mae/) - Mãe, hoje te escrevo como quem faz uma prece. Palavras saem de mim como flores do jardim que tanto amavas: rosas de perfume intenso, margaridas simples e fortes como a tua vida. Lembro-me de ti na igreja, rezando a missa com devoção, pedindo a Deus forças para sustentar os nove filhos que te rodeavam como - [Jamais desistir](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/jamais-desistir/) - O sol daquela tarde parecia brincar com as sombras no quintal, onde ecoava o riso de três meninas. Ana Maria – mais velha, com doze anos – girava a corda com a seriedade de quem já se sentia guardiã das outras duas. Ana Amélia – nove anos – inventava enredos de princesas e dragões invisíveis, - [Tempo de amar](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/tempo-de-amar/) - Gustavo caminhava pela vida com a serenidade dos que já viveram muito. Senhor altivo, aposentado e viúvo. Dividia sua rotina entre atividades em home office e com Jarbas, seu vira-lata caramelo, companheiro que parecia compreender as saudades do dono. A ausência de sua esposa após mais de três décadas de parceria – levada por um - [Dádiva autêntica](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/dadiva-autentica/) - Me disseram que a fé religiosa era resistência. Suportar, mesmo quando tudo ao redor gritava que ela não fazia sentido. Confesso que nunca consegui entender muito bem esse paradoxo : crer justamente quando não há razão para acreditar. No fundo, vulgarmente me pareceu mais uma forma de teimosia sofisticada, um jeito de confortar corações inseguros - [Aos nossos filhos](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/aos-nossos-filhos/) - Obrigado, Ivan Lins e Vitor Martins Perdoem a falta de diques Perdoem as falhas no muro Perdoem escombros escuros Os dias eram assim Perdoem a falta de estudos Perdoem por tantos perigos Perdoem a falta de abrigos Os dias eram assim Perdoem a falta de amigos Perdoem a falta de laços Perdoem a - [1064 janelas não me olham](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/1064-janelas-nao-me-olham/) - Feliz, procuro agruras num palheiro e de onde estou sinto o peso de 1064 janelas e me castiga imaginar os dramas particulares mal ocultos por vidros limpos, haverá angústia dentro de quantas salas? quantas paredes escutam choros imperceptíveis ou leem olhares em agonia ou refletem sulcos em mil faces, haverá de uma hora para outra? - [Paradoxos no genuflaxório](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/paradoxos-no-genuflaxorio/) - A floresta amazônica consegue ser, num só tempo, a prova cabal da existência de Deus e sua quase completa inadequação. Trocando em miúdos, há em sua imensidão verde a expressão de magnitude que transcende qualquer tipo de obra humana possível, tamanho esplendor. Noutra camada, a presença do cristianismo, ou qualquer outra tradição religiosa, soa um - [Imtiaz Ali](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/imtiaz-ali/) - Já é rotina: Imtiaz “Golden Boy” Ali é sempre o último atleta a deixar o vestiário antes de os jogadores se perfilarem para entrar em campo. Demandará uns minutos de concentração, pedido que a diretoria do Chelsea atendeu depois de comparar o desempenho do atleta em campo quando não cumpre este ritual íntimo. Também após - [O peso de um olhar](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/o-peso-de-um-olhar/) - Título O peso de um olhar Nome do autor Maristela Rabaiolli Texto O sol queimava a madeira do velho passadiço. Os passos ecoavam secos, misturados a murmúrios e ao ranger dos troncos gastos. Ninguém parava, todos seguiam com pressa, guardando sua sombra sob guarda-sóis coloridos. No chão, rente ao banco improvisado, uma mulher cobria o - [Ponte para o invisível](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/ponte-para-o-invisivel/) - A primeira imagem que me marcou em Paris foi da Torre Eiffel iluminada, imponente na noite. Mas a segunda, me tocou ainda mais: mulheres e crianças muçulmanas, dormindo em caixas de papelão na rua do meu hotel, em Montparnasse. O contraste entre o cartão-postal e aquilo que não aparece na mídia me chocou. Duas realidades - [A tigela e o avião](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/a-tigela-e-o-aviao/) - Hoa partiu cedo do Vietnã, ainda jovem demais para compreender a promessa que fizera. Nos Estados Unidos, mergulhou no idioma, nos estudos e no trabalho. Adaptou-se à nova vida, embora cada passo fosse sustentado pelo esforço. Religiosamente, enviava dinheiro à mãe, Linh, que seguia no Vietnã. Nenhum dólar enviado conseguia aplacar suas memórias. As noites - [Ah, manda um like aí!](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/ah-manda-um-like-ai/) - Era apenas um menino sentado sozinho, distraído com seus pensamentos, quando outro garoto se aproximou e lhe ofereceu uma garrafinha d’água. “Gostou?”. O menino sorriu, levantou o polegar e fez o gesto que, no mundo real, sempre significou um simples “sim”. No entanto, no universo das telas, aquele polegar ganhou outro peso : - [Alice in Fakeland](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/alice-in-fakeland/) - Alice correu atrás do fotógrafo apressado, que atravessou o estúdio com o celular na mão. Ele olhava para a tela sem parar, como quem olha fixamente para um relógio. Curiosa, Alice o seguiu, até uma câmara escura — em um corredor estreito, iluminado por uma luz vermelha. De repente, o chão cedeu. Ela caiu. Em - [Vai um terreninho, aí?](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/vai-um-terreninho-ai/) - Quanto vale a sua fé? Essa pergunta me assombrou depois de assistir a uma apresentação de George Carlin, humorista americano, conhecido por cutucar tudo aquilo que a gente finge que não vê. Ateu convicto, Carlin subiu ao palco com a sutileza de uma britadeira e disse, com todas as letras: “A religião é o maior - [Sob as águas, um fio de luz](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/sob-as-aguas-um-fio-de-luz/) - Texto — Beatriz, isso são horas de chegar? Tu tá atrasada! A aula já começou tem quase meia hora! E hoje vamos estudar um conteúdo novo que vai cair na prova! — Ih, sora, minha casa tá embaixo d´água. Perdemos tudo, nem era pra eu tá aqui. Já nem sei mais quantas vezes - [Andar com fé eu vou](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/andar-com-fe-eu-vou/) - Você eu não sei, mas meu plano era comprar uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Padroeira dos povos de língua portuguesa, representação da Virgem Maria. Procurei na Shopee, Mercado Livre. Uma imagem mais feia que a outra. Borradas, mal pintadas. Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora dos Nós, Nossa Senhora do Apocalipse. Tinha de tudo. - [Era uma vez e mais](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/era-uma-vez-e-mais/) - Esta é a história de três irmãzinhas muito alegres e brincalhonas. Chamavam-se Sol, Lua e Estrela. Passavam o dia brincando e também gostavam de dançar e cantar. Colhiam temperos e flores para a mãe. Eram muito parceiras, embora tivessem personalidades bem diferentes. Sol era pura energia, tinha sangue quente, era dominadora e cheia de si. - [É a vida](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/e-a-vida/) - “É bonita, é bonita e é bonita.” O que é, o que é? - Gonzaguinha. Me propus a escrever sobre a vida e concluí que é mais fácil escrever sobre a morte. A vida tem muitas nuances, mas tem algo em comum com a morte: envolve, além de ciência, crenças. Acreditar na criação rápida de - [Encruzilhada](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/encruzilhada/) - O nome de passarinho soava impróprio. Coronel Curió, alheio a isso e a muitas outras coisas, olhou em volta: cabanas de lona, galinhas magras, roupas no varal, cheiro de feijão ralo. Para ele, era só desordem. Para elas, quem sabe o mundo. Cinco crianças teimavam diante do militar. Uma delas deu as costas, tinha mais o que - [Olhe a infância com candura](https://oficinasantasede.com.br/zulmara-fortes/olhe-a-infancia-com-candura/) - O menino viu a câmera e o olhar brilhou. Fez um joinha e disse: tô pronto. Percebeu que eu estava encantada. Talvez meus olhos estivessem brilhando mais do que os dele. Fiz a foto, na verdade, várias fotos. Ao final, ele me ofereceu água. Era o que tinha a oferecer. Sua forma de agradecimento por - [Navegante das ruas](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/navegante-das-ruas/) - Telêmaco Silveira conheceu o movimento da cidade pelos olhos da janela de um ônibus. Cobrador da Carris por boa parte da vida, começou ainda moço, quando a impecável farda cheirava a novidade e o asfalto brilhava de chuva e esperança. Entrara na empresa Bianchi, linha 8, que pairava no bairro IAPI. Os ônibus Eliziário, - [Ainda somos terra*](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/ainda-somos-terra/) - Um índio não virá de uma estrela colorida e brilhante, Ele já está aqui, cansado, firme e desafiante, E caminha entre prédios, fumaças e discursos, Na América, num triste instante. Depois de derrubada a última árvore sagrada, E invadida a terra, e queimada a morada, Mais esquecido que a mais esquecida Das memórias antigas - [Imaginário](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/imaginario/) - Sempre pensei em amigo imaginário como uma pessoa ou criatura inventada, tipo Calvin e Haroldo. Mas confesso que é algo maior, além da lógica e da ciência. Comecei a acreditar em fantasmas camaradas. Não esses que usam lençol branco e arrastam correntes, mas os boa praça que chegam de repente, fazem barulho e movem as - [O que é o amor? (ou: Onde está o amor?)](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/o-que-e-o-amor-ou-onde-esta-o-amor/) - “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã Porque se você parar pra pensar, na verdade não há.” Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos. – Eu te amo! – diz o jovem à jovem. O amor platônico – o amor como busca pela perfeição, segundo Platão – talvez seja a primeira - [Fôlego](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/folego/) - A palavra, em situações diversas, pode ser comparada a uma moeda, você não acha? No mínimo, tem duas faces. Explico, ou melhor, exemplifico. Um amigo envia mensagem de aniversário, com muitos corações e dedica – a você, bruxa de todos os dias! Aqui penso existir um sentido afetivo na palavra bruxa. Outra mensagem, de quem - [Caminhos de luz e terra](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/caminhos-de-luz-e-terra/) - O chão é pó e é promessa. Cada passo dado por essas crianças é um traço na terra que carrega em si uma história sem palavras, mas cheia de significados. O sol, que se derrama em ouro sobre suas peles pequenas, parece iluminar mais do que apenas seus corpos — ele desenha caminhos de luz - [Testemunho](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/testemunho/) - Vez ou outra, abro o livro que conta um pouco da história de um dos bairros de Porto Alegre, Revelando a Tristeza, escrito por Roberto Pellin. Os avós paternos, vindos da Itália no início do século XX, demarcaram com cercas, nesse bairro, o território que seria o berço brasileiro da família. Junto a essa escrita, - [Roupa limpa](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/roupa-limpa/) - Então, a água retorna ao leito. Foram contáveis dias de invasão com incontáveis perdas. Ela não bateu à porta nem disse: “- Com licença, posso entrar?”. Persuadiu as vítimas com a falsa lentidão da tartaruga de Esopo. Invadiu e habitou. Vital para a nossa sobrevivência, mostrou sua bipolaridade com devastação, revelando-se a pior das inquilinas. - [Sebastião foi passear](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/sebastiao-foi-passear/) - Eis que, um dia, ele encheu o saco e resolveu que não seria nada mais que um simpático – ou nem tão simpático – senhor a passear despretensiosamente por periferias, vielas, ruas ou avenidas. Economia às favas, queria gastar muitos rolos de Kodak Tri-X 400 que carregava em sua bolsa a tiracolo. Aliás, se um - [Medo e fé](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/medo-e-fe/) - Raras são as vezes em que desperto com o sonho lutando para não ser esquecido. Naquele dia, o sonho – que persistiu ao acordar – estava vestido de recordação. Recordação pouco agradável, daquelas que remói o espírito, que fica grudada em algum lugar e que, volta e meia, causa desconforto. A formação cristã luterana me - [Tudo me transforma?](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/tudo-me-transforma/) - Tô atrasado, ele vai me matar, eu prometi que entregaria... o que são aqueles trapos ali? Não é nossa culpa nascemos já com uma benção, mas isso não é desculpa pela má distribuição... porque será que lembrei desta música, quem é mesmo que canta? Ih, embaixo dos trapos tem alguém e o menino ali perto - [Eu e Salomão](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/eu-e-salomao/) - Um dia antes de você nascer. Querido filho, Mesmo sabendo que a natureza não obedece a calendários e relógios, sei que chegarás amanhã. O doutor disse que seria mais seguro marcar dia e hora para te tirar de dentro de mim. Sei lá, achei este doutor ansioso demais. Todos aqueles exames que me mandaram fazer - [Tibicuera](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/tibicuera/) - Eis que o homem teve uma ideia: – Vamos transformar a água em terra? Então, para dar vazão à sua genialidade, o homem usurpou do próprio rio a terra que secaria suas bordas. Dragou seu fundo até a exaustão e, não satisfeito, buscou nos seus restos urbanos o que faltava para dar cabo ao seu - [Santa grana](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/santa-grana/) - Durante minha formação cristã, deparei-me muitas vezes com o episódio bíblico que fala sobre os vendilhões do Templo ou purificação do Templo. Conta a Bíblia que, durante a Pessach, Jesus entrou no Templo de Jerusalém e encontrou comerciantes de animais e cambistas de moeda. Irado, expulsou compradores e vendedores, derrubou mesas e cadeiras e disse-lhes: - [Janelas da alma](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/janelas-da-alma/) - Por onde caminho, janelas se abrem e inundam com luzes, cheiros, arrepios, sabores e sussurros a alma esquecida. Nos sentidos, o sentimento urge. Ele grita por memórias de outrora e por aquelas que estão por vir. Revitaliza minha periferia e evidencia a simplicidade do amor, por vezes complexado. É quando relevo a importância das janelas? - [Temporal](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/temporal/) - O tempo fechou. Talvez Zeus não tenha gostado das cobranças de Hera. Afinal, o que é uma traiçãozinha aqui e outra acolá? Bom, questões do Olimpo à parte, tempestades são frequentes sob o território gaúcho. O Rio Grande do Sul está entre os dez estados que mais sofrem descargas elétricas no país, com cerca de - [Eu, Monstro](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/eu-monstro/) - Trovões ressoam no meu peito como tambores de um carnaval que anuncia o fim dos tempos. Raios dançam no céu, abrindo frestas na escuridão. Entre as sombras disformes, um clarão súbito, um espasmo de luz, revela a silhueta do homem — um deus pálido, ínfimo, que ousa desafiar a tempestade. Nascido entre fios e relâmpagos, - [Posseiros, possessores, possessivos e possessos](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/posseiros-possessores-possessivos-e-possessos/) - Desde os tempos mais remotos, o direito à terra sempre foi uma questão de poder, sobrevivência e pertencimento. Quando os primeiros grupos humanos passaram a cultivar e permanecer, algo profundo mudou: a terra deixou de ser abrigo e tornou-se símbolo de domínio. Os caçadores-coletores, que antes vagavam livres, aprenderam a cercar seus espaços, a - [Raio que te parta!](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/raio-que-te-parta/) - O sol ainda nem havia nascido quando Pedro já pulava de alegria, enquanto Paulo, bocejando, praguejava contra o mundo. “Raios! Quem inventou essa ideia de acordar antes do galo cantar?”, resmungava. O pai, animado, arrumava o carro e cantarolava Luiz Ayrão: “É como um raio de sol, beijando o amanhecer…”. Pedro acompanhava com o - [Entre Lençóis](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/entre-lencois/) - A noite ainda pulsava lá fora mas no quarto era outro tempo.O incenso queimava devagar,espalhando perfume de calma e mistério. Ele dizia ouvir passarinhos —e ela, com o olhar preguiçoso, sorria.Enrolados entre lençóis, falavam sobre tudo e sobre nada. Pela madrugada, eles estavam ali, de mãos dadas, descobrindo gostos e desgostos em comum. Amor - [Diário de um favelado](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/diario-de-um-favelado/) - 27 de outubro Hoje amanheceu chovendo. Ontem caiu água como se o céu tivesse raiva da terra. Foi tempestade de verdade: trovão, raio e vento. Quando chove, o céu chora. E eu choro junto. Mas às vezes fico alegre, porque a chuva lava o chão, as folhas, e até a alma. Só é ruim quando - [Cativeiros](https://oficinasantasede.com.br/carlos-hirschmann/cativeiros/) - O sol nasce igual para todos, dizem. Mas em El Fasher ele rasga o céu em fogo. Em Porto Alegre, o mesmo sol repousa manso sobre o bairro Mont’Serrat. Três crianças sudanesas despertam entre os corpos frios dos pais e avós. Três crianças gaúchas despertam entre travesseiros de pluma e lençóis de linho. O - [Olhos d’água](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/olhos-dagua/) - Você, criança de olhos d’água, sabe quanto de imensidão? Imensa é a força do seu desejo, a coragem de sua voz, a largura dos horizontes que devolvem aos pés o ímpeto de trilhas impensadas, inseguras e onde é impossível conter a curiosidade de seus olhos. Imensa é a sina dos que transformam, a leveza dos - [Canoa em Porto Alegre*](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/canoa-em-porto-alegre/) - Canoa canoa, desce No meio da rua, avenida, desce No meio da noite alta da cidade Levando a solidão e a coragem Dos homens que são Defê, defesa civil Defê, defesa civil Nosso canoeiro enfrenta as águas Nosso canoeiro enfrenta o rio Nosso canoeiro recolhe pessoas Nosso canoeiro escolhe remar Defê, defende seu par Defê, - [A melhor oferta](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/a-melhor-oferta/) - – Bom dia! – Bom dia, senhora! Ao dispor. – Essa imagem da Nossa Senhora dos Navegantes, quanto é? – Essa aqui? Ó, pode segurar. Já sinto que ela é sua. Ela foi feita por artesãs ligadas à paróquia. Uma por uma, todas pintadas enquanto toca o disco do Padre Zezinho. Trabalho voluntário da mais - [Olhar na encruzilhada](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/olhar-na-encruzilhada/) - É muito frequente estarmos diante de lindas fotos de crianças em situações em que isso destoa do ambiente. Lá está uma cidade devastada, e um olhar doce; um cenário de guerra, e um sorriso franco; um entorno de fome, e um abraço amoroso. É quase como se a infância imprimisse um filtro de esperança revelado - [Imaginasons](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/imaginasons/) - Interessante... Dei-me conta de que algumas imagens que vejo evocam sons. Algo como não ser possível apenas vê-las – fico a escutá-las, também, como se fossem, imagem e som, indissociáveis. A imagem de um feixe de raios a rasgar os céus me traz trovoadas; A imagem de um bebê de boca aberta e corpo retorcido - [Em que pese](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/em-que-pese/) - Há uma imagem irrepreensível: ser a parentalidade um fardo. Carregar os filhos é incumbência jamais negligenciada por quem deseja assumir-se como mãe ou pai. Um peso. Talvez seja esta metáfora uma espécie de espantalho na horta dos verdes e imaculados legumes contemporâneos: uma criança será a desordem no arranjo perfeito, drenará os recursos, tomará o - [O peso que não pesa](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/o-peso-que-nao-pesa/) - Em 1969, enquanto o mundo ardia entre protestos, guitarras e bombas no Vietnã, uma juventude rebelde — e sensata — tentava encontrar abrigo em seus ideais e na música. Surgiu, então, uma canção de melodia suave que trouxe certo alívio ao caos. He ain’t heavy, he’s my brother parecia um sussurro em meio à balbúrdia, mas - [Fé](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/fe-2/) - Viver junto a indígenas foi projeto realizado em 2017. A experiência tornou-se possível ao ter sido recebida, por 6 dias, numa reserva indígena Cachivera, no seio de uma tribo Kubeo, em Mitú, capital do departamento de Vaupés, situada sobre o rio Vaupés — Região Amazônica da Colômbia. Desses dias, mantenho lembranças e fotografias, com pouca - [O Pecado de olhar](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/o-pecado-de-olhar/) - Têm dias em que não refuto o pensamento: o mundo acabou. Só esqueceram de avisar. Em vários livros e, inclusive, em textos e fotografias de minha autoria, a ponte, figurada ou não, é usada, enquanto metáfora para conexão, rito de passagem, mudança de rumo, entre outras ideias. Entretanto, existem outras pontes. Aquelas em que pessoas - [Sede](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/sede/) - Quando coloco à prova minha vulnerabilidade? Eu diria que a cada amanhecer. Mas, evidentemente, existem dias ou situações em que essa sensação escorre pelo corpo como lava de vulcão, incandescente. Dizem sermos, os humanos, seres em que a empatia precisa ser aprendida, processo em desenvolvimento de acordo com as circunstâncias as quais somos expostos. Entretanto, - [Castigo tatuado](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/castigo-tatuado/) - O castigo, na infância, era como feijão no prato. Com frequência, lá estava eu, sentada, olhando a parede para refletir sobre o que havia incomodado meus pais. Sim, eu pensava por que o meu comportamento provocava a ira deles, e não sobre o que eu tinha feito. Difícil entender que desagradava a eles, por exemplo, - [Minha Catedral](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/minha-catedral/) - Onde seus olhos encontram Deus? Nasci no seio de uma família e comunidade plural em termos religiosos. Minha mãe era umbandista, meu pai ateu, minha avó paterna católica fervorosa, meu avô materno dizia ser sua religião a Maçonaria, meus vizinhos eram filiados a Igreja Mórmon, meus melhores amigos dividiam-se entre os que não aceitavam e - [Infância à espera](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/infancia-a-espera/) - Não sei você, mas há um bom tempo, meus olhos teimam em manterem-se abertos, mesmo com as pálpebras cerradas. Enquanto a mente não encontra abrigo, não é possível calar os pensamentos, certo? O que me mantem alerta? Infâncias. Fui uma criança que teve o crescer dos pés fincados na terra, embora a cabeça estivesse a - [Quando o céu resolve argumentar](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/quando-o-ceu-resolve-argumentar/) - Na infância, em noites de tempestade, de mãos dadas com o medo, eu entrava na caverna embaixo da cama. Nada mais assustador que raios e trovões. Minto. Assustador mesmo era a voz de minha mãe a chamar – Iara Teresinha! O uso do meu segundo nome anunciava bem mais que uma tormenta, pois ela, a - [Árvore da Vida](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/arvore-da-vida/) - Quando éramos crianças, Nikon e eu, costumávamos brincar próximos aos baobás. Diz a lenda que foi a primeira árvore que Deus criou. Minha avó nos contou que com seu robusto caule, poderia viver até seis mil anos. Ficávamos sentados embaixo das árvores e pensávamos nos nossos antepassados. Antes de embarcarem nos navios negreiros, eles eram - [Fotos, crianças e sonhos](https://oficinasantasede.com.br/kerwin-weizenmann/fotos-criancas-e-sonhos/) - O ano era 2005 – acho. Eu, um curioso e assíduo consumidor de tecnologia, me vi em um debate com amigos sobre fotografia digital. A faísca do papo se deu quando conheceram minha nova aquisição: uma máquina fotográfica Nikon Coolpix com cinco megapixels de resolução. Um colosso na captura de imagens. A discórdia logo se - [Inocência, Rotina e Esperança](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/inocencia-rotina-e-esperanca/) - As casas velhas, milagrosamente de pé, disputavam espaço com as árvores e o mato alto, num cenário descolorido onde o tempo não avançava — apenas se repetia, enferrujado e lento. A mulher, parte deste todo, todo dia, caminhava empurrando os minutos à força, a filha a tiracolo. O futuro, para ela, era um horizonte estreito, quase - [O doce sabor do saber](https://oficinasantasede.com.br/maristela-rabaiolli/o-doce-sabor-do-saber/) - Na Ilha das Flores, onde o vento sopra histórias que o mundo insiste em não ouvir, caminhos de terra se enchem de passos leves: os de uma criança correndo, os de uma mulher seguindo adiante, os de cães fiéis que vigiam o silêncio. A cena poderia ser apenas um instante — mais um entre tantos - [Companheiros](https://oficinasantasede.com.br/roberta-larini/companheiros/) - Sempre desejei que alguém me conhecesse de verdade. Os anos passaram e meus anseios continuaram. Uma busca eterna por outro ser humano que eu nem sabia se existia. A casa abafada cheirava a mofo, madeira velha e abandono. As paredes tinham grandes frestas por onde se podia espiar o único cômodo com fogão, sofá e - [Muda a janela](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/muda-a-janela/) - Poderia ser na grama, em meio às plantas, pés descalços, bem à vontade. O vento cortante balançaria as folhas do coqueiro. As palmeiras emitiriam outras notas. O sol aqueceria as faces de pele clara como areia. Cenário deslumbrante. Quando viu, estava sobre o asfalto. Calçados nos pés gelados, roupas pesadas, ventania, frio, buzinas. Cidade. Na - [Lélia da Fé](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/lelia-da-fe/) - Não é tarefa fácil usar as palavras certas. Fé. Sentimento? Crença? Esperança? Uma convicção? Fé é perdão? Espiritualidade. A cabeça não descansa. Funciona o tempo todo. Andando, varrendo, lavando roupas, cozinhando, ouvindo música. Não escapa da minha mente a imagem em preto e branco. Retrata o interior de uma igreja, onde no altar há - [O corpo acolhe](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/o-corpo-acolhe/) - Penso na mulher de aparência frágil ao lado do banco na ponte. Eu e minhas mulheres. Sujeitos transitavam, talvez sem direção. Entretanto, o banco estava vazio. – Esperava alguém? Navego, admiro. Olho ... Imergir e interagir ao mergulhar na cena, sentindo cada detalhe. Posso estar no Brasil ou em qualquer país asiático. Me asilo na - [Brilho no olho](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/brilho-no-olho/) - História conhecida. Um menino, terceiro filho de uma prole de quatro. O único que demonstrava prazer por uma das atividades mais comuns entre as crianças da época: jogar bola com os amigos. A música era permitida, mas a possibilidade de aprender a tocar violão era sempre negada, tendo como justificativa ser um instrumento “muito popular”. - [Meu Vazio](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/meu-vazio/) - O coração acelera, parece faltar o ar e a imaginação voa quando leio as mensagens recebidas no telefone, há quase três mil quilômetros de distância além das fronteiras, em direção ao norte do país. Não penso. Meu instinto é contatar quem estivesse mais perto e, imediatamente, montar uma equipe de apoio. O sinal é ruim, - [Herança](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/heranca/) - Cada criança tem uma canção cantada para ela. As senhoras na Igreja, diziam que se parecia muito com seu avô. Principalmente o olhar. Os olhos claros cor de mel identificavam seu pertencimento àquela linhagem. E sabe-se o quanto é importante, e também é bom, pertencer. Mas há canções que remetem a bons prognósticos e - [Coragem](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/coragem/) - Olho a fotografia da menina loira de fios dourados, sentada com outras crianças em frente ao barraco no acampamento em Encruzilhada Natalino. Me imagino ali. Certamente elas não tiveram uma infância como a minha, mas experiências de uma vida em comunidade e a luta por terra e casa rondaram meus dias. Conheci um pouco sobre - [Por um fio](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/por-um-fio/) - Pensar fora da caixa é olhar além Pensar que se abre uma tênue mancha branca Imaginar que dela surge um pulmão Ligado a um fio que irradia luz Ela dá forma a um corpo E ele flutua no ar Sobrevoa enquanto tem a vista de cima Fora da caixa Abaixo uma imensa escuridão Não - [Marsúpio](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/marsupio/) - A verdade é que a própria vida se encarrega de separar alguns irmãos. Ainda pequenos, Pietro e Joan, moravam com os pais. A sorte não olhava pra eles. Os dias eram duros demais e a droga fácil que batia de porta em porta, afetou a todos. Havia mais três. O mais velho contava oito anos - [Desabafo](https://oficinasantasede.com.br/andrea-mantese-paul/desabafo/) - Ser feliz com o mínimo...voltar ao mesmo lugar e já não encontrar nada, ninguém. Recebida pelos cachorros famintos que nem reconhecem mais o nosso cheiro. As lembranças boas permanecem na memória. São muito poucas! Chegar ali acompanhada da filha, era um consolo. Não sobrou nada. Pra não dizer nada, apenas uma parede, que - [Permanência](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/permanencia/) - Ao amanhecer, em meio a imensidão da savana e ao pó avermelhado carregado pelo vento, roupas coloridas surgem vestindo corpos do povo Maasai. Eles caminham lentamente, reverenciando a terra tocada por seus pés por saberem que ela lhes dá tudo o que precisam: comida, água, abrigo e memória. À frente deles, anda o rebanho, moedas - [Ruas de resistência](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/ruas-de-resistencia/) - A esperança chega de mãos dadas com o futuro. Já pensei dessa forma. Entretanto existem territórios em que isso não ocorre, onde a terra não é o chão – é memória de tudo o que dali foi arrancado. Lugares onde a vida segue adiante como uma teimosia que só os que nada têm conseguem carregar. - [Eternidade silenciosa](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/eternidade-silenciosa/) - Há lugares na Terra em que quase nada se faz necessário além da oferta de rocha, vento e silêncio – o que é suficiente para o viajante inspirar, de forma profunda, em sinal de admiração. Você pode questionar: admiração do que, afinal? Ali não parece existir qualquer outra coisa. Sim, existe algo que, mais do - [Olhos claros e penúltima invenção](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/olhos-claros-e-penultima-invencao/) - Desde a década de 1950, a matéria plástica – como era conhecida – é um marco da civilização. Demorou pouco mais de meio século da descoberta do petróleo como combustível, para o encantamento por embalagens bonitas, leves e inquebráveis, caírem no gosto da população mundial; pelo menos da parcela de olhos claros. Naquele momento era - [Prosa na ponte](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/prosa-na-ponte/) - Roupas sujas Olhos negros Cheiro de terra Caminho largo Ponte pensa Lucas Limberti (Ritmia – o ritmo da vida - 2015) Ponte principia com pedreiros pegando pedras, plantando pedaços com pás e pitacos de pessoas poderosas que, do palanque, proferem palavras pífias – - [Sobre rodopios](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/sobre-rodopios/) - Depois de quanto tempo uma paisagem modificada incorpora o novo? Depois de quanto tempo consideramos crenças, coisas e pessoas legitimadas para estar ali? Em penúltima análise: florestas em pé geram crédito de carbono e mantêm as atividades ecônomicas sem alteração, certo? Seria mais eficiente, ao invés de jogar a culpa no cidadão comum, terem a - [Encantamento: horizontes e arco íris](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/encantamento-horizontes-e-arco-iris/) - Lá do alto, bem alto, vejo um horizonte, bem horizonte com o sol nascendo. Estou voando em um balão policromático. Céu cor de céu, recebendo os primeiros raios de sol, morros cobertos de vegetação, salpicados de flores. Encantamento. Já do chão, sentada em uma poltrona, vejo um arco-íris no horizonte do palco, no figurino das - [Sobre cães, lugares e crianças](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/sobre-caes-lugares-e-criancas/) - As crianças não dizem: “Eu tive um dia difícil. Podemos conversar?” Elas dizem: “Você brinca comigo?” Lawrence Cohem Sobreviventes estão em toda parte, a menos que já tenham sucumbido pelas mãos de um predador ou atraídos pela flauta mágica de Hamelin – versão para cães e crianças. Existem excluídos em todo lugar e são - [Com meus botões](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/com-meus-botoes/) - Já não é tão simples pensar com meus botões, pelo menos com os usados para unir (ou abotoar) peças do vestúário. Não abotoamos! Clicamos, as portas se abrem e o mundo se faz! Ou se desfaz. Apertar um botão tem esse poder (lembram do famoso botão vermelho que assombrou a humanidade em tempos de Guerra - [Som, fúria e zumbido](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/som-furia-e-zumbido/) - E não adianta levar o mundo nas costas A vida é cheia de som e fúria Frejat No exato instante do relâmpago, o estrondo. Segundo a física, essa afirmação é impossível. A velocidade da luz é, no mínimo, 240 vezes maior que a do som. Impossível, também, não me valer da alegoria do nonagenário Mauricio - [Colonos, afogados e indígenas](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/colonos-afogados-e-indigenas/) - “Temos que mirar mais munição nas ações de governança e de regulação, e menos na questão do comportamento ou do consumo” Italo Braga de Castro Tem imagens que falam mais claramente que palavras. Não é o caso. Certeza, mesmo, é o descaso com o futuro, que de tão gasto e demorado, se tornou presente e, - [Troca e troco](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/troca-e-troco/) - Conheceu o ofício de seu avô Raimundo quando morou na Capital. Isso foi antigamente, no tempo dos bondes. O trocador dobrava cédulas de dinheiro com esmero, entre os dedos de uma mão, para servir de troco. O valor das passagens que recebia era colocado nos bolsos, enquanto se movia pendurado nas laterais do bonde em - [Homenagem](https://oficinasantasede.com.br/marina-barros/homenagem/) - A fotografia sozinha não muda nada, mas pode provocar debates e ações Sebastião Salgado A serventia da arte já rendeu verdadeiros compêndios. E, se vamos prestar homenagem a Sebastião Salgado com palavras, as fotografias servirão de inspiração e ponto final. Ou inicial, como queiram. Do homenageado, confesso que passei – só recentemente – a ouvir - [Lamaçal](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/lamacal/) - Estávamos em Santa Cruz do Sul no batizado do filho de um grande amigo nosso. Era o último final de semana do mês de abril de 2024. Estava muito calor. O clima era típico de um “veranico” de outono, com céu azul, ensolarado, churrasco no quintal, amigos e família confraternizando. Porém, num piscar de olhos, - [Livro Santa Sede 10 Anos - Catarse](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/livro-santa-sede-10-anos-catarse/) - Nossa festa de aniversário começa hoje! Contamos com o seu apoio para registrar, para sempre, nossas muitas histórias. Todos os que passaram por nossa mesa estão neste livro tanto quanto em nossos corações. Tim-tim por tim-tim! Entre no site Catarse e ajude a fazer este sonho ganhar páginas! Abraços e beijos, Rubem - [Gatilhos](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/gatilhos/) - Ao desembarcar na estação central de Stuttgart, decidiu ir caminhando pelo parque em direção a casa do seu avô, Hans. Era final de novembro. As nuvens cobriam a cidade e, como em uma foto em preto e branco, aquele sábado tinha uma outra luz. Havia uma claridade diferente, uma beleza nostálgica. Ao passar pelo parquinho, - [Mesmice](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/cronica-mesmice/) - Autora: Dora Almeida Maria cansou da mesmice. Casa, trabalho; trabalho, casa. Tv. Criança que chora, que cresce, reclama. - Todo mundo tem celular novo, menos eu. Só este velho que não usas mais. Marido escarrapachado no sofá, barriga saltando pelo botão da camisa que já não fecha. - Traz mais uma cerveja. Pega a de - [Dora Almeida em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/ate-breve-meu-amor/) - Até breve, meu amor Dora Almeida Nunca mais consegui parar de pensar em ti. Teu corpo bem feito, tuas longas pernas, o cabelo balançando ao ritmo da corrida de todas as tardes. Te observei durante muito tempo, tentei me aproximar, e tu, nada. Mal me olhavas e, sorrindo, ias encontrar outros rapazes. Sarados, musculosos, bonitos. - [Dora Almeida em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/os-jorges/) - Os Jorges Dora Almeida Em Paris, talvez eles fossem chamados bo bos, diminutivo de bourgeois bohème, em português, burguês boêmio. Termo usado lá com uma certa ironia, quando se fala de pessoas nas quais o discurso não condiz com o estilo de vida. Vivem economicamente à direita e votam à esquerda, uma espécie de esquerda - [Dora Almeida em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/esculturas-da-infancia/) - Esculturas da infância Dora Almeida Quisera esculpir-te em argila. Formar teu rostinho em todos os ângulos, em todas as expressões. Desenhar-te o sorriso, a gargalhada, também o amuo quando as coisas não acontecem como o esperado. Quem me dera poder entalhar-te o liso dos cabelos curtos, que penteias apenas com a mão, a franja que - [Dora Almeida em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/aquarela/) - Aquarela Dora Almeida Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo Vinícius e Toquinho – Vamos lá guri! Hora de levantar! A profe já está esperando na escola! Hoje é dia de fazer um desenho lindo, um sol bonito pintado de amarelo, quem sabe - [Dora Almeida em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/o-canto-da-sereia/) - O canto da sereia Dora Almeida O pai lhe dera o nome de Ulisses. Professor de História, contava para o menino lendas e contos do mar e de sereias, seres que eram metade mulher, metade peixe. Muito belas, cabelos longos como os da sua mãe, ele dizia. Elas cantavam e encantavam os homens, atraindo-os para - [Dora Almeida em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/a-vizinha-do-503/) - A vizinha do 503 Dora Almeida Impossível não reparar na Cleonice, a nova moradora do Edifício Antares. Cabelos longos com mechas loiras, batom carmim, brincos iguais ao colar, como dizia Elis. Blusa justinha, os belos seios parecendo querer saltar pelo decote. Corpo bem feito, quadris largos, pernas bem torneadas, cheias de promessas na saia curtíssima - [Dora Almeida em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/o-gato-de-virginia/) - O gato de Virgínia Dora Almeida Festa estranha, com gente esquisita, pensou Edgar, ao entrar naquela casa, também um pouco estranha. Ao som de Black Magic Woman , Virgínia, a dona da casa, dançava num círculo onde as pessoas batiam palmas numa cadência alucinante. Cabelos crespos e ruivos, do tipo mignon, aproximou-se dele e o - [Dora Almeida em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/dora-almeida-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - O padre e a moça Dora Almeida Não tinha como não saber as horas na cidade para onde nos mudáramos há pouco tempo. O sino da Igreja tocava a cada quarto de hora. No início foi difícil conviver com as badaladas, mas acabamos nos acostumando. Sete e quinze, te apressa, o relógio bateu uma vez. - [Dora Almeida em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/dora-almeida-em-foto-de-tom-saldanha/) - Os sapatos do palhaço Dora Almeida Desde pequeno era o cara da piada pronta, do riso fácil, espirituoso como poucos. O pai queria que fosse advogado, como ele, homem sisudo, estudioso das leis, sempre encontrando nelas uma brecha para defender seus clientes. Sério, respeitadíssimo, ninguém entendia a quem o guri tinha puxado. Ao pai é - [Dora Almeida em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/dora-almeida-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Sandálias vermelhas Dora Almeida O dia fora ruim. No banco da praça, Marcelino conta as moedas que carrega no bolso. Uma mixaria, mal dava para comprar o pão que ficara de levar para o café da noite. Parece que ninguém quis comprar suas balas. E pensar que hoje daria a entrada na compra das sandálias - [Dora Almeida em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/dora-almeida-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Casa sem chão Dora Almeida Noé tem um carrinho velho , desses de supermercado, de rodas guenzas, que ele chama de arca pois também é sua casa , casa sem chão, sem paradeiro, que de casa com chão nem lembra mesmo, desde que Delaide o mandou embora , com razão, bebia demais, falava demais, brigava - [Dora Almeida em foto de Andrea Steiner](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/dora-almeida-em-foto-de-andrea-steiner/) - Histórias para não esquecer Dora Almeida Velhos adoram contar histórias. Não fujo à regra embora nem sempre encontre alguém disposto a ouvi-las. Histórias antigas, quase esquecidas. De um tempo que vai longe e está tão perto. De lembranças vividas, algumas sonhadas. Muitas, imaginadas. Memórias por vezes desencadeadas através de uma foto, um filme, uma canção. - [Joyce Kitchell por Dora Almeida](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/joyce-kitchell-por-dora-almeida/) - MOSAICO SANTA SEDE 2020 Mate amargo y tortas fritas Dora Almeida “ Lo que me enamora de Colonia del Sacramento es el mate amargo y las tortas fritas.” Visitando Colônia do Sacramento verão passado, comprei um imã de geladeira que fala de mate amargo e tortas fritas. Um pouco pelo prazer da compra de lembrancinhas - [Gregory Harlin por Dora Almeida](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/gregory-harlin-por-dora-almeida/) - Don Pepe e eu Dora Almeida Naquela tarde um montinho de pelo gris de olhinhos amareluz entra porta a dentro e toma conta de mim com seu motorzinho de ronronar ligado, seus lambeijos de linguinha áspera e deliciosas massagens no meu colo, logo eu que nunca dei a mínima para bichinhos de estimação mas há - [Marshall Arisman por Dora Almeida](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/marshall-arisman-por-dora-almeida/) - MOSAICO SANTA SEDE 2020 Guardiões da memória Dora Almeida Lembranças da infância nos acompanham sempre. A vida toda. Família, escola, brincadeiras, tudo fica guardado em nossa memória. Dizem até que, quando envelhecemos, os acontecimentos de tempos idos são mais lembrados que os recentes. Uma de minhas lembranças mais antigas são os