Guy Billout por Jaqueline Behrend Silva

A cor azul

Jaqueline Behrend Silva

Mirando o azul ele estava a tomar uma decisão. Talvez fácil, pois qualquer decisão tomada acabaria parecendo ser a mesma, pois afinal o azul lhe parece infinito.

O azul era o mesmo, a profundidade talvez não seja, como saber?

Ele só poderá saber depois de pular, sendo que tem a opção de retornar pela escadaria vermelha que o levaria para a segurança do solo.

A segurança muitas vezes é benéfica, mas também pode levar a paralisia. Paralisia de pensamentos, paralisia de atitudes, manutenção do status quo. A ideia de tomar uma decisão só depende dele.

O homem olha, observa, pensa, registra suas experiências anteriores e expectativas futuras. Será prudente ou imprudente, escolherá o que lhe parece mais seguro, ou decidirá pelo desafio, pela inovação.

Sempre tem, antes da decisão do salto, a chance do retorno. Depois do pulo dado a pequena escada ainda o leve de volta, mas este após realizado só saberemos o quanto foi de fato importante e valoroso após realizado.

Ele está também a escolher não só por qual prancha, mas também que modalidade de salto fará. Pensando bem, ele acredita que a modalidade será mais importante que o pulo em si, mas depende também da profundidade.

Ele pode simplesmente se jogar em pé e sair da piscina pela escadinha, sem praticamente nada ter realizado de diferente de fato.

Pode arriscar de cabeça, ou quem saber dar um salto mortal simples, duplo, triplo. Tudo vai depender do preparo prévio e habilidade.

Ele treinou, está apto a qualquer pulo.

Ele se sente preparado, quer saltar e decide.

Pulo dado.

Água deliciosa, azul, imensidão azul, paz, alegria, renovação.

Chega junto à escadinha, sobe, e vai viver.

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