Terry Widener por Marcel Souza

O novo (e chato) normal

Marcel Souza

Sai de casa, bota a máscara, entra no carro, passa álcool gel nas mãos, chega ao mercado, de máscara, medem a sua temperatura, um pouco mais de álcool nas mãos, chega em casa, dá banho(de álcool) nas compras. Esse é um exemplo bem básico da rotina do novo chato normal. Necessário no momento eu sei. Porém já estamos há seis meses tolerando essa nova rotina. Nova e chata, repito. 

Não bastasse isso, o pior é a gente fazer tudo certo(ok, 99%) e ver aquele pessoal com o nariz de fora. Ou o vizinho bobalhão, que já tem histórico de problemas, e nunca usa máscara no condomínio. Ou o cara que todo cheio de razão querendo entrar na loja sem máscara e sai indignado dando showzinho. Admito que já tive que sair do mercado de fininho para pegar minha máscara no carro, mas por puro esquecimento.

Falando em mercado, mais de uma vez já encontrei amigos mascarados lá. Conversamos é claro, mas abraço? Aperto de mão? Nem pensar! No máximo aquele toque de cotovelos, ou de antebraço. Estranho.

Dois mil e vinte foi o ano em que os shows deram lugar para as lives, importante para os artistas, e legal para o espectador se distrair. Mas em nada se compara a energia de dividir o mesmo ambiente que o seu artista preferido. Mesmo no conforto do sofá, não vão deixar saudade, ao menos para mim. E o futebol sem público? Que falta faz a alegria e o barulho da torcida. 

Não vejo a hora do velho normal voltar. Reencontrar os amigos no bar, ir a bons shows, voltar a ver o meu Inter no estádio e viajar, é claro. Enquanto isso, bota a máscara, passa álcool gel nas mãos, mede a temperatura. Seguimos vivendo e tolerando essa chatice da nova normalidade e do distanciamento social. Mas que passe logo!

 

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