livros infantis. Não há - [Steve Johnson por Dora Almeida](https://oficinasantasede.com.br/dora-almeida/steve-johnson-por-dora-almeida/) - MOSAICO SANTA SEDE 2020 Paisagens Dora Almeida Final de ano, calor, viagem. Um passeio de carro pelo Uruguai, entrando por Jaguarão e Rio Branco, depois Montevideo e Colônia do Sacramento . Na volta , Rivera e Livramento. Muito bom para começar 2020. Lembranças de tempos idos. Longínquos. De jovens em viagem de núpcias, viagem de - [Estalos na chuva](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/estalos-na-chuva/) - Sentada na poltrona central da sala, indiferente aos ruídos da chuva, confere as mensagens no celular a cada minuto. A música romântica que vem da caixinha de som traz à lembrança quando viajaram pela primeira vez. A leveza da paixão a fazia imaginar que ficariam juntos por longo tempo. Uma relação talvez interminável, embora não - [San Telmo](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/san-telmo/) - Ya no se abrió a nadie tampoco permitió entradas se quedó, sola. Imóvel Sem paisagem nem passageiro; pensou em fugir, faltaram pernas. - [Não existe sapato perdido](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/nao-existe-sapato-perdido/) - A noite da cidade é escura,exceto pelo brilho dos mísseis/silenciosa, exceto pelo som dos bombardeios/assustadora, exceto pela garantia das súplicas. Heba Abu Nada, 08.10.2023 Onde estão os sapatos de Heba Abu? Entre tantos, a perder de vista, espalhados feito vestígios de existências soterradas; presenças fantasmagóricas, relicários desesperados de quem busca corpos ausentes. Como a poeta - [Só ia na feira comprar alfaces](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/so-ia-na-feira-comprar-alfaces/) - Fecha a porta do apartamento bem devagar para não forçar a mão machucada. Já o corte na cabeça com curativo improvisado é escondido por um chapéu. Mesmo que lento, o bater da porta retumba no corredor gelado, longo e estreito. As paredes de azulejo antigo verde claro e o chão com lajotas pintadas em verde - [Guardar a chuva?](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/guardar-a-chuva/) - Carregando nas trança responsa e/ herança de minhas ancestrais/ Que às vezes, sim, é ponto de força/E várias vezes é pesado demais. Brumas leves para peitos pesados – Naiá Curumim Coleção #poesiaviva Se equilibra com desenvoltura ao pisar as pedras irregulares do Centro Histórico. Passo firme apesar da chuva que as torna mais escorregadias. - [Tecnoimortalidade](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/tecnoimortalidade/) - Sempre tive apenas uma certeza nessa vida – um dia vou morrer. Posso garantir que todo mundo pensa a mesma coisa. Não tem jeito. Vamos todos passar desta para a melhor. Mas confesso que comecei a duvidar. Primeiro, preciso contar que gosto de assistir filmes de ficção científica. Lá tudo é possível. Nos filmes da - [Brincadeiras](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/brincadeiras/) - Roberta havia chegado há dois anos em Heildelberg para seus estudos de doutorado na área de planejamento urbano. Sua investigação focava nos espaços públicos para crianças. Durante vários meses, viajou por diversas cidades para entender isso tudo na prática. Observou que, diferentemente do Brasil, havia muitos lugares pensados para os pequenos. Nos parques e praças - [Maremoto](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/maremoto/) - Meu cabelo tem vida própria. Sempre foi assim. Quanto mais eu tento organizar por dentro, mais ele bagunça por fora. Não segue ordens. Tento alinhar, ele desalinha. Tento virar para dentro, ele vira para fora. Mudei a cor várias vezes. Já tentei ser loira. Já tentei ser ruiva. Nunca acertei no tom. Desisti. Rebelde, não - [Futuro do subjuntivo](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/futuro-do-subjuntivo/) - Sempre fui feliz na praia. Passei a infância e a adolescência curtindo as férias de verão na frente do mar. Naquele vai e vem dos dias, com os pés na areia, não me preocupava muito o futuro. A vida pulsava no presente. Tudo era novidade ­– as festas, os amigos, os amores. E assim fui - [Encontro com a Máfia Grega](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/encontro-com-a-mafia-grega/) - Diana olhava pela janela do avião e via montanhas com resquícios de neve. O mês era abril, por isso a presença daqueles picos ainda nevados a surpreendeu um pouco. Sempre havia pensado na Grécia como um país de praias e sol. Seus planos eram passar dois dias em Atenas e depois pegar um barco para - [Na rota strelas](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/na-rota-strelas/) - Dizem que tudo o que está acima, também está abaixo. A terra é um espelho do céu. Por isso os antigos peregrinos medievais saiam de suas casas em algum lugar da Europa e se guiavam pelas estrelas do caminho branco chamado via láctea. Buscavam o local onde as relíquias do apóstolo haviam sido encontradas. A - [Identidade e alteridade](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/identidade-e-alteridade/) - Tudo o que forma um corpo e adquire singularidade se transforma numa unidade idêntica a si mesmo. A este fenômeno chamamos identidade. Mas, paradoxalmente, a consciência da própria identidade se constrói na relação com o outro. A existência do si, como ser singular, se faz na relação com a alteridade. Um aspecto importante da identidade - [Ingenuidade e inocência](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/ingenuidade-e-inocencia/) - Aparentemente as palavras ingenuidade e inocência tratam exatamente do mesmo fenômeno. Creio que isto acontece porque encontramos estas duas características em crianças pequenas. Na pureza dos infantes quando ainda confiam na vida e nas pessoas. Aquele encantamento e riso fácil provocados por um abraço, uma historinha ou canção de ninar. Quando convivemos com bebês que - [O sabor do saber](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/o-sabor-do-saber/) - Em tempos imemoráveis havia um reino governado por Obatalá. O soberano buscava o homem mais sábio de seus domínios para dar-lhe a grande honraria de ser O Senhor do Mistério. Procurou muito e não encontrou. Um dia o rei estava sentado, pensativo em seu trono. Foi quando surgiu Orunmilá, um jovem conhecido na aldeia por - [Vertigem](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/vertigem/) - A vertigem não é o medo de cair, é a vontade de voar. No século V d.C., Roma estava em total decadência, invadida e dilacerada. Todos acreditavam que o mundo iria acabar em breve. Aquela destruição e miséria somente poderiam significar uma coisa: o final dos tempos. Naquela mesma época, na rica e abastada Constantinopla, - [Profanação](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/profanacao/) - As ruínas da antiga catedral estavam à beira do promontório, na língua de terra que entrava mar adentro pousada sobre a rocha rebatida pelo mar furioso. O interior do prédio tinha colunas que apoiavam plantas trepadeiras em busca da luz que penetrava através dos grandes arcos, onde ainda restavam alguns vitrais. Abaixo da abóbada estava - [Você jura dizer a verdade?](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/voce-jura-dizer-a-verdade/) - No início era assim: uma informação poderia ter dois status, ou era verdade, ou era mentira. Saiu impresso no jornal? Claro que é verdade! Ouvi no rádio? Verdade! Assisti na televisão? Verdade! O vizinho comentou que o outro vizinho fez tal coisa? Sei lá, melhor não confiar. Pode ser mentira. Zero ou um. Ligado ou - [Viagem lunática](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/viagem-lunatica/) - Aprender um idioma é uma grande oportunidade para conhecer novas estruturas gramaticais, sons, culturas e pontos de vista. Dependendo de qual é a sua língua nativa e a aquela a ser adquirida, maiores podem ser os desafios e surpresas. Pense, por exemplo, em um falante nativo de português, uma língua latina, que se aventura a - [Mar do Norte](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/mar-do-norte/) - Independentemente da situação, as primeiras experiências sempre são inesquecíveis. Essa não foi diferente. Uma viagem de trem entre Hamburgo e Copenhague por si só já pode render boas histórias. São duas cidades em países interessantíssimos. Isso já traz a oportunidade para novos cenários e personagens, sem mencionar que entre a Alemanha e Dinamarca tem o - [Tempo ruim?](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/tempo-ruim/) - Era uma daquelas tardes quentes e úmidas. Uma combinação perfeita para a chegada da chuva de verão. Manfred preparava-se para encontrar Carolina. Enquanto buscava seu guarda-chuva, pensou sobre quanto os verões europeus têm se tornado mais quentes. De certa forma, lembravam aqueles vividos no Brasil. Enquanto buscava sua mochila, seu celular começou a vibrar. Iniciaram-se - [Guardiões da memória](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/guardioes-da-memoria/) - As figuras de Marx e Engel marcam presença na Alexanderplatz localizada na área oriental de Berlim. Elas indicam que naquele espaço começou ou terminou uma parte importante da história moderna da Alemanha. Na praça recebem visitas diariamente. Curiosos, turistas, viajantes, grupos escolares, desavisados e nostálgicos do regime e amantes do comunismo estão sempre por lá. - [Criança ou que ânsia?](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/crianca-ou-que-ansia/) - Dizem que quando Fröbel propôs o conceito de kindergarten ou jardim de infância, ele associou essa fase da vida ao florescimento. Crianças ao brincar na areia, terra, grama com água e em espaços ao ar livre liberam as sementes da imaginação, crescendo como plantas em busca do calor do sol. É nos primeiros anos que - [Consciência](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/consciencia/) - Que bom que chegaste e fizeste boa viagem. Tentei deixar tudo arrumado por aqui, mas as coisas se atrapalharam pelo caminho. Pode ser que eu tenha deixado cair algo da mochila, que tenha criado um ou dois traços novos no rosto e que meu cabelo tenha crescido com alguns tons mais brancos. Nem perceberás, como - [Até o mundo acabar](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/ate-o-mundo-acabar/) - Se cada dia é menos um dia... Te parece bom? Me parece muito bom. E tem duas perspectivas para essa frase. Então, me conta? A primeira remete ao tempo que acaba. Cronômetro, calendário. Menos um dia, essas coisas. E a segunda? Que nossos dias juntos são ótimos dias perdidos. Felizes? Sim. Como as conchinhas do - [Menino](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/menino/) - Posso garantir que quando viu o mar pela primeira vez, fez uma prece pela quantidade de azul que a vida permitiu que encontrasse. De um tamanho sem fim, maior que o açude, que a vastidão da terra, que o tamanho da lavoura. As mãos habituadas a trabalhar desde cedo sabiam muito pouco da delicadeza da - [Pelo não dito](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/pelo-nao-dito/) - Uma libélula pousou na minha perna, dormiu comigo naquela noite. Quando o dia clareou ela ainda estava lá, balançando as asas e olhando para mim. Na hora senti uma repulsa, parecia mesmo que ela não devia estar sobre a minha pele. Achei feia e estranha. Não gosto tanto de insetos e não tive coragem de - [Fungi](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/fungi/) - Os fungos são conhecidos. Formam um reino próprio dentro da biologia. Estão nos campos, na forma de cogumelos, nas paredes úmidas em forma de bolor, nos diversos tipos de micoses que nos afetam, nas leveduras que geram a fermentação de bebidas que consumimos. Eu adoro. Sou um grande consumidor. Não sou um chef de cozinha, - [Mãozinhas](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/maozinhas/) - Creio que todos nós, que pudemos ser bem alimentados na primeira infância, tivemos mãos gordas. Melhor, mãozinhas gordinhas. Estas mãos com as costas cheinhas e os pontos de junção dos dedos afundados. Dedinhos. E qual mãe, e talvez qual pai, não beijou mãozinhas assim? Algumas, mais apaixonadas, maravilhadas, antropofágicas, podiam mordê-las. Coisa boa não passar - [Fases](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/fases/) - Em sua novela A Trégua, narrada em forma de diário, o escritor uruguaio Mario Benedetti, coloca seu personagem protagonista, Martín Santomé, no dia 27 de agosto (presumivelmente, de 1957), sentado em um banco à Plaza Matriz, no Centro Antigo de Montevidéu. Lá em sua reflexão, Santomé afirma para si mesmo, “(…) nesse momento afirmou-se definitivamente - [Por que só Drummond?](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/por-que-so-drummond/) - Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana teriam se encontrado para conversar na praça da Alfândega? Na obra intitulada Monumento à Literatura, sim. A cena foi imortalizada em 2001 por esculturas de Xico Stockinger e Eloisa Tregnago, e instalada na Praça da Alfândega. Neste encontro, qual seria o assunto entre eles? Suas obras? Um último - [Relógio de areia](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/relogio-de-areia/) - Segundo rápida pesquisa, hoje ao alcance de algumas tecladas, descubro que creditam o desenvolvimento da ampulheta ao monge francês Luipraud, no século VIII – artífice de uma das mais antigas formas de medir pequenos intervalos temporais com muita precisão. Inclusive, o termo ampulheta é bíblico e significa algo como “a passagem inevitável do tempo e - [Carta ao mestre](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/carta-ao-mestre/) - Querido mestre, Para começar, peço-te desculpas pelo assunto sobre o qual te escrevo. Afinal, não pedi licença para falar dessa personagem que trouxeste ao convívio de nossa – se me permites dizer – família de amigos. Mas, sendo uma avó com netos já crescidos, não havendo mais bebês em casa, a primeira imagem que associo - [Vidas que passam](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/vidas-que-passam/) - A primeira vez que a encontrei foi no parquinho de areia do bairro, na nossa cidade natal. Não sabia, confesso. Essa informação veio junto com uma fotografia já envelhecida que minha mãe resgatou, um registro diferente das fotos antigas tradicionais, sem poses ou cenas montadas. Mostrava, tão somente, uma mãozinha de criança, meio gordinha, chafurdando uma areia suja - [Poetas](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/poetas/) - - Cadê seu livro, Carlos? - Roubaram. - De novo?! - Sim, Mas já ouvi dizer que vão repor, daqui uns sete anos. Menos mal. - Mas que coisa, hein, tchê? - Pois é... Só falta, nesse ínterim, picharem a gente. Imagina nós dois, discretos, pichados com tinta amarela, ou laranja, ou outra cor arregalada. - [Estalos na chuva - O despertar](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/estalos-na-chuva-o-despertar/) - O barulho da chuva teima, constante, quase infinito. Por trás das pálpebras cerradas de dor e desespero, os corpos dos amantes permanecem estirados no seu pensamento, inertes, abraçados na sarjeta. O sangue misturado à enxurrada escorre rumo ao leito do rio. Os lábios roxos, antes contraídos, agora se soltam, num suspiro. Os olhos se abrem. - [Polo Sul](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/polo-sul/) - Imaginando a natural relevância que se esperaria da Academia Brasileira de Letras, seria este o eterno bate-papo entre Drummond e Quintana em suas poses de bronze na Praça da Alfândega, em Porto Alegre? Afinal, ambos despontam entre os muitos célebres ausentes a contrastar com os tantos indignos presentes na instituição. Se sim, Mário teria mais - [Timoneiro](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/timoneiro/) - Quanto mais eu remo, mais eu rezo Paulinho da Viola Sabe o jogo de salão dança das cadeiras? Se não lembra, é aquele em que, ao som da música, pessoas caminham em volta delas com um assento a menos em cada rodada. Quando a música para, corre-se para ocupar um lugar. Alguém sobrará por vez. - [Reparação por fazer](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/reparacao-por-fazer/) - Conheci Nico Nicolaiewsky, ainda que não tenhamos nos tornado amigos. Amigo, amigo sou da Márcia do Canto, e a última oportunidade em que vi Nico de perto foi na casa deles, numa visita pautada pelas crônicas. Cumprimentamo-nos rapidamente, ele recebia Nestor Monastério e conversavam sobre seus projetos conjuntos em outro ambiente. Enfim, uma cena cotidiana - [Mãos à obra](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/maos-a-obra/) - Levo minha filha para brincar no banco de areia. Na enorme bolsa carrego seus brinquedos de praia: baldinhos, pazinhas, forminhas. Esparramo-os para que fiquem ao alcance de suas doces e curiosas mãos. Mãos à obra! Divago e engendro o futuro. O que será que as prodigiosas mãozinhas farão? Serão costureiras? Massagistas? Instrumentistas? Escritoras? Alguns alvitres - [Diálogo letrado](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/dialogo-letrado/) - De longe acompanhei dois anciões conversando. Confesso que inicialmente não me detive com o que avistei. Entretanto, horas se passaram e os sujeitos permaneceram na praça erma. Constatei que o que estava em pé era mineiro, devido ao sotaque e, o que estava sentado no banco, gaúcho. Fiz um esforço para poder ouvir a prolongada - [Primavera em prantos](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/primavera-em-prantos/) - No final da tarde de outubro, castigada com a incessante e fina chuva que insistia em deslizar por seu guarda-chuva, Júlia se desloca para seu apartamento. No centro histórico da metrópole seus sapatos não dispõem de aderência sobre o calçamento “pé-de-moleque”, o que a força a redobrar a atenção para evitar queda desastrosa e vexatória. - [Verdes lembranças](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/verdes-lembrancas/) - Uma das minhas características principais como viajante é a de caminhar muito nas cidades. Só evito se as condições climáticas não colaboram. Em dias de chuva, ou então de sol muito forte e temperaturas altas, como aconteceu na minha última viagem em Split na Croácia. Não sendo esse o caso, pernas para que te quero. - [O que aconteceu com o Brasil?](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/o-que-aconteceu-com-o-brasil/) - Goste você de futebol ou não, se cresceu no Brasil sabe que sempre fomos conhecidos como o país do futebol. Se joga futebol nas escolas, nas ruas, praças, praias e parques. Mais fácil dizer onde não se joga, onde não se fala de futebol. É sem dúvida uma das paixões nacionais. Embora com certeza muita - [Boa Chuva. Chuva má](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/boa-chuva-chuva-ma/) - Gostamos de apreciar boas fotos de paisagens, ou mesmo de cenas do cotidiano. Boas fotos do pôr do sol, nascer do sol, arco íris, uma chuva que caia lentamente e até mesmo um temporal são momentos que costumam gerar belas imagens. Elas podem hoje em dia ser facilmente registradas em cliques por qualquer pessoa já - [Verão 83](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/verao-83/) - Minha família tinha uma pequena casa no litoral do RS. Dessas praias com mar revolto, acastanhado e imprevisível. Nossa moradia era simples- dispunha de sala, cozinha, dois quartos e um banheiro. Para meus pais e mais cinco irmãos já era acanhada. Quando chovia, sem uma rede de entretenimento no balneário, éramos confinados nos angustos aposentos. - [Adeus princesinha](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/adeus-princesinha/) - Era uma vez uma menina. Ela lia todos os contos de fadas dos gibis especiais do Walt Disney cujas cores e traços perfeitos a encantavam. Nos dias chuvosos das férias de inverno a menina penetrava naquele mundo mágico de... Socorro! De quanto trauma seria poupada se junto viesse um “Manual de sobrevivência aos contos de - [Tanto Mar](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/tanto-mar/) - “Amo tanto e de tanto amar / Acho que ela é bonita” E se mar é parte de amar, o poeta não se encolhe Pois quem não se encanta com o oceano? Tanta água, tanto mar “Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei, também, que é preciso, pá - [O menino e a praia](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/o-menino-e-a-praia/) - Em uma mesa de bar ele me contou. Não lembro como o assunto entrou em pauta. A primeira praia de sua vida foi a de Ipanema, em Porto Alegre, no final dos anos 1960. Não lembrava, mas havia na família uma foto em um monóculo com ele sentado no raso d’água. A tal foto no - [Praça da Alfândega](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/praca-da-alfandega/) - Numa reunião com pessoas de fora do estado do Rio Grande do Sul, pediram-me que fizesse uma simples descrição do que é e o que significa para nós, porto-alegrenses, a Feira do Livro. Quando os Ipês e Jacarandás florescem, é sinal de que a “Feira do Livro” está chegando na Praça da Alfândega. Dentre os - [O avô, a flor e o mar](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/o-avo-a-flor-e-o-mar/) - - Vovô, eu quero ver o mar! Não era a primeira vez que ele ouvia isso dela. E sempre que ouvia, prometia, garantindo que, em breve, eles iriam, juntos. A neta era seu xodó. Desde que ocupava a barriga da filha, seu outro xodó, ele se entregou completo àquela criaturinha que estava por chegar. E, - [É só água](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/e-so-agua/) - Vó Clara tinha uma capacidade incrível de ver o mundo de modo pragmático. Pode ser pela criação, num lar de muitos irmãos e numa família germânica; também pode ser por sua personalidade, uma vez que se casou mais tarde e respirava ares de independência quando jovem; quem sabe por sua viuvez precoce e a carga - [Vagabundagem criativa](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/vagabundagem-criativa/) - A areia da praia para crianças, a partir de certa idade, representa um universo de possibilidades infindáveis. Como normalmente costumam ser controlados, ali ao contrário experimentam uma liberdade muito grande. Por exemplo, construir castelos e fortificações são os casos mais comuns quando unem a fantasia à realidade. E mais ainda, podem expressar suas relações de - [Memória de muitos castelos](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/memoria-de-muitos-castelos/) - Na beira da praia, adultos e crianças erguem castelos diferentes ao construirem, juntos, o mesmo castelo. Apresente-me um castelo de areia e contarei a história da humanidade. Imaginação pobre e areia seca não constroem castelos. Há dois tipos de pais: os que sobem castelos para si e os que sobem castelos para os filhos – - [Cultura X Interesses](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/cultura-x-interesses/) - Duas estátuas numa praça que deve se chamar Praça da República. Em pé está o poeta Carlos Drummond de Andrade e sentado, o poeta Mário Quintana. De costas para eles aparece outra sobre um pedestal com um cavalo montado por um homem que parece ser o marechal Deodoro da Fonseca. Vejo dois símbolos nestes dois - [Ma(r)jestade](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/marjestade/) - O mar. Uma baía. Um lago. Tanto faz. Importa que seja grande para não ver o outro lado. Suas águas verdes ou azuis nos acalmam. Nos levam à reflexão. Meditação. O movimento que desenvolvem nos induz à uma certa tranquilidade, a não ser nos dias tempestuosos. Neles, as águas e os ventos nos dão ideia - [Poderia ser, mas não é](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/poderia-ser-mas-nao-e-2/) - Eu tinha parado para tirar uma pedra do surrado sapato. Era tanto buraco, que ela entrou de lado sorrateira. Pedi licença para o mestre de obras e fui lá fora para ver melhor. Aproveitei para sentar e esticar meus dedos cansados. Estava passando por ali um cara com uma máquina fotográfica bacana e aconteceu a - [Aridez](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/aridez-2/) - Sou apenas um sapato. Ou melhor, um par de sapatos. Nasci numa oficina de 2x2 metros, na periferia da cidade. Poderia ter sido vendido numa bonita sapataria. Mas foi numa feirinha por ali, que o João me comprou. Ele mesmo, o João Coringa. Falou que pegou este apelido porque queria ser importante. Fazer e desenvolver - [Uma homenagem à Mário Quintana](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/uma-homenagem-a-mario-quintana/) - Observando a estátua em homenagem à literatura brasileira situada em Porto Alegre, onde se vê Drummond, lendo um livro (que já foi roubado do monumento) para Mário Quintana: desandei a pesquisar se os dois chegaram mesmo a se encontrar naquela cidade. Não descobri, mas naveguei por um universo lindo de citações, poemas, entrevistas, que essa - [Possibilidades](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/possibilidades/) - Ao ver a cena etérea daquela mulher atravessando a rua de sombrinha, debaixo da chuva forte com um vestido esvoaçante e de sandálias, fiquei pensando: ela não se preparou direito para sair num tempo daquele – então comecei a imaginar qual seria a situação dela. Estaria fugindo, por isso saiu as pressas sem tempo de - [Certezas… 2 – mistério esclarecido](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/certezas-2-misterio-esclarecido/) - – Etelvina , cê tá vendo aquele menino espoleta ali pulando na praia? Nem te conto menina. Se ocê subesse a história dele nem creditava. – Ele é filho de quem, Cidinha? – Cê num conhece não. Aliás eu também num conheço. Mas a Tonha Lavadeira, contou para a Mercês das Couves que me contou. - [Existências](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/existencias/) - É uma uma cena comum. Chove na cidade. Em um primeiro plano temos uma senhora andando com seu guarda-chuva e ao fundo um casal conversando, também sob um guarda-chuvas maior. Estamos numa pequena cidade do interior, chamada Primavera. Estão numa via calçada com paralelepípedos, que se chama Rua da Praia. Mas lá não tem praia. - [Música para se perder](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/musica-para-se-perder/) - Se entrelaçaram num balé sonoro e o tempo parou. Às vezes despertavam uma dor pungente, por outra um dia ensolarado de cores fortes e pessoas se amando. Mas a cena do luar os envolvendo, no ápice da sublimidade musical, levou muitos às lagrimas. Ovacionamos em delírio, dando gritos: – Bravo! Apenas uma voz e um - [(In)certezas...](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/incertezas/) - Eu andava recluso desde que ela se foi. Não conseguia nem pensar em tocar em suas coisas. Meu filho mais novo foi lá em casa e me convocou a lidar com isso. Enquanto eu separava as roupas para doação, ele achou uma caixa de fotos. Queria que eu contasse as histórias de cada uma. Sem - [A lua](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/a-lua/) - A silhueta de um violinista com seu instrumento ao lado de uma bela mulher como que dançando, tendo ao fundo uma enorme lua, me evoca o quê? Posso fazer projeções, me colocando no lugar do músico. Penso um pouco! Mas nunca vivi isso assim. Na verdade eu posso me considerar um instrumentista também. Mas minha - [Ladrões de sapato](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/ladroes-de-sapatos/) - Ao entrar em casa encontra a irmã, chorosa, sentada num canto, escondendo os pés por debaixo do banco. A mãe, enraivecida, operando a máquina de costura, adverte a filha caçula: ─ Se prestasse mais atenção por onde anda, isso não teria acontecido. Subisse o morro pelo caminho de sempre, não toparia com esses malandros vagabundos. - [O belo e o feio](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/o-belo-e-o-feio/) - Tinha eu dezoito anos, a vez primeira em que admirei o mar. Mais de meio século se passou e ainda tenho na lembrança aquela emoção arrebatadora que me fez delirar e perder a noção do tempo. Até então não havia imaginado que pudesse sentir algo como a certeza do interminável. O encontro coincidente do azul - [Dialogando na chuva](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/dialogando-na-chuva/) - Da primeira vez que fui à Europa, optei por uma excursão turística para ter um panorama do velho continente. Num final de tarde, de um dia qualquer, cheguei em Bruges. Me encantou aquela cidadezinha medieval. A cidade da cerveja e do chocolate. Casarões antigos, estilo gótico, entremeados por canais naturais navegáveis em seu centro histórico. - [Alice quer viver](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/alice-quer-viver/) - Alice resolveu voar as tranças! Isso mesmo. Viajar, aproveitar a vida, descansar. Cansou da vida que levava, resolveu acreditar em si mesma, melhor ficar sozinha do que acompanhada mas só. Fez isso depois de muitos anos numa relação que chegou a ser boa mas depois azedou. Esticou a corda o que pode, esticou esticou, deu - [Partes de mim](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/partes-de-mim/) - Voltava da fronteira oeste com meus parceiros de pescaria, quando nos deparamos com uma enorme placa na beira da estrada, pintada com letras garrafais: RECEBEMOS SUCATA NOVA. As reações de espanto foram imediatas e paramos para registrar aquela aparição inusitada, em minha Kodak 100. Foi assunto o restante da viagem. Entre risos e apupos, fomos - [Suvenir desejado](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/suvenir-desejado/) - Dirigindo à noite, a chuva desanda e a visibilidade é quase zero. Ele teima em seguir viagem, guiando-se pelos “olhos de gato” que demarcam a faixa de rodagem. A escuridão e a velocidade lhe atordoam, fazendo com que a sinalização balance à sua frente, ao ponto das linhas paralelas se encontrarem. Desde há muito tempo, - [Viageiro clarividente](https://oficinasantasede.com.br/nelson-ribas/viageiro-clarividente/) - Sempre que viajo pelo interior e avisto pela janela do ônibus uma casa solitária, de difícil acesso, rodeada de árvores, meus pensamentos vagueiam pela planície alterada. A curiosidade me assalta. Que pessoas vivem assim, distantes de todos os “recursos” que a urbanidade oferece? Hospitais, mercados, escolas, lugares de convivência, enfim, tudo aquilo com que nós, - [Castelo de areia](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/castelo-de-areia/) - Estavam na praia ele, a irmã menor, a mãe e a tia. O pai não pode vir, ficou trabalhando. Sua irmã mal aprendera a andar e dava gritinhos de satisfação molhando os pés na água do mar. A atenção dos adultos era total sobre ela. Tudo para evitar os perigos ao redor, alguém passar correndo - [Rainha da Sucata](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/rainha-da-sucata/) - Marina estava em busca de objetos antigos e curiosos para decorar seu novo café. Sua ideia era fazer um espaço bem disruptivo que auxiliasse as pessoas no processo de criação artística, seja para textos, pinturas, cinema, qualquer tipo de arte. Inclusive sua intenção era atrair oficinas para ocorrer em seu espaço. Era um sonho de - [Rotina diária de dois viajantes](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/rotina-diaria-de-dois-viajantes/) - Acorda, levanta, toma banho, escova os dentes, se veste e sai. Caminha, desce escada, pega metrô, sobe escada, pega ônibus, caminha mais. Entra no museu, caminha no museu, sai do museu. Caminha, entra nas atrações, nas lojas, caminha mais um pouco. Eles pedem um descanso. Senta para uma cerveja (ok, pode ser um café). Levanta, - [Eles nasceram na Sbórnia, Bah!](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/eles-nasceram-na-sbornia-bah/) - Porto Alegre é sem dúvida a cidade mais sborniana do Brasil. Temos por aqui muitos imigrantes que vieram da famosa ilha que navega pelos mares do mundo. Os dois mais famosos são sem dúvida Kraunus Sang e o inesquecível maestro Pletskaya que infelizmente nos deixou há quase dez anos. Os dois músicos e atores, que - [Duro na queda](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/duro-na-queda/) - Meses depois daquela viagem que contei onde fiz conexão em Amsterdã e me encantei de primeira pela capital holandesa e pela Europa em geral, fiz uma viagem especialmente dedicada ao velho continente. Com o foco principal na Inglaterra e na já conhecida Amsterdã. Na terra da rainha o foco era Londres e o Rock britânico, por - [Amor à primeira vista](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/amor-a-primeira-vista/) - Era dezembro de 2010, por um motivo que não consigo lembrar estava em viagem para Dubai junto com outros dois amigos da época. Para baratiar a viagem não compramos o voo direto da Emirates de São Paulo para o Emirado Árabe. Preferimos uma viagem com conexão em Amsterdã, da companhia áerea holandesa KLM. Depois de - [Paragens](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/paragens/) - Inóspito? Ermo? O local da minha infância é inadjetivável. Solidão talvez seja o termo que expresse um pouco do que aqueles campos me trazem de lembrança. Sim porque eram campos, daqueles de perder de vista a linha do horizonte, gramínias, nada de muitas árvores. As poucas que tinham contam histórias, das brincadeiras que fazíamos de - [Memórias de Paris](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/memorias-de-paris/) - Minha amiga Ana foi muito receptiva, nos acolheu e fez questão de mostrar o que de melhor Paris tem. Levou-nos pelas ruas, restaurantes, comércio e até a porta dos museus, nestes não entrou porque já tinha ido dezenas de vezes acompanhando diferentes amigos brasileiros, além de quando foi sozinha, conhecia de cor cada ala. Também - [Sala de música](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/sala-de-musica/) - Poderia se chamar José, quem sabe não é assim que se chama? Poderia ser Madalena. Estes dias aprendi que pensar muito engessa, mas pensar pouco paralisa. Logo, pelo muito e pelo pouco, estes são José e Madalena. Ele era um artesão e seu instrumento de trabalho foi construído com seu esforço: um violino. Ela dançava - [Luz](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/luz/) - “Deus disse: ‘Haja luz’, e houve luz.” Está lá, bem no início da Bíblia. No verso três do capítulo um. A luz é uma onda eletromagnética perceptível pelo olho humano. Diria que pelo olho humano e de diversas outros animais que regulam seus ciclos vitais pela presença, ou ausência, da luz do dia. Os seres - [Pé conceito](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/pe-conceito/) - Não se deve julgar um livro pela capa, diz o ditado. E a pessoa por seus sapatos, seria legítimo julgarmos? Antes de tropeçar nas inevitáveis armadilhas nascidas com os caminhos propostos por este texto, parto de um consenso: calçados dizem ainda muito mais sobre nós do que as capas sobre os livros. Desde sua escolha, - [Caminhar](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/caminhar/) - 1981. Comecei a trabalhar. Meu primeiro emprego foi como office-boy em um montepio, em um tempo em que essas instituições pareciam mais arapucas que previdências complementares. Talvez tenha sido nesse inverno (ou talvez no seguinte) que pude comprar o meu primeiro álbum do Milton Nascimento, Clube da Esquina 2. Um conjunto de duas fitas cassete, - [O que fica quando a gente vai?](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/o-que-fica-quando-a-gente-vai/) - Hoje foi um dia triste. A morte é vida intensa demais para quem fica, escreveu Carla Madeira em Tudo é Rio. Concordo. Muito. Hoje foi um dia triste. Sinto. Muito. Um sentir que abraça o coletivo, mas que também é muito privado, quase egoísta. Sinto o tempo. O que passou. Uma mistura de angústia e - [Sapatos perdidos](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/sapatos-perdidos-2/) - Perdido no meio da rua estava o par de sapatos. De quem será? Já tinha encontrado um pé só, roupas rasgadas e sujas, cueca e até calcinha de mulher. Não raras vezes esses pedaços de roupas ou até peças inteiras encontradas na luz do dia denunciam violência na noite. Estupro? Agressões corporais? O submundo da - [Crônicas cinzas](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/cronicas-cinzas/) - Já havia lhes remetido a ideia do incêndio. Ninguém acreditava que pudesse vir, e tão perto. Agora, a olho nu, o vasto havia se erigido. Não exatamente ele, mas o seu depois, o seu amanhã de ontem, a trágica visão da ausência. Ainda crepitava e cerzia nuvem causticante, incerteza e desconhecimento. Chegara a hora de - [Amor e ódio](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/amor-e-odio/) - Ela tem uma relação de amor e ódio com o teatro. Quer dizer, não chega a ser ódio, talvez uma revolta. Acho que mais uma tristeza. Isto pelo fato de ter sido ele o responsável por sua primeira vergonha em público. Ela devia ter uns oito ou nove anos e iria participar de uma peça - [A internet de todas as coisas](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/a-internet-de-todas-as-coisas/) - Dizem que o off-line é o novo luxo. Desligar. Desconectar. Sair da internet. Sair da internet? Isso não é mais possível. Antes era. Quando tudo começou a gente podia entrar e sair da rede. Vi um meme alguns dias atrás que dizia alguma coisa mais ou menos assim: nós somos a última geração a saber - [Com a cabeça nas nuvens](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/com-a-cabeca-nas-nuvens/) - Viver uma outra vida. Imaginar situações e simular todas as conversas que poderiam acontecer. Inventar realidades. Sonhar acordada. Tá com a cabeça na nuvem, menina? Viver com a cabeça nas nuvens. Perder-se no interior de si. Se achar em outro lugar. Uma mistura de segredo e mistério. Divagar. Devagar. Pobre poesia perdeu a palavra nuvem - [Trágico tango](https://oficinasantasede.com.br/elaine-rosner-silveira/tragico-tango-2/) - Eles foram parceiros durante décadas, fizeram um sucesso estrondoso, todo o verão durante quase trinta anos se apresentaram no Teatro São Pedro. Sem grande mídia e sem propaganda, a não ser a própria que eles bolavam. A cada ano, inventavam uma nova para divulgar o espetáculo e que era basicamente o mesmo, em outdoors. Eva - [O que seria da Torre Eiffel sem uma boa trilha sonora?](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/o-que-seria-da-torre-eiffel-sem-uma-boa-trilha-sonora/) - Donnez-moi des chansons Pour qu'on s'aime à Paris (Les Amants de Paris) Uma torre. Trezentos metros feitos de metal desafiando a gravidade. Nunca fui a Paris. Portanto, nunca visitei a Torre Eiffel. Isso por si só bastaria para que não escrevesse mais nenhuma linha dessa pretensa crônica. Mas é que, na verdade mesmo, eu estive - [Aplanadas](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/aplanadas/) - Tinha ojeriza ao que não estivesse relacionado ao seu trabalho. Devido ao burnout, foram decretadas férias compulsórias. Destino: praia. Abarrotou duas malas grandes com roupas, sapatos e o que mais ainda coubesse- se fizer calor, frio, ventar, chover, nevar? Sem dilação, acomodou o notebook e todos os componentes possíveis. Certificou-se de amealhar carregadores para evitar - [Quem esqueceu essa tal aí?](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/quem-esqueceu-essa-tal-ai/) - Só pode ser muito moscão. Não sabe que junta tudo que é alimal, cruzeira, aranha? E os morcegos que comem esses frutinhos e despacito vão campeando bosta pelas taipa do rincão? Barbaridade! Aroeira-brava, aroeira-salso, assobiadeira, araticum, araticum-mirim, caúna, caixeta, tucum, butiá, guaricana, jerivá, sucará, sucará-veludo, cambará, vassoura-vermelha, vassourinha-da-praia, ipê-verde, ipê-amarelo, louro-mole, carobão, guajuvira, cacto-tuna, grindiuva, - [Alexa, explica isso melhor](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/alexa-explica-isso-melhor/) - Tu estás preparado para o futuro? Ou é da turma “que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”? (Lembra da música?). O futuro não vem pronto. Ele não aparece de um dia para o outro. Mas a gente pode ficar atento. Pode tentar encontrar as pistas. Tem pistas por todos - [Para o que não há retorno](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/para-o-que-nao-ha-retorno/) - Lado A Naquele pós almoço, já era tarde das duas horas, quando Hanna seguiu com seus afazeres na certeza de que a esperariam perto da Tríade: o carro, a família, a rua vaga. No entanto, seu trajeto tornara-se mais complexo à medida que os negócios se ampliavam, por isso distraiu-se e perdeu-se nas horas. Ao - [Um estrangeiro no sinal vermelho](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/um-estrangeiro-no-sinal-vermelho/) - No trânsito de Porto Alegre perde-se muito tempo num simples deslocamento. E nos semáforos, inúmeros espalhados pela cidade, você encontra diversas pessoas, com o mesmo cartaz: estou com fome. São tantos, que nem nos compadecemos mais. Aquele ser humano faminto já não nos sensibiliza. Alguns, infelizmente, querem dinheiro para aquisição de drogas. Mas como suportar - [Panóptico](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/panoptico/) - Chegava na Otávio Rocha por volta das quatro da tarde, e ficava perambulando entre as bancas de jornais e as floristas com suas rosas resfriadas. Garimpava figurinhas recém-chegadas, pois detinha a informação sobre novas remessas provindas do centro do país, com destino a Porto Alegre. Metia o conteúdo nos bolsos da jaqueta surrada, não antes - [Essa crônica é sobre amizade](https://oficinasantasede.com.br/angela-hofmann/essa-cronica-e-sobre-amizade/) - E, dessa forma obriga-se a falar de perdas. Porque só perde quem um dia teve. Às vezes penso que esse pode ser o motivo de o ser humano muitas vezes sucumbir à solidão, para não ter que lidar com a falta. Como pertencê-la sem se extraviar, ou ainda, sem declinar do mínimo que possui, a - [Diferentes nuances do olhar](https://oficinasantasede.com.br/patricia-bassani/diferentes-nuances-do-olhar/) - Algumas vezes fecho os olhos para ver melhor. Depois de uma certa idade a visão vai sendo ofuscada por uma névoa permanente. Mistura o contorno das imagens. Embaralha as letras. Difícil de ver. Preciso de lentes para visualizar. Descobri que ver e visualizar são processos diferentes. Bem diferentes. Aprendi isso com Asimov em um trem - [Descalçados](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/descalcados/) - Ao lado do tênis velho e roto, muito roto, a criança dorme. No centro da cidade a noite é fria e barulhenta - há gritos e buzinas em profusão. O papelão que serve de colcha está úmido, mas combina com a coberta maltrapilha. Quando ele acordar, vai calçar o tênis velho que achou numa lixeira de - [Quem sabe isso quer dizer fim?](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/quem-sabe-isso-quer-dizer-fim/) - Tal como as regras ortográficas, os fins deveriam servir para organizar coisas e permitir virar a página. Estruturando o raciocínio ao que parece adequado. Coesão do texto, do enredo, da história. Não confundir quem lê. Objetividade para concluir todos os raciocínios com clareza, discernimento, fluidez. Assim funcionaria com mais eficiência, tal como um botão de - [Cinzas](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/cinzas/) - Boa noite, memória Hoje não está tudo bem Morri há seis dias Antes do mês que vem Este é meu espólio Tudo que me sobrou Lataria velha da existência Resquício do que passou Não existem mais lembranças Com meu corpo desfalece A roda da vida não perdoa Numera gente e amanhece Existi no reflexo do - [Yin e Yang](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/yin-e-yang/) - Sempre é esse vai e vem; pessoas e lágrimas e caixas lacradas ornadas com guirlandas, como a que vê agora. Será que é mais um corpo trazido pela enchente? Pensa no quanto tudo poderia ter sido evitado não fosse a mão invisível e onipotente do deus Mercado. Sobe a rampa no ritual vagaroso que pratica - [Glamour](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/glamour/) - É noite alta na estrada vazia e escura. O ronco do motor, o atrito rotineiro do limpador no parabrisa e o estouro da chuva na lataria do carro são suas únicas companhias. Segura firme a direção mas seu corpo pede um descanso. Poucos quilômetros adiante avista luz na beira da estrada e diminui a velocidade - [Pot-pourri nicolaiewskyano](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/pot-pourri-nicolaiewskyano/) - Advertência: A vida é confusão Nada faz sentido Pra que o amor? Ser feliz é complicado Feito um picolé no sol Onde está o amor? Só você não vê Vida sem razão Grande valsa triste Só eu e mais ninguém Te amei tanto Marcou bobeira Só cai quem voa Nada mais - [Árias](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/arias/) - Nasci livre. Desde pequenino fui ensinado a apreciar a natureza. Da paisagem bucólica guardei muitas recordações. Fui abraçado pela relva verdejante. Percorri, desajeitadamente, dezenas de acres. Conforme crescia, aprendia com tudo que me circundava. Quando alcancei a juventude, minha silhueta corpulenta chamava atenção. A incidência do sol privilegiava o brilho do meu corpo negro. O - [O leiteiro equilibrista](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/o-leiteiro-equilibrista/) - “Without our traditions, our lives would be as shaky as – as a fiddler on the roof” - Tevye Um Violinista no Telhado, filme de 1972, recebeu oito indicações ao Oscar naquele ano (concorria, por exemplo, com Operação França e Laranja Mecânica). Só ganhou em categorias técnicas, como fotografia e trilha sonora. Merecia mais. Lírico e - [A Torre](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/a-torre/) - Umuarama, município de médio porte localizado no polo da região de Entre Rios, estado do Paraná, fica a quase dez mil quilômetros de Paris. Mas nem a distância nem as barreiras culturais foram empecilho para que um empresário local investisse uma pequena fortuna na construção, em sua chácara, de uma réplica da Torre Eiffel. Com mais de - [Vida, vento, vela](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/vida-vento-vela/) - Ela queria ser artista, eu, navegante. Deitados na grama diante do lago, brincávamos dizendo que o barco que passava lá no fundo ficaria mais bonito se fosse engarrafado, feito souvenir. Ela ria e dançava à minha volta, cantando, simulando, dúbia como Rita Hayworth em Gilda. Por trás dela, meu sonho cruzava as águas, mas eu - [Ilusão](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/ilusao/) - Gosto de fotografia desde que usei uma câmera pela primeira vez. É um truísmo. Sou eu e centenas de milhões de outras pessoas que devem gostar. Acho que faz parte de nosso ser, como primatas evoluídos, usar essa tecnologia que é, também, uma espécie de espelho. O primeiro registro feito de mim foi aos onze - [A cartinha](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/a-cartinha/) - Sou o nono filho, caçula, nascido e criado num assentamento desprovido de água potável e saneamento básico. No seio da minha humilde família, todos colaboraram para manter nosso lacônico lar em ordem. Mamãe, muito indulgente, com voz ternurosa, solicitava minha ajuda para lavar os tapetes. Sempre dizia ter sequelas na coluna lombar, provocadas, pelo que - [Branco no preto](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/branco-no-preto/) - Há quase quarenta anos, a ilha da Sbørnia foi assolada pelo rock n’ roll. Inconformados com o colonialismo cultural, dois artistas sbørnianos de máxima qualidade decidiram partir em busca de novos ares antigos e aportaram na terra do chamamé, do vaneirão e do xote. Quando desembarcaram no porto dito alegre, a proximidade portenha os incentivou - [Poderia ser, mas não é](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/poderia-ser-mas-nao-e/) - Eu tinha parado para tirar uma pedra do surrado sapato. Era tanto buraco, que ela entrou de lado sorrateira. Pedi licença para o mestre de obras e fui lá fora para ver melhor. Aproveitei para sentar e esticar meus dedos cansados. Estava passando por ali um cara com uma máquina fotográfica bacana e aconteceu a - [Aridez](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/aridez/) - Sou apenas um sapato. Ou melhor, um par de sapatos. Nasci numa oficina de 2x2 metros, na periferia da cidade. Poderia ter sido vendido numa bonita sapataria. Mas foi numa feirinha por ali, que o João me comprou. Ele mesmo, o João Coringa. Falou que pegou este apelido porque queria ser importante. Fazer e desenvolver - [Fluxos](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/fluxos/) - Não conheço o Rio Amstel, nunca estive em Amsterdã. Já vi algumas fotos. Não conheço o Rio Sena, nunca estive em Paris. Já vi algumas fotos. Também vi algumas cenas cinematográficas. Em ambos me chamam a atenção a presença de embarcações. Talvez a maioria delas de caráter turístico. Acho que li em algum lugar que - [O falo feminino](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/o-falo-feminino/) - Em minhas viagens pela América Latina, encontrei inúmeros monumentos a militares a cavalo. Foram criados para celebrar feitos heroicos e conquistas sangrentas. Muitas vezes escutei que a posição das patas do cavalo indicava a causa mortis do suposto herói: duas no ar, morte em ação; uma pata dianteira elevada, morreu por ferimentos em combate; quatro - [Insone](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/insone-2/) - Inclinou os bancos do carro e se deitou. Estacionou às margens de uma ínfima estrada vicinal. Precisava repousar os fatigados olhos e o dorso dolorido. Recostou o exaurido corpo na cama improvisada, contudo, mesmo na quietude que a cercava, sua mente a catapultou a revisitar a obra de Sartre. De certo modo, decepcionada com o - [E restam seis](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/e-restam-seis-2/) - Eram amigos inseparáveis. Desde a infância, mesmo bairro, mesma escola, mesma turma. Assuntos não faltavam. Silêncio não fazia morada. A afinidade era tamanha que optaram pelo mesmo curso universitário. Por estudarem juntos, todos ingressaram no vestibular. Todavia, tiveram que se mudar da pequena cidade que testemunhou a leal amizade. Rumaram para longe. Para custear as - [A catraca e a madame](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/a-catraca-e-a-madame/) - Ela nunca teve interesse por exposições de arte. Em suas viagens pelo mundo, visitou inúmeros museus e galerias não por interesse próprio, mas acompanhando seu marido que era alucinado por qualquer tipo de exposição. Particularmente, as de arte moderna. Aqueles ferros retorcidos que para ela eram sucata que poderiam ter ido pro lixo, para ele - [Águas de setembro](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/aguas-de-setembro/) - Ela acordou com o som estridente do celular. Atendeu assustada. Àquela hora certamente não seria uma boa notícia. Isaura, a cuidadora de seus pais, dizia entre soluços, que a casa estava alagada e estavam indo para o ginásio da cidade, até as águas baixarem. - Que águas? Choveu tanto assim? - Foi o rio que - [Bonjour Paris](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/bonjour-paris/) - Se pedirem para você pensar em algo característico de Londres, do que você lembra? Provavelmente do Big Ben, dos ônibus vermelhos ou da Rainha Elizabeth. De Roma, certamente, do Vaticano e talvez do Coliseu ou da Fontana di Trevi. De Veneza, das gôndolas mesmo que você nunca tenha ido até lá. Mas, e de Paris? - [Miséria](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/miseria/) - Pedro desperta com o amanhecer, na cama apertada onde dormem ele, Marisa e duas crianças. Mexe-se com cuidado para não acordar ninguém. Veste a roupa surrada e os sapatos rotos. Meio dormindo ainda, ferve água e côa o resto do pó de café que está na lata. Faz uma marmita com a sobra da comida - [Tiros](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/tiros/) - “Rapai, é muito divertido!” Ele falava rindo. Eu ficava esperando o que viria daí. “A mais recente foi uma carabina. 6.35. Foi difícil tirar os chumbos da tábua.” E então eu perguntei sobre as outras. Quantas? Quais? “Muitas. Nem sei mais quantas.” E eu perguntei como ele podia usar tantas. “É que eu tenho um - [Colônia-Paris](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/colonia-paris/) - Foi naqueles dias pintados pelas cores e luzes do outono que parti de Colônia em direção a Paris. Na estação movimentada embarquei no trem de alta velocidade. Pela janela via a imponente catedral afastar-se enquanto ele seguia pelos trilhos ao longo da planície do Reno. Embarcações, árvores, casas, postes, tuneis, campos, pássaros, bois e pôneis - [Para não claudicar em Paris](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/para-nao-claudicar-em-paris/) - Você sabe o que é a Torre Eiffel? Sabe onde ela fica? Sabe quando e por que foi construída? Sabe que sofreu o risco de ser desmontada? Consegue lembrar algum momento histórico em que ela foi cenário? Esteve lá? Subiu no elevador, viu a paisagem que oferece? Caso você seja uma pessoa culta e viajada, - [Insone](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/insone/) - Inclinou os bancos do carro e se deitou. Estacionou às margens de uma ínfima estrada vicinal. Precisava repousar os fatigados olhos e o dorso dolorido. Recostou o exaurido corpo na cama improvisada, contudo, mesmo na quietude que a cercava, sua mente a catapultou a revisitar a obra de Sartre. De certo modo, decepcionada com o - [Movimentos urbanos](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/movimentos-urbanos/) - Quando fui morar em Bremen no norte da Alemanha quis aproveitar o vento da mudança para adotar um hábito local: andar de bicicleta. A região é plana e fica próxima da Holanda. Isso favoreceu e potencializou o hábito. A partir daquela decisão, tive a oportunidade de observar o planejamento e a mobilidade urbana com outros - [(M)água](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/magua/) - A bagagem mais pesada e volumosa que levamos quando partimos em viagem é formada por referências. Grande parte dela consiste de memórias do nosso lar, da nossa cidade, do estado e país. Mais tarde, quando muitos carimbos colorem o passaporte, elas são acrescidas de paisagens apenas visitadas. E, como em quase todo o mundo, povoados - [Amsterdam](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/amsterdam/) - Amsterdam, cidade icônica. Representativa de uma época de fins da idade média, mas também dos tempos modernos. Quando ouço este nome, ecoa em mim todo um significado histórico. No séc. XV, na medida em que o comércio se desloca do Mediterrâneo para o Atlântico, a cidade experimenta crescimento vertiginoso. Com o desenvolvimento do processo colonial - [Amor e história](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/amor-e-historia/) - Tinha sido um dia muito divertido. Depois de um passeio de barco pelos canais de Amsterdam, fomos pedalar pelas ruas como dois adolescentes. Cabelos esvoaçando ao vento esquecidos do tempo. Ele apesar de 14 anos mais velho, tinha os músculos bem fortes e ia na frente. Vez em quando olhava para trás com um sorriso - [E restam seis](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/e-restam-seis/) - Eram amigos inseparáveis. Desde a infância, mesmo bairro, mesma escola, mesma turma. Assuntos não faltavam. Silêncio não fazia morada. A afinidade era tamanha que optaram pelo mesmo curso universitário. Por estudarem juntos, todos ingressaram no vestibular. Todavia, tiveram que se mudar da pequena cidade que testemunhou a leal amizade. Rumaram para longe. Para custear as - [Ressignificados](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/ressignificados/) - Francisco nasceu em Aracati no Ceará. Filho de uma artesã e de um pescador, cresceu em um povoado próximo ao mar. Sempre atento ao movimento das mãos criadoras dos seus pais, aprendeu a costurar redes, trabalhar com a madeira das embarcações, moldar cestos, tecer com fios diversos e a misturar cores, materiais e texturas. Na - [Trilha terapia](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/trilha-terapia/) - Os raios de sol, o céu azul, o aroma de café, pão e queijo frescos faziam parte do convite para despertar e partir para a caminhada em direção às montanhas. Na fronteira entre a Alemanha e Áustria lá estão elas majestosas na região do Tirol que se estende até o norte da Itália. Animados, seguíamos - [Pampa](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/pampa/) - "Mas que pampa é essa que eu recebo agora. Com a missão de cultivar raízes. Se dessa pampa que me fala a história. Não me deixaram nem sequer matizes?" Engenheiros do Hawaii Era dezembro de 2011, final de primavera, provavelmente férias. Minha irmã ainda vivia e eu não havia me separado. Não tínhamos dinheiro para - [Queria entender, mas é melhor nem explicar](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/queria-entender-mas-e-melhor-nem-explicar/) - – Zeca, deixa eu te contá as novidade. Desde que aquele artista chegou na cidade, cada semana é uma... cumé o nome mermo? Lembrei, instalação artística na frente da casa dele. Uns trem sem pé nem cabeça e ficam chamando de arte. Cê acredita que a última foi uma porta de um opala, uma roleta - [Anacleto](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/anacleto/) - Todo dia, lá pelas oito e meia, o Anacleto chegava no bar do Tonho. Tomava sua pinga e conversava com amigos, também frequentadores assíduos na sua maior parte. Costumava contar as histórias que “vivera” nos dias anteriores. Neste dia, uma segunda-feira, ele contou que levara o Asas, um time de futebol da cidade, no seu - [O que cabe e o que não cabe num Opala](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/o-que-cabe-e-o-que-nao-cabe-num-opala/) - De todas as incríveis permissões tácitas de tempos antigos, uma das mais representativas era a franquia da chave do carro para menores de idade. Às vezes menores bem menores do que se possa imaginar. Amparado num misto de confiança e despreocupação, meu pai muito cedo deixou que eu dirigisse automóveis, na medida em que foi - [Entra e sai?](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/entra-e-sai/) - A década era 1970. Do tempo em que as preocupações com a segurança eram pífias. O orgulhoso pai dirigia seu aparatoso “possante”, adjetivo afetuoso para o Chevrolet Opala 1979. Seu Romeu, muito presunçoso, adorava “pisar forte na tábua” para fazer inveja no bairro. Mas se tinha algo que o tirava do sério era uma ínfima - [Será arte?](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/sera-arte/) - O casal visita um museu de arte contemporânea. Diante de quadros, esculturas e instalações, esdrúxulas e sem sentido, questionam um guia que, paciencioso, sugere que digam em voz alta o que sentem ao ver cada obra; ao fazer isso, ficariam mais suscetíveis à intenção do artista. E exemplifica: Nessa obra aqui, que parece somente um prato de macarrão num cercado no meio de uma sala pintada - [Assentar e observar](https://oficinasantasede.com.br/carolina-krieger/assentar-e-observar/) - Estou aqui há muito. Presenciei cortejos, procissões, famílias, comunidades e vilarejos inteiros. Indo e vindo. Nascendo, vivendo e morrendo. Como não sou de me imiscuir na vida alheia, permaneci silencioso. E melancólico por não poder oferecer uma palavra de conforto. Contudo, não carrego o compungimento sozinho. Estava ladeado por outros. Outros tantos que, como eu, - [Sonhando em preto e branco](https://oficinasantasede.com.br/wilmar-goncalves-coelho/sonhando-em-preto-e-branco/) - Os Deuses deviam estar loucos. Num de repente me carregaram para um inesperado devaneio. Lá estava eu, deitado sob a grande sombra encantada daquela frondosa árvore centenária. Nuvens no céu despertavam o imaginário criativo. Isso me inspirou a viajar por tantas lembranças já vivenciadas, desde aquela enorme figueira que era o point da gurizada, como - [Seu Oscar](https://oficinasantasede.com.br/luiz-augusto-pontual/seu-oscar/) - Ele nasceu numa família com mais posses, num sítio bem maior. Entre os seis irmãos, era tratado pelo pai como alguém sem iniciativa. Não ia dar certo na vida. Durante toda a sua adolescência foi se revoltando com este tratamento. Mas ficava o estigma: como vou fazer para dar certo? Seu temperamento era voltado para - [Estórias do vento](https://oficinasantasede.com.br/denise-maria-felicio/estorias-do-vento/) - Aquele banquinho, debaixo da “minha árvore” era meu paraíso. Nos dias cinzentos, no sol de queimar coco e nos dias de chuva, não me aperreava. Era meu lugar de ficá sussegada, sem azougue. O bom mermo era os dias de ventania. Com os olho perdido nas montanha bem lonjão ficava misturada no vento, nos assovios, - [Dona Aroeira](https://oficinasantasede.com.br/doralice-dalmeida-alves/dona-aroeira/) - Ele sempre foi ligado ao campo. Nasceu em Soledade e lá viveu até os 20 anos. Seu pai tinha uma pequena fazenda com gado leiteiro e ele, o mais velho dos filhos homens, o ajudava nas tarefas diárias. No entanto, por problemas financeiros, tiveram que vender. E a família viu-se obrigada a deixar o campo - [Desalento sobre tela](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/desalento-sobre-tela/) - Na velha tela, cujo bastidor parece constrangido de tão gasto, espalhei como base a tinta branca meio encardida que encontrei no canto do atelier. Na sala contígua, vazia, pouco antes tinha alguém. Agora só, sem inspiração e entorpecido por natureza, resolvi pintar uma árvore. Para a copa usei salpicos de vários verdes, desorganizadamente atirados com - [Délibáb](https://oficinasantasede.com.br/roselena-colombo/delibab/) - Délibáb I Desce do ônibus e o rastro de pó da estrada veste sua pele, grudenta e impregnada pelas horas e bafos quentes do ar condicionado. Está só no meio do quase nada, a não ser a ruína à direita da estrada. Olha a porta aberta, boca desdentada por onde a solidão vigia e engole - [Uma árvore, um livro, um filho, uma capela](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/uma-arvore-um-livro-um-filho-uma-capela/) - Todos sabemos o fundo que moveu a expressão de um homem deixar em vida o plantio de uma árvore, a criação de um filho e a escrita de um livro: legado. Nossa breve passagem pela existência é uma angústia tremenda, e imaginar-se continuado de alguma forma reconforta. As árvores, em seu sábio silêncio, podem alcançar - [Raízes](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/raizes/) - Hoje, ao fazer minha caminhada matinal, uma árvore me chamou a atenção. Parei para olhá-la pois sua aparência era diferente. Estava inclinada com seus galhos e folhas a caírem para o mesmo lado. Parecia estar cansada. Cansada do vento, do peso dos galhos com suas folhas, da vida. Suas raízes extrapolavam seus limites internos e - [Arlequim](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/arlequim/) - E então, lá estava ele sentado naquele banco da Praça da Alfândega. Olhava ao seu redor como quem quisesse algo diferente, extraordinário talvez. De repente, algo lhe chama a atenção. A poucos metros de distância um mímico, parecendo um arlequim, entretém as crianças. Seu olhar captura a situação. Como que captando a energia de seu - [Demências](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/demencias/) - Escrevo com a mão, o corpo e a mente. Dizem que sou demente, Mas demente, não sou não, Também dizem que sou doente, Só se for do coração, Esse nunca mente. Sou um corpo despido, pelado. Sou vazia, sem sentido, Me sinto um bicho alado. Minha voz é um latido e Minha alma um alarido, - [Eu e ele](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/eu-e-ele/) - Lá fora, o sol nascia. Seria um lindo dia de claridade plena, daqueles de acalentar a alma e queimar a pele. Levantou-se. Com suas mãos macias e unhas vermelhas, segurou as meias de seda entre os dedos; pretas. Suavemente, deslisou em suas pernas vestindo-as. Sorriu. Olhou, novamente para o desabrochar do sol e, por alguns - [Água](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/agua/) - Na sua vivência de três meses de idade, Mariana colocou a mãozinha rechonchuda na água gelada. Ouviu-se um gritinho e depois um choro. Era algo diferente a ela. Havia passado nove meses dentro do planeta ventre, onde o líquido que a envolvia era morninho. Na altura de seus três aninhos, caiu no chão, ralou o - [O desabafo de uma cã](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/o-desabafo-de-uma-ca/) - Oi! Aqui estou eu, dedilhando, com minhas patinhas, meu desabafo. Por escrito, porque não tenho voz. Só sei latir e meus latidos são incompreensíveis aos humanos. Mas eu preciso falar, como vocês dizem. Hoje, brigaste comigo. Fiquei triste. Não entendi direito porque fizeste isso. Eu não quis fugir de ti. Juro. Só queria explorar o - [Nem Maria, nem Larissa](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/nem-maria-nem-larissa/) - Nem Maria, nem Clarisse. Tampouco Ana ou Larissa. Quiçá senhora, ou senhorita. Rendeira ou camponesa? Talvez uma boia fria. Quarenta, cinquenta ou sessenta? Com certeza já saiu dos trinta. Na cabeça traz um presente? Há quem diga que é o que sustente. E no punho um facão? Mais certo uma reação. Seu olhar é de - [Uma história por trás da foto](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/uma-historia-por-tras-da-foto/) - Homem negro, roupas simples, foto antiga. Deve ter vivido no começo do século XX. Se assim foi, como foi sua vida? Foi neto de escravos? Trabalhava na roça ou na cidade? Sabia ler e escrever? Casou-se? Teve filhos? Morreu quando? De quê? Tantas perguntas e nenhuma resposta. Mas ousarei traçar, dentro da minha perspectiva de - [E então ele partiu...](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/e-entao-ele-partiu/) - Na suavidade de suas asas, ele veio planando e pousou num simples galho. Fino, sem estabilidade e na água. Não caiu. Não se permitiu a isso. Fiquei a fitá-lo num misto de magia e perplexidade. Nos olhamos. Nos entendemos. Nos amamos no pouco instante da nossa cumplicidade antagonicamente dolorosa e harmônica. Senti sua luta diária - [Fé](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/fe/) - Palavra com uma única sílaba, abstrata. Forte para quem crê e insignificante para os descrentes. Fale de fé para quem tem fome, quem está numa guerra, quem acreditou que milagre existia. Para os famintos, a mingua é o destino. Ao soldado, a morte é o fim e, para quem esperou o milagre e ele não - [Crítica](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/critica/) - – Mas, Rodolfo, por que de cima? – É que… – Tu ficas parecendo acima da pessoa retratada. – Bom… – Eu diria que tu deverias te abaixar, e ficar no nível dessa senhora da tua foto. – Assim… – Tu sabes, né? Hoje em dia, com esses drones… Talvez com um drone a foto - [Zuri e seu destino](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/zuri-e-seu-destino/) - Zuri caminha lentamente pela mata ao alvorecer. Vai afastando alguns galhos, que invadem a trilha por onde passa. Hoje será um dia muito especial. A lei manda: como primogênita, tomará o lugar de seu pai no comando da tribo, quando ele envelhecer. Este dia chegou. Paramentada, já pronta para a cerimônia da posse, ela exibe - [O incrível Tony](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/o-incrivel-tony/) - Senhoras e senhores! A boite Green Valley tem a honra de apresentar nosso convidado de hoje, Incrível Tony! Abrem-se as cortinas e aparece um homem vestido a caráter jogando beijos para a plateia, que o aplaude efusivamente. Seu traje consta de: um colete e uma calça tipo pescador na cor cinza claro, meias e luvas - [Um simples convite](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/um-simples-convite/) - Madalena está sentada, frente a uns desenhos de fantasias, para o próximo espetáculo de suas alunas de dança. Seus olhos veem, mas na verdade não registram o que estão vendo. Nos últimos tempos anda mudada. Seus amigos, colegas no trabalho e até os alunos, notam uma postura diferente. Ela, sempre tão ativa, também se estranha; - [O vitorioso](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/o-vitorioso/) - Carlos está, naquela praia famosa, debaixo do chuveirão no posto dos salva-vidas. A água fria cai sobre ele como uma benção. Exausto após vencer a competição, ele não sabe se, ao mesmo tempo, ri ou chora. Seu cérebro está um turbilhão e só consegue pensar numa só palavra: “Venci! Venci o mar!” Sente o frio - [Rocky — meu amigo](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/rocky-meu-amigo/) - Tudo começou naquele domingo em que minha mãe me levou, na feira orgânica, no dia do meu décimo aniversário. Enquanto ela fazia suas compras, eu perambulava solto entre as bancas. A maioria tinha frutas e legumes quando me deparei com uma diferente. Esta, era um cercadinho contendo cães. Arregalei os olhos! Cachorros prá vender? A - [Tauane](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/tauane/) - Sou filha de índio, criada na mata densa perto de um grande rio. A lua cheia iluminava a noite estrelada quando eu nasci. Meu pai olhou nos olhos de minha mãe e disse: – Vai se chamar Tauane (Estrela). Cresci brincando na terra. Quando me firmei nas pernas, me ensinaram a trabalhar. Desde então é - [Calores do sol](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/calores-do-sol/) - Viver em Porto Alegre é poder viver as quatro estações durante o ano. Vantagem de viver ao sul do Trópico de Capricórnio. Eu sonsidero isso uma vantagem. Está certo que a crise climática pode atrapalhar um pouco. Ou muito. Não sei se o fluxo de uma vida é suficiente para constatar grandes mudanças. Leio sobre - [Barrancas do Uruguai](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/barrancas-do-uruguai/) - Como o faz todos os dias depois de ter tomado o café, Adalberto dá-se ao luxo de tirar um tempo para ler o jornal. Assim vai, com vagar, seguindo as notícias na ordem de sempre. De repente para, aturdido: está diante da crônica policial. Vê uma antiga foto, três por quatro, do seu amigo de - [A história de Adelaide](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/a-historia-de-adelaide/) - Quem nos abriu a porta da mansão, naquela noite, foi uma mulher jovem, pele escura, com um sorriso lindo e o olhar brilhando: Adelaide. Conduzida pelo meu namorado, fui ser apresentada aos futuros sogros. Ela era a serviçal da casa. Sua fisionomia demonstrava imenso prazer em me conhecer. Logo ficamos amigas. Gostava de falar de - [Sombras do apartheid](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/sombras-do-apartheid/) - Era um dia especial, um dia de decisão. Entrei no ônibus para ir a minha sessão eleitoral. Já não moro mais naquele sofisticado bairro de Porto Alegre, mas, embora pudesse, nunca quis mudar o local de votação. Voto no clube onde pratiquei esportes durante a infância. Por isso, votar também é uma oportunidade de visitar - [Primeiros passos](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/primeiros-passos/) - Para os que estavam certos de serem filhos de Deus, eu gostaria de dizer que milênios antes D’Ele ser imaginado, já estava por aqui a Mãe. Com Ela demos os primeiros passos naqueles litorais de África. Iniciamos pretos, e caminhamos de pés descalços, geração após geração, olhos fixos no horizonte, caçando, pescando, coletando o que - [Colônia de Sacramento](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/colonia-de-sacramento/) - Norbert perambula pelas ruas de Colônia de Sacramento. Mochila nas costas, sapatos de trekking, faz um pequeno passeio pela antiga cidade, enquanto espera para entrar no “buquebus” que o levará ao porto de Buenos Aires. Dali, é descer até Ushuaia, no dedão, de ônibus, como for possível, o mais barato que conseguir. Afinal, o dinheiro - [A vingança de Dionísio](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/a-vinganca-de-dionisio/) - Os deuses podem tudo, menos descumprir suas promessas. Zeus prometeu a Sêmele que lhe daria qualquer coisa que ela pedisse. Na cidade de Tebas, nasceu Sêmele, filha do rei Cadmo e da rainha Harmonia. Muito jovem ela se apaixonou pelo senhor do Olimpo, que se apresentava na forma de um belíssimo rapaz. Suas tias a - [O nascimento da dança](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/o-nascimento-da-danca/) - Ela estava entre as mãos azuis do grande deus Shiva. Tinha o tamanho de uma laranja e pulsava num movimento de sístole e diástole. Um concentrado sem espaço nem tempo, mais quente que qualquer inferno que possa brotar da imaginação humana. Shiva soprou e houve uma explosão silenciosa. Infinitas partículas voaram em todas as direções: - [Bintu](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/bintu/) - A avó de Bintu foi escrava, mas seus filhos foram ventre livre. O pai de Bintu cresceu menino de estância, acordando para a lida antes do sol nascer. Tomava o mata-bicho e ia ordenhar a vaca, tirava o leite pro café da manhã dos patrãozinho. O dia passava com a peonada, levando gado, tosquiando ovelha, - [Sobre ecos e reflexos](https://oficinasantasede.com.br/myrthes-gonzalez/sobre-ecos-e-reflexos/) - No tempo em que Narciso nasceu, as florestas eram mágicas e povoadas por seres fantásticos. Um velho vidente disse a seus pais que ele seria muito feliz, mas que jamais poderia ser exposto ao próprio reflexo. Enquanto crescia, o jovem percebeu que era muito desejado e, não se sabe se por medo ou vaidade, iniciou - [Vultos](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/vultos/) - Tempos atrás eu disse que vi o Ivo. Em uma caminhada pelo centro da cidade. Eu vi o Ivo, mas não era o Ivo. Ivo morrera um ano antes do dia que o vi. O Ivo que vi, não era o Ivo. Vez por outra dou de cara com minha irmã. Como se a pudesse - [M & M](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/m-m/) - Marcel Marceau. Talvez o mais conhecido mímico do mundo, com as capacidades que os mímicos têm de nos encantar. Espécie de palhaços silenciosos, produzem riso e nos cativam sem dizer palavra. Nascido no leste da França, de origem judaica, quando estourou a Segunda Guerra Marceau fugiu para o oeste do país, onde aderiu à Resistência. - [Africa Mãe?](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/africa-mae/) - O que me diz uma foto de uma mulher negra com turbante, com raízes e com chuva. Uma foto com dupla ou tripla exposição? Ou, talvez, uma fusão de, pelo menos, três imagens diferentes? (Pelo que meu olhar alcança...) Mulher, raízes, chuva são conceitos que me remetem à vida, em especial à capacidade da vida - [Pezinhos](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/pezinhos/) - Oliveira, o canalha da redação, é uma criação do jornalista e escritor carioca (acho que é carioca) Sérgio Leo. Uma vez perguntei ao Sérgio Leo se o Oliveira da redação tinha alguma relação com Horacio Oliveira, protagonista do Jogo da Amarelinha, de São Cortázar. Sérgio descartou rapidamente a relação. Fico pensando o que Oliveira, o - [Tá olhando o quê?](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/ta-olhando-o-que/) - Por que tá apontando isso pra mim? Não sabe que é invasivo? Olha só: tu nem pediu licença, simplesmente apontou e disparou. Não sabe que é invasivo? Qualquer um sabe que sou fofa! Mesmo sendo peluda e andando sobre quatro patas Principalmente por ser peluda e andar sobre quatro patas! Não precisa focar nos meus - [Calor](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/calor/) - O calor! O calor! Esse sol que curte a pele da gente! Trabalho na floresta Trabalho que nunca acaba Trabalho que a gente trabalha até se acabar Floresta quente. Abafada. Suor por todo o corpo. Força que a gente precisa fazer Peso das coisas no nosso cesto Borracha Castanha Palmito Coisas que a floresta nos - [Retrato 3X4](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/retrato-3x4/) - Meu pai uma vez fez fotos para documentos com um lambe-lambe na Praça XV. Foi no final dos anos 1970. Naquela época havia um grupo de fotógrafos que prestavam seus serviços por ali, na altura da esquina da Marechal Floriano com a Otávio Rocha. Tiravam a foto, revelavam e entregavam para o cliente na hora, - [Passarinhos](https://oficinasantasede.com.br/jose-e-rodrigues/passarinhos/) - "Passarinho cantou de dentro de uma gaiola / Cantaria melhor se fosse do lado de fora" (Ivan Lins) "Ei, pintassilgo / Oi, pintarroxo / Melro, uirapuru / Ai, chega-e-vira / Engole-vento / Saíra, inhambu / Foge asa-branca / Vai, patativa / Tordo, tuju, tuim / Xô, tié-sangue / Xô, tié-fogo / Xô, rouxinol sem fim - [Aqualtune](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/aqualtune/) - Pensamentos torturaram seus dias Sem dó Dançaram diante dos seus olhos A zombar do ontem Invadiram seu alma feito fumaça Poluindo a esperança Nada mais seria Rasgaram a realidade Um corte profundo Hemorrágico Romperam o véu da verdade Semearam horror Vermelho sangue Nada mais é Impuseram-lhe ser outra Não aquela Escravizaram seu corpo - [A pantomima da vida](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/a-pantomima-da-vida/) - Sempre ouvi dizer que a vida imita a arte. Muitas vezes, inclusive, repeti essa afirmativa sem refletir de forma mais minuciosa sobre o teor da mensagem. Mas, se a vida imita a arte, ela necessariamente deve ser livre, criativa, imprevisível, emocionante e transformadora. Composta de cor, movimento, sentimento, beleza e esperança. De fato, a vida de cada um - [De ponta a cabeça](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/de-ponta-a-cabeca/) - Pode parecer óbvio e até natural que corpo e mente convivam em perfeita harmonia, mas, na realidade do dia a dia, não é bem assim que as coisas acontecem. Muitas vezes, tudo o que desejamos é dar uma escapada de nós mesmos. Ora porque estamos chatos, ora porque estão nos chateando. Ao longo da vida, em diferente momentos, - [Tim-Tim ou Tim](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/tim-tim-ou-tim/) - O amor nunca anda sozinho. Ele carece de companhia. Quando chega, traz consigo alegrias, palpitações, desejo pulsante de vida. Contudo, quando decide partir, muitas vezes, sem aviso prévio, arrasta consigo uma multidão de coisas: a confiança na pureza do sentimento, a esperança de dias melhores, o ânimo para sorrir, a autoestima, e até a aposta - [Janela aberta](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/janela-aberta/) - Desde pequena ouvia minha mãe dizer que só se vive uma vez. Como uma coisa é o que se diz, e outra coisa é o que se interpreta do que foi dito, tenho minhas dúvidas se eu e minha mãe compartilhávamos do mesmo olhar com relação às possibilidades diante da brevidade da vida. É certo - [Por quê?](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/por-que/) - Maria era uma criança curiosa. Por menor que fosse o caso, gostava de entender cada detalhe. Até o velho e conhecido jogo da memória não escapou das suas indagações: Quem escolheu assim? Por que a brincadeira não podia ser achar o seu oposto? Sua babá costumava chamá-la de Maria-por-quê. A mãe, na maioria das vezes, - [Cabeça d'água](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/cabeca-dagua/) - Toda mulher nasce rio Correnteza a fluir Desague no (a)mar Torrente de afeto Leito do mundo Feita de chuva Alma de sol Sendo rio Faz-se mar No atrito das pedras Margeada de medo Poluentes machismos Erosões de si mesma Oceano de sonhos Afluentes de fé Fluxo de sangue Nascente da paz Mulher Rio e mar - [Qual a função de um retrato?](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/qual-a-funcao-de-um-retrato/) - Para uns ele é apenas o registro de um tempo ultrapassado. Que roupa é essa? Meu deus como eu usava esse corte de cabelo? Nesse casos, resgata a lembrança de algo que não nos representa mais ou envergonha. Função de hiato. Para outros, um certificado de fracasso no agora. Eu era bem mais magra. Amor, - [Solidão que nada!](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/solidao-que-nada/) - Não é segredo para ninguém que a paixão anima e o amor enfeita a vida dos viventes. Mesmo quem ainda não experimentou essas delícias, com certeza, já testemunhou seu poder de transformação. Todos nós já ouvimos ou dissemos, pelo menos uma vez: Fulana anda tão sorridente, deve estar apaixonada. Ou quando a constatação se dá, - [Retrato de nós](https://oficinasantasede.com.br/soraya-jordao-martins/retrato-de-nos/) - Maria é uma mulher de encantos. Quem a vê sorrir, desconhece suas lutas, suas dores. Mas não seria esse o mistério que a todos enlaça? Por fora somos uma cidade cosmopolita, visitada por muitos. Por dentro, um pedacinho de terra perdido num canto qualquer do mundo. No final das contas, o que lemos do outro - [Pra não dizer que não falei de espinhos](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/pra-nao-dizer-que-nao-falei-de-espinhos/) - “Nenhum caminho de flores conduz à glória” Jean de La Fontaine Dentre as formas de interpretar esse ditado de La Fontaine (1621-1695), pai de muitos clássicos das fábulas que conhecemos, há uma otimista e outra pessimista. Otimista: é sacrificante o caminho, mas dá para chegar lá (na glória). Pessimista: se a vida lhe sorri, cuidado - [Entre a luz e o caos](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/entre-a-luz-e-o-caos/) - E é no sutil movimento que Ella se desfaz da dor A cada passo, um pouco de peso, um bocado de leveza são deixados para trás Desenhando um caminho só seu Um pulinho aqui, outro ali para despistar o invisível da vida Talvez a aspereza esquecida Que escancara na parede descascada Ella reconhecia o valor - [O Y da questão](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/o-y-da-questao/) - Y de Rio. Rio dos Paratis. Paratis são peixes e, também, um tipo de mandioca. Hoje, sinônimo de cachaça. Paraty. Cidade histórica, atualmente, patrimônio da humanidade. Já foi chamada de Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty, agora nome de capela local. Fazia parte da Capitania de São Vicente de tão longínqua a sua - [Deli(bar)](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/delibar/) - Sob a sensibilidade da sola do pé, o gargalo do Bordeaux. Dominado, estático, inerte. Vencido. Ella degusta mais do que o vinho, o prazer das próprias escolhas. Sem acidez, o picante retrogosto é de superação. O desafio de ser quem Ella quer ser. O aroma amadeirado de vanilla. Sem interferência alguma. É a própria companhia - [Em fuga](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/em-fuga/) - Com focinho estirado ao chão, sem força, o corpo adere ao piso. Quase um tapete esparramado na sala. De um lado para o outro, apenas os olhos querendo acompanhar a discussão. Era um jantar para poucas pessoas, familiares que vieram de longe para confraternizar. O dissenso político é essencial em uma democracia, mas a agressividade - [Entre talheres](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/entre-talheres/) - Era como se, ajeitando os talheres na gaveta, suavemente, o pensamento fosse se organizando também. A cada garfo, faca, um sentimento se acomodava, e o coração mais tranquilo era sentido. O tempo paradinho ali, naquele momento nada mais importava. Era tomada por um alívio de que tudo ficaria bem. O mundo, as emoções e percepções, - [Três por quatro](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/tres-por-quatro/) - Nem o branco do olho de Damião escapou de ser defumado. Era quase amarelo. Escondia uma tristeza de anos. Não se sabe quantos, mais de cem. E tinha um fio esperança ali. Agora preso em 3x4, antes a um passado doído. No currículo, trazia escrito a experiência em cana. Corte de cana, por mais de - [Na capa da gaita](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/na-capa-da-gaita/) - Tchau filha. Pegaste o lanche? Ouço rádio, não embaixo do travesseiro, mas enquanto dirijo para a escola e me atualizo logo de manhã cedinho. Putin convoca 300 mil reservistas e ameaça o Ocidente com guerra nuclear. Para cientistas do Butantan, Covid-19 se espalha mais rápido e é mais preocupante que a varíola dos macacos Bate - [Invisibilidade visível](https://oficinasantasede.com.br/sarita-vallin/invisibilidade-visivel/) - É pau, é pedra, é o fim do caminho, é um pouco sozinho. Ah Jobim pela eterna voz de Elis! Na pedra dura da calçada ela sorri meio de canto, entredentes, revela que tudo sabe. Assimilou a potência do nada falar, a lidar com o indizível. Com o trauma. No rosto um desgosto, é um - [Corretor automático, este pândego](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/corretor-automatico-este-pandego/) - Vou me socorrer da clássica cena de pegadinhas na qual pessoas comuns são perseguidas e imitadas por um ou mais mímicos. Quando a vítima se dá conta do que pode estar acontecendo, vira-se para trás e, imediatamente, quem faz a graça disfarça a farsa. O caminhante segue e, seguro de que está sendo seguido, olha - [Bruxas e fadas](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/bruxas-e-fadas/) - Há uma crueldade muito grande em adotar alguns critérios estéticos como referentes às intenções e índoles das pessoas em geral, de modo grave às mulheres. Fadas: lindas, jovens, brilhantes. Bruxas: feias, velhas, opacas. Dois seres dotados de poder e magia, uns movidos pelo bem, outros pelo mal. Virtude como monopólio da graciosidade. Torpeza irmanada com - [Aos meus pés](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/aos-meus-pes/) - Ele me fez carícias nos cabelos com as duas mãos, nas têmporas, desejando descortinar as minhas orelhas. A elas coube um toque delicado, no contorno externo, de cima a baixo, suavemente movendo os brincos. Os polegares desenharam meu rosto e, sem acelerar os movimentos, nuca e pescoço agora estavam sob o domínio de suas garras - [Um mar de água doce](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/um-mar-de-agua-doce/) - Quem escolhe passar o dia inteiro à beira-mar no verão está sujeito a um desconforto: depois de inevitáveis banhos, ao secarmos ao sol, a pele restará pinicando pelo excesso de sal e areia. Enquanto escrevo, até me deu uma coceira nas costas – fenômeno que também acontece quando falo sobre formigas. Para dirimir o fato, - [Limpando alcatra e pensando nela](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/limpando-alcatra-e-pensando-nela/) - O domingo de estrogonofe começa ao limpar a alcatra. Numa carne nobre e magra há pouco o que tirar, mas há. No pedaço generoso, com mais de um quilo, o separado mal completa um pires. Do restante, parte vira cubos, parte bifes para refeições vindouras. E, diante das aparas, um engasgo se transforma em lágrimas. - [Xamã](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/xama/) - Não, não sou uma mulher, sou uma árvore Não, não sou uma árvore, sou um rio Não, não sou um rio, sou um pássaro Não, não sou um pássaro, sou uma pedra Não, não sou uma pedra, sou um fruto Não, não sou um fruto, sou uma lagarta Não, não sou uma lagarta, sou esterco - [Máscara](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/mascara/) - Olha pra frente. Vamos, homem! Aqui, bem aqui na lente – este vidro que imita um olho sem pestana. Ah, ele parece não ter alma? Quem precisa de alma, meu senhor? Este olho frio é quem vai fazer a mágica. Agora, por favor, apruma os ombros. Ninguém deseja ver o retrato de um homem sem - [Sobre grades e véus](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/sobre-grades-e-veus/) - Recorro a uma imagem de infância para refletir sobre nossas visões de normalidade e anormalidade. Lá em casa, durante muitos anos, meu pai teve passarinhos em gaiolas. Cardeais, canários belgas, pintassilgos, pintagóis, canários da terra… Devo estar me esquecendo de alguns, é claro. Ele chegou a cultivar tenébrios, cujas larvas são um banquete para os - [Vermelho ou azul?](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/vermelho-ou-azul/) - Já contei que, ainda criança e até virar adulto, frequentei uma benzedeira que também era vidente? Ah, ela era uma festa para os corações amorosos – o sincretismo em pessoa e, por abraçar muitas crenças, o perfeito modelo de fé. Por exemplo, enquanto benzia, as orações que entremeavam os pedidos de intercessão eram católicas, ainda - [Vamos! Vamos?](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/vamos-vamos/) - Ando na rua e vejo narizes, vejo bocas. Constato: há quem se deixe dominar pelo entusiasmo e relaxe nos procedimentos de proteção, mandando a prudência para aquele lugar distante e mal-afamado. Outros ainda não conseguem nem imaginar-se saindo de casa para uma mesa com outras pessoas respirando o mesmo ar. Entre os dois grupos, estamos - [Translucidez](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/translucidez/) - One of these mornings You're gonna rise up singing You're gonna spread your wings And you'll take to the sky Luz fraca, brilho tremeluzente, ela, sombra projetada no balcão de fórmica, cansada ante o minguado público de bebuns e mulheres de vida difícil, mendigos e retardatários, ansiando pela performance, dela, que bebe e colhe, no - [Reencontro](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/reencontro/) - Por motivos estratégicos as principais cidades do mundo cresceram na beira do mar ou de um rio. Nova Iorque, Paris, Berlim, Tóquio, Buenos Aires são somente algumas delas. Até o começo do século passado, o transporte marítimo e fluvial era um dos meios mais importantes e baratos de se transportar mercadorias e pessoas entre cidades, - [Sonho ou bolha de sabão](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/sonho-ou-bolha-de-sabao/) - Calçadas de pedrinha, corpos, sorrisos e poses, movimento de passos preguiçosos, de passeio e dança, de frevo e sombrinhas sob o sol que escalda, esbalda um amálgama de verdes e amarelos e azuis e vermelhos e espelhos líquidos onde nadam reflexos de gente. Corpo e prédio, concreto, montanhas e arcos e natureza, vívida fotografia, alegria - [Quintana](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/quintana/) - Mário pousa na travessa, diante da Casa de Cultura que, com orgulho, carrega seu nome. Os dias são os de hoje e, como sempre foi e sempre será, ele saiu para o passeio, daquele jeito seu, poético e plácido. A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa, como se estivessem abertos - [Corpos Humanos](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/corpos-humanos/) - Do viaduto movimentado contemplo o solene Monumento aos Açorianos, marco central deste largo, na capital gaúcha. Quase cinquentenária, a grandiosa estrutura tem linhas retas, modernas, futuristas. O design, arrojado, alude a uma caravela, composta de corpos humanos entrelaçados, liderados por uma figura alada - Ícaro, dizem -, e homenageia a chegada, em 1752, dos primeiros - [A Fortaleza e o Forte](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/a-fortaleza-e-o-forte/) - Posso ajudar? A voz era esganiçada, e a pegou de surpresa. Tinha chegado há pouco na esquina, onde a hesitação criada pelo contexto breve a transportou para uma espécie de limbo introspectivo, recôndito, que aflorou, sabe-se lá porquê. Hesitar, inclusive, nunca foi seu forte, pelo contrário. Menina ainda, tímida, de poucas palavras e pais complacentes, - [Do gesso ao bronze](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/do-gesso-ao-bronze/) - A estátua do Laçador, símbolo oficial de Porto Alegre, foi esculpida por Antônio Caringi, pelotense que se inspirou na figura do tradicionalista, radialista e compositor João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, o modelo emblemático da cultura rio-grandense, para muitos. Fundida em bronze a partir de matriz em gesso, representa o gaúcho, campeiro, pilchado em sua indumentária - [Castelos entre aspas e paixões medievais](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/castelos-entre-aspas-e-paixoes-medievais/) - Imagine a história: no final dos anos 1940, um político influente, casado, constrói uma, digamos, réplica de um castelo medieval gótico, no centro da capital gaúcha, para viver com sua amante de dezoito anos, mãe solteira. Depois do escândalo vir à tona, ele separa-se da esposa e vai morar com a moça, mais jovem que - [Faz de conta que a luz é sua](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/faz-de-conta-que-a-luz-e-sua/) - “Eu não sou louco. É só a minha realidade que é diferente da sua” Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas Do alto do farol, onde mora, ele contempla além do lago, seu olhar só vê beleza, a cidade vive, pulsa em oportunidade e acolhe de braços abertos, com seus edifícios benfazejos e seus - [Vai passar](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/vai-passar/) - Tarde linda de samba! - grita o cara do violão, também maestro, nos jardins do Solar dos Câmara. Mais uma! Mais uma! O pessoal pede e aplaude. Pra encerrar, então, um samba recado! E solta os acordes. Os primeiros versos se misturam ao som das cordas. Outros se seguem. Cada paralelepípedo Da velha cidade Essa noite - [Navegadores](https://oficinasantasede.com.br/giancarlo-carvalho/navegadores/) - Café? Recuso e ele me chama de lado, fora da vista dos outros poucos clientes que vão subindo a rampa. Hoje acordei mais para Hemingway do que Balzac, e o whisky que o barqueiro Jonas oferece, escondido, é bem-vindo. Sou de casa, acho. Está frio agora bem cedo, e o banco onde me sento, a - [Cenários](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/cenarios/) - Fim de tarde o sol se esconde no horizonte a velocidade do dia dá lugar à cadência da noite Da janela a cidade se ilumina sob a luz da lua casas, ruas, carros, parques luz vermelha, branca, amarela sai de cena a correria o trânsito louco sobe ao palco o artista a música, o cantor - [Habemus rei?](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/habemus-rei/) - No início do século XX viveu o então homem mais rico de Porto Alegre. Com muitos negócios na cidade e com pouco mais de trinta anos, já tinha acumulado um montante significativo de riquezas. Era reconhecido por boa parte da população e para ter mais privacidade junto a sua esposa e seus filhos, decidiu construir - [Boa viagem!](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/boa-viagem/) - Completei nos últimos dias cinco anos do afastamento do meu emprego no Banco do Brasil. Logo que saí, ainda não havia decidido que rumo minha vida ia tomar. Só sabia que aquela rotina de bancário não estava me agradando e queria ser mais dono dos meus dias, sem aquele compromisso de bater ponto e dar - [Roteiro de cinema](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/roteiro-de-cinema/) - Tenho certeza que em algum momento você já se surpreendeu com as incríveis coincidências que a vida nos apresenta. Encontrar alguém conhecido quando estamos viajando, lembrar de uma pessoa e ver ela logo depois, receber a ligação de alguém que você estava pensando em contatar. As vezes parece algo tão impossível que chega a nos - [Turista local](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/turista-local/) - “Nem tão longe que eu não possa ver, nem tão perto que eu possa tocar” Humberto Gessinger Quando viajo, gosto sempre de fazer algum passeio que permita ver a cidade ou parte dela de um ângulo privilegiado. É o que temos quando subimos no Pão de Açucar ou no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro; - [Lado B, lado A](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/lado-b-lado-a/) - “Gente da noite, que não liga preconceito, tem estrelas na alma e a lua dentro do seu peito” Túlio Piva Toda cidade tem sua história: fundação, primeiros moradores, emancipação, essas coisas que lemos nos livros. Interessante, claro, mas o que mais gostamos de saber é vamos dizer assim: o lado B. Porque são essas as - [O som dessa cidade](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/o-som-dessa-cidade/) - Porto Alegre pode não ser um Rio de Janeiro, onde surgiram Tim Maia, Roberto Carlos, Chico Buarque, o samba, a bossa nova e uma grande quantidade de ótimos e famosos sambistas. Reconheço também que talvez não concorra com a Salvador de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ivete e todo aquele axé. E São Paulo? - [O Centro, a Feira e Quintana](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/o-centro-a-feira-e-quintana/) - O centro das grandes cidades sempre gera boas discussões. Uns amam, outros odeiam. Prédios históricos, orgãos públicos, comércio e muita movimentação de pessoas. Conheci o centro de Porto Alegre ainda criança. Lembro de ir no Rua da Praia Shopping logo que lá inaugurou a primeira loja do Mc Donald’s da cidade. Costumava ir na Mesbla, - [A nossa Redenção](https://oficinasantasede.com.br/marcel-souza/a-nossa-redencao/) - “Atravessa a Osvaldo Aranha, Entra no Parque Farroupilha” Frank Jorge e Marcelo Birck Durante dois ou três anos da minha vida, nos anos 1990, tive a rotina de ir andar de bicicleta na Redenção três vezes por semana pela manhã. Estava nos meus primeiros anos de luta contra a balança, e pedalar era uma das - [Novos Horizontes](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/novos-horizontes/) - Há 45 anos que ando nas ruas de um porto que está tentando recuperar sua alegria. Reverenciando o pôr-do-sol em seus novos espaços, abre as cortinas de seu palco apresentando os encantos do passado. Falando em passado, quem não tem em casa uma foto em preto e branco, feita ao acaso, mostrando nossos avós caminhando - [Distâncias](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/distancias/) - A vista de longe ou à certa distância guarda, sempre, revelações. A distância pode ser muito relativa, de centímetros a quilômetros, de horas a séculos, de ângulos, luzes e sombras. Também em corpos, mentes e corações. E se o distanciamento nos permite enxergá-las ou senti-las é porque somos nós, também, relativos. Mesmo os que parecem - [Partitura](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/partitura/) - Parque dos domingos Parque de todos os dias dos mendigos, dos abandonados das famílias, dos namorados, dos descasados dos velhos, dos desocupados, dos transeuntes do homem do gato, da feira de filhotes do expedicionário, do colégio militar, do brique da igreja Santa Teresinha, da Maomé, do Folha Verde dos cachorros, das bicicletas, das bolas das - [Reflexos](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/reflexos/) - Riscos tortos e sinuosos superfície liquida chão que não é chão Micro pedaços partidos em diferentes partituras não se despedaçaram juntaram-se em mosaico num quadro sem moldura Ser que tenta dar concretude quando ser mesmo é apenas sentir Lentes profanadas são os olhos veem a realidade surreal de cada um A vida refletida numa poça - [Refrações](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/reflexos-2/) - O olhar da pessoa é a primeira lente Reflete sua luz no mundo Breve, efêmera, fugaz O olhar dos outros é a segunda lente Refração da sua luz nas pessoas e no mundo O olhar da câmera é a terceira lente capta e mistura luzes internas e externas contextualiza eterniza O olhar dos tantos outros - [Despedida](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/despedida/) - Grandes metrópoles espelham a humanidade. São tão complexas como cada ser humano em si mesmo. Únicas, mas com pontos nevrálgicos universais. Todas, em maior ou menor grau sofrem com as mazelas das aglomerações. Excessos que geram poluição. Do ar, sonora, visual. Excesso de distâncias, de trânsito, de perda de tempo, de filas e de pessoas. - [Repercussão](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/repercussao/) - A ciência nos dá a luz, nomes e explicações. Amplia nossa capacidade de percepção, compreensão e evolução. Às vezes é tão impactante que muda paradigmas. Como a teoria da relatividade de Einstein que nos fez aprender um pouco mais sobre quem somos. A tênue fronteira entre energia e matéria, ou melhor, sua inexistência. Na descoberta - [Esquinas](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/esquinas/) - O centro, na época em que eu lá habitava, era mais estendido. Ou, a mim, parecia. Esticava-se por muitas ruas. Da Andradas à Duque, da Mauá à rodoviária, da Garibaldi aos meados da Osvaldo Aranha, e dessa à João Pessoa. Um miolo próximo do lago Guaíba. Na minha medida e mapa, lugares ao alcance do - [Pra não dizer que não falei de flores](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/pra-nao-dizer-que-nao-falei-de-flores/) - Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. Cora Coralina Negro céu feito noite nuvens densas Cinza sombras sobras Pedra sobre pedra Pesam ostentam gritam ‒ mulheres rapunzéis sociedade de - [Liberdade](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/liberdade/) - O homem de costas ombros largos firmes quadris armadura de bronze um passo suspenso os braços pairam à postos Sob a faixa a cabeça tesa repousada O olhar ninguém sabe perdeu-se no horizonte no azul do céu que passa - [Os azuis do céu](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/os-azuis-do-ceu/) - Andamos sempre de cabeça baixa, prestando atenção às calçadas cheias de detritos ou com defeitos que podem nos engolir, se não estivermos atentos. A postura mais comum, mesmo para quem não tem um celular como objeto hipnótico, é a cabeça inclinada para frente. Encarar quem vem em outra direção é considerado desrespeitoso, acredito. Não faço - [As dobras do vento](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/as-dobras-do-vento/) - Sou um livre pensador. Essa característica me permite andar pela vida sem prestar atenção em nada. Ao mesmo tempo me faz ver tudo a minha volta de uma forma diferente a cada momento. Aos que creditam esse modo de vida aos volúveis e aos superficiais, aviso que uma das demonstrações de inteligência é a capacidade - [Reflexões](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/reflexoes/) - Gosto, como tantos, de fotografia. Não sou um profissional, nem pretendo ser. Melhoro meu aprendizado fazendo o que posso com uma máquina que me permite fazer escolhas melhores do que apenas enquadrar e apertar o botão. Quando jovem, gastei muitas poses dos filmes da kodaquinha que tinha em experimentos. Os efeitos finais só veria dias - [Limites](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/limites/) - Viajar é muito bom. Faço sempre que posso. Muitas vezes. O que pode aumentar ou diminuir o número de passeios é o poder de financiamento e a distância que o objetivo se encontra. Como moro em um estado que não é o meu natal, bate e voltas de final de semana são as opções mais - [Homenageada](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/homenageada/) - Homenagear é um afazer prazeroso, mas que dá um trabalho muito grande. Imagina lembrar uma cidade a partir de seus personagens mais conhecidos. Nessa festa de Porto Alegre, eu, forasteiro, me convidei a tentar escolhê-los. Logo me veio a mente o poeta Quintana, morador por tantos anos e que fez conhecido poema sobre ela. Antes, - [Paisagem](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/paisagem/) - Uma das coisas mais interessantes de uma cidade é a possibilidade de conhecimento que uma caminhada a pé por suas ruas nos dá. Sou andarilho desde a tenra idade. Morei em muitas cidades e aprendi as belezas existentes nelas com o prazer de uma criança com um brinquedo novo. Percorrendo lento e displicente, observador. Nos - [Contramão](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/contramao/) - A cidade toda pode ser resumida em suas ruas, praças, avenidas e escreve diversas de suas histórias nas esquinas, entroncamentos, viadutos, trincheiras, ladeiras, curvas sem fim e nas abruptas quadras sem saída. Dirigir em grandes urbes sem auxílio de mapas ou maps está se tornando muito difícil. Todos os dias eu estou aqui. A mesma - [Segurança](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/seguranca/) - Quem casa quer casa. Essa máxima, quase um meme, pode não ser mais uma verdade se considerar que um apartamento é muito mais fácil de cuidar e mais fácil de manter protegido de ações externas. Nos últimos cinquenta anos no nosso país a segurança dos lares foi deteriorando. Os condomínios, sejam verticais ou horizontais, vieram - [Laços](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/lacos/) - Não é unanimidade, mas muitos gaúchos veem a estátua do Laçador, do escultor Antônio Caringi, de Pelotas, como a autêntica indumentária gauchesca. Ela habita, atualmente, seu sítio próprio, próximo ao aeroporto de Porto Alegre. Tudo muito bem posicionado para ser visto por quem entra ou sai da cidade, mesmo que apenas de passagem. Foi eleita - [Outro ritmo](https://oficinasantasede.com.br/altino-mayrink/outro-ritmo/) - “Bobeira é não viver a realidade e eu ainda tenho uma tarde inteira” – Cássia Eller Tirei um dia de folga. Não era feriado nem havia horas no banco para se aproveitar. A necessidade de nada fazer ao meu bel prazer vinha me atazanando a vida por mais de um mês. Agora era a hora - [Cinzento*](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/cinzento/) - Era uma jovem em um castelo Era um castelo medieval Ninguém podia entrar lá não Porque o castelo era prisão Ninguém podia falar com ela Porque o dono deixava não Ninguém podia abrir janela Porque o homem virava um cão E era feito sem muito gosto Sem colorido, uma depressão Um belo dia ela fugiu - [Maestro](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/maestro/) - Hoje acordei com uma vontade enorme de viajar, mudar de ares, conhecer coisas novas, sair do marasmo. Cansei de ficar em casa, olhar o mundo pela janela, ver a vida passar. Claro que tenho passeado e viajado, comedidamente, conforme a situação permite em todos os sentidos, já que estamos ainda sob suspeita. Tudo tem início, - [Direção!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/direcao/) - As águas sempre me encantaram, sejam elas da chuva, de uma cachoeira, lago, rio ou mar. Não importa de onde elas vêm. Até aquelas que brotam dos nossos próprios olhos, como lágrimas de alegria ou tristeza, são igualmente emocionantes. Refletem o sentimento de nossos corações. A beleza do rio Guaíba com suas águas calmas quando - [Espelho, espelho meu](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/espelho-espelho-meu/) - Sempre gostei de ver fotos desde tenra idade. Meu divertimento favorito. Viajar de volta ao passado, lembrar de coisas importantes de nossa vida. Algumas tristezas, muitas alegrias. Algumas doenças, muitas curas. Saudades de uma época que não volta mais. Peito doído. Coração apertado. Angústia por algo que não se sabe o quê. Talvez sim, talvez - [Ao chão](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/ao-chao/) - Você já reparou que não temos nenhum domínio sobre determinadas situações que nos deparamos no decorrer de nossas vidas? Pensamos que temos o controle. Ledo engano! Controlamos absolutamente nada. O acaso vem e toma conta. E seja o que Deus quiser! Encaramos muito sustos, medos, sofrimentos, desafios. A vida é cheia de surpresas boas e - [Luz, câmera e ação!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/luz-camera-e-acao/) - O entardecer chega e a noite começa a surgir. As luzes da cidade são acesas, enquanto as estrelas aguardam o céu escuro para brilhar. A lua também espera por sua vez para poder dourar a escuridão. Desço o meu olhar para as avenidas ofuscadas pelos faróis. Os verdes dos gramados e das árvores mudam de - [Ritmada](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/ritmada/) - Eu batuco, tu batucas, elas batucam É bom batucar! As crianças acompanham as mulheres Todas rindo à toa, Deixando a alegria entrar Eu batuco, tu batucas, elas batucam A tristeza foi embora, O ânimo voltou Vamos todas celebrar Eu batuco, tu batucas, elas batucam Mulheres cantam felizes Suas vidas vitoriosas Que com muita luta e - [Um outro olhar](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/um-outro-olhar/) - Ao andar pelas ruas, avenidas e parques de Porto Alegre nos deparamos com algumas esculturas, monumentos, grafites e pinturas que nos prendem o olhar. Algumas dessas obras artísticas a céu aberto são belas, outras nem tanto. Ainda há aquelas que, por serem muito instigantes, nos fazem pensar. Para mim, na maioria das vezes, basta agradarem - [Hoje é dia de índio!](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/hoje-e-dia-de-indio/) - Os filmes de faroeste americano exibidos nas sessões das tardes de domingo na televisão nas décadas de 1960 e 1970, eram programas imperdíveis e quase que obrigatórios para a criançada daquela época, da qual eu fazia parte. Às vezes em determinados lugares, dependendo do canal que iria passar o espetáculo aguardado durante toda a semana, - [Laçada](https://oficinasantasede.com.br/greta-guimaraes/lacada/) - A tradição, cultura e história de uma nação refletem a alma e o comportamento do povo que lá habita. Elas são o esteio da sociedade que criaram, formam a sua memória e fazem parte da identidade de cada cidadão. Através dos valores adquiridos em decorrência de todo esse conjunto, somos moldados e temos uma direção - [Vazio cimentado](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/vazio-cimentado/) - Subterrâneos, túneis, alicerces fraturados, invisibilidade, viaduto, danos e bloqueios, fluxo interrompido, sem trânsito, alter ego enterrado, causa impacto, vazio, estou confusa, mudanças impostas, inversão, descuido e displicência. Clarão ensurdecedor. Luzes difusas, artificiais, dureza cimentada. Automóveis e ônibus, onde está todo mundo? Cidade em coma, caos, silêncio, observação, resistência, dispersão não! Leveza. Ponte de Pedra, alegria - [Laça dor](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/laca-dor/) - Há uma estátua na entrada da cidade de Porto Alegre que dizem representar o gaúcho. Tenho dúvidas em relação a esta única ou maior representação, considerando que um povo pode ser forjado em muitas culturas e ser representado por diversos símbolos. A cultura riograndense apresenta cenários rurais nos quais a figura do homem campeiro, de - [O dom da música](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/o-dom-da-musica/) - A música nos melhora a vida. Leva amor a quem canta, toca, compõe, dança e, principalmente, escuta. Ao tom de cada estrofe e de cada música algo acontece, surge uma emoção. É o dom de ser música! Os anjos cantam nos céus, sabiam? É assim que a magia da comunicação angelical chega a nós – - [Respeitável Público](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/respeitavel-publico/) - Desci a Jerônimo correndo, eram mais passos que pernas. Não passo por ali sem lembrar todas as vezes que o teu braço me segurou a cada esquina. Te devo umas vinte vidas. Doze fraturas e aproximadamente quinze cirurgias foram evitadas pelo teu olhar atento e pela mão firme me segurando em cada esquina: Cuida a - [O poeta de cada um](https://oficinasantasede.com.br/soraia-schmidt/o-poeta-de-cada-um/) - No final da tarde réstias do sol tangenciam o céu deitam-se nas águas irradiando a cidade de luzes e sombras Lassidão trazem o cansaço do dia um já, passado águas que guardam segredos em um azul tépido e denso onde tudo em leveza desliza veleja o tempo corações mentes embarcações nas águas do rio - [Memórias do pôr do sol](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/memorias-do-por-do-sol/) - Depois de colocar o último item dentro da mala, fechou-a e a levou até a porta do quarto do hotel. Ligou para recepção dizendo que queria encerrar a sua conta e pedindo para que alguém viesse buscar a bagagem. Enquanto isso, sentou-se na beirada da cama e começou a lembrar-se dos ótimos momentos que havia - [De salto e barbicacho](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/de-salto-e-barbicacho/) - Dizem que gaúcho não costuma levar desaforo para casa. No passado duelavam por qualquer fato, desde a honra até para desposar uma dama. Inadmissível uma atitude dessas nos dias atuais, mas tenho certeza que muita gente já quis voltar ao passado para duelar com seu algoz. Por pouco não entrei no túnel do tempo alguns - [Nosso próprio tempo](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/nosso-proprio-tempo/) - Ao ver a foto da Nega Lu desenhada na parede lateral de uma casa, minhas lembranças viraram do avesso, como pipocas numa panela. Sem saber porque, surgiram na mente as músicas de Renato Russo. Em casa, resolvi escutá-las. Aqueles versos e estrofes cantadas, gritadas e admiradas, atualmente me dão arrepios. Percebi que, agora, estou do - [Tradições](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/tradicoes/) - Somos um povo garboso, Usamos bombacha, guaiaca e faca, Escondido dentro do cinto ou talvez no tirador, O chapéu com barbicacho combina com o Chiripá, Nas peleias pelos pampas, Camisa, colete e lenço vieram para ficar, Na doma do cavalo chucro o gaúcho tem que ter, Rebenque, bota e espora. E quando o minuano uivar, - [A volta do Gasômetro](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/a-volta-do-gasometro/) - Morar em Porto Alegre vivia nos meus planos desde criança, quando os passeios familiares incluíam a visita aos tios migrados para cá. Obrigatória a ida até o aeroporto, que na época recebia os visitantes em seu grande saguão, proporcionando a vista do céu e das decolagens. Olhando em retrospectiva, não tenho dúvida de que essa - [Em casa](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/em-casa/) - Quando viajo busco memorizar pontos referenciais que indiquem a rota que estou seguindo. Claro que uso os aplicativos de mapas, mas nem sempre tenho sinal de comunicação no celular. Esta prática já me salvou de gastar energias procurando o caminho de volta. Passado algum tempo, estas referências inexistem nas lembranças que carrego dos espaços visitados. - [Torre](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/torre/) - Acordei! Assim que abri os olhos, vi uma torre alta, imponente, que marcava meu novo começo. Um novo lugar. As casinhas, uma em cima da outra, o que chamavam de prédio, provavelmente onde eu moraria com outras pessoas. Desconhecidas, buscando um recomeço. Como eu. Ao chegar no porto, me deparei com vários armazéns que, provavelmente, - [Ao sul do tempo](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/ao-sul-do-tempo/) - Conheço várias pessoas daqui que não gostam de Porto Alegre. Confesso que também não morro de amores, mais. E conheço mais gente ainda, que detesta o centro de Porto Alegre. Não sou uma destas gentes. Eu gosto de ver aquela montoeira de pessoas apressadas pra lá e pra cá, feito formigas trabalhadeiras. Hoje fui ao - [Olhar estrangeiro](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/olhar-estrangeiro/) - Quando viajo, adoro comprar cartões postais para colecionar ou para enviar aos amigos e familiares. Talvez seja um certo saudosismo de um tempo em que as fotografias impressas eram a única opção de lembrança dos lugares por onde passávamos. Talvez uma busca pelo retrato perfeito dos pontos turísticos, já que dizem que é o dos - [Dedo de gente](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/dedo-de-gente/) - Pouco dotada de belezas naturais, os porto-alegrenses foram criando as marcas da cidade. Passamos a identificar o Centro como Histórico, embora não seja central e tenha seu estilo descaracterizado por sucessivas intervenções de gosto variável. A Rua da Praia ficou distante da água e, para mantê-la assim, foi construído o Muro da Mauá, cuja utilidade - [Poeira](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/poeira/) - Perspectiva. Tudo é uma questão de perspectiva. De longe nem parece tão alto, de perto não parece tão sólido e de cima a ventania e a luz do fim da tarde mudam o ângulo e o tom de tudo que eu estou sentindo. É quase perfeito. Pode ser que a água consiga molhar os meus - [E ela se impõe](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/e-ela-se-impoe/) - Escalando degraus por entre os meios de brancas nuvens e rumo aos céus de um não tão puro azul ela majestosa se impõe por sobre o todo que era só rio E há quem diga que um dia a água a seu leito original retornará em puro deleite Há quem diga que dia - [A autoestima da cidade](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/a-autoestima-da-cidade/) - Na primeira vez que fui a Los Angeles, terra do cinema, o que chamou minha atenção foi a urbanização das praias. Podia-se mergulhar no oceano, mas também pedalar, levar as crianças no playground, usar o banheiro e andar de montanha-russa no píer. Fiquei me perguntando por que nossas praias não eram assim. Mais adiante, a - [Cais, saudade](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/cais-saudade/) - Cais, saudade em pedra, é o nome de um livro de Moacir Lopes que li quando adolescente. O título me atraiu, mas aquela pedra sempre me pareceu muito rígida para acompanhar minhas lembranças do cais da cidade. Que, longe da dureza das pedras, me remetiam a leveza e alegrias. Minha família paterna foi muito ligada - [Eternas são as nuvens](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/eternas-sao-as-nuvens/) - Depois de muitos anos, encontraram-se novamente. Ele a esperava sentado num banco na Redenção, próximo ao arco do Expedicionário. O sol de outono brilhava. Choviam pétalas de flores. Ela o viu. Ele se levantou. Aproximaram-se devagar. Era como se seus olhos nunca fossem se afastar. Estacionaram o carro na Rua Riachuelo. Desceram a ladeira, cruzaram - [Por amor](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/por-amor/) - Como diz o Peninha, gaúcho pode falar mal de gaúcho. Quem não pode é o carioca, o paulista, o baiano, o mineiro, gente que não é daqui. Isso não se aceita! Como sou gaúcha, posso criticar até Porto Alegre, nossa capital. Vivo aqui. Gaúcho, quando fala mal de gaúcho, expressa a voz do coração, mais - [Foto](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/foto/) - Quando Rosana recebeu pelo correio uma foto, com um simples bilhete: “lembras deste dia”? — e foi logo procurar nos seu arquivos muitas outras que mereciam ser guardadas. Entre tantas, estava aquela, tirada do convés de um vapor. Mostrava uma fileira de armazéns no cais do porto, tendo ao fundo o Gasômetro. Estava esmaecida pelo - [Retorno](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/retorno/) - No embalo da água seguem meus pensamentos. Fecho os olhos, a viagem está prestes a começar. Poder incrível esse de me teletransportar em energia pura, gerada por fragmentos de minhas lembranças, por mais longe que eu esteja nunca saem de mim. Visualizo todos os detalhes. Impossível não me emocionar mirando o rio que me fascina - [Quisera tanto](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/quisera-tanto/) - Abrir os olhos, para te ver nascendo para o mundo. Cantar como os sabiás, para que acordes com alegres melodias diariamente. Conhecer as ciências médicas, para te curar de todas as dores. Transformar os dias em festa, para que rodopies em bailes de conto de fadas. Limpar teus caminhos, para te acompanhar seguindo sem tropeços. - [Fixação](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/fixacao/) - Desenhos perfeitos no céu Nuvens em forma de seres desconhecidos Torres espalhadas no infinito Prédios ignorados, quase transitórios Janelas e portas escancaradas Braços abertos receptivos Desenhos perfeitos no céu Chaminé projetada História passada reconta o passado Fez-se a luz Iluminados aqui e lá adiante. Por todo o espaço Desenhos perfeitos no céu Cinza claro, nuances - [Orla onírica](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/orla-onirica/) - Nos meus devaneios, os armazéns do cais do porto conversam com o Guaíba e sua orla. Nos meus delírios, a luz do céu invade aquelas construções amareladas. Nas minhas fantasias, o projeto arquitetônico contempla uma conversa entre os armazéns e o ambiente externo. Nos meus sonhos, os espaços são bem ventilados e com boa iluminação - [Encontro ilustrado](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/encontro-ilustrado/) - A menina solta bolhas de sabão no parque. Por meio do arco-íris que se forma, ela vê três senhores conversando alegremente. Eles caminham em sua direção. Entre seus comentários é possível escutar parte do que estava sendo dito: – A cidade deve ser um lugar que promove encontros. Passam bem próximo e acenam para ela - [Os ciclos](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/os-ciclos/) - Foi no colégio que ouvi, pela primeira vez, que a vida é feita de ciclos. A água do rio evapora, vira nuvem, condensa e vira rio de novo. A primavera leva ao verão, que leva ao outono, que leva ao inverno, que leva às flores mais uma vez. Sem neura, aprendi que os seres vivos - [O que não nos disseram](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/o-que-nao-nos-disseram/) - Há algo que não nos disseram antes de virarmos pais: que, para nós, os filhos teriam todas as idades ao mesmo tempo. Seriam crianças, bebês, adultos e adolescentes numa simples visada em outro ângulo. Nada do vivido, nenhuma experiência, apagaria o tudo ao mesmo tempo diante dos nossos olhos. Muito parecido com o que acontece - [Perfume de uma alma perdida](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/perfume-de-uma-alma-perdida/) - Na bolha de sabão guardei meus sentimentos. Na bolha de sabão deixei minhas dores. Na bolha de sabão depositei minhas esperanças. Na bolha de sabão inventei minha alegria. Deleitei-me na sua maciez extravagante, no seu cheiro inebriante, na sua essência bivalente. Saltei de bolha em bolha na busca do para sempre, mas só encontrei não - [Jim Harris por Soraia Schmidt](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jim-harris-por-soraia-schmidt/) - Era um menino miúdo de grandes olhos negros. Amanheceu na varanda da casa grande. Dentro de um cesto forrado com travesseiro, panos rasgados e limpos, pendurado no alto, entre as samambaias. Sob a algazarra dos cachorros, viam-se perninhas que se agitavam em alvoroço para fora dos panos e do cesto. Nem a poeira na estrada - [Galope no céu](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/galope-no-ceu/) - Para Alexandre, que nos deixou cedo numa véspera de Natal – Mãe, mãe… [… deixe o rapaz ir agora e depois seguimos até...] – Filho? Acordou, meu anjo? [...parece estranho, mas não signi...] – Peraí, deixa eu pausar aqui. […] – O que foi? Foi pesadelo, é? – Não mãe. Foi um sonho. O Papai - [Jim Harris por Regina Lydia](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jim-harris-por-regina-lydia/) - Engolindo sapos Regina Lydia Rodrigues Jaeger Não se vê mais tantos sapos como antigamente. Quando eu era criança, na praia ou no campo, apareciam muitos na varanda de casa, dos grandes, rugosos, assustadores à primeira vista, mas inofensivos. Benéficos, por comerem os insetos, equilibrando o ecossistema. Gostava deles. A sinfonia noturna do coaxar era relaxante - [Jim Harris por Maristela Rabaiolli](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jim-harris-por-maristela-rabaiolli/) - “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?” José Saramago Em matéria de fantasia, as crianças são especialistas. Tim Burton também. Na mente dos pequenos, tudo é verossímil: um rolo de papel se - [Na chuva sem galochas](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/na-chuva-sem-galochas/) - Eu devia ter uns 15 anos e lembro bem daquele domingo. Várias famílias, com filhos e filhas de idades variadas, encontrariam-se para o almoço em um sítio, quilômetros afastado da cidade onde todos moravam. Fomos dos primeiros a chegar e minha expectativa era de que logo o lugar ficasse repleto com os demais convidados. Não - [Janelas](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/janelas/) - A mãe chega do trabalho e mal respira antes de começar o preparo das próximas refeições; a filha adolescente gostaria que já fosse sábado, noite sem estudos e sem culpa; o namorado chora ao ler a mensagem da moça que não quer mais saber dele; o pai beija as crianças, recomenda que se comportem e - [A Presença do Poeta](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/a-presenca-do-poeta/) - “Eu moro em mim mesmo”, Mário Quintana Não dei frutos, fiz poesia Na minha introspecção, fluí Traduzi a natureza , zombei dos homens Vi girar os cataventos e me plantei nas páginas da primavera Da janela do horizonte vi os passantes em gaiolas Testemunhei os hipócritas cumprindo suas penitências Senti os galhos da Tipuana - [Assopros perfeitos](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/assopros-perfeitos/) - Volto a ser pequena, vestida com alguma peça rosa-choque. Ainda não se usava gelatina, glicerina e açúcar, ingredientes que hoje conferem resistência às bolhas de sabão, tornando-as também gigantes. O processo era simples: juntar água e detergente em um vidro, na proporção que a mãe sabia só de olhar, providenciar um canudinho de plástico ou - [O ver ultrapassa o olhar](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/o-ver-ultrapassa-o-olhar/) - Reflexos em poças de água dificilmente não rendem belas imagens. Quando me deparo com algumas destas obras meu pensamento é levado a tentar ver além do que aquela imagem apresenta ao meu olhar. Hoje me encontrei com essa. Poderia descrevê-la: um grande alagamento próximo à calçada de uma cidade apresenta o reflexo de dois lados - [Mirabolhação](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/mirabolhacao/) - Manuela estava ansiosa: rapidamente arrumava suas coisas tentando não esquecer de nada. Cobertor, blusa, meia, colchonete, cristais – conferiu tudo umas cinco vezes e foi se encontrar com Lorena e Flávia, suas amigas de infância. Juntas, conheceriam a Planta Professora, não sabiam nada sobre ela, mas estavam curiosas. Depois de três horas de viagem, elas - [XY](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/xy/) - Amor. Controle. Como podemos enxergar algo tão diferente diante da mesma situação? O cenário é o mesmo. Ananda e Michel caminhavam juntos, observando cada obra de arte da exposição. Pausa para o café. Ananda começou a falar da relação deles, de como estavam construindo raízes, e como estava sendo positivo todo o amor que compartilhavam. - [As bolhas não são mais de sabão](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/as-bolhas-nao-sao-mais-de-sabao/) - Houve um tempo em que nossas divergências dividiam-se entre: Grêmio ou Inter, teísta ou ateu, amante do inverno ou do verão, fã da Jennifer Aniston ou da Angelina Jolie. Esta época amena, de intensas e mixurucas polêmicas, ficou para trás e, ao que tudo indica, não voltará. Não há mais espaço para debates inflamados que - [Percalço](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/percalco/) - Entre sair e ficar, um salto vermelho embebido na poça da água mais turva. Na calçada, calada, diante da injustiça de um só pé mergulhado, coloquei o outro, afundando o salto e encharcando a meia-calça que tomou uma coloração cinzenta. Agora sim, com direitos iguais, meus dois sapatos adormeciam naquele líquido que desceu das nuvens - [Uma baleia me faz voar](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/uma-baleia-me-faz-voar/) - Não existe nada que me emocione mais que os saltos das baleias do bailado emerge um poder de força de beleza de alma de músculos de insano creio que por não termos ainda o alcance essencial de ser que as baleias tem. O dançar e o colorido de uma enorme bolha de sabão me lembra - [Minha rua de águas rosadas](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/minha-rua-de-aguas-rosadas/) - Na minha rua de águas rosadas as árvores pulam estrelinha carruagens se dobram de rir gente de costas de pernas pra cima crianças jogam de quem se esconde de quem de verso aparece e grilos no rosa anunciam vai ter baile! promove a corte pois rosa céu rosa chão pede música a bailar comecem as - [O que cabe num balão](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/o-que-cabe-num-balao/) - Fim do show. Não! Severino Dias de Oliveira, Mestre Sivuca, puxando sua sanfona, saiu do palco e convidou o público a segui-lo, dançando, pelo parque. Convite aceito, todos saíram, ao som da música João e Maria (Chico Buarque de Holanda), em um balé que sempre voltaria à suas memórias quando a este espaço retornassem. Enquanto - [Voa, passarinho](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/voa-passarinho/) - A chuva forte havia alagado a cidade. Muitas poças d’água pelo caminho dos pedestres e dos motoristas. O céu ainda estava cinza. Henrique observava da janela do apartamento, onde morava com a mãe, o movimento da rua. Do alto do oitavo andar, o rapaz conseguia ver parte do céu, dos prédios vizinhos com suas próprias - [Onde estão nossas crianças?](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/onde-estao-nossas-criancas/) - Crianças, pitocos, guris, piás, todos longe da escola por um ano e meio. E pior, longe uns dos outros! Enfiados em casa, alguns sem acesso a pátio ou jardim, apenas esperando para viver. Nas pracinhas, os brinquedos tristes lembravam da gritaria dos grandotes e do choramingo dos pequenos. A Redenção, que já teve até zoológico - [Teimosia](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/teimosia/) - A cidade tem nome de ancoradouro pronto para chegadas felizes. No entanto, foi empurrando seu riolago cada vez para mais longe, quase como um refúgio contra deságues excessivos. Mas a água, elemento fluido, não aceita limites impostos – ou se derrama das nuvens ou se espalha por entre os caminhos abertos à força. Não basta - [Composição](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/composicao/) - Eu engoli uma bolha. Juro. Uma bolha de sabão que eu guardava no bolso da calça do uniforme da escola. Como de costume, ela se alimentava de uma mistura de pó azul e pequenas pedrinhas mágicas de areia grudenta da sola dos meus tênis. Mesclada por cores disformes, esperava que ninguém estivesse perto para flutuar - [Ser ou não ser](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/ser-ou-nao-ser/) - Envelhecer acontece de súbito. Não, claro que não é bem assim. Mas a gente vai vivendo, sabendo que o tempo está passando e nos trazendo suas marcas, só que segue assimilando muito aos poucos, como se ainda mantivéssemos toda a energia e saúde da idade da última década vivida. Sente uma dorzinha aqui, já não - [Minha Casa](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/minha-casa/) - Tenho muitos bons momentos vividos na Casa de Cultura. Ela foi fundada em 1982, e no final dessa década comecei a participar do Coral da Casa. Fazia tempo que não cantava, e foi bom encontrar um grupo com coragem para tentar voos diferentes, não restritos aos cuidados com a técnica e o aperfeiçoamento vocal. O - [Porto Triste](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/porto-triste/) - O monumento aos Açorianos, a lembrar as origens da cidade; o domo da catedral, que se impõe na paisagem do Centro Histórico; as ruas e avenidas que se estendem por quilômetros, levando carros, ônibus, gente apressada; e os prédios, antigos e novos, a ocupar o horizonte, sempre mais, sempre mais... Porto Alegre, onde estão suas - [Ciranda de sabão](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/ciranda-de-sabao/) - Quem vem lá, quem vem lá, tão longe, tão longe? É a criança brincando com bolinhas de sabão. Lá vem ela, toda faceira. Soprando o arco e enchendo ao seu redor com aquelas belezuras coloridas pela luz do sol. De repente, larga tudo e corre atrás das bolinhas. Pula e bate palmas para estourá-las e - [Terra prometida](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/terra-prometida/) - “O Brasil nasceu para miscigenar, para fluir” Carlinhos Brown Aprendemos na escola que a capital gaúcha iniciou como um pequeno povoado, em 1752, com a chegada de 60 casais açorianos, trazidos pela Coroa Portuguesa, com o objetivo ocupar as terras do sul do Brasil e impedir a invasão de estrangeiros. Europeus das mais diversas nacionalidades - [A menina e o parque](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/a-menina-e-o-parque/) - O carrinho rodava no trilho circular e a menina girava a direção, dominando a técnica. Ela queria ser grande, mas na metade da volta, olhava para o pai que lhe sorria, a confirmar sua habilidade. Respirava séria e caprichava na próxima manobra. Desceu contente do brinquedo, coroada rainha do automobilismo. Ao redor, tudo era colorido: - [Vida sonhada](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/vida-sonhada/) - Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira, diz Italo Calvino, e meu sentimento é esse quando visito a Casa de Cultura Mario Quintana. Só agora me dou conta de que a vi sem pintura ao final de 1988. Uma amiga que morava no prédio da frente me disse ao - [Tributo a Porto Alegre](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/tributo-a-porto-alegre/) - As luzes de Porto Alegre despertaram minha curiosidade de menina do interior. O efeito dos neons, semáforos e luzes quentes em movimento, desde cedo avisaram meu cérebro de um mundo novo a descobrir. E que, se eu estava sempre de passagem, ainda ganharia as luzes do saber na Capital. Mas até chegar à faculdade tive - [Tempo](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/tempo/) - E se pudesse eu receber uma página em branco e, como uma mancha no papel, recomeçar do zero. Olhar para o espelho d’água e ver o mundo de outra perspectiva. Faria tudo igual, ou diferente do que fiz até hoje? Avaliaria situações colocando na balança, priorizando o que realmente importa. Olharia mais as estrelas. Sentaria - [Expondo-se](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/expondo-se/) - Utilizando o recurso de longa exposição é possível obter uma pintura com a luz. Existem algumas técnicas que possibilitam resultados excelentes para “pintar a cena” e colorir à sua maneira mesmo em meio a escuridão. O uso do tripé é indispensável para que a fotografia não fique tremida. Regulagem do obturador, ISO, diafragma e foco - [Ação Rua](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/acao-rua/) - Vitória pulou da cama excitada com a expectativa do passeio de domingo. Encontrou sua mãe preparando o café, o seu preferido: waffle caseiro de nutella e morango. Mesa posta, vieram o pai e o irmão e tomaram café reunidos. Vestiram-se e saíram para aproveitar o dia de sol na Redenção. Pretinha, a schnauzer, foi também. - [Além do faz de conta](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/alem-do-faz-de-conta/) - Bem ao sul de um gigante país, fica uma cidade que se fala muito Alegre, mas que também é triste, porque não há como ser diferente. Não é a minha cidade, já que nela não nasci. Hoje é onde vivo, sem saber do amanhã. É a terra dos meus filhos, por ela luto e trabalho, - [Ohana](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/ohana/) - Era uma vez uma menina que não podia ter cães. Mas não eram apenas os cães que lhe faziam falta. Não podia ter uma casa. Não podia ter pai. Não podia ter uma família completa. Não podia ser criança sempre que desejasse. Os cães não eram permitidos por causa dos problemas respiratórios. A casa não - [Sonhar](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/sonhar/) - Sinto que estou acordando; recuso-me a abrir os olhos. Quero prolongar por mais tempo esse sonho, mas não consigo. Nunca na minha vida eu sonhei colorido. Que sensação maravilhosa! Sento na cama; procuro um bloco na mesinha de cabeceira ao meu lado e tomo nota de algumas palavras, como um roteiro para uma crônica. Qual - [Majestoso](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/majestoso/) - O Hotel Majestic, de arquitetura ímpar, grandiosa, foi um marco na história da cidade. Partindo da década de 1920 em diante, encontramos Porto Alegre, cidade capital de um estado sulista, sem muita expressão no resto do país, com sonhos de grandeza para, quem sabe, poder se equiparar às capitais de São Paulo e Rio de - [Porto Alegre](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/porto-alegre-2/) - Quem nasceu depois de 1970 não teve o prazer de andar de bonde, o vagão elétrico que corria sobre trilhos. Seu motorneiro passava o dia em pé para dirigi-lo e o cobrador, corria de um lado para outro, solicitando as passagens, empurrando os passageiros e gritando “um passinho à frente por favor”. Este era o - [Trilhas](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/trilhas/) - Já trilhei muito. Estradas, ruelas, faixas de chão batido. Há dias em que avanço quilômetros. Em outros, nem tanto. De vez em quando, preciso descansar e me recolher em mim mesma. Retornar e renovar. Pequena, recém dando passos trôpegos, querendo me equilibrar, recordo do papo me entregando uma bola colorida, leve. Foi no pátio de - [Evoluções](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/evolucoes/) - Transitavam. Nas poças d’água, a indiferença de dois pedestres. Não para ele, habitante eterno na sua casa. Presente ali. Em cada parede, um fragmento da história. Sua escrita, intensamente lida. Distorcida, somente a imagem do prédio espelhada no acúmulo das chuvas. Cada palavra, cada verso e cada uma e todas suas poesias eram harmonia. Ainda - [Dou-lhe três](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/dou-lhe-tres/) - Comum. Não sei se essa é realmente a palavra certa para descrevê-la, mas é fato que não era muito notada por aqueles que por ela passavam. Não era feia ou estranha – apenas não percebida. Acredito que nem se incomodava de não ser o centro das atenções. Em sua vida, não havia grandes histórias que - [A poça mágica](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/a-poca-magica/) - Naquela manhã primaveril, o guri seguiu o caminho das folhas de ipê espalhadas pela rua dos Andradas até encontrar a grande poça por onde entrou na casa subterrânea. Suas paredes rosadas ganharam tons mais especiais trazidas pela luz do sol refletida na água. Numa das salas, encontrou as crianças reunidas em círculo em torno do - [Lili e Lulu](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/lili-e-lulu/) - Se é verdade que os bons hábitos vêm com exemplos, aprendi a gostar de ler com minha mãe. Tive a sorte de crescer numa casa onde livros estavam disponíveis por todos os lados. Eu sonhava em ler todos os livros que estavam na prateleira da sala de visitas – claro que deixaria de fora as - [Gaudí depois da chuva](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/gaudi-depois-da-chuva/) - Existem duas obras que situam as cidades entre desenvolvidas ou subdesenvolvidas. Uma, tão invisível quanto necessária. Outra, tão necessária quanto visível. O modo como os gestores públicos contemplam as verbas retiradas da população, através dos impostos, denuncia o ímpeto ou a renúncia em colocar seu município lá ou cá. Cá ou lá. Basta uma chuva - [Vagalumear](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/vagalumear/) - Poucas imagens seriam capazes de acomodar em um único clique os 250 anos de Porto Alegre, e Leonid Streliaev conseguiu a façanha. Ao retratar a cidade na lenta troca de luzes entre o dia e a noite, evidencia sua posição geográfica meridional. Quando põe ao centro a Ponte de Pedra, resgata o antigo limite da - [Porto Alegre](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/porto-alegre/) - Pelas ruas da cidade Olho ao meu redor Retalhos de saudades Trago no meu peito Oro à Virgem Maria < p align="left"> Abençoe esse lugar Lindo por natureza Elegendo desde já Guerreiros destemidos Retratando a valentia Enaltecida por nós - [O grito de poucas](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/o-grito-de-poucas/) - Caçadas nos campos Incineradas nas fogueiras Quantas pagaram com a pele Para que você, hoje, escolha a roupa que quer vestir Deposite o voto na urna Diga que quer poucos, muitos Ou nenhum filho? Quantas continuam expondo a própria garganta Para que as vozes não sejam amordaçadas As vítimas, culpadas Os corpos, controlados As - [Pessoas-monumento](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/pessoas-monumento/) - Monumentos como o Laçador, representação simbólica do povo gaúcho e imagem que dá as boas-vindas aos que chegam a Porto Alegre, para além de enfeitarem as cidades, servem também para preservar valores, imortalizar alguma bravura, registrar algo que não se deve esquecer jamais. O que cai muito bem no bronze e nas estátuas que existem - [Tambores](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/tambores/) - A menina testa a força das mãos sobre a pele esticada do tambor. Protegida pelo muro, ela não enxerga as mulheres que cantam, apenas escuta a pujança daquela toada, uma harmonia de sopranos, mezzo sopranos e talvez alguma contralto. A melodia entra pelos seus ouvidos e ela não consegue deter a cadência do corpo, embalado - [A plateia](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/a-plateia/) - Faz menos de cinco anos. Precisei atualizar uns documentos e fui até a sede da Polícia Federal, na Av. Ipiranga. Tive sorte de encontrar uma vaga na rua ao lado, uma vaguinha, na verdade, na medida exata, onde caberia apenas mais um alfinete. Resolvido o problema que me levou até ali, retornei ao meu carro - [De tudo que há em ti](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/de-tudo-que-ha-em-ti/) - De tudo que há em ti de estrutura irredutível Em pedaço de terra firme De brandura para a solidão das chegadas E guarida após a travessia em águas turbulentas O que te diferencia de tantos outros faróis espalhados pelas penínsulas São os tempos de obscuridade Quando suportas o pior em mim Para em seguida ser - [O forte apache](https://oficinasantasede.com.br/ana-luiza-rizzo/o-forte-apache/) - Não, não quero cair no lugar comum e dizer que a vida é para ser vivida agora. Disso se fala desde o Iluminismo. Lembram? Lá no século XVIII, quando o conhecimento científico e a razão se sobrepuseram a dogmas e preconceitos, apontando para uma estrutura social que mantinha grande parte da população subjugada ao poder - [Urbana](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/urbana/) - Uma das lembranças mais doces da minha infância são as viagens que fazíamos, eu e minha irmã, com meus avós. Eles, apaixonados pelo Rio Grande, adoravam acampar em lugarejos do interior do estado. Meu avô fazia questão de que apreciássemos a paisagem, apontando cada morro e rio à beira da estrada. Minha irmã ficava atenta, - [Adoro o mar](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/adoro-o-mar/) - Penso, seguidamente, em concretizar planos, já desenhados e quase desbotados, de receber minha correspondência na praia. Não tenho dificuldade de adaptação e viver em uma pequena comunidade não seria novidade. Mesmo residindo em uma capital, meu diário de bordo de vida foi escrito em um bairro considerado, em época, distante da área central. Na infância - [Não há inércia na psilocibina](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/nao-ha-inercia-na-psilocibina/) - Era noite. A praça estava vazia. Silêncio. Era possível ouvir o vento navegando entre os grandes prédios. Nenhum carro. Nenhuma pessoa. A cidade parecia estar abandonada, mas todos estavam em suas casas, menos eu, pelo menos, assim me parecia. Sentei no meio daquela grande praça e resolvi comer minha psilocibina, afinal a noite era propícia, - [Depois do trabalho](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/depois-do-trabalho/) - Alô. Oi, amor, você está vindo? Oi, querida. Estou na Perimetral a caminho. Mas o trânsito está terrível, acho que vou demorar. Hmm. Estou escutando um som de música. Onde você está, mesmo? Estou passando pela Praça Açorianos. Tem um evento lá e o telefone está no bluetooth. Sei... A festa está boa. O som - [Entrelaços](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/entrelacos/) - A cidade circula por tramas resistentes e frouxas, muitas conhecidas, outras inéditas. São malhas de convívio, de conveniência e de distanciamento. Alguns as consideram prisões, mas há quem pense em aconchego. Às vezes, facilitam o abandono e permitem a fuga, mas sempre há quem chegue e se procure. Eventualmente, a rede se rompe e novos - [Volta aqui](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/volta-aqui/) - A parte mais bonita é a de voltar. Não que os passeios sejam tristes, na verdade são tempos felizes de encontros e de descobertas. Alguns em ritmo de trabalho, outros com um tom de veranico. Me vou sempre voando as tranças, com o direito de respirar outros ares e sentir outros gostos. Diferente do coro - [Sobre um olhar iluminado](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/sobre-um-olhar-iluminado/) - É sobre esse tanto de luzes iluminando a noite de Porto Alegre, iluminando as grandes avenidas da capital, em um vibrante andar que nos envolve a todos, na hora de voltarmos para casa ou na hora de sairmos. É sobre aquelas luzes trazendo o brilho da noite a todo lugar, a cada janelinha lá ao - [Como uma onda no mar](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/como-uma-onda-no-mar/) - Um fato talvez curioso para algumas pessoas é o de que o Guaíba já teve seus momentos de fúria provocando ondas bem significativas. As mudanças na direção e intensidade do vento ocasionadas por entrada de ar frio, muitas vezes são as responsáveis por tais acontecimentos. Em 2011, o rio foi agraciado com o catamarã, um - [Meu caderno, minha história](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/meu-caderno-minha-historia/) - Quando viajo gosto de passear pelo centro histórico das cidades. Gosto de apreciar a arquitetura e monumentos que ali expostos contam sobre determinada época. Preservar a memória coletiva é extremamente importante para que gerações futuras possam ter referências. Sabemos que o trabalho de preservação não é fácil, pois além da parte física existem vivências, pontos - [Reconstrução](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/reconstrucao/) - E de repente tudo se transformou Meu mundo cinza se coloriu Flores desabrocharam Vazios foram preenchidos Da torre desci O caminho está diferente O horizonte brilha ao longe Agora posso ver Novas oportunidades estão surgindo Vou reconstruir-me castelo Capaz eu sou Me libertei das amarras Feliz serei Nesse porto alegre Vou ancorar meus sonhos - [De bota e bombacha](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/de-bota-e-bombacha/) - A diversidade na cultura de nosso país é algo bem visível. Basta viajar para outro estado para ver o quanto somos diferentes no linguajar, hábitos alimentares e vestimentas. Ao longo dos anos algumas mudanças foram ocorrendo em nosso cotidiano. Aqui no Rio Grande do Sul, pouco se vê pessoas utilizando os trajes gaúchos, sendo estes - [Dó-Ré-Mi](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/do-re-mi/) - Há mais de 20 anos, tive a oportunidade de participar de uma tarde de musicoterapia no meu trabalho. Foram pouco mais de três horas de atividades, mas aqueles momentos me trazem boas lembranças. Até então, não percebia como a música tinha poder sobre a nossa alma, mas como sou metida mesmo, tratei de me inscrever - [Chica](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/chica/) - Eu não ligo. Pode pensar o que quiser de mim. Eu não ligo. Pode ficar com cara fechada e o olhar pesado de ódio. Eu não ligo. Meu amor é mais que suficiente para nós dois. Tuas palavras são fortes. Machucam. Ofendem tudo o que vivemos. Eu não ligo. Sei que tudo são palavras vazias, - [Equilibristas](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/equilibristas/) - “Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas” Cora Coralina No malabarismo da vida, seguem as mulheres. É preciso renascer. Desprender-se de si mesma. Renunciar a sua vida em prol de outra. Amar incondicionalmente. Ter destreza com os sentimentos. Sentir cansaço. Felicidade. Euforia. Sentir-se mãe. Levar consigo o filho para - [De cor e felicidade](https://oficinasantasede.com.br/fernanda-cunha-quadros/de-cor-e-felicidade/) - “A pintura é poesia sem palavras.” Voltaire Quem não lembra dos desenhos feitos na infância? Eu adorava desenhar a tradicional casinha com a árvore ao lado. Lápis e papel na mão sempre fizeram a alegria de qualquer criança. Vejo aqui na minha casa o sucesso que fazem as telas cada vez que chegam nas mãos - [Abraço das águas](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/abraco-das-aguas/) - O convite para fazer o passeio de barco pelo Guaíba chegou de última hora. Vocês estão convidados para nos acompanhar amanhã até Itapuã. Partimos às 9 hrs. Ficamos contentes com a possibilidade. Era primeira vez que iríamos até lá. Fomos até a marina no bairro Tristeza, onde encontramos o casal de amigos velejadores. Entramos no - [Do fóssil ao renovável](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/do-fossil-ao-renovavel/) - Na imagem fotográfica capturada por Guto Monteiro há uma viagem entre o passado e o presente. O asfalto, que cobre as ruas, traz na sua origem fóssil a lembrança de que muito carbono tem sido desenterrado nos últimos milhares de anos. O concreto, que cobre a estrutura dos prédios antigos, carrega na sua história as - [Descastelando POA](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/descastelando-poa/) - Os príncipes não salvam as mulheres. A salvação é uma construção individual e coletiva e o cuidado um direito e um dever. Os castelos não protegem os nobres. A proteção é fruto do envolvimento da sociedade civil e de decisões participativas. Os senhores feudais não controlam os territórios. O controle dos espaços pode ser compartilhado, - [Revendo laços](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/revendo-lacos/) - Próximo do aeroporto – quem diria? – lá está ele: o laçador. Ao invés de estar no campo mirando os bois e os cavalos, ele observa atentamente o céu da cidade. Nele, contempla o tráfego aéreo que inclui dos valentes quero-queros até aeronaves robustas. Quanto mais olha a movimentação, maior sua curiosidade pelos detalhes. Trocou - [Luz e movimento](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/luz-e-movimento/) - Quando todos entraram no teatro, foram convidados para seguir para o mezanino. Ao encontrarem os seus lugares na plateia, começaram a observar o grande palco. Na medida que iniciava a iluminação, perceberam as nuances e reflexos da cidade. Alguns dos presentes reconheceram construções, elevadas, ponte, lago e áreas verdes. Muitos identificaram o grande monumento aos - [Sementes de arte](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/sementes-de-arte/) - Em meio ao concreto do centro urbano, florescem as ofertas artísticas e culturais. Dos seus prédios antigos e modernos nascem museus, teatros, cinemas. Os grafites sobem pelas paredes em direção à luz. Os festivais e mostras frutificam em todas as estações. No solo fértil da capital germina e brota o Porto Alegre em Cena. Os - [Arco-íris sobre a capital](https://oficinasantasede.com.br/katia-madruga/arco-iris-sobre-a-capital/) - VIOLETA: a cor do modelito que usou naquele carnaval no Menino Deus nos anos 1970. ANIL: um dos tons da bandeira que muitas vezes carregou pelo parque. VERDE: a matiz do fundo do palco onde fez algumas das suas interpretações. AMARELO: a pigmentação da luz que brilhava, quando falava francês e usava os talheres. LARANJA: - [Histórias de paredes](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/historias-de-paredes/) - Presente, passado e futuro se misturam quando se trata da memória de um povo, e nós gaúchos, temos uma história linda para ser contada. Porto Alegre então, nem se fala! E o pôr do sol? Imperdível. Nosso centro histórico é recheado de lembranças e peleias, a começar pelas casas centenárias ao redor da Praça da - [Dores e amores](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/dores-e-amores/) - Ah, o amor! A paixão costuma deixar as pessoas cegas, surdas, mudas e, digamos, desprovidas de inteligência. Seres humanos nesse estado costumam ficar teimosos, não admitem nenhum comentário sobre o ser amado e escapam que nem sabonete de um tete a tete com a razão. Nada mais lindo do que as histórias infantis com a - [Infância](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/infancia/) - Para aqueles que não sabem, Armando Câmara cursou Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, atual Faculdade de Direito da UFRGS, formando-se em 1925. Apreciador da vida acadêmica, ministrou aulas de direito e filosofia na faculdade em que se formara, chegando a ser reitor. Alguns anos depois participou da fundação - [Ouro, copas, espadas e paus](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/ouro-copas-espadas-e-paus/) - Uma curiosidade me assalta: o que faz uma pessoa aparentemente sã construir um castelo nos dias de hoje? E vamos tomar como “dias de hoje” qualquer data do século XX em diante, para ficar bem amplo. Sem que eu tenha a menor ideia dos motivos, Porto Alegre tem os seus castelos. Sim, no plural, mais - [Laço firme, braço forte](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/laco-firme-braco-forte/) - Certo, o Laçador não é nenhuma Torre Eiffel, Cristo Redentor ou Estátua da Liberdade. Quer saber? Nem precisa, mesmo: Porto Alegre não é Nova Iorque, Rio de Janeiro ou Paris. Como uma roupa sob medida, nossa estátua não falta nem sobra. Impressiona mais pela beleza do que pelo porte. E não lhe falta altivez. Ainda - [Frestas e peneiras](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/frestas-e-peneiras/) - “Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão,até que volte à terra, visto que dela foi tirado;porque você é pó, e ao pó voltará” Gênesis Quando o tema é cultura ou entretenimento, seu primo simultaneamente mais rico e mais pobre, há uma curiosa relação com os veículos de comunicação. Um artista internacional - [Papel de parede](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/papel-de-parede/) - A arte rupestre, segundo analistas, pode existir há trinta mil anos antes de Cristo. Já eu penso que essa é a idade das mais antigas documentadas, pois desenhar nas paredes das cavernas pode ter nascido com a primeira curva de neurônios para além do instinto na direção da fantasia, da expressão, do espanto. Uma coisa - [Reconciliação](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/reconciliacao/) - De tudo o que uma cidade pode fazer de mal às águas que a banham, o desprezo talvez seja o pior – depois dele, o que de bom poderia acontecer? E, por alguma razão, Porto Alegre andou um longo tempo de costas para o Guaíba. Pessoalmente, lamento ter passado grande parte dos meus anos vivendo - [Impressões instantâneas](https://oficinasantasede.com.br/rubem-penz/impressoes-instantaneas/) - O sol esculpia a tarde com luz e sombra. É um palacinho no alto da ladeira chamada História. Abandonar as janelas que dão para a rua teria sido avanço, ou recuo? Por detrás de cada janela, uma intriga. Seu apelido é Forte Apache. Talvez por isso proíbam flechas. Caminham juntos em sentido proibido. Desordem unida. - [O executivo de patinete](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/o-executivo-de-patinete/) - Se existe um lugar onde vivemos o presente é a rua. Em casa, relembramos o passado, projetamos o futuro, mas não saímos à rua sem um propósito que nos faça viver o agora. Ela serve de palco para performarmos os mais diversos papéis. Sempre haverá um cabelo roxo a caminho da escola, um bebê passeando - [Linha vermelha](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/linha-vermelha/) - Quem cruza pela Rua Jerônimo Coelho não imagina tudo o que já se passou entre as sólidas paredes do prédio situado na esquina com a Praça da Matriz, popularmente conhecido como Forte Apache, hoje Palácio do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Construído para ser sede da Assembleia Provincial, abrigou, ao longo dos anos, - [Versão 2021](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/versao-2021/) - Não era filha de reis. Seu pai era bancário e sua mãe, professora. Seu nome nem era Rapunzel. Bem podia ser Ana, Maria, Laura ou Vitória. Sua infância foi feliz em Porto Alegre. Brincava com as crianças da vizinhança e seus pais a amavam e protegiam, até demais. Ainda assim, ao tornar-se mocinha, começou a - [Pássaro perdido](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/passaro-perdido/) - Pilcha me lembra a música de Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros, Pássaro Perdido, ganhadora da Calhandra de Ouro na VIII Califórnia da Canção Nativa. Como eu amava aqueles festivais. O primeiro que assisti foi o de 1978. Vibrei com a emoção do intérprete e senti a dor do índio flor de campeiro desgarrado na - [São flores](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/sao-flores/) - Foram chegando devagar, como flores murchas No coração, a bagagem do amor ou da solidão No olhar, a indagação, mais do que a esperança Algumas achavam que sabiam tudo; outras sabiam que nada achavam Da história de cada uma, fez-se a união Sempre sofrida Da amargura, fez-se a alegria Aos poucos, foram sentindo a magia - [Olhares](https://oficinasantasede.com.br/noara-lisboa/olhares/) - Como toda grande cidade, Porto Alegre divide-se em bairros, alguns com características bem marcadas, todos em constante transformação. Até agora, vivi em três. Solteira, morei no apartamento dos meus pais no Bairro Santana, perto da Redenção, até hoje meu parque preferido, e do Hospital de Clínicas. Nele também está o Centro de Saúde Modelo. Pela - [Nadir](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/nadir/) - Sentada à sombra na varanda do clube, Nadir espera pacientemente a chegada do veleiro. Não tem nada a fazer a não ser usufruir de um momento raro na sua vida. Estar só; marido e filhos foram velejar. Estende um olhar à sua frente. Poderia estar de olhos fechados que veria a mesma paisagem através das - [Tempos antigos](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/tempos-antigos/) - Fazer uma caminhada pelo Centro Histórico de Porto Alegre é nada mais, nada menos, do que um prazer. A cidade que vai completar seus 250 anos é cheia de maravilhosos prédios antigos. Quase 10 horas da manhã. Hoje resolvi andar pelos arredores da Praça da Matriz. Brincando comigo mesma, faço de contas que estou no - [Ciúme](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/ciume/) - Essa é uma história de paixão e ódio entre duas pessoas que se amaram à primeira vista: Nilza e Carlos. O caso foi tão impactante na alta sociedade dos anos de 1940, que praticamente virou uma lenda. Até os dias de hoje há quem se lembre dos fatos ocorridos. Vou contar o que aconteceu. Quando - [Festança](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/festanca/) - Amigo boleia a perna Puxe o banco e vá sentando... Cevando o Amargo de Lupicínio Rodrigues Na fazenda Guedes todos estão se preparando para a festança. Ritinha, filha mais velha do fazendeiro, Anselmo Guedes, está completando 15 anos. Seu pai espalhou convites para a família, vizinhos e amigos íntimos. Fora para parte da peonada, só - [Ao entardecer](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/ao-entardecer/) - Num sábado qualquer, à tardinha, saí para caminhar aproveitando o sol de um fim de tarde primaveril. Tomei o rumo do Centro Histórico. Andava sem pressa, prestando atenção cuidadosa nos prédios antigos, que já conhecia, mas nunca em detalhes. Assim pude reparar nas portas e janelas entalhadas em madeiras nobres e nos casarões com soleiras - [Lúcia – uma personagem](https://oficinasantasede.com.br/regina-starosta/lucia-uma-personagem/) - Quando Leonor abriu a porta deparou-se com uma jovem negra, de porte atlético, cabelos cortados rente, vestindo uma calça jeans, blusão e tênis masculinos. — Entra e senta aqui — disse, mostrando-lhe a cadeira. — Como é o teu nome? E o que sabes fazer? — Meu nome é Lúcia e eu faço qualquer coisa. - [Misturas e rimas](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/misturas-e-rimas/) - Profunda profundidade Raso rasante Água aquática Azul azulado Reflexo refletido Projeção projetada Ondas onduladas Prata prateada Borda bordada Fundo afundado Rio lago estuário Barco embarcado Rota rotineira Motor chaminé edifício Estado líquido Solidez na água Guaíba - [Um dia](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/um-dia/) - Um dia contou os paralelepípedos da Jerônimo Coelho. Subia apressada. Entrevista de estágio. Foi contratada. Não tinha hora para encerrar. Começava às oito e noite à dentro. Um dia sua mãe perguntou se queria uma cama de armar. Era tudo e tudo. Nada, para ela, nunca existira. Subia apressada. Sempre à frente. Crescimento era vital. - [Fragmentos](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/fragmentos/) - Torre Tórrida Fascinação Ela, ele Fogaréu Retórica Conexão Ela, ele Blocos de pedra Sofreguidão Ela, ele Faíscas Castelo Fosso Fortaleza Ela, ele Geleira Cimento Paredão Sedimento Cólera Cinzas Ela, ele Prisão - [Garrido](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/garrido/) - Céu azul anil Olhar além do tempo Cobre a coxilha troteando Vislumbra o entardecer No lombo do cavalo À procura do bezerro fujão Laço amarrado no estribo Lenço vermelho no pescoço Maragato Ancestralidade Gumercindo Saraiva Avista, lá, logo ali, a galope Laçou Bravo e avante - [Sentidos](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/sentidos/) - Integração, vozes uníssonas Mentes em harmonia Espaço livre Batem os bumbos Inclusão da exclusão Mulheres Solar, solares Brilho que dali vem e se instala Desde a primeira infância Entrelaçamento e força Abraçadas Atentas cantam Há vontade Dedicação A cidade alegre se reconhece no prédio histórico que acolhe a pequena e grandiosa multidão feminina Batem os - [Reflexão escancarada](https://oficinasantasede.com.br/luca-boaz/reflexao-escancarada/) - Autenticidade. Foi o que veio à mente. Após mais olhares, o excesso de informações impactou. Atrevimento ou exposição? Poderia contar que iniciei minha vida adulta muito cedo. Com vinte e um anos já estava formada em Direito e trabalhava, como se advogada fosse, há três anos. Casei com vinte e quatro, entre pompas e circunstâncias. - [Soneto livre ao vento](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/soneto-livre-ao-vento/) - De longe, é uma fortaleza Feita de concreto, aço e formas Fria como o cinza que carrega Recolhe tua beleza atrás do muro. Milhares correm apressados Como ratinhos em suas gaiolas Buscam dinheiro, status, segurança Não percebem que a procura é errada. Abrindo o olhar sobre todo, há esperança Há os que respiram fundo e - [Pessoas Reais](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/pessoas-reais/) - Acho que fui apresentada ao castelo da Rapunzel quando vim ao mundo, pois desde que eu me conheço por gente, ele faz parte da minha memória. Quer dizer, faz parte da imaginação, pois ainda não juntei todas as doletas necessárias para vê-lo na minha frente. Será delírio meu ou já tivemos um câmbio um para - [Lado B](https://oficinasantasede.com.br/linda-grossi/lado-b/) - Porto Alegre não tem o Ibirapuera de São Paulo, mas se colore de roxo com os jacarandás em flor na Redenção. Não tem o Teatro Bolshoi de Moscou, mas todos ficam de queixo caído com o lustre de cristal do Teatro São Pedro. Não tem o Louvre de Paris, mas a Fundação Iberê Camargo é - [Adoro um amor inventado](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/adoro-um-amor-inventado/) - Dizem que o gaúcho é um povo muito orgulhoso de si, muito bairrista e que enaltece exacerbadamente seus feitos e tradições. Sou obrigada a concordar. Nos vangloriamos de ter a maior praia do mundo, o pôr do sol mais bonito, “um baita de um Rio”, que na verdade é lago. Cantamos a plenos pulmões o - [Une lumière de la nuit](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/une-lumiere-de-la-nuit/) - Do bas fond com orgulho Preto, pobre e puto Figurinha colorida da Esquina Maldita Se você pensa que vai me seduzir Se você pensa que vai me arrepiar Não temeu a linha dura Debochou do preconceito Enquanto muitos se escondiam, ela foi e se mostrou Pode ser, mas eu sou feito purpurina - [Opacidade](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/opacidade/) - Um farol é composto de luz e de espelhos refletores, que lançam seu facho a longas distâncias. Possui a finalidade de orientação e é utilizado, desde a antiguidade, para sinalizar, aos navios, a proximidade da terra firme. A origem do nome está relacionada à uma ilha, Faros, perto de Alexandria, onde foi construído o Farol - [Avenida do tempo perdido](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/avenida-do-tempo-perdido/) - Transeuntes a passos largos Performam, transitam, exploram são explorados Passadas preenchem espaços Transpassam o tempo Trafegam rasgam a tela Gárgulas anscestrais Cenas urbanas em branco e preto - [Atrás das pedras do castelo](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/atras-das-pedras-do-castelo/) - Ela não era da família real e nem possuía longos cabelos loiros Era morena, tinha 18 anos e um filho quando saiu de Gravataí para morar num castelo Ele tinha 40 anos, era rico, médico, político renomado, casado, três filhos O castelo era de pedras, em estilo medieval e ele o ornou com as mais - [Ponto Divergente](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/ponto-divergente/) - Aquela poderia ser uma esquina como outra qualquer. Um não-lugar, apenas um lugar de passagem, mas não era. Me lembrei da primeira vez que Harry Potter foi para Hogwarts e precisou encontrar a plataforma 9 ¾. Observava as semelhanças daquela esquina com a plataforma, diferentes pessoas surgiam e desapareciam, as janelas e portas dos casarões - [Prisioneira de si](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/prisioneira-de-si/) - Rapunzel, jogue suas tranças! E o carrasco ouviu um sussurro em seu ouvido, antes de cair no chão: cortei e usei para descer – ela disse. Rapunzel saiu correndo, sempre olhando para trás, com receio do carrasco acordar. Cansou. Parou. Se deu conta que não conhecia outro lugar fora da torre, lá cresceu, viveu e - [Chicoteando](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/chicoteando/) - Não conheço a história de Porto Alegre, mas quando olho para a estátua do Laçador, a primeira coisa que penso é em chicoteá-lo, porque a imagem me remete à colonização e destruição dos povos indígenas que lá viveram. Chicoteando a representação, me coloco a pensar se aquele laçador foi um colonizador ou não. Buscas pela - [Por isso não provoque](https://oficinasantasede.com.br/viviane-chaves-intini/por-isso-nao-provoque/) - Que boneca, a cara do papai Tem que furar a orelhinha. Futebol é coisa de homem, você vai dançar balé. Senta com modos, tá aparecendo a calcinha. Não chora, isto acontece com toda menina e só dura três dias. Só vai se um adulto acompanhar. Ainda é muito cedo para namorar. Andou bebendo? Mulher bêbada - [Imaginação](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/imaginacao/) - Nessa rua mora uma princesa. Ela deve ir até aquela torre mirar o horizonte, em busca das velas acenando a chegada do príncipe encantado. Quando não enxerga a tão esperada embarcação, seus olhos ficam marejados e, de seu peito, um longo suspiro ecoa pelos ares. A imaginação de uma criança em frente a um castelo. - [O futuro é hoje que foi ontem](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/o-futuro-e-hoje-que-foi-ontem/) - Flores. Flores de todas as cores. É primavera. Mamãe, vovó e minha irmã resolveram comemorar essa passagem tão bela e de renascimento. Em uma tarde ensolarada, fomos nos encontrar com várias gerações de mulheres para cantar, tocar, dançar – celebrar a vida. A união entre o passado, o presente e o futuro. A de - [Pró-nomes](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/pro-nomes/) - Uau! É o que digo quando me deparo com do grafite de Nega Lu, homossexual negro na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Diante dos seus sete metros de altura, reflito. Essas homenagens são necessárias e impactam toda sociedade, afinal ser negro e homossexual é ser alvo de preconceitos, infelizmente. Fico me perguntando por que - [Fluidez](https://oficinasantasede.com.br/karlene-bianca/fluidez/) - Saúdo as águas, morada de mamãe! Odoyá! Ora Yê iê! Vejo a cidade lá longe, distante, aqui nas águas, sou de mamãe, sou das águas e não da cidade. Velejo devagar até o farol, morada do marinheiro que me limpa, protege e cura junto com as mamães das águas. Logo que chego, ele já - [Um homem guapo](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/um-homem-guapo/) - Esse homem guapo vê galáxias serenatas longínquas de sons e estrelas ele sonha e resguarda porque não se trata somente de receber mas também laçar com simpatia convidar a ficar e criar memórias juntamente ao som da música nosso sabor do mate culinárias singulares sorrisos dos gaúchos se trata também de ver partir se - [A cadeira 32](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/a-cadeira-32/) - Chegar à cadeira que consta no bilhete de qualquer espaço, em geral, é para mim tal qual pescar em um grande rio desconhecido. Meu sinal de localização é falho, por isso pergunto aos recepcionistas qual corredor preciso trilhar. Mas existem cadeiras, com números e também sem numeração, que não são passíveis de compra. Para chegar - [Memória e sonho](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/memoria-e-sonho/) - A memória vence o sonho ao recordar Dos barcos que sucumbiram Das velas que não içaram Das correntes traiçoeiras Dos naufrágios em rios revoltos O sonho vence a memória ao buscar a realização De viajar em barco seguro De tecer a vela perfeita De confiar em todas as rotas De navegar em lagos - [Removendo pedras](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/removendo-pedras/) - Quando tiver curiosidade sobre o que há no interior de um endereço, não hesite. Bata na porta. Estava eu em Colônia de Sacramento aguardando o ferry boat para Buenos Aires e resolvi dar uma caminhada pelos arredores. Já havia esgotado minha dose diária de café e fuxicado em várias lojinhas de artesanato do local. Ainda - [Saí do ar](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/sai-do-ar/) - Tem algumas coisas que eu não quero mais e isso está decidido. Já revirei por todos os lados, olhei de todos os ângulos e me convenci que não servem. Aquelas calcinhas que apertam, para não marcar o vestido, sabe? Nunca mais usarei, meu corpo não pode ser comprimido, esmagado, escondido. É o meu templo, é - [Sobre-vivências](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/sobre-vivencias/) - A vida é um pedacinho de muitos pedaços, e esses muitos pedaços dão forma a minha vida. Sei que mais de um desses meus pedacinhos não sobreviveram as minhas vivências, e prefiro pensar que foi queima de arquivo. Penso assim, se os tive, é porque estavam no script, se já se foram, é porque não - [Cruzamentos](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/cruzamentos/) - Iludindo e aguçando curiosidades, milhões de histórias povoam vidas porto-alegrenses nos últimos dois séculos e, como exemplo, tem esta foto retratando o Forte Apache, que entre suas vielas e cocheiras, torreões e estrebarias, e até falta de saneamento básico, certamente carregam consigo um tanto delas. Enquanto lia a respeito de sua construção, na então Rua - [E não é sobre pedras](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/e-nao-e-sobre-pedras/) - O que lhe faltava? pedra em pedra só pedras ou, mais amores amantes amores próprios assim ele fez chão, paredes acimentadas portas e janelas saídas? não nem para alma nem para amadas arranjos em pedras buquês de espinhos brutalidades mulheres sem vida imposições maldades, umidades falta de luz e oxigênio humilhações sim - [Tum Tum](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/tum-tum/) - Cambalhotas de estrelas dentro de mim, assoprar de vento que afasta o calor. Suar frio ao ser encontrada e cansar de tanto esconder e pedir para parar. Sinto cócegas. Quando ela tocava, o coração dele batia. Meus ouvidos ocupados pelas tuas gargalhadas. Me distraio e espio teus pés batendo no ritmo da melodia. Meus cabelos - [Não me segure](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/nao-me-segure/) - Me chama pelo nome um dia destes E não leve tudo tão a sério Sou porta-bandeira da minha própria voz Esse é o grande mistério Banco a festa e floresço Cuido das crianças e divido o pão Subo na mesa e o copo na mão Lenço voando pelo Escaler Suspeito que posso ser tudo que - [Passará](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/passara/) - É o que passou sem ter que virar a cabeça para ver. Pode abaixar e espiar de mansinho, por entre os ombros, com o braço encostado no peito. Pode ser que se esconda no buraquinho do umbigo que vai ficando mais profundo com o passar dos anos. É sempre um esforço de antever o que - [Leve](https://oficinasantasede.com.br/caroline-anversa/leve/) - Deixa ir Todas as coisas vão Repartir em qualquer condição São teus olhos no verde que acendem a luz É teu corpo nas sombras O que me seduz São os trilhos que alinham O caminho do trem É sossego, silêncio De quem nunca vem Te cultuo, imenso Tão perto de mim Te percebo, sussurro Cantando - [Prenda minha](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/prenda-minha/) - Cá estou, saudando os visitantes e de costas para a cidade que, dizem, me idolatra. Eu que sempre andei a cavalo pelos pagos, há tempos sirvo de farol para pilotos e motoristas. Lacei gado com minhas boleadeiras, salvei terneiro guaxo da fome, tosquiei muito borrego, campeei o rebanho antes dos relâmpagos. Esmaguei muita cruzeira com - [Lonjuras](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/lonjuras/) - Porto Alegre é mais bonita de longe do que ao vivê-la. O ruído emborrachado do asfalto, a fumaça abafada dos carros e os passos atrasados dos que perderam a hora embalam uma aglomeração de vida que sugere, mas não soa. De avião, a longa curva lá sobre os rios proporciona uma perspectiva diferente daquilo que - [A favor do contra](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/a-favor-do-contra/) - Grafite não pode para não sujar, cantar perturba os demais no show, assobiar irrita outros passageiros, conversar com o cobrador distrai o motorista. Não quero sair de máscara, cansei de usar álcool gel, meu pet não precisa de coleira na rua, a calçada é perfeita para estacionar a moto da tele-entrega. Cadeirante tem que ficar - [Castelo de cartas](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/castelo-de-cartas/) - Do meu castelo, enxergo até a periferia. Imagino a vida não planejada e bem vivida, com todas as experiências que nunca tive. São casinhas empilhadas, alicerçadas na especulação imobiliária e sustentadas na solidariedade. Lá tem horta, bicho solto, sombra de figueira e cadeira de palha. Tem gente que passa as horas cuidando dos filhos da - [A Rapunzel de Alto da Bronze](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/a-rapunzel-de-alto-da-bronze/) - Quando eu penso no amor, idealizo um mundo de felicidade que, obviamente, só existe nos meus pensamentos. Eu sei. Mas, por mim, tudo bem. Gosto de ter um ideal a perseguir. Gosto de acreditar que existe o “felizes para sempre”. O que não consigo conceber é a perversão desse sentimento. Pessoas que, em nome de - [O gaúcho e a cidade](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/o-gaucho-e-a-cidade/) - Quem quiser saber quem sou Olha para o céu azul E grita junto comigo Viva o Rio Grande do Sul (Querência amada, Teixeirinha) Chego à cidade e sou recepcionada pela estátua do Laçador. Um monumento de bronze de aproximadamente onze metros de altura, somado o pedestal e sua coxilha. O homem pilchado representando o - [Curiosidade](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/curiosidade/) - Nem sei quando comecei a querer, mas sentia falta de arte feita por mim. Poderia ser pintura, escrita ou desenho, mas pensava na batucada. Escutava aquele barulho ao longe, nos fins de tarde e pensava: É tanto ritmo que cansa. Trabalhando, não podia descobrir sua origem. Buscava o som pela janela do consultório ruidoso. Um - [Negro Luar](https://oficinasantasede.com.br/ananyr-porto-fajardo/negro-luar/) - Algo brilha no escuro, chega entre brados e ritmos, assombroso. Carregado com pompa, solenidade, olhar firme ao longe. A multidão inquieta se pergunta: Quem será? Naquele parque burguês, ninguém imagina um conterrâneo como aquele. Acostumados a comemorações por vitórias e manifestações contra o bem comum, nada permite imaginar algo tão contra hegemônico assim. Muitos se - [Bora Batucar](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/bora-batucar/) - A cidade explode e o corpo sacode ao ouvir o seu tocar. São elas, As Batucas, fazendo a festa. São elas, mulheres, com pandeiros, chocalhos e cuícas, surdos, tambores e tamborins. Na vanguarda, compõem a cena da cidade, trazendo cultura, música e alegria para quem aceita o convite. É a vida ganhando a rua e - [Nuances](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/nuances/) - Travessuras. Uma atitude: escandalizar. Uma dama de voz grave e barba malfeita. Assim era descrita. Frequentadora da Esquina Maldita. Porto Alegre. Profissão: cantora e bailarina. Nega Lu. Mulher de pouca maquiagem, mas que sabe usar os talheres. Uma representante da contracultura urbana porto-alegrense. Travessia. Uma escolha condicionada: sobreviver. Nascida menino, assume a homossexualidade na juventude. - [Entre o céu e o mar](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/entre-o-ceu-e-o-mar/) - Sozinha, iniciei a viagem. No meu veleiro, Gaia, estava disposta a seguir o caminho do vento. É preciso coragem. O percurso é incerto; os desafios, uma certeza. Durante a jornada, contei com amigos. Com alguns, compartilhei breves momentos; com outros, dividi anos de parceria. Mas de nenhum deles esqueci. Todos têm um lugar nas minhas - [Estar no mundo](https://oficinasantasede.com.br/ana-cristina-rodrigues-guimaraes/estar-no-mundo/) - Vejo o mundo sob uma perspectiva diferente: de baixo para cima. Mas não só. A questão não se limita ao ângulo. Passa pela forma de estar no mundo. Não exatamente o onde, mas o como. Claro que o onde interfere em várias percepções, mas o como tem um peso diferenciado. Explico. Onde? Numa rua. Rua - [Aposentado de bem](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/aposentado-de-bem/) - Depois de se aposentar, ele resolveu se entregar a todas as coisas que não tinha experimentado: aulas de canto, curso de trabalhos em vidro, oficina de violão. O que viesse, traçava. Claro, dentro de certos limites: professores com bom currículo, turma selecionada, nada dessas aulas com bolsas para carentes. Depois de uma vida dedicada aos - [Memórias do Centro](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/memorias-do-centro/) - Aquela região do Centro Histórico onde se encontra o Forte Apache sempre me evoca memórias de infância e adolescência. A Biblioteca Pública, o local onde hoje está a Assembleia Legislativa, o Teatro São Pedro e até o edifício do Instituto Cultural. Lembro que, quando passava pelo Forte Apache, meu pai contava que o prédio já - [Princesas prisioneiras](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/princesas-prisioneiras/) - Dona Nilza Linck, conhecida como a prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze, morreu em julho passado, aos 98 anos. Quando foi morar no castelinho, tinha 18. Embora tenha vivido ali por não mais de quatro anos, foi lembrada por oito décadas como lenda urbana da cidade. O político Carlos Eurico Gomes, em quem despertou - [Estátua viva](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/estatua-viva/) - Fiquei minha vida toda ali em cima do pedestal, desde aquele 20 de setembro de 1958. Vendo os aviões chegarem e partirem, os carros correrem pelo asfalto e o mundão de gente que entra na cidade e me avista de longe. E eu ali, paradão, nem um matungo pra me ouvir os causos. Quem me - [Para não morrer](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/para-nao-morrer/) - Ao estudar sobre autobiografias, aprendi a diferenciar o eu-executivo que viveu a história do eu-reflexivo que a narra tempos depois, e reflete sobre ela. Lendo uma matéria sobre Nilza Link, a mulher que viveu como prisioneira por quatro anos no Castelinho do Alto da Bronze em Porto Alegre, o que me toca são essas declarações: - [Orelhano](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/orelhano/) - < p align="left"> No se sabía de donde eraPero cuando le pidieron la identidadRespondió despacito: Me identifico con la paz(Mario Eleú da Silva e Dante Ramon Ledesma) < p align="left"> Houve um tempo em que a estátua do Laçador, próxima ao aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, me parecia deslocada. No entanto, quando passei a - [Música](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/musica/) - Cantar assim, livremente, pelas ruas e recantos de Porto Alegre, que coisa tão boa! As bocas e os olhos transmitindo a alegria de compartilhar as emoções que a música nos oferece; e o público, de perto ou de longe, tendo um momento de alegria inesperada, em meio à agitação da vida da capital. Já cantei - [Nega Lu na Cidade Baixa](https://oficinasantasede.com.br/tete-lopes/nega-lu-na-cidade-baixa/) - O Bonfim dos anos 1980 era o ponto de encontro da rebeldia, do congraçamento das espécies, da transgressão de valores. Passar pela Osvaldo Aranha à noite, na esquina com a Sarmento Leite (Esquina Maldita) ou nas proximidades do Escaler, só nos dava duas opções: acelerar o passo, buscando fugir do bulício, ou diminuir a marcha - [O eco da vida](https://oficinasantasede.com.br/eugenia-camara/o-eco-da-vida/) - “Os olhos são o espelho da alma”, dizem os etéreos poetas. Não me considero uma poetisa, apesar desse dom estar em fase embrionária dentro das minhas entranhas. Mas ouso dizer, que meus dedos transitam com facilidade no teclado das crônicas, mesmo ainda uma aprendiz de feiticeira. E, como boa aluna e sem querer superar os - [Em busca do ritmo perdido](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/em-busca-do-ritmo-perdido/) - Meu marido criou a ficção de que eu tocava bumbo na banda do colégio. Ele faz mímica e ri tanto disso que, embora minha escola não tivesse banda, chego a acreditar. E se levar em conta que adoro um bom ritmo, seu equívoco não é tão grande. Talvez as palavras tenham sido meu brinquedo favorito. - [Sublime](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/sublime/) - Me pegou como o desconhecido, o inusitado, o encanto e mistério da descoberta, e achei que fosse rever antes, navegando, longe, mas não. Quase esquecera e, hoje, que eu nem esperava mais, encontro. Aqui, puro, profundo, sem matizes, luzes a alterar, nada. Só beleza, perfeição, emoção, raridade. Meu filho gosta desde pequeno, sempre falou e, - [O que você sabe sobre as pessoas com deficiência?](https://oficinasantasede.com.br/cris-vazquez/o-que-voce-sabe-sobre-as-pessoas-com-deficiencia/) - Você parou para pensar que, se um dia se tornasse uma pessoa com deficiência física, continuaria sendo você? Pois tem sua mente, alma, essência, dignidade, e um corpo pode ser pouco diante do seu universo. Você já pensou que, se um dia seu filho se tornasse uma pessoa com esse tipo de deficiência, você aprenderia - [Voyeur](https://oficinasantasede.com.br/graciella-tome/voyeur/) - Amo o ato em si específico o ato de reconhecer vento vem, sopra palavras e tons e pensamentos no alto da cidade sombras e luzes cortejam namoram o rio o céu mergulha reflete no rio grande reconhecimento puro de ambas potências vela vem, desliza demarca espaços rio e cidade se deixam - [Sóis decenais](https://oficinasantasede.com.br/iara-tonidandel/sois-decenais/) - Iara Tonidandel ... Inspira espira inspira espira inspira abra os olhos, chora Inspira espira toca vê escuta sorri chora inspira canta Inspira espira toca olha ouve lê escreve sonha sorri chora inspira canta Inspira espira toca olha ouve lê escreve reflete cria sorri chora inspira canta Inspira espira toca ouve olha lê escreve reflete sonha - [Tom Saldanha em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/esperanca/) - Esperança Tom Saldanha É fácil matar um homem: basta convencê-lo de que o o que ele faz não interessa a ninguém. (Dostoiévski) Uma cena quase comum: um velho, um banco de praça e uma bicicleta. Mas o olhar era diferente: de descanso. Não de descansado, que isso ele não era; mas de quem estava tentando. - [Camilla Duncan em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rodavida/) - Rodavida Camilla Duncan Na imensidão daquela praça, elegeu um canto para chamar de seu. Estacionou sua bicicleta surrada e sentou-se em um banco de pedra fria e úmida como seus pensamentos. O velho, cansado de sua pedalada matinal, sentia-se derrotado pelo tempo. Olhou para sua bicicleta e lembrou-se do jovem que havia sido: dono - [Jane Ulbrich em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/prece/) - Prece Jane Maria Ulbrich Sem dúvidas resolveria todos os nossos problemas. As dificuldades em comprar os medicamentos para Elisa, sua cama hospitalar, o colchão piramidal para evitar o avanço das escaras que relutam em desaparecer, o conserto do telhado que pinga sem nenhuma consideração em cada chuva mais intensa. O auxílio para o filho sobrecarregado - [Soraia Schmidt em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/eudorico/) - Eudorico Soraia Schmidt O preto e branco torna tudo mais igual. Têm uma beleza sutil, uma profundidade que nos leva para além da beleza das cores. Luz plena e ausência de luz. Contrastes que dão forma e significado. O velho Eudorico fez uma pausa e sentou-se no parque. Mergulhado em seus pensamentos parece digerir algo - [Ângela Puccinelli em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/conversando-com-meus-pedais/) - Conversando com meus pedais Ângela Puccinelli Como teria sido minha vida se eu tivesse ficado na roça? Se tivesse casado com Mariana, tão linda, tão doce; eu teria sido feliz? Eu sempre quis fazer do meu jeito. Vim pra cidade. Fui pedreiro, serralheiro, ajudante, coveiro. Aposentei. Casei. Procriei. Enviuvei. E não sobrou nada de mim. - [Nara Accorsi em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/cavalo-de-ferro/) - Cavalo de ferro Nara Accorsi Encontrei Bento sentado num banco da praça. Homem rude, voz rouca, rugas profundas forjadas pelo sol. Chapéu de aba larga, típico gaúcho desgarrado que vem para a cidade. Parte dele ainda está no campo: suas raízes e lembranças; e outra, luta para se adaptar ao ritmo da capital. Sigo os - [Jane Ulbrich em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/aquem/) - AQuem Jane Maria Ulbrich Distraída, na parada do ônibus com seu celular, não percebeu quando o carro escuro, de vidros mais ainda, parou. Sequer a aproximação de dois de seus ocupantes. Ao ser agarrada firmemente pelos braços, levantou a cabeça assustada. Mais assustada ainda ficou ao ser colocada no porta-malas do veículo. Retiraram o celular - [Vanessa Penz em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/sobre-o-ontem-o-nunca-e-o-hoje/) - Sobre o ontem, o nunca e o hoje Vanessa Penz E o meu jardim da vida ressecou, morreu Flor de Lis, Djavan Nunca te dei flores Apesar de você elogiar o colorido ao longo de nossa rua. Apesar de você se emocionar com gestos românticos em que elas são as protagonistas. Apesar de você - [Maria Amélia Mano em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/flor-de-goiabeira/) - Flor de goiabeira Maria Amélia Mano Se a gente olha tudo, de um jeito vagaroso, tudo é sagrado. Hilda Hilst Pra que a gente não se perca, te presenteio com semente de goiaba amarela de polpa vermelha, fruta de infância, e o rastro da pólvora onde a faísca percorre rápida e brilhante, antecedendo a explosão - [Ângela Puccinelli em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/para-a-pequena-jurema-que-nao-conheci/) - Para a pequena Jurema, que não conheci Ângela Puccinelli Um santuário escondido, em completo abandono. Flores falsas, de plástico. Merecia bem mais a pequena Jurema. Atropelada na tenra idade, nem sabia nada da vida ainda. Estava indo vender coisas malfeitas de palha, junto com os primos, na beira da estrada. Para eles nem era trabalho, - [Tom Saldanha em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/olhar-treinado/) - Olhar treinado Tom Saldanha Na beira de um caminho estreito, em um pequeno bosque, seus olhos perceberam um quadro com alta dose de surrealismo. Recuou um pouco para enquadrar novamente o que conseguira ver. A imagem já era uma obra pronta e acabada. Bastava-lhe apenas o registro. Flores ainda viçosas, entre galhos retorcidos e objetos - [Soraia Schmidt em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/temporais/) - Temporais Soraia Schmidt O tempo traz o vento O vento traz o galho seco pelo tempo O vento arranca o galho seco, as flores O vento traz o tempo O tempo traz mortos e vivos, silêncios, ausências e vazios Estradas sem caminhos Caminhos sem estradas Estradas sem bermas, não são caminhos nem estradas, apenas passagens - [Nara Accorsi em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/na-porta-do-inferno/) - Na porta do inferno Nara Accorsi Sempre acreditei que entraria por uma porta e lá, encontraria uma luz muito forte que fosse me tirar do sofrimento. Nunca acreditei em milagres; pra mim vida é vida e morte é morte. Não tem lugar para sonhos e muito menos para milagres. Mas agora te vendo debruçado sobre - [Camilla Duncan em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/serafina/) - Serafina Camilla Duncan Com seu caminhar gingado, desponta Serafina, bela e formosa. Sorriso confiante. Moça mais cobiçada da cidade. Só tinha olhos para Jacinto: paixão não correspondida. Serafina logo resolve encomendar um trabalho e recorre à Sebastiana. Mãe de Santo conhecida por solucionar causas impossíveis. Investe seu minguado salário de balconista em banhos de ervas - [Sílvia Duncan em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/crucificada/) - Crucificada Silvia Duncan – 7666 – Lua coberta de nuvens chumbadas. Sinal de mau agouro. Ao longe um cão uiva. Gatas miam no cio como clarinetes desafinados. Ratazanas gordas compartilham espaços nas calçadas com as mariposas da noite. Garrafas vazias, empilhadas no meio fio, embebedam até baratas que dançam sobre sacos de lixos pretos. A - [Jane Ulbrich em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/knockdown/) - Knockdown Jane Ulbrich Vencera. Inúmeros abraços, parabéns, tapas nas costas. Fora uma bela luta. No segundo round estava tudo acabado. Nocaute. Mas porque não se sentia feliz? Estava no limiar entre uma vida difícil, muita pobreza, falta de tudo. Dificuldade para adquirir cada item para uma vida com simplicidade. Mas o gosto amargo pela vitória - [Silvia Duncan em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/betty-e-eu/) - Betty e eu Silvia Duncan Caso, Betty Friedan tivesse visto este deus feito homem, com a bunda perfeita dentro do calção boxeador – juro! – rasparia as axilas e outros lugares cabeludos até com gilete cega. Daria um pontapé no feminismo, subiria no mastro e amarraria nele suas calçolas. Penso nela dizendo empoderada: me beija - [Soraia Schmidt em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ele-e-um-homem/) - Ele é um homem Soraia Schmidt Ser pessoa Nascer subjetivamente Ser alguém Vestir uma máscara Representar um papel Fazer uma escolha Nascer de si mesmo Ser. Seu Justino olhava a cena e assim refletia. O rapaz apostara tudo naquele papel. Ser um lutador. Ser campeão. O que realmente ele queria vencer? Não se sabia. Mas - [Maria Amélia Mano em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/quem-saberia/) - Quem saberia Maria Amélia Mano Ele que só tinha dezessete anos e o osso do nariz fraturado. Recém começava. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Acabou. Fracasso. Deitado em uma poça de sangue, sentiu que a dor da alma era maior que a do corpo e lhe faltava ar nos pulmões: uma fratura no nariz - [Nara Accorsi em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ko/) - KO Nara Accorsi Os holofotes se apagam e, aos poucos, o cenário de espetáculo transformado em abandono. A multidão, em debandada, se dispersara ruidosamente para a saída, deixando cadeiras tombadas, papéis e copos de plástico espalhados pelo chão, pisoteados. O ginásio é só silêncio. No ringue vazio, as banquetas caídas, toalhas largadas sobre as cordas, - [Ângela Puccinelli em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/cicatrizes/) - Cicatrizes Ângela Puccinelli Ele me disse com a maior naturalidade. Foi somando meus problemas, como se tudo na vida fosse dinheiro. Pior que o que ele falou poderia mesmo ser resolvido com dinheiro. Cirurgia de minha mãe = US$ 5,000.00 + quitação da nossa casa = US$ 80,000.00 + viagem de férias para a Disney - [Tom Saldanha em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/prece-2/) - Prece Tom Saldanha Poderia ter sido antes; ou depois. Seria um vestiário ou um quarto de motel? Talvez tivesse ganho; talvez perdido. Quem sabe? A postura era de prece: pedia para ganhar? Agradecia por estar bem? Recém colocara as ataduras para proteger os punhos – suas ferramentas de trabalho - ou ainda não tivera tempo - [Vanessa Penz em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/7251-2/) - 7251 Vanessa Penz Round 1 Sete meses. Poderia dar a impressão de que houve pressa. Engano. O embate é que começou antes. Placenta descolada, cesárea de urgência, UTI Neo-natal. Dois vírgula cinco quilos custaram sessenta dias dentro de uma caixa de acrílico. Sem abraço, sem colo, sem toque, sem infecções. Round 2 Segundo lugar! - [Camilla Duncan em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/doce-amargo/) - Doce amargo Camilla Duncan A derrota era a sua maior adversária. Por mais que lutasse contra ela, jamais ganhava. Após perder a luta, vezes consecutivas, com rosto machucado e corpo suado, Átila saiu do Clube da Luta sob as vaias da plateia. Dirigiu-se ao bar mais próximo, sentou-se no balcão e pediu uma dose de - [Ângela Puccinelli em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/nao-somos-feitos-de-argila/) - Não somos feitos de argila Ângela Puccinelli De que somos feitos, afinal? Todos querem moldar uns aos outros, como se fossemos vasos de argila, que após serem arrancados das rochas, tem um longo caminho onde vão sendo trabalhados, moldados até ficarem certinhos, secos em fogo ardente e assim transformados em lindas ou toscas peças de - [Tom Saldanha em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/a-telha-que-falta/) - A telha que falta Tom Saldanha Do barro veio o homem. É assim que o Gênesis define nosso surgimento. Em seguida, com um sopro nas narinas, Deus deu-lhe a vida. E consta ter Ele feito o que fez à sua imagem e semelhança. Será, mesmo? Bem que o Criador poderia ter escolhido um material melhorzinho: - [Vanessa Penz em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/na-roda-de-oleiro/) - Na roda de oleiro Vanessa Penz Volto ao pó, choro de saudade, corro para te encontrar, o tsunami me pega e me joga, medo, acendo o cigarro, ainda quente, a ventania assopra e traz a enxurrada de galhos sós, ouço a batida do meu coração, acelera, derrete o barro, a pobreza, continua, persiste, minha alma - [Nara Accorsi em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/instante/) - Instante Nara Accorsi O antigo galpão de portas abertas era um convite para entrar. Vinda do sol, não conseguia distinguir as formas perdidas na escuridão lá de dentro. Aos poucos, fui me aproximando e as coisas tomando seus contornos. Num canto, de costas, vi um homem. Camisa de algodão grosseiro, mangas arregaçadas, debruçado sobre algo - [Jane Ulbrich em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/na-roda-do-oleiro/) - Na roda do oleiro Jane Maria Ulbrich Alfredo trabalhara até tarde. Tomara rápido banho na gelada água do cano da ponta do galpão. Entrou e atirou-se no tosco sofá da cozinha. Matilde dormia. Três horas após, levantou, pegou o farnel deixado sobre a mesa e saiu. O ônibus não tardou a chegar. Acomodou-se e dormiu - [Maria Amélia Mano em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/agora-chegou-a-vez-vou-cantar/) - Agora chegou a vez vou cantar Maria Amélia Mano Dona Alba, faxineira, limpa e arruma as mesas do galpão. Seu Reginaldo, vigilante, ouve no radinho tributo a Benito de Paula e a admira, apaixonado, mas respeitador. Dona Alba finge que não nota, mas gosta dos olhares. Usa saia longa e blusa de manga sem decote, - [Ângela Puccinelli em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/hai-fast-kai-food/) - Hai-Fast, Kai-Food Ângela Puccinelli Carne Vegetariano? Não sou não. Por que pensou? Quero é um costelão. Tá vendo? Esta é a vagabunda Que tá rondando o bofe, mas comigo não se cria Se bobear, acaba em morte Au, au Sei que ele é um cachorro, brutão Mas fazer o quê, se morro de - [Silvia Duncan em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/sirene/) - Sirene Silvia Duncan A sirene da fábrica soou estridente, anunciando a hora do almoço. Operários vestidos de macacões brancos, onde manchas de graxa pareciam se grudar as outras, dirigiam-se ao refeitório. Parecia uma procissão de formigas em busca de alimento. Ao entrarem, um cheiro de fritura e ranço lhes dava boas-vindas. Acotovelavam-se nas mesas - [Jane Ulbrich em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/movimentos/) - Movimentos Jane Maria Ulbrich Após noite de pavor, descemos. Após destruição por chamas, descemos. Em meio a panelas e utensílios restantes, embalamos nossa desesperança. Tal qual abençoados parceiros, acomodaram-nos onde possível, se por divina mão – ou não – aqui regeneramos, agregando até desconhecido público. Solidariedade, têm nos permitido festejar. Bandeiras multicoloridas, conversas descontraídas, fato - [Nara Accorsi em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/fome/) - Fome Nara Accorsi A fome alimenta o mundo. Não apenas a fome da barriga vazia, da sopa rala; aquela que remexe latas de lixo. A fome de carinho do filho e compaixão com o idoso. Solidão. Vazio de um mundo esfomeado; mundo que come tudo e de tudo. Constantemente faminto, não tem critério sobre o - [Tom Saldanha em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/mercado-publico/) - Mercado Público Tom Saldanha O incêndio do Mercado Público de Porto Alegre, em julho de 2013, fez com que fosse interditado, o piso superior deste marco da geografia da capital gaúcha. Assim, os bares e restaurantes lá instalados foram provisoriamente alocados numa área do térreo, até então destinada a outros usos. Como é bastante comum, - [Tom Saldanha em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/a-vida-nos-ombros/) - A vida nos ombros Tom Saldanha Carrego a vida nos ombros. Ou será que é ela que me leva entre as pernas? Sigo em frente, atento pra não tropeçar; trôpego por não descansar. Não é o fôlego que falta: é a alma que me sobra! Busco no que está pela frente o que, sem saber, - [Maria Amélia Mano em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/trinta-e-um-e-meio/) - Trinta e um e meio Maria Amélia Mano Sábado ensolarado, ele acorda tarde e ainda sonolento, ouve Raul. Coloca todas as roupas sujas na máquina e liga em ciclo de hora e meia. Mas seu tempo não chegará a tanto. Toma banho e sai de casa rumo a padaria. Jogo rápido, pensa, e decide que - [Ângela Puccinelli em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/pesar/) - Pesar Ângela Puccinelli Ele me carregava, não só nos ombros, mas na vida. Meu exemplo, meu herói. Era como se fosse um gigante bondoso, que fazia caretas, era engraçado, carinhoso. Quando mamãe não estava por perto, me deixava comer porcarias. Quando ela aparecia, ele fazia cara de menino arrependido, dizia que era só daquela vez. - [Jane Ulbrich em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/garupa/) - Garupa Jane Maria Ulbrich Cheguei cedo, acomodei meu menino com os brinquedos no carrinho e comecei a arrumar a carrocinha para iniciar a venda de cachorros quentes. Em breve Francisco viria pegá-lo para levar à creche. Mal deu tempo de fazer o preparo dos alimentos, começaram a chegar os fregueses. Por sorte meu menino estava - [Nara Accorsi em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/nos-ombros-de-meu-pai/) - Nos ombros de meu pai Nara Accorsi Muito pequena ainda, meu pai tinha o costume de me carregar em seus ombros, ou como diria, na cacunda. Com braços fortes, um impulso, e lá estava eu, acima dos demais, de onde via o mundo bem diferente. Enquanto que, sob o comando de minhas próprias pernas, me - [Soraia Schmidt em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/um-lugar-para-estar/) - Um lugar para estar Soraia Schmidt Olhos doces Bochechas macias Cabelo cacheado de anjo. Soltos. Livres. Ambos, adulto e criança. Quem ja teve um colo de ombro assim, sabe. Sabe da alegria e satisfação. Da felicidade simples, inteira. Da segurança, da sustentação, da confiança. Da liberdade. Sabe do amor, da amizade. Dar sem esperar nada - [Vanessa Penz em foto de Mau Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/entre-linhas/) - Entre linhas Vanessa Penz Meu filho, Somente agora ao te perceber alegre, curioso e arteiro lembro que no instante em que te quis, fiz uma oração. Acredito que tenha sido de um jeito menos convencional, suponho eu, do que a maioria dos pais. Não enumerei desejos de feitos maravilhosos que os filhos podem fazer. Tais - [Maria Amélia Mano em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/o-fabuloso-destino-de-dustin/) - O fabuloso destino de Dustin Maria Amélia Mano Depois de ser demitida da biblioteca e de perder o amor da vida, Wanda se trancou em si e em casa. Habilidosa na restauração de livros, vivia de pequenas encomendas. Na mesa de trabalho, os livros antigos, os materiais de restauro e o aquário onde Dustin, o - [Vanessa Penz em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/lua-cheia-de-amor/) - Lua cheia de amor? Vanessa Penz “A noite vai ter lua cheia, tudo pode acontecer. A noite vai ter lua cheia, quem eu amo vem me ver” Sexy Yemanja - Pepeu Gomes O Maranhão tem a maior variação de marés do Brasil e a terceira maior do mundo. Para se ter uma ideia, em apenas - [Ângela Puccinelli em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/caranguejo-peixe-e/) - Caranguejo peixe é! Ângela Puccinelli Caminhando descalço, limo debaixo dos pés Lá ia eu, menino, com sacolinha ou baldinho Pescar o jantar Minha mãe dizia- cuidado pra não escorregar E vovó – cuidado com os bicho Lá ia eu, menino, faceiro, cantando Caranguejo não é peixe Caranguejo peixe é Caranguejo só é peixe Na enchente - [Camilla Duncan em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/chegadas-e-partida/) - Chegadas e partida Camilla Duncan Jovem, sedento de vida, Juvenal apreciava pisar na areia quente da praia. E assim o fazia, todas as tardes de novembro, com permissão de sua mãe. Brevemente, removia os chinelos, a fim de aproveitar todas as sensações do percurso. Sua mãe, dona Hermínia, há muito já pensava na proximidade do - [Silvia Duncan em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/navegar/) - Navegar Silvia Duncan Ao amanhecer, o banco frente à praia, me convida a sentar. Pego a companheira de sempre – a bengala de ébano – e o chapéu de palha que ciumento quer ir. A passos miúdos, atravesso o chão de terra batida, fecho a porta da casa e digo, já volto. Acomodo o corpo - [Tom Saldanha em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/imensidao/) - Imensidão Tom Saldanha Ah, imensidão! Quanta água já inundou tuas areias; quanto sol te secou para arrancar de ti o sal? Quantas pegadas foram destruídas para manter-te virgem? Estradas esconderam-se nas tuas marés para evitar que te molestassem. Esforço vão. Bem-vindo quem tira o sustento das tuas entranhas; seus pés marmorizados não te agridem, pois - [Jane Ulbrich em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/remorso/) - Remorso Jane Maria Ulbrich Paciência Juvenal! Tanto tempo havia trabalhado para comprar seu material para aulas de mergulho. Em uma manhã, depois da aula que o professor lhe dava generosamente e quando possível, ficara distraído a divertir-se, não percebendo o tempo passar. Quando se deu conta da hora, já não havia tempo de ir e - [Soraia Schmidt em foto de Gabriel Munhoz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/azul/) - Azul Soraia Schmidt Não sei se é mero acaso. O azul está no ar, no mar, no céu. Dá paz. Combina com silêncio. Descansa; olhos, corpo e alma. Dá vontade de voar. No agito do dia a dia, engolfados por pressas e preocupações, consumidos por consumismos, embotamos nossos sentidos. Eles ficam presos. Sequestrados. Eu acho - [Maria Amélia Mano em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/las-hay/) - Las Hay Maria Amélia Mano A mulher na janela vê as meninas em ciranda na rua. Lágrima corre na ruga do rosto. Lembra que nasceu quando constelações se entrelaçavam e um meteorito ameaçava cair nas terras vizinhas. Não veio o fogo, mas veio a claridade em choro tão melodioso que mais parecia canção. Com minutos - [Ângela Puccinelli em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ela-eu-≠-nos/) - Ela + Eu ≠ Nós Ângela Puccinelli Ah! Tereza, Tereza Esta mulher me alucina Ela me atiça, me conquista Depois foge, arisca Com este olhar de animal Ele me enlaça, me abraça Que braços, que costas largas Mas suas mãos ásperas me fazem cócegas Será que ela se assusta Com meu apetite voraz? - [Soraia Schmidt em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tereza/) - Tereza Soraia Schmidt Garota padrão ouro. Do colégio, do bairro, da cidade e, para mim, do mundo. Desde a tenra puberdade a promessa aflorava com vigor. A menina alta e magra foi estrogenizando. Gordurinhas macias foram preenchendo a magreza, distribuindo-se e aveludando contornos e curvas cada vez mais acentuadas. Formas arredondadas, equilibradas nas alturas de - [Vanessa Penz em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/de-bardot-a-monalisa/) - De Bardot a Monalisa Vanessa Penz O relógio marca treze horas. Abro a porta do quarto e o perfume de almíscar invade minhas narinas denunciando sua presença. Fecho a porta e ali está ela. Suelen me recebe com seu sorriso maroto, lembrando Bardot de tempos áureos. Largo a chave no bidê marrom-café. Lentamente me aproximo - [Nara Accorsi em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/para-sempre/) - Para sempre Nara Accorsi Começamos num pub falando banalidades. À medida que a noite crescia, o assunto rareava e pausas constrangedoras aconteciam. O fio da meada se desprendia, escapando pelas mãos. Até que, esgotados os artifícios, o silêncio se impôs. Ele tomou minha mão, e de olhos baixos e voz entrecortada, falou tudo o que - [Jane Maria Ulbrich em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/quando-um-nao-quer/) - Quando um não quer... Roteiro escrito por Jane Maria Ulbrich CENA 1- INT . QUARTO DE MOTEL - NOITE O quarto está na penumbra, janela aberta, iluminado apenas pela luz da lua. Há várias roupas atiradas pelo chão. O homem e a mulher cinquentões, ele nu, ela apenas com calcinha branca. Ambos recostados, um - [Ângela Puccinelli em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/e-outro-gato/) - É outro gato Ângela Puccinelli Miau! Miau! Plaft! Este bichano dos infernos não para de incomodar. Aff, disse o marido ao sair de casa, comentando sobre um gato qualquer da vizinhança. Ao retornar do trabalho, antes da hora costumeira, encontra a porta do apartamento trancada por dentro. Din-don. Ouve barulhos. Preocupado, grita pela esposa, que - [Nara Accorsi em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/guardiao/) - Guardião Nara Accorsi Gustavo passa correndo pela sala. A mala que carrega nas mãos bate contra a parede. Num ímpeto, abre a porta fechando-a num estrondo. Anelise vem atrás, de camisola, pés descalços, descendo as escadas aos gritos. Chega até a saída e com as mãos em punhos, desaba, ouvindo os passos do marido atravessar - [Soraia Schmidt em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/o-gato-negro/) - O gato negro Soraia Schmidt A casa era velha, de madeira e mal conservada. Algumas persianas quebradas, outras quase por cair, paredes sem pintura e, surpreendentemente, os vidros intactos. Portas, escadas e tábuas rangiam; a casa inteira estalava como se fosse viva. Ficava no final da rua sem saída, que dava no brejo, onde sapos - [Tom Saldanha em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/alem-mar/) - Além-mar Tom Saldanha Que mistérios guardam os gatos? Um recente trailer de novela estampa em várias tomadas um felino preto, que recebe das lentes um tratamento que evidencia o caráter enigmático do que virá. Quando jovem, convivi com um que minha mãe adorava. Batizado de Larucho pelo meu padrasto português, este era o mesmo nome - [Vanessa Penz em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/eu-nao-gosto-de-gato/) - Eu não gosto de gato Vanessa Penz Difícil escrever. Não é um assunto que me interessa. Não falo sobre. Prefiro não opinar. Acho gato espaçoso, indiferente, interesseiro. Quase mau caráter. Não gosto. Poderia falar sobre superstições. Muitas delas envolvem gatos. Seria uma boa maneira de falar, sem falar. No mesmo viés, quem sabe abordar o - [Jane Maria Ulbrich em foto de Lia Zanini](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jane-maria-ulbrich-em-foto-de-lia-zanini/) - Ciranda Jane Maria Ulbrich Alcebíades, o gato preto de Thor, era franzino, de ossos salientes, andar desengonçado. Seu pelo falhado permitia ver grandes áreas do couro descamando, o que o deixava com uma aparência mais frágil ainda, para desgosto de Thor. Thor, o gato de Alcebíades, impressionava a todos por seu tamanho. Redondo, bonito, pelo - [Jane Ulbrich em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jane-ulbrich-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - A sucessora Jane Maria Ulbrich Duas. Criadas como dois preciosos palácios similares, espelhados em águas tranquilas, fruto da última gestação da rainha — a única que vingara. Vidas planejadas a propiciar primorosa educação e cultura. A mais rebelde em tudo era atendida após a mais velha, nascida dez minutos antes, princesa sucessora do reino. Já - [Vanessa Penz em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/vanessa-penz-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Espelhou Vanessa Penz Cúpula com cobertura em bronze, em 65 metros de altura do nível da praça. Arquitetura mundial; Tombada pela cidade como patrimônio histórico; Erguida desde 1921; Dom João Becker iniciou o estudo para a substituição da velha Matriz; Roma, a origem do arquiteto que a projetou; Altar-mor possui uma bela estátua barroca da - [Ângela Puccinelli em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/angela-puccinelli-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Reflexos Ângela Puccinelli Há tempos estou me procurando, mas não me encontro. Não me vejo nem nos reflexos: nos espelhos, nas águas, nem nas panelas brilhantemente polidas. O que vejo é uma imagem distorcida. De quem será? Não sou eu. Difícil entender meu pensamento. Sem correntes a me prender, por que fico aqui? Há tanta - [Tom Saldanha em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tom-saldanha-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Praça da Matriz Tom Saldanha O Centro Histórico é, para mim, o bairro mais representativo de Porto Alegre. Meu coração elegeu-o cartão postal da capital ainda criança, quando ali morei e estudei por dúzia de anos. Não era pouco para quem quase não tinha história: com poucas lembranças anteriores, parecia que sempre vivera ali. Privilégios - [Nara Accorsi em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/nara-accorsi-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Hora do Angelus Nara Accorsi São seis horas da tarde. O sino da igreja Santo Antônio é ouvido de muito longe. Desde o Cerro Alto, no Morro do Tucano, até os campos e lavouras que se espalham pela planície. Colonos largam da enxada, batem as mãos livrando-se da terra, limpam no vestido ou na perna - [Soraia Schmidt em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/soraia-schmidt-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Templos e Estética Soraia Schmidt Desde sempre templos são construídos pelo homem. Alguns simples e aconchegantes, outros com pompa e ostentação. Beleza, estética e luxo não são sinônimos nem interdependentes. Templos servem, na essência, a coisas da alma. É um dilema para o ser humano entender a vida, a morte, o sofrimento, a impotência, a - [Vanessa Penz em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/vanessa-penz-em-foto-de-tom-saldanha/) - Caixinha azul Vanessa Penz Então olho pra foto 11. O homem ali, de peito nu, com o braço direito em riste, enquanto uma mulher esbraveja. Ponto. Depois de quase uma hora entre idas e vindas, pensamentos desconexos, fixação na imagem, não surge nada. Apenas uma descrição óbvia. Ainda estou lá. Meus pensamentos e lembranças me - [Nara Accorsi em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/nara-accorsi-em-foto-de-tom-saldanha/) - Hoje tem espetáculo! Nara Accorsi Das inúmeras profissões que um dia pensei seguir, entre manicure, professora e aeromoça, está a de trapezista. Voar nas cordas sob os holofotes, em malhas bordadas com lantejoulas multicolores; arrancar suspiros e a atenção da plateia voltada para o alto nas acrobacias do trapézio, foi um dos meus sonhos. Pisar - [Ângela Puccinelli em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/angela-puccinelli-em-foto-de-tom-saldanha/) - Muitas Vidas Ângela Puccinelli Hoje um médico, ontem um guerreiro medieval, amanhã um louco. Esta é a beleza de ser ator. Representar muitas vidas. O papel que mais gostei? Quando criança, interpretei um urso. Não gostei. Não me sentia urso. Na adolescência foram muitos personagens, gostei da maioria. Já adulto, têm sido tantos... Papel de - [Soraia Schmidt em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/soraia-schmidt-em-foto-de-tom-saldanha/) - Comutação Soraia Schmidt O artista ergue o braço rumo ao céu. Era o que sempre sonhara. Ser reconhecido em seu esforço. Transmitir sua emoção, sua mensagem. Ser lido. Através dos movimentos, seu corpo falava. Dançara como nunca. A alma, liberta em cada um daqueles tantos músculos, suores, cabelos, olhares e palpitações. Coração e palmas retumbavam - [Jane Ulbrich em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jane-ulbrich-em-foto-de-tom-saldanha/) - Conquista Jane Maria Ulbrich Ouvir seu nome como vencedor o comoveu e o envolveu numa sensação de júbilo. Que orgulho. Emoção maravilhosa. Tal qual jogador de futebol, sentiu a necessidade de retirar a camisa e atirá-la à plateia. Não resistiu. Comemorava o prêmio recebido. Sentiu-se recompensado pela dedicação, empenho, horas consumidas a estudar, ler, reler, - [Tom Saldanha em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tom-saldanha-em-foto-de-tom-saldanha/) - Ora et labora! Tom Saldanha Na entrada do templo havia uma mesa e nela uma taça de vinho ao lado de uma bíblia. O pequeno cenário era complementado por uma urna de acrílico transparente e a plaquinha onde se lia: “Deixe seu nome e oraremos por você”. Se não estivesse com pressa, aceitaria a sugestão, - [Maria Amélia Mano em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-gilberto-perin/) - Devolva-se Maria Amélia Mano Espera de ônibus, lembro meu pai levando família ao aeroporto pra ver os aviões subirem e descerem, coisa terna de caipiras que se impressionam com tecnologias e sei, ainda sou caipira, caipira pontual e a hora me assusta e o calendário me dá medo, ano passou e passou com resgate de - [Tom Saldanha em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tom-saldanha-em-foto-de-gilberto-perin/) - Com Deus nas costas Tom Saldanha Quando encomendou a tatuagem, não imaginava as consequências. A frase – Deus, só ele sabe minha hora – era um alerta: não venha tentar determinar o que nem eu sei! O local escolhido, a parte mais alta das costas, como que bradava que era inútil tentar surpreendê-lo por este - [Lídia Macedo em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/lidia-macedo-em-foto-de-gilberto-perin/) - Resgate por Mar Lídia S. Rocha de Macedo Naquela manhã, o ruído dos pratos e panelas parecia mais intenso. Quando Ana entrou na cozinha, pôde perceber que Yara estava chorando. Ela voltou-se para Ana e iniciou um desabafo. Contou sobre um tiroteio perto de sua casa durante o final de semana. O melhor amigo de - [Nara Accorsi em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/nara-accorsi-em-foto-de-gilberto-perin/) - Oh! My God! Nara Accorsi Depois de um longo e rançoso inverno, Leila passou o primeiro domingo de verão na piscina do clube. tomando o merecido banho de sol. Com tudo o que ela achava que tinha direito: cadeira reclinável, colchonete macio, travesseirinho para a cervical. Perfeito. Passou protetor solar em todo corpo, detendo-se no - [Soraia Schmidt em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/soraia-schmidt-em-foto-de-gilberto-perin/) - Deus e o corpo Soraia Schmidt Diz a a bíblia que Deus fez o homem à sua imagem. Imagino eu, que sendo ele perfeito, se retrate pelos belos. Então, me deparo com este. Corpo moreno, porte atlético, ombros largos. Omoplatas torneadas, pescoço firme e bem desenhado. Cabelos pretos, caprichosamente aparados na nuca. Músculos esculpiram a - [Jane Ulbrich em foto de Gilberto Perin](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jane-ulbrich-em-foto-de-gilberto-perin/) - Tendu, jeté, rond de jambe Jane Maria Ulbrich Aguardava há muito por uma oportunidade como ator. Tantos testes. Horas de espera em filas de entrevistas. Esperança, crença na aprovação, teste, desalento. Sempre a mesma sequência. Ficou nas nuvens quando finalmente o aceitaram. Assinado o contrato para a temporada, com cláusula de liberação se o papel não - [Vanessa Penz em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/vanessa-penz-em-foto-de-tom-saldanha-2/) - Tristonha Mente Vanessa Penz Sempre que vejo um palhaço percebo a tristeza. Como se o sentimento se tornasse físico. Dor. Talvez seja pela famosa e tradicional pintura do rosto. Aquela lágrima desenhada abaixo de um dos olhos, característica dos palhaços de outrora. Se bem que o Patati e o Patatá parecem bem alegres. Até demais - [Tom Saldanha em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tom-saldanha-em-foto-de-tom-saldanha-2/) - Sapatos velhos Tom Saldanha Nas pegadas das minhas botas trago as ruas de Porto Alegre (Pegadas – Bebeto Alves) Sempre reluto em desfazer-me de um par de calçados. É recorrente o apelo ao conforto de um artefato com o qual me acostumei e já moldou-se ao formato irregular do pé-chato que, na infância, obrigou-me ao - [Lídia Macedo em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/lidia-macedo-em-foto-de-tom-saldanha/) - Medo de Ser (in)Feliz Lídia S. Rocha de Macedo Diferente das outras crianças, José não gostava de circo. Criava todo o tipo de empecilhos quando a mãe queria levar ele e os irmãos para ver o espetáculo. Era acometido por súbitas dores de barriga, fingia desmaios ou começava a se coçar, até que surgia alguma - [Soraia Schmidt em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/soraia-schmidt-em-foto-de-tom-saldanha-2/) - The End Soraia Schmidt Belinha aplaudia de pé e com os pés. Aos pulos, suas botas ecoavam no chão forrado de improviso com tábuas para proteger do barro formado pela chuva que viera, furos adentro, na velha lona do circo. Saltava com mãos para o alto e gritava: - BRAVO! UHU! VIVA ! Ela era - [Maria Amélia Mano em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-tom-saldanha/) - Par Maria Amélia Mano Mais que duas bolinhas coloridas nas mãos do palhaço malabarista e nossos medos de criança de que tudo caia, vaia, saia de nós, saia de cós. Bailarinas dançam em outro picadeiro essa dança, essa dança. Nossa dança. Mais que duas jabuticabas maduras no pé em algum quintal de brincar e encurtar - [Maria Amélia Mano em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-tom-saldanha-2/) - Pequeno poema de trazer de volta Maria Amélia Mano Trago seu amor de volta em sete dias. Leio e desconfio. Assim não é real. Resolvo saciar fome que começa a ser incômodo. Passarinho marrom, simplinho, se atravessou na mesa da praça de alimentação barulhenta, enquanto eu comia e sonhava, buscava palavras para uma escrita, uma - [Jane Ulbrich em foto de Tom Saldanha](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jane-ulbrich-em-foto-de-tom-saldanha-2/) - Argumento falho Jane Maria Ulbrich Sentado no banco da praça sem conseguir acreditar no que estava vendo: seus sapatos. Seus lindos sapatos trocados por este horroroso, além de rasgados. E o que isto acarretaria? Bem, para o respeitável público talvez não muito. A maior parte dele nunca o viu e nem saberia se houve alguma - [Maria Amélia Mano em foto de Anelise Barra Ferreira](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-anelise-barra-ferreira/) - Media Luna Maria Amélia Mano Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. Eduardo Galeano Cheguei de tarde, sol de quase-verão e esse amor inconfessável pelo ofício solitário de conspirar e me esconder. Caminhei e escutei meus passos no silêncio das ruas antigas e, no segundo dia, nublou. - [Maria Amélia Mano em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Antes que decidam o carnaval Maria Amélia Mano Clara, eu sei, prefere gaita de Bob Dylan a trombetas no apocalipse, mas profecia errou, meteoro não haverá, mundo seguirá, precisamos agir, todos parecem graúdos, mas são miúdos, doídos e moídos em moinhos e não será teu bambolê, tuas fitas e malabares no sinal fechado que irão - [Rita Rheingantz em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Urbanidades Rita Rheingantz Daqui de baixo um cinza amarelado, um amarelo acinzentado, em formato circular fecha o quadrante. Fim da manhã, meio da tarde, não importa. Verão, outono ou primavera entristecida. O som do rush polui o silêncio. O calor venta, o vento arde. Círculos, cubículos e retângulos em arestas circulares de um dia inflamável. - [Dio Santanna em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Circo vazio Dio Santanna Um picadeiro de um circo vazio e real a lona de pedra esticada na retina pincela meus "ais" a vida um funil o céu as distâncias o tudo e o nada loucura é a lucidez que se esconde que some se espreme se esvai um picadeiro um circo vazios - [Iara Tonidantel em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Quem mora ao lado Iara Tonidantel – Iara, te achei na rede. Aqui é Izabel, lembra? Tua vizinha na infância. Nasci em um bairro horizontal. Não havia prédios verticais. Somente casas, com jardins, pátios com pássaros voando, pomares, hortas e, claro, um belo balanço, feito de forma artesanal, com um pedaço de madeira e - [Silvia Duncan em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/silvia-duncan-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Campos de Cimento Silvia Duncan Dos delicados desenhos do arquiteto criam-se abissais blocos de concreto. A desafiarem os céus com torres pontiagudas, corpo de ferro e a dureza das pilastras. Colados um no outro. Xifópagos. O Sol espia entre frestas. Os homens ficam pequenos no chão carregado de cansaço. Flores agonizam no asfalto. Pássaros - [Ananyr Fajardo em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-fajardo-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Soterópolis Ananyr Porto Fajardo Salvattore era genovês e seu horizonte era marcado pelos Alpes Marítimos às suas costas e pelo Mediterrâneo à sua frente. Seus pais eram profissionais de saúde e se conheceram na marinha. Estudou Ciências Sociais, era mestre em Cultura Latino-Americana e doutorando em Economia, concentrando-se na migração de haitianos para a América - [Aline Silveira em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/aline-silveira-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Razão x Sensibilidade Aline Silveira Ainda me surpreendo com as diversas maneiras como as pessoas encaram determinadas situações. Como enxergam ou sentem coisas que eu enxergo e sinto, de forma tão diferente. A atenção que dão, ou simplesmente como ignoram alguns fatos. Embora já tenha percebido isso há muito tempo. Claro, hoje mais do que - [Aline Silveira em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/aline-silveira-em-foto-de-andrea-steiner/) - Feliz nunca é demais Aline Silveira Era véspera de um feriado regional no estado do Rio Grande do Sul, lugar onde Maria mora. Entre os preparativos para festejar essa data tão esperada pelos gaúchos, outras atividades estavam por acontecer naquela noite. Noite que ela havia decidido não sair de casa, mesmo sabendo que todos os - [Iara Tonidantel em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-andrea-steiner/) - A cama esquenta Iara Tonidantel Há muito se encontraram. Se conheceram por aí, em uma noite estrelada, nas ruas da busca pela vida plena. Olhos se cruzaram, sorrisos entrelaçaram suas almas, conversas à toa se aprofundaram. Sentiram o cheiro de suas nucas e o poder da atração nos dedos enredados nos cabelos. Marcaram de se - [Rita Rheingantz em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ritarheingantz-em-foto-de-andrea-steiner/) - Amargo Rita Rheingantz Greta, única neta dos donos da casa em Gramado. Se formando em Agronomia na UFRGS (primeiro lugar no vestibular), de uma família tradicional de Uruguaiana. Lindíssima, inteligente, manipuladora e mimada. Afirma já ter agarrado Borghettinho depois de um show. Ainda defende o presidente eleito por ela. Francesca trancou a faculdade de Turismo para - [Dio Santanna em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-andrea-steiner/) - Ângulo Dio Santanna Quem sabe menos incompletude. Menos noite. Menos vastidão. Quem sabe assim, essa varanda não parecesse tão íntima. E num átimo de tempo, tão estranhamente minha. Quem sabe é a dor. Ou eu ou você. O triângulo. Ou os dois. Ou melhor, os três. Quem sabe era para ser. Não era - [Tetê Lopes em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Seres da cidade Tetê Lopes Da janela do ônibus, que passa pela Ipiranga cruzando a João Pessoa, no inesperado sol que se arrisca na manhã fria da cidade, vejo carros da polícia estacionados na calçada e, dentro, algemados, adormecidos, atirados, os detentos para os quais faltam vagas na prisão e que permanecem sob vigilância - [Renata Cardoso Vieira em foto de Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-alexandre-eckert/) - Devaneios Renata Cardoso Vieira Ana andava pela cidade sem rumo. Pensava no que tinha acontecido e não conseguia organizar suas ideias. Como podia um dia começar tão bem e desmoronar tão rapidamente e sem nenhum aviso prévio? Ao acordar tinha o trabalho dos seus sonhos, um amor com quem sonhar e planos para a viagem - [Renata Cardoso Vieira em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-andrea-steiner/) - Nostalgia Renata Cardoso Vieira O cair da noite anuncia o fim da lida de mais um dia no campo Já é possível sentir o cheiro da fogueira O ar gelado da noite O gosto do amargo na boca Anseio por esticar as pernas no galpão Secar as botas molhadas Sentir o aconchego do pelego - [Iara Tonidantel em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - O canto da sereia Iara Tonidantel Tristão e Eros. Companheiros de uma mesma história. A vida, dita normal, não conseguiu seduzi-los. Trabalharam, constituíram várias famílias, amigos. A cada dia riscado no calendário, sentiam-se mais sufocados, solitários. Cotidianos. Buscaram em alguns vícios a manutenção do impossível. Desencantos. O menino que os habitava e o som do - [Rita Rheingantz em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Torna-te quem tu és Rita Rheingantz Benito é catador de material reciclável. Com mais seis irmãos, todos nasceram no Jardim Gramacho a 30km de Ipanema, no Rio de Janeiro. O bairro se sustentou por três décadas como o maior lixão da América Latina, sendo o lixo a principal fonte de renda. Soterrado no meio da sujeira - [Aline Silveira em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/aline-silveira-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Fidelidade Aline Silveira Vivemos tempos instantâneos. Desde relacionamentos, até as fotos que serviam para eternizar momentos. Os casamentos que costumavam durar uma vida inteira estão se desfazendo durante a viagem de lua de mel. As fotos, atualmente, são tiradas dos nossos celulares e postadas nas redes sociais em poucos segundos. Na próxima semana ninguém mais - [Ananyr Porto Fajardo em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-porto-fajardo-em-foto-de-andrea-steiner/) - O que os olhos não veem, o coração sente Ananyr Porto Fajardo Inverno, noite escura, as cores ficaram para depois. O silêncio pesava entre as frestas; nada se via, mas a vida estava lá. A saudade enchia a casa de causos, odores e sabores de outrora. Recordava os tempos em que a lareira iluminava os - [Ananyr Porto Fajardo em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-porto-fajardo-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Noel Ananyr Porto Fajardo Louco de sede, busca uma lata qualquer, cheia ou vazia, redonda ou amassada. Manco e cegueta, perdeu dois dedos ao pular um arame farpado e o olho direito em uma briga contra um maioral do bairro. A barriga lisa, quase osso, ronca a cada hora sem pressa, apenas está lá, e - [Tetê Lopes em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-andrea-steiner/) - Varanda encantada Tetê Lopes Nos tempos de minha infância, fazíamos com frequência viagens de ônibus, para ir à casa do avô materno. Seguíamos por uma estrada serpenteante, até próximo de Torres, onde ficava a casa, à beira da lagoa. A morada humilde e sempre muito limpa nos acolhia em seus cômodos pequenos e parcamente vestidos. - [Maria Amélia Mano em foto de Andréa Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-andrea-steiner/) - VarandEla Maria Amélia Mano Era vento na varanda que invernava. Menina com lápis de cor e papel, recém aprendia a ler. Recém aprendia a perder. Cismava e cismava só, sem Ela. Qual o jeito de não sentir dor? Inventar nomes pra personagens de histórias que criar e desenhar. Diáfana era moça clara vestida de tule - [Maria Amélia Mano em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-betho-giordani/) - A palavra lagoa Maria Amélia Mano A palavra andorinha Freme devagarinho E some em silêncio... Mário Quintana A tua palavra lagoa deságua no leito do meu rio, riso calmo e quente. Nuvem que se precipita, precipício pequeno doce descanso de água do céu. A palavra lagoa nasce devagar e cobre, amorna, acalma, entorpece, relaxa, remexe - [Tetê Lopes em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Homem e Cão Tetê Lopes Cientistas fazem pesquisas para compreender quando e como, há milhares de anos, começou a relação dos humanos com os cães. Alguns entalhes descobertos na Arábia Saudita, representando homens e cães caçando juntos, levam a uma conclusão importante: a domesticação dos cães foi crucial para a sobrevivência de nossa espécie. - [Tetê Lopes em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-betho-giordani/) - Árvore Tetê Lopes Às vezes nos sentimos assim, como uma velha árvore sem folhas, cuja ramagem verde se foi há tanto tempo... Chega-se a uma idade em que nos tornamos invisíveis; ainda trazemos em nós desejos e vontades, ainda carregamos pequenas vaidades que nos fazem escolher a roupa que cai melhor ou o corte de - [Ananyr Porto Fajardo em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-porto-fajardo-em-foto-de-betho-giordani/) - Uma vida Ananyr Porto Fajardo Nasceu de um descuido de uma ave que migrava rumo ao norte durante um inverno bravio e brotou como mais uma entre várias. Cresceu no pasto e disputava o sol escasso entre a sombra de árvores centenárias. Um rio caudaloso mantinha o terreno fértil para acolher outras que chegaram depois. - [Renata Cardoso Vieira em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Olhares Renata Cardoso Vieira O sol arde na pele. Nada novo para quem trabalha à beira mar. As pernas cansadas dos caminhos do dia, urgem por uma folga. No fim só o que se quer é relaxar, respirar fundo e sentir o gosto amargo e frio de uma boa cerveja. Vejo os olhares das pessoas - [Renata Cardoso Vieira em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-betho-giordani/) - Evolução Renata Cardoso Vieira Bruna aproveita cada folga para fazer coisas que gosta. Um dia lê um livro, no outro vai ao cinema e quando o tempo está bom e o relógio colabora, senta sob a sombra de uma árvore para aproveitar a tarde. Os simples prazeres da vida na juventude. A árvore de hoje - [Dio Santanna em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - O cão condena Dio Santanna Não Não é ficção É dor exposta Rasga a pele Dói a carne O osso Nada de alma e Dessa tal de esperança É arte nua e crua Arde Não Não é minha A culpa Todos os desejos Ensejos meus Olhos fixos No crucifixo E sigo Em paz Não - [Dio Santanna em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-betho-giordani/) - Uma quase morte Dio Santanna “Nunca fui boa para suicídios. Bukowski, também não”. Com um bom vinho e seu fiel cúmplice ao alcance das mãos, divagava. Haja vida para tanto ontem. Já era o terceiro livro que relia em apenas dois meses. De saldo, algumas garrafas vazias. Não morrer-se, no momento, era para ela, a - [Jefferson Escobar em foto de Andrea Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jefferson-escobar-em-foto-de-andrea-steiner/) - Aconchego Jefferson José Rodrigues Escobar Quem quis fazer a varanda tinha sido minha mãe. Lembro-me dela com uma grande barriga, na porta da frente. Dizia que era para proteger do tempo. Do sol, do vento, da chuva. No começo, o chão era batido, não tinha mureta e era coberta de palha. Conforme corria a vida, - [Jefferson Escobar em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jefferson-escobar-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Cenário Jefferson José Rodrigues Escobar João faz parte do cenário. Ele e seus cachorros, Bob, Tinoco e Chiquinha. Tem função importante na cena da capital. O que seria de uma cidade com ares de metrópole sem seu mendigo no palco? É diferente do clima que se quer criar no interior. João seria personagem folclórico da - [Jefferson Escobar em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jefferson-escobar-em-foto-de-betho-giordani/) - A Outra Margem Jefferson José Rodrigues Escobar Acorda cedo, coloca a chaleira no fogo e começa seus afazeres. Arruma a cama. Recolhe as roupas para lavar. Faz rápida e automaticamente a ladainha diária porque quer ter tempo para o chimarrão, antes de cortar cebola, alho para o almoço. Não sabe por que se apura. Tem - [Tetê Lopes em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Detalhes Tetê Lopes Pétala. Ranhura. Não é preciso ser estudioso da língua portuguesa para perceber que essas duas palavras transmitem ideias diversas. Pétala é quase uma brincadeira, lembra la-la-la, assim um tanto musical, de uma singeleza que faz jus à imagem de algo delicado, voejante talvez. Ranhura tem o “r” que rasga, tem esse “u” - [Ananyr Fajardo em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-fajardo-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Tudo por um desejo Ananyr Porto Fajardo Nasceu na roça em uma família numerosa e trabalhadora. Aos poucos, a fertilidade do solo, encoberto por vegetais exóticos e tomado de areia, foi diminuindo. Como tantas de sua geração, migrou em busca de melhores condições de vida e, líder por natureza, fundou uma comunidade em outro território. - [Jefferson Escobar em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jefferson-escobar-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Ypê Jefferson José Rodrigues Escobar “Vêde o pé de ipê. Apenasmente Flore, Revolucionariamente Apenso ao pé da serra” Os três estão sentados no banco, envolvidos em seus pensamentos. Décio tira o maço de cigarro e o isqueiro do bolso. Ana o olha de maneira suficiente para que ele entenda. Acabara de enterrar uma amiga, há - [Renata Cardoso Vieira em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Passos em falso Renata Cardoso Vieira Dalva tropeça na rua. Não entende por que os passos estão em falso e quando o mundo começou a girar. Mais uma coisa com a qual se preocupar. Não basta todos os problemas que já têm, mais um para lista. O medo bate na alma porque não sabe com - [Rita Rheingantz em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Flor de Eros Rita Rheingantz Flor da idade Reflexo de cores Terra dos tons Lilás das brisas Flor de época Reflexo das sombras Terra fértil Lilás desigual Flor de Eros Reflexo indireto Terra opaca Lilás sem tom Flor de jacarandá Reflexo do escuro Terra intacta Lilás desbotado Flor em pedaços Reflexo desfocado Terra em transe - [Maria Amélia Mano em foto de Anibal Elias Carneiro](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-anibal-elias-carneiro/) - Santa Fé Maria Amélia Mano Eu sou Bibiana e nunca me achei merecedora, digna. Eu, expectativa em pedido que faço. Trabalho onde, parece, passei vida inteira intensa, imensa, imersa em senha, código de barra, operação, enter e F5, cafeteria, carrinhos, sacolas, sabonetes, travesseiros da NASA em promoção, fila preferencial e pra até 10 itens, - [Maria Amélia Mano em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Irmãs Maria Amélia Mano Lua cheia em solstício de verão, Erta Ale, a Montanha Fumegante, a Porta do Inferno, explode lançando lava e enxofre. O vulcão está bem na junta tríplice de Afar, zona de placas tectônicas. Um dia, ele romperá terra formando o Vale da Grande Fenda e um novo oceano. A África - [Maria Amélia Mano em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - Tango Apasionado Maria Amélia Mano Sobre teu gato. Preciso te confessar. No começo, ele me viu assim, apavorada e avoada, meio toda prosa e poesia. Me olhou com aquele olho azul e outro amarelo e disse que tinha segredos teus pra me contar em troca de chamego. Queria ilha de coral de calma, colo e - [Tetê Lopes em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - Diversidades Tetê Lopes Lembrei hoje que Darcy Ribeiro, numa entrevista em que relatava uma visita à Suécia, declarou que, nas ruas e nos bares, entediava-se ao ver aquelas pessoas todas brancas, bonitas, louras. “Tudo igualzinho”, disse ele. Sentia-se abençoado por viver no Brasil, onde, ao sentar-se numa mesa de bar, podia dedicar horas a - [Ananyr Fajardo em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-fajardo-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - A fazeres Ananyr Porto Fajardo Adotar um cachorrinho. Bagunçar minhas certezas. Claricear na Santa Sede. Desfilar na Portela. Estudar francês em Montreal. Flutuar no puro frio das alturas. Ganhar na loteria. Historiar uma nova ordem. Ignorar os perniciosos. Jogar conversa fora. Lidar na terra do meu jardim. Madrugar de bom humor. Nadar para vencer - [Renata Cardoso Vieira em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz-2/) - Passos em falso Renata Cardoso Vieira Dalva tropeça na rua. Não entende por que os passos estão em falso e quando o mundo começou a girar. Mais uma coisa com a qual se preocupar. Não basta todos os problemas que já têm, mais um para lista. O medo bate na alma porque não sabe com - [Renata Cardoso Vieira em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - Sonhos inusitados Renata Cardoso Vieira Sofro de uma espécie de déjà vu quando vejo balões. Não importa as cores, os tamanhos ou formatos, ao ver um conjunto de balões minha mente divaga sempre para a mesma lembrança: um padre voando com balões. Poderia ser até engraçado, pensando que o filme “Up: Altas Aventura”, de 2009, - [Iara Tonidantel em foto de Andrea Steiner](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-andrea-steiner-2/) - A cama esquenta Iara Tonidantel Há muito se encontraram. Se conheceram por aí, em uma noite estrelada, nas ruas da busca pela vida plena. Olhos se cruzaram, sorrisos entrelaçaram suas almas, conversas à toa se aprofundaram. Sentiram o cheiro de suas nucas e o poder da atração nos dedos enredados nos cabelos. Marcaram de se - [Iara Tonidantel em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - OFICINA DE CRÔNICAS – SANTA SEDE Antirreflexo Iara Tonidandel Mesa de bar. Conversas adentram as histórias de vida. - E tu, Iara? É reflexo de que? Reflexo. Consequência. Resultante de. E outros tantos sinônimos. Ana é filha de pai depressivo. De vez em quando, sofre de crise de pânico. Roberto é filho de pai e - [Iara Tonidantel em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Estamos vivos Iara Tonidantel O mundo teima em impor limites à minha vontade. E o tempo me fez entender que muitos desejos se perpetuam enquanto desejos. Aprendi a respeitar isto. Muitas vezes lágrimas brotam no olhar. E não há por que assim não o ser. Também foi algo que a vida me ensinou. Sentimentos existem - [Rita Rheingantz em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - O vento é largo Rita Rheingantz Outono em transe. Céu azul-turquesa. Estrada ensolarada e cheia de expectativas. Rumo ao sonho que já perseguia-me há algumas décadas. Em duas horas de viagem chegamos no festival, habitado por todas as idades e tribos. Trânsito, filas e esperas. Prontamente fomos conversar sobre os maiores detalhes do voo - - [Dio Santanna em foto de Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-carlos-eduardo-vaz/) - Felicidade púrpura ou Uma avalanche do fim Dio Santanna Cintila. Ainda em mim, incandescente. Pincela entre os matizes das felicidades banais e as garimpadas, por amor, à exaustão. Incontidas. Uma felicidade púrpura. Louca e imperiosa condição dos que não delegam as paixões. Paixão, revida-se com paixão. Contorce a dor que não se sabe ser. - [Maria Lúcia Meilelles em foto de Betho Giordani](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-lucia-meilelles-em-foto-de-betho-giordani/) - As árvores de Clara Maria Lucia Clara nasceu em noite de ventania. A mãe quase não pôde dormir, tamanha a euforia das árvores. Clara, aninhada, sonhava com a vida que teria. Amanheceu. Abriu uma nesga de olho. Espiou o mundo. Já tinha sol. Cresceu indo aos domingos para o sítio dos avós. Na frente - [Tetê Lopes em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-flavio-wild/) - Conselhos de pai e mãe Tetê Lopes Meu pai dizia: Menina, ao sentar no ônibus, deixa as pernas bem fechadas! Eu logo esquecia a obrigação, não sabia o motivo para aquele cuidado. Divertia-me a conversar com as colegas que faziam o mesmo trajeto, do Menino Deus até a avenida João Pessoa, sem atentar para o - [Tetê Lopes em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/tete-lopes-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Preto e branco Tetê Lopes No verão de 1971, minha melhor amiga foi jantar com o namorado no restaurante Bologna, então tradicional na zona sul de Porto Alegre. Sentaram e esperaram ser atendidos. Um garçom passou e virou o rosto. Outro garçom fazia-se cego aos acenos daquela mesa. Nenhum garçom os atendeu. Depois de muito - [Maria Amélia Mano em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/maria-amelia-mano-em-foto-de-flavio-wild/) - Infinitos Maria Amélia Mano Só no ato do amor - pela límpida abstração de estrela do que se sente - capta-se a incógnita do instante... Clarice Lispector Cidade em quarta qualquer, manhã mínima, primavera anônima. Hoje, Clarice, procuro a essência da vida em teus poemas. Pra isso, dei de olhar invisíveis instantes. Infinitos instantes. Casal - [Iara Tonidantel em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-flavio-wild/) - Presente! Iara Tonidandel Oi! Passei aqui para te deixar um recado. Eu faço parte da tua vida. Não há como dizer o contrário. Mas não se valha de mim de forma integral para tomar tuas decisões. Lembra que eu existo para ser um referencial para ti. As vezes poderás até não me escutar. Sem problema. - [Dio Santanna em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - Quem me habita Dio Santanna Sou a que não vês. Que com este ímpeto incontrolável de viver, vive. Sempre fugidia do não-ser. Que não se basta nas palavras. Nos desejos incontidos. Que ao olhar as cicatrizes, na palma da alma, percorre as linhas na pele quente, que vão do músculo no peito a este andar - [Dio Santanna em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-flavio-wild/) - Todos os caminhos até o mar Dio Santanna Para Luísa quero contar-te um segredo. que guardei de mim mesmo. pra um dia assim, fugidio, distante de tudo o que não pulsa, deixar vir à tona. neste lugar, além nós. que não me sabe e que agora fará parte de ti. e de mim. - [Rita Rheingantz em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-flavio-wild/) - KN 3791 Rita Rheingantz "Nasci para nascer" sobre o banco páginas amareladas topo de penhascos casinhas coloridas, bem preservadas funicular e colinas íngremes vales montanhosos caos organizado vista para o Pacífico céu azul acinzentado pesadas nuvens escuras no horizonte residência de Pablo Neruda fechada cheiro de marisco pisco, Guerra de Arauco Império espanhol huilliches, picunches - [Iara Tonidantel em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/iara-tonidantel-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Armadilhas Iara Tonidandel Seja delicada. Não fale alto. Ande na ponta dos pés. Faça-se discreta. Saia acompanhada. Não diga palavrão. Cuide dos outros. Não engorde. Chore escondida. Ame incondicionalmente. Torne-se dona da cozinha. Fique calada durante o sexo. Mantenha seus dragões escondidos. Escolha uma profissão feminina. Mantenha sua libido controlada. Evite questionar o status quo - [Ananyr Porto Fajardo em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-porto-fajardo-em-foto-de-flavio-wild/) - Não sobra nada Ananyr Porto Fajardo Viajar demora: pensar, desejar, sonhar – decidir! Bagagem pronta, itinerário (in)definido, bilhete/combustível/carona decididos, dinheiro contado. Planejar, ir e voltar. Entre uma etapa e outra, aventuras, surpresas, decepções, encontros, resoluções. Fronteiras trancadas, pontes caídas, túneis fechados. Desvios inusitados, atrasos preocupantes, noites insones, mas também novas experiências e uma coragem até - [Rita Rheingantz em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Ecos de veludo Rita Rheingantz Vielas e vestígios Asas de pluma baile de aparências Sonetos mascados Romance perpétuo Ecos de veludo Dança da solitude Bolinhas de sabão Céu cor de rosa Jardim de legos Pele que vira arte tule e sapatilhas de algodão Adágio & Alegro caixinha de música Folia prateada Ruas em ré maior - [Dio Santanna em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Olhos de mim Dio Santanna Um instante. E o tempo se fez tempo, fora do tempo. Compasso lento e sofrido de ser o que se é. Na ponta dos pés, o coração rodopia. Se refaz. A dor, poesia a girar. E me continuo, dualidade que só na palavra se esgota. Imensidão. Há tantos caminhos - [Renata Cardoso Vieira em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Azul e Rosa Renata Cardoso Vieira Quando meninas vivíamos ouvindo frases que arrepiam até hoje: Maria, senta direito, isso não são modos de uma menina. Maria, coloca um short embaixo desse vestido, assim não aparece a calcinha. Maria, não pode jogar bola, vai se machucar com esse bando de moleques. Maria, cumprimenta as pessoas, não - [Renata Cardoso Vieira em foto de Jorge Almeida](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-jorge-almeida/) - Amizades Renata Cardoso Vieira Existem diversos tipos de amizades. Amizades de infância, onde a memória insiste em reviver histórias de inocência e sapequices infantis. Amigos que não se encontram todos os dias, mas sempre que o encontro acontece, ocorre repleto de saudosismo e saudade. Amizades de adolescência, onde a cumplicidade insiste em resistir a todas - [Renata Cardoso Vieira em foto de Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/renata-cardoso-vieira-em-foto-de-flavio-wild/) - Rebelião Renata Cardoso Vieira O dia começa tranquilo: acordar, escovar os dentes, colocar o uniforme, tomar café, ir para a escola. O pai, Rogério, apressa a filha para não perderem o bonde. Depois das seis e quarenta e cinco, o próximo só passa as sete horas e não daria tempo de chegar para o começo - [Dio Santanna em foto de Jorge Almeida](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/dio-santanna-em-foto-de-jorge-almeida/) - O silêncio do rio Dio Santanna O silêncio do rio. Não se sabe silêncio, apenas é. Ela transbordava como o rio. As paixões carregam silêncios que não se souberam ser. E são. Como o rio, depois de chuvas intensas. Quando parece não dar conta de tanto existir. Como nascente que vem de longe, ele - [Rita Rheingantz em foto de Jorge Almeida](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/rita-rheingantz-em-foto-de-jorge-almeida/) - Cinzas de quarta-feira Rita Rheingantz Andávamos cabisbaixos, era o último dia de carnaval. Ventos nostálgicos flutuavam em nuvens quimeras e num esforço hercúleo olhávamos para o presente. Minha câmera ocular andara de ré e vagarosamente, mergulhada nas profundezas daqueles pequenos-grandes dias de folia, máscaras e fantasias. Exaustos fisicamente. Emocionalmente, êxtase e nostalgia em dualidade se - [Jefferson Escobar em foto de Gutemberg Ostemberg](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/jefferson-escobar-em-foto-de-gutemberg-ostemberg/) - O Padre e os Balões Jefferson José Rodrigues Escobar Sempre que vejo balões no céu, seu reflexo na água e a tranquilidade de os ver voando lentamente, lembro-me da tecnologia que teve que ser criada para tal façanha. Daí, involuntariamente, recordo-me do padre que decidiu sair do litoral do Paraná e dirigir-se ao interior do - [Ananyr Fajardo em foto de Iara Tonidantel](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-fajardo-em-foto-de-iara-tonidantel/) - Díades Ananyr Porto Fajardo Entre os signos do zodíaco, apenas Gêmeos e Peixes são representados por pares. No primeiro, a dupla anda de mãos dadas enquanto, no segundo, cada elemento nada em direções opostas. Os geminianos preferem estar na companhia de alguém – na verdade, me parece que, por definição, sempre estão com seu outro - [Ananyr Fajardo em foto de Jorge Almeida](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede/ananyr-fajardo-em-foto-de-jorge-almeida/) - 2070 Ananyr Porto Fajardo Nascido no interior de Lisarb em meio ao bug do milênio, tudo nele era ímpar – monolíngue, heterossexual, fanático por um dos dois times de futebol da cidade, igual a todos os amigos –, exceto sua visão de mundo, que era binária. Era “eu ou eles”, eles sendo os diferentes, os ## Páginas - [Home Santa Sede - Oficina Literária](https://oficinasantasede.com.br/) - Inspirada na rotina dos grandes mestres do gênero e ambientada na mesa de bar, a Oficina Literária Santa Sede une com perfeição sua sede com a vontade de escrever e, com descontração, aprimora a leitura e a produção literária. - [Diretório de Autores](https://oficinasantasede.com.br/diretorio-de-autores/) - [Etn Category](https://oficinasantasede.com.br/etn_category/) - [Etn Category](https://oficinasantasede.com.br/etn_category/) - [Etn Tags](https://oficinasantasede.com.br/etn-tags/) - [Etn Tags](https://oficinasantasede.com.br/etn-tags/) - [SS - Entrar](https://oficinasantasede.com.br/ss-entrar/) - SS – Entrar SS – Editar Perfil Mosaico – Enviar Texto SS – Meus Textos SS – Entrar SS – Editar Perfil Mosaico – Enviar Texto SS – Meus Textos Nome de usuário ou e-mail Senha Lembre de mim - [Mosaico em Cartaz](https://oficinasantasede.com.br/mosaico-em-cartaz/) - os cronistas as crônicas os cartazes O Mosaico é o módulo da Oficina Santa Sede cuja pedra de toque é a combinação de imagem e palavra para os desafios criativos. 10 CARTAZES DE CINEMA. 10 CRONISTAS. O cinema, fonte inspiradora de textos e contextos, encanta todos nós, desde sempre. Mas e os cartazes, as artes - [Mosaico 2024](https://oficinasantasede.com.br/mosaico-2024-tempo/) - MOSAICO 2024 tempo, tempo, tempo, tempo as crônicas as fotografias os cronistas os fotógrafos O Mosaico é o módulo da Oficina Santa Sede cuja pedra de toque é a combinação de imagem e palavra para os desafios criativos. 9 fotógrafos, 22 cronistas... Desafio: retratar e descrever ele, o tempo... Curadoria de Fotografias e Organização: Rubem - [Mosaico 2023 - Mobgrafias](https://oficinasantasede.com.br/mosaico2023-mobgrafias/) - MOSAICO 2023 MOBGRAFIAS O Mosaico é o módulo da Oficina Santa Sede cuja pedra de toque é a combinação de imagem e palavra para os desafios criativos. Mobgrafia: a palavra é sinônimo do movimento que promove a arte fotográfica e visual feita (captada, editada e compartilhada) com dispositivos móveis (smartphones, tablets, etc). Em 2023, 11 - [Crônicas](https://oficinasantasede.com.br/cronicas/) - Mosaico Terry Widener por Ronaldo Lucena 01/10/2020 Guarojs Ronaldo Lucena Canto um – guaroj do amor que não mais existe A solidão que habita nossa casa triste ... Santa Sede Mosaico Dio Santanna em foto de Iara Tonidantel 14/11/2019 Olhos de mim Dio Santanna Um instante. E o tempo se fez tempo, fora do - [Master Class Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/master-class-santa-sede/) - Livro anual, em homenagem a grandes crônistas A Master Class nasceu em 2014 com o objetivo de propiciar o retorno de ex-alunos para a mesa de boemia literária e, também, homenagear grandes escritores do gênero ocupando nossa sala no bar às terças-feiras de março até agosto. Num sistema de seminário constante, os cronistas escrevem uma coletânea anual - [Notícias & Novidades](https://oficinasantasede.com.br/noticias-e-novidades/) - Notícias & Novidades Novidades Vamos! Vamos? 24/03/2022 Ando na rua e vejo narizes, vejo bocas. 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Santa Sede, crônicas de botequim é a oficina criada por Rubem Penz no ano de 2010 para despertar nas pessoas o gosto pelo compor literário, o prazer do encontro, a busca do particular em cada voz e a redescoberta da - [Projetos SS](https://oficinasantasede.com.br/ssprojetos/) - [fluent_boards] - [Projetos](https://oficinasantasede.com.br/projetos/) - [pm] - [Mosaico 2024 – Tempo Tempo](https://oficinasantasede.com.br/categoria-mosaico2024/) - Mosaico 2024 – Tempo tempo tempo tempo... em ordem de data de postagem.para ler o texto, clique na imagem ou no título da crônica.para ver todos os textos relativos a uma imagem, clique no nome do fotógrafo (categoria).para ler todos os textos de um autor, clique no nome do cronista. - [Fim de Ano 2024 - RSVP](https://oficinasantasede.com.br/fim-de-ano-2024-rsvp/) - Carregando… - [Frente](https://oficinasantasede.com.br/frente/) - Escolha a sua turma e vem escrever na Santa Sede! 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QUERO ME INSCREVER! período: janeiro Santa Sede VERÃO Santa Sede Verão Virtual Segundas-feiras, 20h às 22h (turma extra às 18h)Santa Sede Verão - [Projeto Bar, Café e Cultura](https://oficinasantasede.com.br/projeto-centro-de-cultura/) - [Festa de Fim de Ano 2023 - RSVP](https://oficinasantasede.com.br/rsvp2023/) - Carregando… - [Mobgrafias](https://oficinasantasede.com.br/mobgrafias/) - [Mosaico 2023 – Mobgrafias](https://oficinasantasede.com.br/categoria-mobgrafias/) - Mosaico 2023 – Mobgrafias em ordem de data de postagem.para ler o texto, clique na imagem ou no título da crônica.para ver todos os textos relativos a uma imagem, clique no nome do fotógrafo (categoria).para ler todos os textos de um autor, clique no nome do cronista. Foto 11 - Sandra Rodrigues A areia ensina - [Calendário](https://oficinasantasede.com.br/events/calendario/) - CONTENTS - [Tags](https://oficinasantasede.com.br/events/tags/) - CONTENTS - [Categories](https://oficinasantasede.com.br/events/categories/) - CONTENTS - [Locations](https://oficinasantasede.com.br/events/locations/) - CONTENTS - [Events](https://oficinasantasede.com.br/events/) - CONTENTS - [Viageiras](https://oficinasantasede.com.br/viageiras/) - O projeto Viageiras - o livro A gente planeja roteiros e acha que conhece o caminho e o lugar de chegada, mas sabemos que toda viagem é uma aventura. No caso deste livro – uma seleção de textos escritos nos últimos quatro anos – a bagagem foi feita e refeita várias vezes porque não sabia - [Aforistas Graças a Deus](https://oficinasantasede.com.br/aforistas/) - O PROJETO Aforistas graças a Deus - o livro Aforismo a·fo·ris·mo [Do gr. aphorismós, pelo tal. aphorismu.] substantivo masculino. Sentença moral breve e conceituosa; máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; apotegma, ditado;texto curto e sucinto, fundamento de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica, ger. relacionado a - [Mosaico Porto Alegre 250 Anos - Os Cronistas](https://oficinasantasede.com.br/mosaico-porto-alegre-250-anos-os-cronistas/) - Mosaico Porto Alegre 250 Anos Os Cronistas Para a comemoração dos 250 anos de Porto Alegre, 23 autores aceitaram este desafio, e apresentaram textos que expressam seu carinho, admiração e, por que não, seus anseios e devaneios sobre a capital gaúcha. Altino Mayrink Ana Cristina Rodrigues Guimarães Ana Luiza Rizzo Ananyr Porto Fajardo Caroline Anversa - [Payment Confirmation](https://oficinasantasede.com.br/payment-confirmation/) - [wppayform_reciept] - [Payment Failed](https://oficinasantasede.com.br/payment-failed/) - We're sorry, but your transaction failed to process. 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Apresenta desafios criativos com ênfase no gênero crônica com desbloqueio e investigação da voz própria. 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Acontece às quartas-feiras, entre março e novembro. Oferta as nove vagas da mesa com possibilidade de rodízio: o cronista se matricula para quatro encontros consecutivos, e pode renovar sua - [Projeto Voluntariado Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/projeto-voluntariado-santa-sede/) - [vc_row][vc_column width=”1/4″][vc_single_image image=”13160″ img_size=”full”][vc_cta h2=”Santa Sede Voluntários” h2_font_container=”color:%23000000″ h2_google_fonts=”font_family:Montserrat%3Aregular%2C700|font_style:700%20bold%20regular%3A700%3Anormal” h4=”o que é?” h4_font_container=”color:%23000000″ h4_google_fonts=”font_family:Montserrat%3Aregular%2C700|font_style:700%20bold%20regular%3A700%3Anormal” style=”3d” use_custom_fonts_h2=”true” use_custom_fonts_h4=”true” css=”.vc_custom_1563378561230{background-color: #eeee22 !important;}”] Projeto de voluntariado criado pela Santa Sede Oficina Literária. Durante mais de 10 anos, e ainda hoje, muitas pessoas passaram por nossa mesa boêmia, dentre amigos, escritores e apoiadores. 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[Inscrever Santa Sede Crônicas Heroicas](https://oficinasantasede.com.br/inscrever-santa-sede-cronicas-heroicas/) - [vc_row][vc_column width=”1/2″][thim-icon-box title_size=”h3″ line_after_title=”” desc_content=”A DEFINIR – INSCREVA-SE NA LISTA DE ESPERA” custom_font_size_desc=”30″ custom_font_weight_desc=”bold” link_to_icon=”” icon_type=”font-awesome” font_awesome_icon=”fa fa-calendar” width_icon_box=”15″ layout_pos=”left” layout_text_align_sc=”text-left” title=”PRÓXIMA DATA” color_desc=”#2c3e50″][vc_empty_space height=”30px”][thim-icon-box title_size=”h3″ line_after_title=”” desc_content=”R$ 250,00″ custom_font_size_desc=”30″ custom_font_weight_desc=”bold” link_to_icon=”” icon_type=”font-awesome” font_awesome_icon=”fa fa-money” width_icon_box=”15″ layout_pos=”left” layout_text_align_sc=”text-left” title=”INVESTIMENTO” color_desc=”#2c3e50″][vc_empty_space height=”30px”][thim-icon-box title_size=”h3″ line_after_title=”” desc_content=”boleto bancário” custom_font_size_desc=”20″ custom_font_weight_desc=”bold” link_to_icon=”” icon_type=”font-awesome” font_awesome_icon=”fa fa-barcode” width_icon_box=”15″ layout_pos=”left” layout_text_align_sc=”text-left” title=”FORMA - 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[Cadastre seu Bar](https://oficinasantasede.com.br/cadastre-seu-bar/) - [vc_row][vc_column][vc_column_text] Se você possui um bar bem estruturado, e gosta das boas iniciativas relacionadas à cultura – literatura em especial – e de novas e boas ideias, eis aqui a oportunidade de trazer mais clientes para seu bar, e um grupo que consome e traz bons fluidos para o ambiente. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_custom_heading text=”Seja um anfitrião - [Termos e Condições](https://oficinasantasede.com.br/termos-e-condicoes/) - [Registar](https://oficinasantasede.com.br/auth-registrar/) - [event_auth_register] - [Resetar Senha](https://oficinasantasede.com.br/auth-resetarsenha/) - [event_auth_reset_password] - [Esqueci Senha](https://oficinasantasede.com.br/esqueci-senha/) - [tp_event_forgot_password] - [Minhas Oficinas](https://oficinasantasede.com.br/minhas-oficinas/) - [sensei_user_courses] - [Editar Oficina](https://oficinasantasede.com.br/editar-oficina/) - [Status da Oficina](https://oficinasantasede.com.br/oficina-status/) - Course InstructionsnnPlease enter Course instructions in the Course Status page. To edit this content, simply follow below steps :nntLogin to WP Admin panelntLocate and click Pages sectionntSearch for page Course StatusntEdit the page and change this contentntUpdate the page.n - [loja](https://oficinasantasede.com.br/loja/) - [Aperitivo Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/aperitivo-santa-sede/) - [vc_row][vc_column][vc_column_text] Segundo mais antigo módulo do projeto, o Aperitivo é a versão de média duração da Santa Sede, com doze encontros semanais entre o começo de setembro e o final novembro, nas noites de terça-feira. Tem por objetivo primordial aumentar o repertório dos oficinandos, tornando-se preparativo ideal para quem deseja cursar a Santa Sede – - [Eventos](https://oficinasantasede.com.br/diretorio-de-eventos/) - [calendario anual](https://oficinasantasede.com.br/calendario-anual/) - [vc_row][vc_column][ultimate_info_table package_heading=”teste” package_sub_heading=”teste”]teste[/ultimate_info_table][/vc_column][/vc_row] - [Santa Sede Mosaico](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede-mosaico/) - [vc_row][vc_column][vc_column_text] Oficina cuja pedra de toque é a combinação de imagem e palavra para os desafios criativos, a Santa Sede Mosaico apresenta 12 encontros, entre o começo de setembro e o final de novembro, nas segundas-feiras, e tem alguns dos seus textos publicados no site www.oficinasantasede.com.br. Combina no mesmo tempo e espaço autores experientes (oriundos - [Santa Sede Master Class](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede-master-class/) - [vc_row][vc_column][vc_column_text] A Master Class nasceu em 2014 com o objetivo de propiciar o retorno de ex-alunos para a mesa de boemia literária e, também, homenagear grandes escritores do gênero ocupando nossa sala no bar às terças-feiras de março até agosto. Num sistema de seminário constante, os cronistas escrevem uma coletânea anual com base em desafios - [Santa Sede de Verão](https://oficinasantasede.com.br/santa-sede-de-verao/) - [vc_row][vc_column][vc_column_text] Módulo intensivo da oficina literária Santa Sede no primeiro semestre, acontece no mês de janeiro como parte do tradicional cardápio cultural de Porto Alegre durante a temporada de férias da estação. São quatro encontros com ênfase na conceituação do gênero, nos desafios de escrita criativa e na investigação da voz composicional de cada um. - [Ativar](https://oficinasantasede.com.br/ativar/) - [Registrar](https://oficinasantasede.com.br/registrar/) - [Arquivo](https://oficinasantasede.com.br/arquivo/) - [Atividade](https://oficinasantasede.com.br/atividade/) - [Membros](https://oficinasantasede.com.br/membros/) ## Meus modelos - [Elementor Archive PERFIL](https://oficinasantasede.com.br/?elementor_library=elementor-archive-24143) - Giancarlo Carvalho Kit Styles: Ever Organize – Personal Assistant & Agency Elementor Template Kit 01/01/2022 Giancarlo Carvalho - [Kit Styles: Ever Organize - Personal Assistant & Agency Elementor Template Kit](https://oficinasantasede.com.br/?elementor_library=global-kit-styles) ## Produtos - [Mentir para Menos](https://oficinasantasede.com.br/produto/mentir-para-menos/) - Santa Sede - Crônicas de Botequim - Livro 20 - Safra 2025 Cronistas participantes: Adriane Cordeiro Silveira, Anne Cafruni, Bernadete Saidelles, Dóris Bittencourt Almeida, Kerwin Weizenmann, Márcio Koehn, Milton Luis Wainberg, Milton Turik, Roberta Larini, Rubem Penz (Org.) Ano: 2025 Organização e edição: Rubem Penz Santa Sede Editorial 200 páginas - [Intromissivas - crônicas etimológicas e epistolares](https://oficinasantasede.com.br/produto/intromissivas-cronicas-etimologicas-e-epistolares/) - Master Class Santa Sede 2025 - Em homenagem a Otto Lara Resende. Cronistas participantes: Carmen Gonzalez, Carol Anversa, Helena Vellinho Corso, Idiana Luvison, José E. Rodrigues, Marcia H. de M. Ribeiro, Maria Lucia Meirelles, Silvia Beatriz Alves Rolim, Viviane Chaves Intini, Rubem Penz (Org.) Ano: 2025 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 189 páginas - [Calafath - Crônicas Rodrigueanas](https://oficinasantasede.com.br/produto/calafath-cronicas-rodrigueanas/) - Spin-off em homenagem a Nelson Rodrigues Cronistas participantes: Ângela Puccinelli, Edgar Aristimunho, Elaine Rosner Silveira, Iara Tonidandel, Kener Marden, Jefferson José Rodrigues Escobar, Kerwin Weizenmann, Rubem Penz (org) Ano: 2025 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 156 páginas - [Quando o Chão Tremer… Voe](https://oficinasantasede.com.br/produto/quando-o-chao-tremer-voe/) - Ano: 2025 ISBN 978-65-85114-22-6 Santa Sede Editorial 268 páginas - [Maria Volta ao Bar](https://oficinasantasede.com.br/produto/maria-volta-ao-bar/) - Participam do livro as cronistas Dora Almeida, Felipe Basso, Gerson Kauer, Linda Grossi, Luciana Farias, Mariana Marimom, Roberto Marques, Rubem Penz, Tiago Pedroso, Vanessa Conz e Zulmara Fortes Hotsite do livro: https://mariavoltaaobar.wordpress.com Siga no Facebook: https://www.facebook.com/mariavoltaaobar - [Enquanto Tempo](https://oficinasantasede.com.br/produto/enquanto-tempo/) - Editora: Ed. BesouroBox Ano de Lançamento: 2013 ISBN: 8599275747 ISBN-13: 9788599275740 Encadernação: Brochura Edição: 1ª Ano de Lançamento: 2013 Número de páginas: 104 - [Santa Sede, 15 anos de crônicas de botequim](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-15-anos-de-cronicas-de-botequim/) - Santa Sede, 15 Anos de Crônicas de Botequim, em homenagem aos 15 anos da oficina Santa Sede. 64 textos, muitas homenagens, dezenas de lembranças, um sem número de histórias, incontáveis emoções. Leia, e vem fazer parte dessa turma! Ano: 2025 Organização: Giancarlo Carvalho Santa Sede Editorial 156 páginas - [Apesar de nós](https://oficinasantasede.com.br/produto/apesar-de-nos/) - Ficha técnica AUTORES: Aurea Niada, Denise Felício, Denise Henriques, Kener Marden, Leila Grehs Castilho, Luiz Augusto Pontual, Luiz Fernando Bettella, Miriane Willers, Rodrigo Arcari e Rubem Penz (Org.) Ano: 2024 Organização e edição: Rubem Penz Santa Sede Editorial 200 páginas - [Bilhetes de Viagem - Em homenagem a Cecília Meireles - VIRTUAL](https://oficinasantasede.com.br/produto/bilhetes-de-viagem-em-homenagem-a-cecilia-meireles-virtual/) - Master Class Santa Sede 2024 - VIRTUAL, em homenagem à Cecília Meireles. Cronistas participantes:Alexandre Wahl Hennigen, Ângela Hofmann, Antônio Lima Jr., Cláudia Figueiredo, Eugênia Câmara, Maria Iris Lo-Buono, Marina Barros, Michele Justo iost, Patrícia Scherer Bassani, Roselena Colombo e Rubem Penz (Org) Ano: 2024 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 200 páginas - [Bilhetes de Viagem - Em homenagem a Cecília Meireles](https://oficinasantasede.com.br/produto/bilhetes-de-viagem-em-homenagem-a-cecilia-meireles/) - Master Class Santa Sede 2024 - PRESENCIAL, em homenagem à Cecília Meireles. Cronistas participantes: Altino Mayrink, André Hofmeister, Andréa Aquino Ferreira, Ângela Puccinelli, Caroline Anversa, Celso Ribeiro Rodrigues, Felipe Basso, Giancarlo Carvalho, Graciella Tomé, José E. Rodrigues, Marcel Souza, Maria Amélia Mano, Maria Lúcia Meireles, Nelson Ribas, Silvia Rolim, Rubem Penz (Org.) Ano: 2024 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 200 páginas - [Outra vez jamais](https://oficinasantasede.com.br/produto/outra-vez-jamais/) - Ficha técnica AUTORES: Bete Flor, Carmen Gonzalez, Eladir A. Rodrigues, Elaine Rosner Silveira, Janice Dornelles de Castro, Jéssica Fontoura, Luciano Sclovsky, Nayara Monteiro Pinheiro, Tânia Mattos Veloso, Rubem Penz (Org.) Ano: 2024 Organização e edição: Rubem Penz Santa Sede Editorial 200 páginas - [Santa Sede-Crônicas de Botequim Safra 2014](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2014/) - A Safra 2014 do Santa Sede conta com os autores Ricardo Kuchenbecker, Eduardo Chaves Laurent, JP Rodrigues, Francisco Milanez, Felipe Freitag Vargas, Mônica Kanitz, Luciana Villa Verde, Fany Master Nicilovitz, Carla Bacedo e Rubem Penz (organizador). Organização: Rubem Penz Editora Editora Buqui Apoio: Brasil Kirin - [Greve de Sexo](https://oficinasantasede.com.br/produto/greve-de-sexo/) - “Não há gênero literário em que se experimente maior exposição pessoal do que a crônica”, afiança Rubem Penz. Portanto, nenhum estranhamento diante da bela e desnuda mulher que ilustra a capa de Greve de Sexo e outras crônicas (Editora Buqui, 2016), a mais nova coletânea de textos do autor. Em livro, uma vista aos dois primeiros anos de sua coluna semanal “Crônicas de Botequim”. Editora: Editora Buqui Ano de Lançamento: 2016 ISBN: 8583383049 Nº de Páginas: 104 - [Histórias stanislawianas](https://oficinasantasede.com.br/produto/historias-stanislawianas/) - Master Class Santa Sede 2023, que celebra o centenário de Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta Cronistas participantes: Altino Mayrink, André Hofmeister, Carol Anversa, Edgar Aristimunho, Felipe Basso, Gerson Kauer, Giancarlo Carvalho, José E. Rodrigues, Magnus Daniel Pilger, Ronaldo Lucena, Silvia Rolim, Tiago Maria, Viviane Chaves Intini e Rubem Penz (Org) Ano: 2023 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 248 páginas - [Eu, hein!? - Santa Sede 11 - Safra 2020](https://oficinasantasede.com.br/produto/eu-hein-santa-sede-11-safra-2020/) - Ficha técnica Autores: Adriana Nena, Altino Mayrink, Renan E. M. Guimarães, Myrna Cicely Couto Giron, Sonia Garcia, Helenice Trindade, Bernadete Saidelles, Jefferson José Rodrigues Escobar e Juçara Silva Só e Rubem Penz (org). Ano: 2020 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial ISBN 978-65-992300-1-1 200 páginas - [A voz dos novos tempos - crônicas 60+](https://oficinasantasede.com.br/produto/a-voz-dos-novos-tempos-cronicas-60/) - Ficha técnica Autores: Ananyr Porto Fajardo, Andréa Aquino Ferreira, Ângela Puccinelli, Eugênia Câmara (Org), Graciella Tomé, Iara Tonidandel, Jane Maria Ulbrich, João Luiz de Mello, Jorge Luiz Bledow, Maria Helena Schirmer Mattos, Nelson Ribas, Raul Tartarotti, Silvio Sibemberg, Tetê Lopes, Rubem Penz (Org.) Ano: 2023 Organização e edição: Rubem Penz Co-organização: Eugênia Câmara Santa Sede Editorial 168 páginas - [Nunca Fomos Santos](https://oficinasantasede.com.br/produto/nunca-fomos-santos/) - Ficha técnica AUTORES: Aline Maciel - Andréa Aquino Ferreira - Aurélio T. Salton - Cris Netto - Gisele Oliveira - Lilí - Nelson Ribas - Silvio Sibemberg AUTORES CONVIDADOS: Altino Mayrink - André Hofmeister - Carol Anversa - Dio Santanna - Giancarlo Carvalho - José E. Rodrigues - Ronaldo Lucena - Viviane Chaves Intini - Rubem Penz (Org.) Ano: 2023 Organização e edição: Rubem Penz Santa Sede Editorial 195 páginas - [Aforistas graças a Deus](https://oficinasantasede.com.br/produto/aforistas-gracas-a-deus/) - Neste livro, Rubem Penz apresenta uma seleção de 100 aforismos criados nos últimos anos. Honrando a tradição do gênero – no qual brilham nomes como Millôr Fernandes –, suas incursões pela prosa brevíssima trazem irreverência, humor, mordacidade e muita, muita liberdade para propor jogos de palavras. Ideal para para rápidas leituras e demoradas reflexões. Ano: 2023 Santa Sede Editorial - Selo Balcão 110 páginas - [Meu Lugar no Mundo](https://oficinasantasede.com.br/produto/meu-lugar-no-mundo/) - Ficha técnica Autoras e autores: Ana Chapper, Ana Helena Reis, Ana Paula Gasparini, Cris Vasquez, Mariângela Botelho Franco, Roberto Mário Issler, Cristina Rodrigues, Soraya Jordão e Zeni Isquierdo Danelon. Ano: 2022 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 240 páginas - [Versão dos Fartos](https://oficinasantasede.com.br/produto/versao-dos-fartos/) - Cronistas participantes: Eugênia Câmara, Rubem Penz, Carol Anversa, Afonso Mossry Sperb, Fernanda Cunha Quadros, Jefferson José Rodrigues Escobar, Noara Lisboa, Kátia Madruga, Felipe Basso, Soraia Schmidt e Iara Tonidandel, Ananyr Porto Fajardo, Greta Guimarães, José Elesbán Rodrigues, Altino Mayrink e Marcel Souza. Ano: 2022 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 240 páginas - [Mulheres Ic(r)ônicas](https://oficinasantasede.com.br/produto/mulheres-icronicas/) - Ficha técnica Autoras Martha, Greta, Jane, Ananyr, Soraia, Norma, Dio, Iara, Cláudia, Cinthya, Ana Cristina, Ângela, Noara e Eugênia (Org), junto com Rubem Penz (Org). Ano: 2022 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 240 páginas - [Santa Sede-Crônicas de Botequim Safra 2015](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2015/) - Participam do livro as cronistas Ana Luiza Tonietto Lovato, Ana Paula Vieira de Moraes, Andrea Troller Pinto, Bruna Marçal Cabrera, Joana Narvaez, Maria Lucia Meirelles, Marta Leiria Leal Pacheco, Patrícia Franz e Paula Luersen. A obra conta ainda com uma apresentação de Mariana Ianelli, também cronista da RUBEM. - [Outros presentes](https://oficinasantasede.com.br/produto/outros-presentes/) - Ficha técnica Autores: Rubem Penz (Org.), Camila Mossi, Regina Lydia, Viviane Chaves Intini, Greta Cardia E. M. Guimarães, Marcel Souza, Noara Lisboa, Eugênia Câmara, Fernanda Cunha Quadros, Patrícia Ana Neumann Ano: 2021 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 240 páginas - [Horas Íntimas](https://oficinasantasede.com.br/produto/horas-intimas/) - Ficha técnica Autores: Rubem Penz (Org.), André Hofmeister, Dris Sampaio, Carol Anversa, Alexandre Wahl Hennigen, Soraia Schmidt, Maria Amélia Mano, Altino Mayrink, Ângela Puccinelli, Graciella Tomé, Felipe Basso, Ananyr Porto Fajardo, Luca Boaz, Ana Luiza Rizzo. Iara Tonidandel. Ano: 2021 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial 240 páginas - [Combo Hoje não vou falar de amor + O Y da questão](https://oficinasantasede.com.br/produto/combo-hoje-nao-vou-falar-de-amor-o-y-da-questao/) - Adquira os 2 livros do Rubem Penz nesta promoção por tempo limitado, e com frete grátis. - [Santa Sede-Crônicas de Botequim Safra 2013](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2013/) - O livro conta com a participação de Camila Leão, Geraldo Barreto Vianna, Gerson Kauer, José Elias Flores Jr., Linda Grossi, Luciana Farias, Maria Mercedes Bendati, Tiago Pedroso e Vanessa Conz. Organização: Rubem Penz Editora Editora Buqui ISBN: 858338018x ISBN-13: 9788583380184 Idioma: português Encadernação: Brochura Edição: 1ª Ano de Lançamento: 2013 Número de páginas: 247 - [Almoço de domingo - Santa Sede 10 - Safra 2019](https://oficinasantasede.com.br/produto/almoco-de-domingo-santa-sede-10-safra-2019/) - Ficha técnica Autores: César Diogo, Tamara Cé, Silvio Sodré, Jussara Wittmann, Antonio Carraro, Dio Santanna, Marcia H. de M. Ribeiro, Rubem Penz, Ananyr Porto Fajardo e Roselena Colombo Ano: 2019 Organização: Rubem Penz Editora Metamorfose - [Marias e Clarice](https://oficinasantasede.com.br/produto/marias-e-clarice/) - Ficha técnica Autoras: Clarice Jahn Ribeiro, Renata Morsch, Jane Maria Ulbrich, Gabriela Guaragna, Vanessa Penz, Helena Vellinho Corso, Maria Lucia Meirelles, Maria Amélia Mano, Rita Rheingantz, Ângela Puccinelli, Ananyr Porto Fajardo, Maria Avelina Gastal, Silvia Duncan, Soraia Schmidt. Ano: 2020 Organização: Rubem Penz Santa Sede Editorial ISBN 978-65-992300-2-8 240 páginas - [Santa Sede - Crônicas de Botequim - 10 anos](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-10-anos/) - Santa Sede 10 anos - tim-tim por tim- tim, como se fosse uma agenda permanente, com muitas imagens e relatos, conta a história de como um insight se transformou numa oficina literária premiada, apaixonante e com centenas de autores publicados. Ficha técnica Organização: Rubem Penz Editora: Santa Sede Editorial 160 páginas ISBN 978-65-99230-0-4 - [A Persistência do Amor](https://oficinasantasede.com.br/produto/a-persistencia-do-amor/) - O livro “A persistência do amor” foi o vencedor do Prêmio Livro do Ano Ages 2017 na categoria Crônica. Prêmio entregue no dia 05 de agosto de 2017. - [Cobras na Cabeça - Crônicas (ir)reverentes](https://oficinasantasede.com.br/produto/cobras-na-cabeca/) - Uma homenagem aos 40 anos de As Cobras, de Luis Fernando Verissimo Participam do livro os cronistas Tiago Pedroso, Luciana Farias, Zulmara Fortes, Camila Leão, Gerson Kauer, José Elias Flores Jr, Ronaldo Lucena, André Hofmeister, Luciana Villa Verde, Gabriela Ferreira, Nara Accorsi, Giancarlo Carvalho, Dora Almeida, Linda Grossi, Roberto Marques, Felipe Basso, Rosane Schotgues Levenfus, Cris Lavratti. Organização: Rubem Penz. Editora Editora Buqui ISBN13:9788583382607 ISBN10:8583382603 Número de Páginas: 256 Número Edição: 1 Ano Edição: 2015 - [Por cima é Millôr](https://oficinasantasede.com.br/produto/por-cima-e-millor/) - Cronistas: Ângela Puccinelli, Felipe Basso, Gabriela Guaragna, Gerson Kauer, Jane Ulbrich, João Willy, José Elesbán Rodrigues Magnus Daniel Pilger, Maria Avelina Fuhro Gastal, Renata Morsch, Rosane Schotgues Levenfus, Rubem Penz, Patrícia Faccioni, Tatiana Druck e Tom Saldanha Ano: 2019 Organização: Rubem Penz Editora Metamorfose - [Há de Ti, Rubem Braga](https://oficinasantasede.com.br/produto/ha-de-ti-rubem-braga/) - Cronistas: Felippe Basso, Rosane Leventus, Jorge Bledow, Zulmara Fortes, Rubem Penz (organizador), André Hofmeister, Gerson Kauer, Giancarlo Carvalho, Mariana Almeida, Letícia Garcia, Ana Paula, Ana Luiza Tonietto Lovato, Clarice Maria Jahn Ribeiro, Maria Tereza Vieira Lopes e Maria Lucia Meirelles. - [Hoje não vou falar de amor](https://oficinasantasede.com.br/produto/hoje-nao-vou-falar-de-amor/) - Quarta coletânea de Rubem Penz, a primeira com a presença de capítulos (Afetos, Afeitos e Aflitos), “Hoje não vou falar de amor” traz 68 crônicas típicas de um comentarista do cotidiano atento às relações humanas. Destaques para a variedade de estilos explorados pelo autor e as apresentações de Luis Fernando Veríssimo (orelha) e André Roca. 200 pg 21 de altura 14 largura 1,4 espessura Ed Metamorfose, 2019 ISBN 978-85-53074-45-7 - [Caio em Mim](https://oficinasantasede.com.br/produto/caio-em-mim/) - Cronistas: Ana Luiza Rizzo, André Hofmeister, Camila Z., Clarice Jahn Ribeiro, Edgar Aristimunho, Felipe Basso, Gabriel Lesz, Giancarlo Carvalho, Maria Amélia Mano, Maria Isabel Arbo, Maria Mercedes Bendati, Michele Justo iost, Patrícia Franz e Ronaldo Lucena e Rubem Penz. Org: Rubem Penz Ano: 2018 N° Páginas: 175 Altura: 22,8 cm Largura: 15,6 cm Espessura: 1,2 cm - [Santa Sede - Crônicas de Botequim Safra 2018](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2018/) - Cronistas participantes: Astúria Vasconcelos, Graciella Tomé, Jane Maria Ulbrich, João Willy, Luca Boaz, Rubem Penz (org.), Soraia Schmidt, Thomas Olsen, Tom Saldanha e Zorday Prati Org.: Rubem Penz Ano: 2018 N° de págs: 202 Altura: 23 cm Largura: 16 cm Espessura: 1,5 cm - [O Y da questão e outras crônicas](https://oficinasantasede.com.br/produto/o-y-da-questao-e-outras-cronicas/) - Ano de Lançamento: 2007 Editora: Literalis Páginas : 128 ISBN : 978-85-88709-36-2 - [Santa Sede-Crônicas de Botequim Safra 2011](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2011/) - Organização: Rubem Penz Autores: Felipe Basso, Giancarlo C. Borges, Jorge Bledow, Joséte Sobbé Obino, Luci Feiten, Márcia do Canto, Rodrigo Lindenmeyer, Silvia Regina Duncan Aita e Valdomiro Martins. Editora Fábrica de Leitura - http://www.fabricadeleitura.com.br Páginas: 232 - [Santa Sede-Crônicas de Botequim Safra 2012](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2012/) - Terceiro volume da coletânea Santa Sede – Crônicas de Botequim - [Santa Sede - Crônicas de Botequim Safra 2016](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2016/) - São os autores das 81 crônicas desta antologia: Angelo Kirst Adami, Clarice Jahn Ribeiro, Guilherme Vellinho Furlong, José Elesbán Rodrigues, Letícia Garcia, Magnus Daniel Pilger, Mariana Almeida, Raian Alves e Rosana Leotte. - [Santa Sede - Crônicas de Botequim Safra 2017](https://oficinasantasede.com.br/produto/santa-sede-cronicas-de-botequim-safra-2017/) - Cronistas participantes: Daniela Altmayer, Edgar Aristimunho, Fernanda Rosa, Gabriel Lesz, Juliane T. Farina, Kátia Madruga, Letícia Prata, Maria Amélia Mano e Vivi Sleimon, além do organizador. ## Módulos - [APERITIVO Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/modulo/aperitivo-santa-sede/) - período: setembro a novembro, encontros semanais, online, segundas-feiras das 18h às 19h50 e das 20h às 21h50 | presencial terças-feiras das 18h às 19h50 e das 20h às 21h50 - [Santa Sede VERÃO](https://oficinasantasede.com.br/modulo/santa-sede-verao/) - período: janeiro, quatro encontros, segundas, terças ou quartas-feiras, às 19h30 - [Santa Sede MOSAICO](https://oficinasantasede.com.br/modulo/santa-sede-mosaico/) - período: setembro a novembro, encontros semanais terças-feiras, turmas das 18h às 19h50 e 20h às 22h - [CIRCUITO Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/modulo/circuito-santa-sede/) - período: entre março e setembro, encontros semanais segundas, terças e quartas-feiras - [Santa Sede MUSAICO](https://oficinasantasede.com.br/modulo/santa-sede-musaico/) - período: setembro a novembro, encontros semanais terças-feiras, turmas das 18h às 19h50 e 20h às 22h - [Santa Sede MATINÊ - Crônicas cinéfilas](https://oficinasantasede.com.br/modulo/santa-sede-matine/) - período: entre março e novembro, encontros semanais, terças 18hs - [Santa Sede Crônicas de Botequim](https://oficinasantasede.com.br/modulo/santa-sede-cronicas-de-botequim/) - período: entre março e agosto, encontros semanais, segundas-feiras às 20h (virtual) e terças-feiras às 20h (presencial) ## Fotografos - [Carlos Hirschmann](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/carlos-hirschmann/) - Carlos Hirschmann 66, Sociólogo, natural de Porto Alegre/RS. Atuou cerca de 20 anos na área de Recursos Humanos em indústrias de médio e grande porte. 1998, empreendeu com o projeto Music Hall PUB (Jazz, Blues e Rock). 2005 migrou para Florianópolis/SC e se dedicou em 3 projetos comerciais. 2012, iniciou no mundo das cervejas especiais. - [Álvaro Sanguinetti](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/alvaro-sanguinetti/) - Álvaro Bertoni Sanguinetti Uruguaio, arquiteto, poeta e fotógrafo radicado em Porto Alegre. Aos 61 anos, transforma o ordinário em poesia visual através da lente do celular. Seu olhar sensível ao efêmero captura a transitoriedade da vida urbana. Premiado nacional e internacionalmente, seu trabalho funde a fotografia artística e documental numa investigação emocional do cotidiano. Cada - [Silvia Rolim](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/silvia-rolim/) - Silvia Beatriz Alves Rolim Porto-alegrense, geóloga e caminhante. Na UFRGS sou professora e investigo a Terra com satélites. Nas horas vagas, escrevo crônicas movida pelos filmes e séries de ficção científica que assisto desde a infância. Tudo isso alimenta minha natureza inquieta na busca pela compreensão do humano e tudo mais. Tenho os pés no - [Idiana Luvison](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/idiana-luvison/) - Idiana Luvison Sou dentista de profissão, fotógrafa de coração e também me aventuro nas letras. Participo de Oficinas Santa Sede. Tenho Porto Alegre como cidade para voltar, mas gosto de andar pelo mundo conhecendo novas realidades, novas culturas. Tenho uma filha e dois netos lindos, razões para voltar. Sou natural de Nova Prata e trago - [Eloi De Farias](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/eloi-de-farias/) - Eloi Santos De Farias De Rio Grande nascido em 1955, exerceu a profissão de fotógrafo em fotomecânica desde os 14 anos de idade, agora aposentado segue fotografando e editando no Photoshop, aplicativo que desde os anos 90 usa como sua melhor ferramenta. Como fundador do Fotoclube Porto-Alegrense atua seguidamente em concursos e exposições fotográficas.@elofarias textos - [Jorge Lansarin](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/jorge-lansarin/) - Jorge Guerino Lansarin Reside em Porto Alegre – RS. Acredita que “a vida é uma fotografia”. Desde que ingressou no fotojornalismo, transforma instantes cotidianos em narrativas visuais impactantes. Como integrante do Foto Clube Porto-Alegrense, mantém-se ativo em sua paixão pela fotografia, capturando a essência dos momentos com um olhar apurado e comprometido. Explora vários gêneros - [Carlos Rodrigues](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/carlos-rodrigues/) - Carlos Rodrigues Carlinhos Rodrigues nascido em Encruzilhada do Sul, desde 1957 reside em Porto alegre, foto-jornalista por mais de 42 anos, trabalhei em jornais do Rio Grande do Sul, Caldas Júnior e Zero Hora, e Tb para o Estado de São Paulo e Jornal da Tarde. Fiz diversas coberturas de problemas sociais, política, esportes, geral. - [Phil DeVries](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/phil-devries/) - Phil DeVries Phil DeVries é nativo de Michigan, mas deixou sua homeland em 1978 em busca da natureza tropical. Seu trabalho como biólogo rendeu mais de uma centena de artigos científicos e dois livros. Em paralelo, mantém um profundo interesse em fotografia e música. Na fotografia, tem preferência por branco e preto; na música, Jazz - [Paulo Paim](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/paulo-paim/) - Paulo Emilio de Sousa Paim Fotógrafo amador, começou de forma autodidata há mais de 40 anos, e com auxílio de livros e cursos aliou seu olhar fotográfico com a técnica. Participou de diversas mostras coletivas e concursos nacionais e internacionais. Tem como referência os trabalhos de Elliott Erwitt, Henry Cartier-Bresson e Sebastião Salgado. Sua área - [Iara Tonidandel](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/iara-tonidandel/) - Iara Teresinha Coelho Tonidandel Iara Tonidandel, natural de Porto Alegre, entusiasta pela arte das imagens, iniciou sua formação como fotógrafa na tradicional escola de Porto Alegre Câmera Viajante. Associada ao Fotoclube Porto Alegrense desde sua fundação em 2018. Trabalhou como voluntária em projetos socioambientais nos países da Namíbia, África do Sul, Sri Lanka e Tailândia. - [Marco Faria](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/marco-faria/) - Marco Antonio de Faria Fascinado pela capacidade de as imagens capturarem a essência dos momentos, dedico-me a registrar a força e a beleza de manifestações culturais e shows. Através do meu olhar, busco traduzir a energia e a emoção , para a construção da memória.@marcofaria_fotos textos relacionados 11 - Foto de Marco Faria - OPSM - [Jane Cassol](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/jane-cassol/) - Jane Rosana Cassol Historiadora, busco através da fotografia fatos que não voltarão a se repetir. textos relacionados 6 - Foto de Jane Cassol A leste das águas Um ano e meio se passou. Lembrou-me uma antiga história. “E esteve o dilúvio quarenta ... José E. Rodrigues 6 - Foto de Jane Cassol O grande rio - [Myrthes Gonzalez](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/myrthes-gonzalez/) - Myrthes Gonzalez é Facilitadora Didata de Biodanza, diretora da escola de formação de Porto Alegre – Frater, psicóloga e escritora. textos relacionados 7 - Foto de Myrthes Gonzalez Moscas volantes e patologias sociais “Não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos” ( Anaïs Nin). ... Miriane Willers 7 - Foto de - [Marcelo Alves](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/marcelo-alves/) - Marcelo Alves é natural de Porto Alegre e encontra na fotografia uma janela aberta para libertar seu olhar, descompromissado e sincero. textos relacionados 8 - Foto de Marcelo Alves Estranho silêncio “Avião sem asa Fogueira sem brasa Sou eu assim sem você” ( Claudinho & Buchecha) ... Miriane Willers 8 - Foto de Marcelo Alves - [Guto Monteiro](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/guto-monteiro/) - Guto Monteiro, 1975, Santo Antônio da Patrulha RS. Criado em um ambiente permeado de arte, ora pelas câmeras e imagens fotográficas do pai, ora pelas telas e trabalhos da mãe. Estudou foto e revelação no SENAC e, desde 1996, trabalha com fotografia. Também ministra oficinas e trabalhos voluntários. É um apaixonado por fotografia de rua, - [Flávio Wild](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/flavio-wild/) - Graduado em Arquitetura e Urbanismo, mas foi no design gráfico e na fotografia, atuando a partir de 1990, que construiu a sua carreira. Focado na área cultural – cinema, literatura, teatro e música – e também editorial, conquistou importantes prêmios, teve trabalhos selecionados por publicações especializadas nacionais e internacionais e participou de mostras coletivas e - [Carla Penz](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/carla-penz/) - Carla Penz é Bióloga juramentada. Escreve artigos científicos e ensaios, e adora ler textos variados (em Português, Inglês e Espanhol). Nasceu em Porto Alegre, mas mora nos Estados Unidos desde 1989. Viajou por vários países a trabalho, mas, agora que está aposentada, planeja viajar por prazer. Sente saudades e pensa muito na família. Acredita que - [Marcelo Leal](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/marcelo-leal/) - Porto Alegrense nasci em Março/1963, químico tecnológico, aprecio as artes, principalmente da música e fotografia. Como músico, integro um quarteto de jazz há 30 anos, com quem participei de diversos projetos na área, em Porto Alegre. Como fotografo, atuo desde 2012 e desde lá trabalho na busca de uma identidade sincera que represente a essência - [Maria Alice Gravina](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/maria-alice-gravina/) - professora de matemática aposentada . hoje amante da fotografia - [Sandra Rodrigues](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/sandra-rodrigues/) - Fotógrafa Amadora Sócia do Fotoclubeportoalegrense – FCPOA Integrante do Grupo de Fotografias Câmeras Passeadeiras. Frequentou Cursos de fotografia digital da Escola Câmera Viajante. Participou de Oficina de Fotografia de Rua na Casa de Cultura Mário Quintana. A fotografia me acompanha desde a infância vendo meu pai fazendo questão de “retratar e revelar” fotos analógicas do - [Nina Pulita](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/nina-pulita/) - Fotógrafa amadora. Associada ao Fotoclube Portoalegrense desde a sua fundação. Já participei de várias exposições coletivas: Mosaicografia (Largo Glênio Peres) Escadaria da Borges (Viaduto da Borges), Histórias Instantanêas (CCMQ), Casa Azul (Fumproarte), Expo 247 (Câmara de Vereadores Poa), 2ª Expo da 247 (Clube de Cultura), Cotidiano (SESC), Trensurb (Metrô Centro Histórico), 4ª Feira do Livro - [Nely Alves](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/nely-alves/) - “Professora pública aposentada e a fotografia, meu hobby, minha grande paixão”.Meus temas preferidos são a natureza, viagens e a fotografia artística. textos relacionados Foto 9 - Nely Alves Guardar a chuva? Carregando nas trança responsa e/ herança de minhas ancestrais/ Que às vezes, sim, é ponto ... Roselena Colombo Foto 9 - Nely Alves Identidade - [Maristela Padilha](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/maristela-padilha/) - “Professora da área da saúde e, embora não atue profissionalmente como fotógrafa, é apaixonada por esta forma de arte. Tem o foco na mobgrafia e, em especial, nos registros urbanos”. textos relacionados Foto 8 - Maristela Padilha Certezas… 2 – mistério esclarecido – Etelvina , cê tá vendo aquele menino espoleta ali pulando na praia? - [Heloíza Averbuck](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/heloiza-averbuck/) - Iluminadora de Espetáculos criou desenho de Luz de vários espetáculos, entre eles Tangos & Tragédias e a Sbornia Kontratraka. Fotógrafa com curso de especialização em Técnicas Avançadas de Fotografia Digital pela ESPM. Participou de algumas exposições coletivas:Laborando Três edições da Street Expo Photo em Porto Alegre Três edições internacionais da expo Elles MitraillentExposition: Paris França - [Douglas Fischer](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/douglas-fischer/) - Douglas Fischer é brasileiro, fotógrafo amador e integrante do Fotoclube Porto-Alegrense, nascido no Município de Três de Maio/RS no dia 2.12.1969. Gosta de explorar temas relacionados com campo, natureza e cenas urbanas.Tem sua página no instragram no endereço @douglasfischer_fotografia.Já fez exposições no Brasil e no exterior, com algumas premiações nacionais e internacionais em várias categorias. - [Carlos Eduardo Vaz](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/carlos-eduardo-vaz-2/) - Nascido em Porto Alegre – RS, Carlos Eduardo Vaz, encontrou na fotografia a síntese de tudo o que aprecia e acredita. Foi à oportunidade de reunir em uma única forma de expressão cultural, as artes (cinema, música, teatro, pintura…) a ecologia e o meio ambiente, arquitetura e urbanismo, antropologia, fotografia documental, fotojornalismo, vida selvagem, entre - [Cláudia Brandão](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/claudia-brandao/) - Cláudia Mariza Mattos Brandão (Rio Grande, RS, 1956) Doutora em Educação (UFPel), com Pós Doutorado em Criação Artística Contemporânea (UA, PT), é professora do Centro de Artes, do curso Artes Visuais Licenciatura e do Programa de Pós Graduação em Artes, da Universidade Federal de Pelotas. É líder fundadora do PHOTOGRAPHEIN Núcleo de Pesquisa em Fotografia - [Cléber Quadros](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/cleber-quadros/) - Fotógrafo gaúcho, de São Leopoldo, está em constante observação para a captura de imagens feitas durante suas viagens e também durante as rotinas diárias. Atua também como fotógrafo voluntário para ONGs protetoras, registrando imagens de animais em situação de abandono em busca de adoção. textos relacionados Foto 3 - Cleber Quadros Amsterdam Amsterdam, cidade icônica. - [Alexandre Eckert](https://oficinasantasede.com.br/fotografo/alexandre-eckert/) - Porto Alegre, 1963. Arquiteto e Fotógrafo, apaixonado pelas palavras, música, arte e pela imagem. Desde 2019 desenvolve bate papos, palestras e cursos sobre fotografia com celular e expografias de Exposições de Fotografia. Segue pelos caminhos da mobgrafia e de vez em quando leva as câmeras fotográficas para passear.Acredita e pratica diariamente a fotografia criativa como ## Portfólio - [2014 | Maria Volta ao Bar - Antônio Maria](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2014-maria-volta-ao-bar-antonio-maria/) - COMPRAR Reportagem/Vídeo no GNShow: Rubem Penz está lançando o livro de crônicas ‘Maria volta ao barFilhote da já tradicional Santa Sede: crônicas de botequim (Editora Buqui ), rumo ao quinto volume, a oficina e livro Maria volta ao bar retorna no tempo para, com isso, inovar: como acontece em um botequim, afasta-se das regras didáticas - [2015 | Cobras na Cabeça - Luis Fernando Verissimo](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/cobras-na-cabeca-luis-fernando-verissimo/) - COMPRAR Uma homenagem aos 40 anos de As Cobras, de Luis Fernando Verissimo Arrastava-se o ano de 1975, e o bicho estava pegando. Entre outras cobranças, o Brasil clamava por liberdade. Foi então que “As Cobras” saíram da toca para destilar seu bom veneno. Já cronista consagrado, roteirista e, quando sobrava tempo, saxofonista, o genial Luis Fernando Veríssimo deu - [2017 | Há de ti, Rubem Braga](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2017-ha-de-ti-rubem-braga/) - COMPRAR Há Rubem Braga em todos os cronistas brasileiros a partir da segunda metade do século 20. Existe Rubem Braga em cada um de nós, mesmo quando sequer nos aprofundamos em sua leitura, pois, dele, surgiu a estética definida por Jorge de Sá como lirismo reflexivo, moldando o gênero. Neste projeto, resgataremos Rubem Braga literalmente… - [2018 | Caio em Mim - Caio Fernando Abreu](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2018-caio-em-mim/) - COMPRAR Caio Fernando Abreu é o quinto escritor brasileiro homenageado pela tradicional oficina literária Santa Sede – Crônicas de Botequim. O nome do escritor gaúcho foi escolhido pelo aniversário de 70 anos de seu nascimento, que acontece em 2018. “Caio foi um cronista sui generis – compunha sobre suas paisagens internas, ora usando e abusando - [2019 | Por cima é Millôr - Millôr Fernandes](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2019-por-cima-e-millor/) - COMPRAR Por cima é Millôr é o sexto livro da série Master Class Santa Sede, antologias nascidas na mesa de bar com a intenção de homenagear alguns dos mais destacados autores da crônica brasileira. E, iluminados por Millôr Fernandes, a tarefa se cumpriu através de recursos os quais o guru do Méier dominava: a crônica - [2016 | A Persistência do Amor - Paulo Mendes Campos](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2016-a-persistencia-do-amor-paulo-mendes-campos/) - COMPRAR A persistência do amor” recebe o Prêmio Ages Livro do Ano “O amor acaba”, crônica de Paulo Mendes Campos, emprestou seu título para uma coletânea publicada em 1999 pela editora Civilização Brasileira (republicada em 2013 pela Cia das Letras). Ali, o escritor nos confidencia o final do amor em instantes tão prosaicos como “num - [2020 | Marias e Clarice - Clarice Lispector](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2020-marias-e-clarice/) - COMPRAR O livro Marias & Clarice nasceu para homenagear a escritora – mais especialmente a cronista – Clarice Lispector no ano de seu centenário de nascimento. Desafio que foi proposto a um grupo de autoras, a escuta de sua voz interior dialoga com o pendor de Lispector em ofertar uma prosa intimista e reflexiva. Os leitores são - [2021 | Horas Íntimas - Vinicius de Moraes](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2021-horas-intimas/) - COMPRAR Vinicius de Moraes, além de sua carreira diplomática, foi destacado poeta, também compositor, roteirista, cronista, crítico de cinema e sensível pensador do Brasil no século XX. Suas obras e parcerias cruzaram fronteiras e estiveram vinculadas a alguns dos movimentos artísticos mais emblemáticos. Igualmente, foi um homem capaz de servir de elo entre o popular - [2022 | Versão dos Fartos - Moacyr Scliar](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2022-versao-dos-fartos-moacyr-scliar/) - COMPRAR Master Class Santa Sede em homenagem a Moacyr Scliar “Moacyr foi um humanista acima de tudo. Sua trajetória de vida revela um olhar aguçado sobre as relações humanas, seus dilemas e suas complexidades. Assim como as sementes que o vento espalha, sua obra disseminou-se pelo mundo. Em quase 50 anos de carreira, escreveu romances, - [2023 | Histórias stanislawianas - Stanislaw Ponte Preta](https://oficinasantasede.com.br/portfolio/2023-historias-stanislawianas-stanislaw-ponte-preta/) - COMPRAR Master Class Santa Sede que celebra o centenário de Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta Homenagens ao grande Stanislaw Ponte Preta e, por decorrência, ao ainda maior Sérgio Porto são muito bem-vindas neste ano da graça de 2023. Afinal, centenários são datas que só ocorrem a cada cem anos. Devemos, pois, enaltecer a iniciativa do grupo ## Construtor de site - [Header Santa Sede](https://oficinasantasede.com.br/astra-advanced-hook/header-santa-sede/) - INSCREVA-SE! 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